De volta ao passado

4165 Palavras
Sarah Montserrat —  Está tudo bem… tudo bem — Trevor analisou meu rosto e secou minhas lágrimas. Eu estava chorando compulsivamente, dói tanto que eu m*l consigo raciocinar. Assim que Justin literalmente me nocauteou, eu travei no chão e comecei a perder a consciência por conta da enorme dor de cabeça, não tenho ideia de como vim parar na enfermaria, mas Nikkei está aqui, o que me tranquiliza um pouco. Se eu estivesse sozinha aqui com o Yale e com os outros funcionários daqui, provavelmente estariam me batendo mais. — Não quero mais esse caso — solucei alto. Merda, eu não sou de chorar, odeio ficar frágil perto de pessoas que eu conheço há pouco tempo, mas eu estou destruída. Com o corpo e a mente cansados. — Você tem todo direito de decidir o que quer, certo? — Trevor falou e analisou meu rosto com uma cara péssima.  Eu sei que está feio, sinto tudo dolorido e sei que a minha têmpora está inchada. — Não dá mais, eu desisto, não quero ver ele nunca mais. Posso parecer dramática. Mas qualquer um na minha pele desistiria. Talvez Justin tenha matado o padrasto sem motivos e escreveu por Hobby, ele não quer minha ajuda, não vou ajudar. Me recuso. É uma humilhação entrar aqui e sentir os olhares famintos e perversos, é humilhante fazer de tudo para ajudar e sair machucada. É humilhante ser chamada de p**a. Eu não desisto fácil, juro, eu sou persistente e determinada, mas o acontecimento de hoje me deixou sem coragem. Eu estou um caco. — Vou levar você para sua casa — Nikkei falou, dando espaço pra eu descer da maca. Suspirei pesado ao ver Marcus passar com a cabeça enfaixada e com as mãos cheias de esparadrapo, outro policial o seguia como se Montgomery fosse cair há qualquer instante. Logo, um rapaz totalmente magricela apareceu com faixas nos olhos, guiado pela enfermeira. — Bieber está me dando trabalho — resmungou a moça para o rapaz, o instruindo. — Ele vai ficar bem? Digo, os olhos… ele está enxergando? — ousei perguntar, me arrependendo assim que a enfermeira respondeu. —  Por sorte, ainda consegue ver pelo olho esquerdo. Saí de lá rapidamente, Trevor andou rápido para me acompanhar e foi comigo até o carro. No caminho, Yale me olhou com um sorriso enorme e então, supus que ele tenha mandado Justin fazer isso comigo, para eu não voltar mais. Parabéns, conseguiram! Entrei no meu carro e Nikkei me deitou no banco do passageiro, me acomodando perfeitamente e entrou em seguida. — E o seu carro? — perguntei, preocupada. — Meu irmão vai vir buscar, ele está por aqui, deve ter dormido na casa de alguém. Não comentei mais nada. Eu só queria minha casa e minha filha… ah, e distância de presídios.    Justin Bieber   Enquanto eu esfregava a pia nojenta do refeitório e observava a pilha de pratos que precisava guardar, deixei minha mente viajar até o acontecimento de horas atrás e dei uma risada incrédula. Na verdade, foi uma risada sem nexo algum. Os olhos dela inchados e roxos, é só isso que se passa pela minha cabeça. O jeito que Sarah se contorceu no chão, se não tivessem ouvido os gritos de “socorro” dela, provavelmente ela ainda ia estar jogada no chão, me olhando cheia de medo. Exatamente do jeito que eu gosto de ver as pessoas: com medo. Ouvi alguém pigarrear atrás de mim e me virei, deixando as louças num escorredor.   — Eu me lembro de você — falei, cruzando meus braços. — Te ajudei a sair da sua cela outro dia. Sou Trevor — ele também cruzou os braços e continuou a dizer — cara, meu papo com você vai ser reto. Bufei baixo e comecei a guardar os pratos, esperando-o falar. — Agora você espanca mulheres? — sua voz tinha uma pitada de ironia e um pouco de ameaça. — Se você acha que eu estou arrependido, a resposta é não. Não estou nenhum pouco arrependido, se eu pudesse eu até faria de novo, ela fica quente se contorcendo no chão — menti na última frase, não sou sadomasoquista. — Ela estava tentando ajudar você, Bieber, ajudar! — o tal Trevor se apoiou na bancada, estalando os dedos — fora daqui ela não para um segundo para pensar nela mesma. Vive para o trabalho e para a filha. Você acha que quando a saía do presídio ela ia correr num parque de flores? Não! Ela estava o tempo todo tentando te ajudar e você detonou o rosto dela! Se a intenção era me deixar m*l, ele conseguiu. — Sarah me irritou. — Você está me irritando agora com essa cara de antipatia, fingindo que nada te atinge — Ele deu um passo para a frente, mantendo a voz firme e eu enrijeci o corpo — nem por isso eu vou te bater. Eu tenho