Justin Bieber
— Estão falando de você, Sarah — falei, vendo que ela não deu importância.
— Sempre falam… — falou, pegando o esfregão e um pouco de sabão em pó, mas antes de me ajudar a lavar o banheiro, Sarah bateu uma foto do local, olhando com reprovação — Mas eu não me importo, eu sou sua amiga, não deles.
Sorri para ela, limpando as pias.
— Eles acham que a gente transa — murmurei e ela riu alto, enchendo um balde com água.
— Todos acham e não sabem a verdade, sempre querem opinar — ela se inclinou e eu pude ver um pouco dos seus s***s, cobertos por um casaco de couro elegante, que lhe caí muito bem — Mas nós apenas conversamos, limpamos e você analisa meus s***s.
Cocei a cabeça, olhando seu corpo.
— Está ereto?
Sinceramente, eu não me acho feio, talvez eu esteja acabado por estar aqui sem fazer nada que ajude a minha beleza, mas eu sei que pelo menos ela deve me achar bonito, porque o incidente na minha cela foi inacreditável, a mulher me viu nu e não fez nada, eu estava duro, quase usando as mãos na sua frente e ela agiu como se nada estivesse acontecendo.
— Vocês dois possuem conversas desagradáveis — Montgomery se pronunciou, eu quase esqueci da sua presença — pensei que não iria vir hoje, senhorita, já que veio ontem.
Minha psicóloga riu, torcendo o pano para secar o banheiro e eu fiz o mesmo, começando a deixar tudo organizado.
— Sua presença é desagradável e eu não falo nada, Senhor — segurei o riso, sem acreditar no que ela falou, vendo a cara de babaca do Marcus — eu venho quando tenho disponibilidade na semana.
— Está se achando autoridade em um lugar onde nós fazemos nossas leis, a cadeia não é a clínica de psicologia que você trabalha — Marcus disse, estalando os dedos e eu intercalei o olhar entre os dois.
— Realmente não é, mas eu gosto de mostrar meu distintivo jurídico para as pessoas, ele alega que eu estou aprovada por lei para frequentar até sua casa — Sarah riu — e então, eu posso falar para sua esposa que você foi surrado pelo detento da solitária por ser um babaca petulante.
Fiquei em silêncio e nós pegamos os baldes, levando até a salinha de limpeza. Montgomery passou as algemas em mim e nós seguimos para a solitária.
Sarah entrou comigo e depois que Marcus saiu, ela riu de lado.
— Marcus tem inveja de você — ela se sentou e eu cruzei o cenho.
— Inveja de mim? — eu ri descrente, sentando ao seu lado — ele só gosta de me ver com raiva.
— Ele sente inveja — ela afirmou — porque você tem a língua afiada e é melhor nos socos do que ele, Marcus tem medo de você.
— Disso eu sei, todos têm.
Sarah me olhou e retirou um bloquinho de anotação da bolsa.
— Eu não tenho.
— Deveria — murmurei — eu sei que te intimido.
— Não, nem um pouco, você quer ser intimidador para afastar todos de você, mas não adianta nada, não pra mim.
Eu ri e a encarei, mudando minha expressão, olhando diretamente nos seus olhos. Sarah também ficou séria e me encarou de volta, pude sentir seus olhos escuros julgar cada traço de mim, ela ao menos piscou, ficamos cerca de dois minutos sustentando o olhar, e em todo esse tempo ela não se mostrou com medo.
— Por que não tem medo?! — fiquei enfurecido, ela suavizou a expressão, olhando o bloquinho — em? Eu estou falando com você!
— Eu te intimido, Bieber — Ela sorriu, voltando a me olhar — você quer alguma reação negativa da minha parte, mas não vai ter, eu não te vejo como os outros vêem, não te vejo como monstro, mas sim como pessoa.
Torci a boca, sem ter o que argumentar.
— Quero te fazer algumas perguntas.
— Quantas? — encostei—me na parede.
— Poucas — Sarah folheou o bloco de notas, lendo algumas coisas para si — Como era a sua relação com sua mãe?
Respirei fundo e abaixei a cabeça, dedilhando o colchão.
— Não precisa responder se te machucar — ela falou com cautela — eu só preciso saber mais de você.
— Tudo bem, Sarah — olhei para a mesma — era ótima, até o Nicholas chegar.
Ela anotou rapidamente e bateu o lápis na perna, lendo a outra pergunta, parecendo analisar.
— E com seu pai? Como era?
— Boa… ele sempre foi atencioso e muito bom comigo, mesmo estando casado com outra mulher, a Erin e ele sempre se importaram comigo.
— Você tem irmãos?
— Tenho…, mas eu nem sei como eles estão — olhei para a parede, secando meus olhos antes que ela percebesse alguma lágrima.
— Você os ama?
Molhei meu lábio, sorrindo, talvez esse seja o sorriso mais verdadeiro que eu dei desde que entrei aqui.
— Não sei o que é amar, mas se for o que todos dizem, eu os amo.
Sarah pareceu surpresa, ela retribuiu meu sorriso calorosamente.
