Batalha

2948 Palavras
Justin Bieber   Quando Trevor Nikkei disse que ia ficar com o meu caso, eu pensei que seria igual a Sarah fazia.   Não, não é como ela fazia… longe disso. Eu não vejo o cara já tem uns quinze dias, mas já fui chamado cinco vezes na direção. Jeffrey Harlem voltou, mas voltou castrado, está me tratando como uma seda, tem me perguntado como estão meus dias e disse que eu não preciso mais limpar o presídio e, que se eu quiser, eu posso voltar a tomar banho e fazer minhas refeições junto com os outros.   “Não”, foi o que eu respondi. Me recuso a pisar naquele banheiro e me recuso a comer perto daqueles caras. Por mais que eu tenha me ferrado na fuga, Tony é o único que não levou punição, porque o desgraçado conseguiu sair, senão eu tenho certeza que ele teria me feito companhia lavando os banheiros.   Hoje é dia de visitas, assim que Jeffrey me liberou de sua sala, desci para o pátio sem expectativas de ver meu pai ali. Provavelmente ele já sabe que eu bati na Sarah.   — Justin? — alguém me chamou, meu corpo enrijeceu na mesma hora e eu suspirei, olhando na direção do meu avô, que estava segurando a mão de Diana. Vê-la me fez lembrar que Pattie queria matá-la. Engoli meus pensamentos e continuei parado, com as algemas nas mãos.   Ulisses Rollis, meu novo carcereiro, soltou minhas mãos e foi para junto dos outros. O pátio estava preenchido por risos e mais risos.   Meus avós vieram até mim e Diana em abraçou inesperadamente.   — Eu senti sua falta, meu amor — disse ela entre as lágrimas e eu abracei de volta, enfiando meu rosto na curvatura do seu pescoço.   Meu avô puxou a Diane e me olhou feio, minha avó não disse nada, apenas abaixou a cabeça.   — Por que não quer deixa-la perto de mim? — perguntei, olhando ambos.   — Porque você pode querer bater na sua avó como fez com a psicóloga — Bruce não mediu as palavras, elas me acertaram em cheio — eu preciso saber por que você matou o Nicholas!   — Por que eu quis, Bruce, tá bom assim?! — falei alto, sem me importar com os olhares lançados em minha direção — eu matei Nicholas Joel Hank porque eu sou r**m, sou um psicopata!   — Para com isso, Justin, por favor — Diane me olhou e olhou para o meu avô — pare também, Bruce, a Pattie precisa dele…   — Eu pensei que precisava, Diane, mas ele não é meu neto. Isso aí é um monstro — Ele apontou para mim e puxou a minha avó, que não saiu do lugar.   — Filho, sua mãe está m*l, ela não para mais de beber, some dias de casa, Patricia precisa de você mais do que tudo agora.   — Quando eu precisei de vocês, ninguém sequer se importou — falei, deixando uma lágrima cair — ninguém.   — Do que você está falando? — Bruce perguntou, tão confuso quanto a Diane.   — Não importa mais — dei de ombros e minha avó segurou meu braço.   — O senhor Nikkei está indo à fundo no seu caso. Sarah havia começado com o procedimento em um novo processo. O rapaz está quase conseguindo, nesses dias, ele nos ligou avisando que você vai conseguir sair no Dia de Ação de Graças. Daqui um mês e no Natal também, quando ver ele, o agradeça e se tiver chance de ver a senhorita Montserrat mais uma vez, a agradeça em dobro.   Assenti, olhando meu avô, que parece ter chupado limão e Diane pegou algo em sua bolsa.   Tive um deja vu. De repente, me lembrei da Sarah tirando papel e lápis da bolsa, consequentemente, me recordei do soco também e me senti um o****o. Assim como a minha avó, ela só quis me ajudar e, com certeza, Diane e Bruce estão aqui à pedido dela. Sarah me trouxe meu pai e meus avós e eu a afastei, isso deve ser o motivo pelo qual estou me sentindo tão vazio desde a sua partida. Ninguém mais fala comigo aqui, era ela quem conversava comigo sempre, ela me dava esperança, mesmo que eu tentasse omitir.   Uma vez que, Sarah se abriu comigo, foi um grande avanço e eu não soube aproveitar. Ela estava me dando passe livre para entrar em sua vida e me abrir também.   — Aproveite os lápis, filho — minha avó sorriu e eu dei um meio sorriso, assentindo. Bruce me abraçou e deu tapinhas nas minhas costas.   — São para escrever, não cegar as pessoas — sussurrou ele, provavelmente minha avó não está sabendo do incidente do banheiro — aproveite.   Com reticência, meu avô deu um passo para trás e segurou a mão da minha avó, olhei os lápis e segurei com um pouco mais de força.   — Quero te ver no Dia de Ação de Graças, provavelmente Jeremy virá te buscar — falou Bruce e eu assenti, sentindo meu coração dar cambalhotas no meu peito.   — Pensei que estivesse com ódio de mim — resmunguei, sem ser transparente.   — Tem gente precisando se você — disse ele por fim.   Após isso, eles foram embora.   Caminhei até o Ulisses, indo até a minha cela.   (...)   Limpei minhas mãos na água do chuveiro e encostei na parede, ofegante. A sensação de ter tido um orgasmo daqueles se instalou no meu corpo, entretanto, a punheta do dia teria que ser rápida — assim foi —, o tal Trevor virá hoje, meu carcereiro avisou que vamos até a sala de visitas, o que me fez lembrar da Sarah e dos beijos que trocamos. Os s***s fartos e o quadril de mãe. Largo, mas com a cintura fina e a b***a proporcional.   Fazia um bom tempo que eu não me tocava pensando nela, mas hoje me peguei imaginando seus lábios, imaginei a Sunshine também. Não de um modo malicioso, longe disso, imaginei ela cuidando da filha. O que me fez broxar muito, mas meus ânimos se animaram na fantasia que eu inventei.   Me julguem! Eu tenho que estar pensando em algo muito bom para ter uma m*********o maravilhosa. Pensar na Sarah colocando a filha pra dormir e depois indo até seu quarto num pijama de seda transparente, delineando cada parte do seu corpo, essa é a minha fantasia.   Mas eu não sinto apenas falta do corpo. Eu sinto falta dela. p***a… admito: Sinto. Falta. Dela.   Quando terminei meu banho e me recuperei do orgasmo, me vesti e bati na porta, avisando que eu estava pronto para falar com Trevor. O cara é gente boa, meio nariz empinado, mas é bacana.   Fui até a sala de visitas e cumprimentei Trevor com um aperto de mão, nos sentamos e ele colocou umas folhas sobre a mesa.   — O que é? — perguntei.   — Bom, preciso que assine esses documentos. É uma pré-requisito sobre o outro julgamento. A Sarah havia conseguido amolecer o juiz um pouco, então, como eu tenho mais influência é provável que eu consiga um julgamento no ano que vem. Como já estamos acabando esse ano e há três meses você veio sendo consultado, está sendo até rápido. Eu só quero que você me garanta uma coisa — Trevor me olhou e o celular dele tocou em cima da mesa, com uma foto da Sarah com a Sunshine na foto de perfil do contato. Travei minha mandíbula.   Será que eles têm algo? Não tem motivo para ele colocar uma foto das duas no contato dela, quando ela ligar vai estar o nome bem grande na tela. É desnecessário por uma foto ali.   — Só um minuto, por favor — Ele se levantou e abriu um sorriso que eu nunca havia visto, meu coração apertou um pouco. Deve ser excelente ouvir a voz dela pelo celular.   — Certo — resmunguei, sem saber o porquê da minha irritação.   Por que diabos ele colocaria uma foto no contato da Sarah?   — Ele não apareceu, não é? — resmungou ele, parecendo protetor demais para o meu gosto — ótimo, Sah, ótimo… — parei de ouvir por um instante quando ele proferiu o apelido com um pouco de malícia — fala pra Sun que no fim de semana eu vou levar um filme novo.   Olhei minhas mãos, lembrando do rosto da garotinha. Ele não tem nenhum pouco de pinta de pai. Deve estar agradando a menina só porque a mãe é linda e gostosa.   Quando ele desligou o celular, ainda tinha um sorriso em seu rosto.   — Vai assinar os papéis agora ou precisa de um tempo para pensar? — ele questionou, me olhando e olhando os papéis. Nikkei é direto, isso é bom.   Assinei sem nem pensar, ainda pasmo com a conversa dele. Qual seria a reação dele se soubesse que eu e a Sarah nos beijamos? Gostaria de saber.   — Valeu, cara, agora é só rezar para ter sorte — Ele sorriu para mim casualmente e eu dei de ombros, resolvendo me aprofundar um pouco mais no assunto do telefonema.   — Ficou mais contente depois que falou no telefone — comentei, rindo forçado — me diz quem é pra eu ver se me animo.   Nikkei juntou as coisas na mochila e enfiou o iPhone no bolso, não tenho ideia de qual seja.   — A Sarah — respondeu, amigável — a gente está se conhecendo.   Assenti, fingindo não ligar.   — O olho dela melhorou?   Ele me olhou estranho e suavizou a expressão, passando a mão pelo cabelo.   Esse cara é um babaca metido.   — Estou cuidando para que melhore.   Sem mais, ele saiu e eu olhei para a porta, travando a mandíbula e soquei a mesa.   Que eu não esteja com ciúmes, não tem motivo.     (...)     Sarah Montserrat     Eu estava com medo de que Charles Somers aparecesse na minha porta, mas, ao invés disso, meu amigo colorido resolveu aparecer todos os dias da semana com pizza, hambúrgueres e coisas engordativas. Nikkei tem me ajudado mais que tudo, está cuidando bem do caso Bieber e sabe fazer um oral como ninguém.   Sun está se apegando a ele e nós tivemos a conversa chata. Deixei claro pro Trevor que ele vai ser amigo da Sun, nada mais. Ele não discordou, não queremos que ela brote algum dia o chamando de pai.   Voltei a ir à clínica, consultas atrás de consultas, já que faltei vários dias, o trabalho acumulou.   Geórgia não apareceu mais com as ideias absurdas de me arrancar Sunshine e tudo parecia normal de novo. Falei com Jeremy duas ou três vezes, ele me disse que Trevor está fazendo um bom trabalho e que até conseguiu liberar Justin da solitária no Dia de Ação de Graças, o que é quase inacreditável, é a solitária. Baseando—me nessa conversa, tive uma conclusão importante, que me fez querer voltar pro presídio e retomar o caso.   Nunca, NUNCA mesmo, um presidiário da solitária poderia almoçar e tomar banho com os outros detentos, tampouco sair para feriados.   Isso ficou martelando na minha cabeça o dia todo e eu precisava por pra fora.   Quando cheguei em casa, tomei um banho hiper relaxante e fui fazer algo para comer, mas como uma bela teimosa, Madeline já havia feito. Nós jantamos e eu estava esperando uma ligação de uma certa pessoa, que não demorou a me ligar.   Sentei-me no sofá, colocando minha garotinha no colo e atendi o celular.   — Oi, gata — Trevor falou, com uma voz cansada.   — Oi… — suavizei a voz, sorrindo fraquinho — dia difícil?   — Problemas e problemas com um grupo de universitários, muita dor de cabeça com o caso do presidiário. Ele está super de boa, mas não fala o que aconteceu e está muito estranho, acho que ele se apaixonou por você.   Gargalhei, negando com a cabeça.   — Ele me socou, Trevor, é mais fácil ele estar apaixonado por você — nós dois rimos e eu suspirei, olhando a televisão — vai vir para cá hoje?   — Hoje não vai dar, gata, estou indo para a universidade e estou com trabalho até a testa para entregar. Desculpa?   Havia manha em sua voz, que me fez rir por exatos três minutos.   — Tonta…   — Bom, eu preciso de um super favor seu. Na verdade, eu não sei bem que espécie de favor é.   — Se está querendo minha língua na sua v****a, não precisa nem pedir, é um prazer.   Revirei os olhos.   — Você trabalha no tribunal de justiça, certo?   — Até onde eu sei sim… fetiche por escritório?   — Só escuta, babacão — falei e Sun desatou a rir, repetindo o adjetivo, me fazendo rir também — quero todos os arquivos do Justin. Tudo o que você puder pegar. Ele não é tratado como detento de solitária. Justin interage com os presidiários.  Por exemplo… ele almoçava com eles e tomava banho, nunca vi um presidiário de solitária agir como um detento de réu secundário — a linha ficou muda de repente — Nikkei?   — Vou ver o que eu consigo — afirmou ele.   — Obrigada, de verdade — agradeci.   Ele fez um som de concordância.   — Sah, por que se importa tanto com o caso se não quer mais?   Engoli em seco. Nem eu sei responder.   — Porque eu sou curiosa — expliquei e ele riu do outro lado da linha.   — Quer saber em quantos segundos meu p*u sobe?   