sensatez, cara. Você acabou de afastar uma pessoa incrível que só queria o seu bem, e o pior é que foi com covardia. Engoli em seco, vendo o meu novo carcereiro balançar as algemas. — Terminou? — perguntei, fingindo tédio. — Não, ainda não — o “Senhor lição de moral” sorriu sem mostrar os dentes — a Sarah não quer mais seu caso. Respirei fundo, olhando ele, esperando seu suspense terminar. — Ela não quer, Bieber, mas eu quero. (...) Sarah Montserrat — Isso tá feio — Madeline voltou a colocar um pedaço de carne no meu olho — Isso é pra você aprender a parar com as suas loucuras, seu lugar não é junto com um assassino. Não falei nada, apenas relaxei meu corpo, analisando as consequências. Consequência um: A mãe do Justin ainda vai ter problemas com álcool. Consequência dois: ele vai continuar preso e vai voltar a ser tratado como lixo. Consequência três: Jeremy Bieber não vai me pagar mais. Consequência quatro: sem beijos. Eu beijei o cara que me esmurrou, será que enquanto ele me beijava pensava em formas de me machucar? Isso ronda minha mente desde que Nikkei me deixou em casa. Eu fui tão tola em me abrir com quem não se importa, levei minha filha até aquele lugar para Justin se sentir melhor, me coloquei em perigo e ainda enchi os familiares dele de esperança. Eu preciso falar logo com Jeremy e explicar o que houve, posso até devolver as primeiras parcelas que ele me pagou. — Tá doendo muito? — Sun saiu de seu canto favorito e se sentou no meu colo — eu to preocupada com você — disse ela. — Eu sei que está, meu amor — beijei sua bochecha — mas vai passar, tudo bem? Logo logo vai passar. — Você não pode cair assim, é muito arriscado — mais uma vez, fiz esforço para entender suas palavras, mas acabei assentindo — tá parecendo uma lutadora que perdeu. Dei risada. — E você vai cuidar da mamãe? — perguntei, vendo ela fazer que sim e começar a segurar minha mão, apertando. — Vou fazer massagem. Olhei para Madeline, que riu e colocou um cacho para trás da orelha, olhando no relógio. — Eu preciso ir — disse ela — mas não antes de saber o tamanho do Nikkei. Engoli um grunhido de espanto e olhei a Sunshine entretida com a minha mão. — Por que quer saber disso agora? — questionei, evitando uma gargalhada. — Por que ele parece ter um p*u e tanto — Madeline disse, modesta — um grande e grosso. Dei um tapa na cabeça dela, rindo alto, chamando a atenção da Sun para nós. — É, não é pequeno — fui modesta também, vendo-a rir e beijar a cabeça da Sun. — Vou indo, era só isso mesmo — recebi um beijo da minha amiga, diferente da Sun, que foi metralhada por beijinhos — até mais. Assenti, indo com ela até a porta, ajeitando minha menina em meus braços. — Amanhã não precisa vir, não vou sair. Trevor deu um jeito de me deixarem em casa até a semana que vem. Acho que vai demorar para o meu olho voltar ao normal. — Tudo bem — ela sorriu — até logo, eu te ligo. — Certo. (...) Após meu telefonema com Jeremy Bieber, arrumei minha casa para recebê-lo. Vou explicar a situação em que estou e pedir desculpas, coisa que nem era para eu fazer. Arrumei o que pude e por volta das onze da manhã, Jeremy e Erin estavam tocando a minha campainha. Os recebi, indo até a minha sala de estar, abaixando o volume do desenho que a Sun estava assistindo. — Antes que o senhor pergunte o que aconteceu com o meu olho, foi o Justin que fez isso. Erin olhou o marido e apertou a mão dele, abaixando a cabeça. — Eu não estou tendo sucesso no caso do seu filho, já fiz muito, desculpe — suspirei, vendo ele abaixar a cabeça, relutante. — Eu posso aumentar quinhentos dólares — propôs ele. Mordi meu lábio, dedilhando o sofá. — Eu não posso ser paga para apanhar, Jeremy, desculpa, mas não dá. Eu te chamei aqui pra dizer que eu tentei e não foi falta de vontade.  Meu amigo, Trevor Nikkei, ele trabalha na corte como analista e fiscal jurídico. Trevor se ofereceu para ficar com o caso do seu filho. Uma ponta de esperança surgiu em seu rosto, Erin olhou para ele e sorriu hospedeira, o abraçando carinhosamente. — Pode me passar o número dele? — Perguntou e eu assenti. — Claro, Jeremy — sorri de lado, enviando o contato para ele — Boa sorte. — Obrigado e… me desculpe. — Não precisa se desculpar. Jeremy e Erin saíram da minha casa, deixando um estranho vazio em mim. Eu sei que posso ter tomado a decisão errada, o aperto no meu peito surge quando imagino Justin apanhando, com fome e com frio, mas me alivia saber que Trevor está interessado em atendê-lo, mesmo não sendo psicólogo, ele vai analisar tudo é