— Gostaria de ver seus irmãos e seus pais?
— Adoraria — falei para mim mesmo — mas tem dois anos que eu não vejo meu pai… não sei nem a idade dos meus irmãos direito e, bom, minha mãe me odeia, ela me abomina, acho que eu não tenho mais mãe.
— Não fala isso, uma mãe nunca para de amar os filhos, por mais que aconteça tudo de r**m, filhos são uma bênção, é como uma luz.
— Você é boa com as palavras.
— Obrigada — ficamos em silêncio por um tempo, analisei o que ela escrevia no papel e cruzei o cenho.
— Normalmente as mulheres têm a letra bonita, como consegue ler o que escreve? — eu ri e ela revirou os olhos.
— Obrigada por falar que a minha letra é horrível — Sarah fechou o bloquinho e guardou, mordendo o lábio, querendo dizer algo.
— O que foi?
— Por que você vai ficar vinte anos na solitária e os outros cinco anos como réu secundário?
Travei a mandíbula, dilatando as narinas.
— São meus problemas — resmunguei insatisfeito — não me pergunte sobre isso!
Ela estranhou e assentiu.
— Perdão, Justin, não foi a intenção te enfurecer — Sua mão tocou a minha e eu puxei, apertando o colchão.
— Acho que por hoje está bom — fui ríspido e apontei pra porta — Por essa semana está bom.
Ela ajeitou a bolsa e se levantou, batendo na porta para abrirem, me olhando reticente.
Arranquei os sapatos e me deitei, olhando para a parede.
— Até breve — ouvi sua voz e a porta abriu, seus saltos fizeram barulho e eu soltei o ar do pulmão, ouvindo a porta bater, mas com a presença de alguém dentro da cela.
Me virei e vi o coronel me observando, com o cacetete na mão.
— O que quer, Yale? — sentei-me e ele acertou o cacetete no meu rosto, me fazendo urrar de dor, começando a me golpear violentamente por todo meu corpo.
Desviei de alguns golpes fugindo pelo local, pois o cara tem o dobro do meu tamanho e da minha força.
— Que p***a é essa?! — falei alto e ele bateu nas minhas pernas, me fazendo cair com tudo no chão.
— Segura a sua psicóloga de merda — ele me ergueu pela camiseta e me pressionou na parede.
— O que ela fez? — falei entrecortado e ele apertou ainda mais meu pescoço.
— Mais um processo direcionado ao nosso presídio e você vai pagar! A sua amiga nova entrou com pedido de justiça contra nós, ela tirou fotos e nos processou ontem pela tarde.
Eu ri, cuspindo sangue.
— Sarah é uma pessoa justa, que gosta das coisas certas — falei e ele apertou ainda mais.
— Aqui nós fazemos justiça — Yale me jogou nos pés da cama — é bom você dar um jeito de afastá-la.
Respirei fundo e passei a mão no meu nariz, sentindo minha cabeça doer.
— Não por muito tempo… — murmurei para mim e ele saiu, trancando a cela mais uma vez.
(...)
Sarah Montserrat
— Que bom que pode vir — falei sorrindo, estendendo a mão para Jeremy, cumprimentando sua esposa.
— Assim que recebi seu e—mail eu precisei saber o motivo que me chamou aqui na clínica, senhorita — Jeremy falou e beijou a mão da esposa, parecendo ansioso.
— Bom — peguei as fichas do Justin junto com as minhas anotações — para nós reduzirmos ou abolimos a pena, precisamos de provar algum transtorno mental que o induziu ao homicídio, então, eu fiz algumas perguntas para ele e notei que ele se sente muito sozinho, ele se sente como um monstro, Justin quer afastar as pessoas e quer passar medo pra todos, quer que nós o vejamos como um assassino, não como pessoa.
Jeremy assentiu, pensativo.
— Preciso que você faça um esforço de ir vê-lo, por mais que ele esteja proibido de socializar, ele precisa de ver você pelo menos uma vez por mês, tanto você quando a senhora Mallette — falei, olhando para ele, vendo—o pensativo — Preciso da sua ajuda para descobrir os motivos reais do assassinato de Nicholas Joel Hank.
Jeremy abaixou a cabeça, respirando fundo.
— Eu sei que é difícil, mas preciso de você, de vocês, na verdade — olho para sua esposa e ela ergue o rosto dele, assentindo.
— Tudo bem, quando posso vê-lo? — Jeremy sorriu fraco e eu me senti aliviada.
— Vá amanhã — falei, sorrindo — vá amanhã e leve à ele algo para comer, sabonetes… só mostre que você ama seu filho, eu tenho certeza que Justin não é r**m, ele precisa de um ombro amigo e nada melhor do que você ser o ombro amigo.
— Obrigado, Senhorita Montserrat.
O acompanhei até a porta, me despedindo.
— Eu que agradeço — sussurrei e chamei o próximo paciente.
Eu vou descobrir esse enigma, Justin Bieber é o meu melhor caso e eu vou conseguir inocentá-lo.