Agradeci mentalmente por ele tornar o assunto descontraído.   — Você sexualiza tudo — dei risada — Boa noite, Trevor.   — Tchau, gata.     (...)   Trevor encheu meu e-mail com os arquivos que eu havia pedido. Fiquei meu horário de almoço lendo todos eles, eram muitos.   Entre leis e diplomacias, cheguei ao que eu queria:   A situação de pena do detento.   Eu teria que ter cautela, Trevor pegou os arquivos escondidos, então, assim que eu os lesse eu preciso exilá-los.   “Parágrafo primeiro: Dá-se que, por omissão de relatos e por falta de testemunhas o parlamento manterá o caso em aberto, ainda mantendo a pena que, contudo, pode vir a ser cancelada ou reduzida através de provas congruentes e testemunhas.   Parágrafo segundo: Devido ao insatisfatório debate durante o julgamento do dia 10 de janeiro de 2012, o detento ficará na solitária, porém, atuará como réu secundário em outros requisitos. O caso segue parcialmente em aberto até que terceiros possam advogar em defesa do sujeito”   Liguei para Trevor imediatamente, sem me importar se ela estaria numa reunião ou no trabalho. Ele não me atendeu, mas neste documento eu tinha mais do que o suficiente para poder intervir no caso. Nenhum dos papéis que o juiz me cedeu tem essas informações, provavelmente, retomar um caso como esse daria a ele trabalho demais.   Meu horário de almoço acabou e eu desliguei o IPad, indo até o meu armário. Guardei o aparelho e Kimberley me chamou assim que pus meus pés no meu consultório.   — Telefone pra você — ela me indicou o objeto e eu peguei, cruzando o cenho.   — Sim? — falei.   — Oi, Sah, é a Madeline — disse ela, me deixando confusa — meu celular descarregou e eu só estou conseguindo falar contigo por aqui.   Pelo tom de sua voz, não é bom.   — O que foi? — apoiei na bancada e ouvi uns barulhos.   — Mamãe, mamãe! A vovó disse que vai me apresentar meu pai! — Sunshine gritou, aparentemente feliz e minha mente travou um pouco — eu tô tão feliz, mamãe! A senhora não vai mais chorar de noite e…   Madeline disse de maneira apressada que iria desligar o telefone e desligou, me deixando sem um pedaço do chão.   Afim de estrangular minha mãe, caminhei firmemente para o escritório e quando coloquei um pé lá dentro digitando seu número no meu teclado, meu celular foi ao chão, junto com todo o meu equilíbrio.   Não.   Eu me recuso a ver isso na minha frente.   — Charles? — engoli as palavras assim que as deliberei e ele se sentou.   — Me disseram que eu podia entrar, falei que era um assunto importante — ele alisou a barba e me olhou com um sorriso sem humor.   — Ainda temos coisas para resolver, faltou eu incluir a pensão da minha filha no divórcio.   Caminhei até ele e ergui minha mão, a ponto de fazê-lo engolir os dentes.   — A Sunshine não é sua filha!   Charles Somers ficou em pé, fingindo dar um soquinho no meu rosto.   — Relaxa… eu não vou arrancar sua filha de você ou coisa do gênero, mas sua mãe vai… decidi ajuda-la. Ela fica com a menina e eu posso… hum… — ele fingiu pensar, aumentando o sorriso — posso te assistir ficar sem a filha, você triste é um tipo de hobby para mim.   — Você não vai conseguir. Nunca procurou a mim quando ela estava menor, por que quer tanto me ver mau agora?   — Porque eu continuo odiando você.   — E me ver afastada da Sun vai te deixar melhor?   Charles riu alto.   — Geórgia me falou que você havia me superado, então sim, te ver afastada da pirralha vai me deixar melhor.   Me chamem de Justin Bieber agora, pois eu adotei seu método erudito de raiva.   Como um verdadeiro ogro, acertei minha mão com força em seu rosto, o empurrando para trás.   — Tire a minha filha que eu acabo com a sua vida, começando por agora — cuspi as palavras.   — E o que você vai fazer?! — Ele avançou contra mim, e, há essa altura, um pequeno grupo de funcionários estavam chamando os seguranças.   Olhei em volta.   — Te rotular de corno mais uma vez não vai me dar trabalho.  
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