Os dias seguintes ao passeio na praia e à feirinha desenrolaram-se numa rotina delicada. A casa de Ângelo, outrora um refúgio solitário de um marinheiro, transformara-se num lar cheio de vida, mesmo que essa vida viesse acompanhada de uma sombra inevitável. Clara, com sua energia infantil e olhos castanhos cheios de curiosidade, tornava-se o centro de tudo, e a cada dia que passava, os laços que a uniam a Ângelo e Laura cresciam mais fortes, mais visíveis, como cordas que se entrelaçavam num nó impossível de desfazer. Laura acordava cedo, muitas vezes antes do sol, ao som dos primeiros murmúrios de Clara no berço. A menina, agora habituada à nova casa, já não chorava tanto ao despertar, mas chamava por “Papá” e “Lala” — o apelido carinhoso que dera a Laura, incapaz de pronunciar o nome co