chegar a uma conclusão. Os dias estavam passando devagar. Eu gosto disso. Não de estar com um olho roxo, digo, mas estar com a Sun, acompanhando cada movimento novo, cada curiosidade. Nikkei e eu estávamos cada vez mais próximos, não fizemos mais sexo, mas ele me ligou a semana toda, enviou flores e garantiu estar na sexta pela tarde em casa. Aqui estamos. Uma tarde agradável, com um cara que parece querer algo sério comigo. Estamos indo sem pressa, mas tê-lo por perto tem sido incrível. Nikkei tem pose, tem marra, tem lábia, mas é inteligente, esforçado, carinhoso e educado. Ele sabe como valorizar o que tem e sonha alto, sem tirar os pés do chão. — Não sei como você consegue me beijar — resmunguei enquanto Nikkei estava por cima de mim na cadeira de balanço do meu quintal — eu estou feia. Trevor riu, negando com a cabeça. — Você está roxa, é diferente — ele voltou a me encher de beijos, colocando a mão por baixo da minha blusa — quentinha. — Cala a boca — o empurrei, olhando para a porta da sala — daqui a pouco a Sun grita que já fez cocô. Trevor caiu na gargalhada. — Meu p*u batendo na minha testa e você assassina o pobre e duro coitado falando de merda?! Dei de ombros. — A higiene da minha filha vem antes do seu pênis pervertido. Ele riu ainda mais, negando com a cabeça. — Mães… — sua frase ficou no ar e eu mostrei a ele o dedo médio. — Homens… — fiz o mesmo. Sua sobrancelha ergueu, me fazendo acompanhar o movimento com o olhar. Mesmo estando por fazer, a sobrancelha dele é bem mais bonita que a minha. — Olha, hoje completa uma semana que a gente saiu e eu só te vi essa semana duas vezes, o que quer dizer que meu pênis está precisando dos lábios de uma moça morena. Dei risada, colocando a mão no meu peito como se estivesse admirada. — Nunca pensou em se chupar? A cara de diversão dele foi pelo ralo. — Não! Que horrível, eu nem sei se tem como! — Trevor parecia vomitar as palavras, mas a diversão voltou duplicada — mas você, gata, elogiou meu p*u quando ele estava saindo da sua garganta. — Sim, é um belo p*u guarda-chuva. — Um o quê?! — sua risada preencheu todo o quintal, me fazendo rir também — Não é tão torto. — É um pouco torto — passei um lencinho no meu olho, que não para de lacrimejar um segundo. — Se a gente continuar transando meu p*u provavelmente vai ficar num modelo bom. Você é bem apertadinha, ele com certeza ia… — Mamãe!!! — Sun gritou do banheiro — já fiz! Levantei da cadeira e dei uma corridinha até o banheiro, deixando minha filha cheirosa de novo e papo de p*u guarda-chuva sem êxito. Nós saímos em alguns minutinhos e ela correu para a cadeira de balanço, pegando uns brinquedos do chão. — Vamos lá, titio, você quer ser a Barbie ou a amiga dela? — Sunshine colocou as pernas no colo do Trevor, balançando os pés. — Não tem nenhum boneco? — ele perguntou, aparentemente ofendido. — Tem o Ken — Sun sorriu sem mostrar os dentes e ele cedeu. — Tudo bem, só porque você é linda. Sunshine sorriu para ele e me olhou, balançando uma boneca. — Fica com essa, a senhora vai brincar também — disse ela, enfiando uma chupeta na boca e eu olhei feio — Não vai ficar torto, mamãe, vão ficar retinhos e brancos — Sun se referiu aos dentes e voltou a colocar o objeto entre os lábios, espalmando o cabelo da boneca absurdamente loira. Enquanto eu ria horrores e deixava o meu lencinho no meu olho roxo, Nikkei transformava sua voz na de um galã de novela mexicana, fingindo um sotaque inglês, mas parecido com um anúncio em carro de ovos e leite. — O Ken tem um p*u grande como o seu? Deixei o pano cair e olhei a Sunshine com o cu na mão. Trevor se engasgou com a saliva e bateu a mão no peito, olhando para a minha filha e para mim. — O que?! — Nikkei e eu perguntamos, juntos. — A tia Madeline falou do seu p*u e a minha mamãe disse que não é pequeno. Você bate nos outros com o seu p*u? A inocência cintilava nos olhos da pequena enquanto eu queria um buraco para me esconder. Nikkei me olhou com perversão, voltei a colocar o lenço no olho e suspirei, continuando a brincar com a Sun. — Então sua mãe admira meu p*u? Bem, Sunshine, eu tenho um lá em casa. Uso ele para espantar os bichinhos… tipo sapo e p******a… — quem engasgou foi eu, quase rosa de vergonha — ah, eu também gosto de bater com ele nas pequenas plantinhas do meu jardim, aquelas que precisam ser podadas. Os olhos escuros de Sunshine me fitaram curiosos. Sun ergueu os ombros e as mãozinhas. — Eu não entendi nada — para o meu alívio, ela só falou isso é voltou a brincar. Nikkei me olhou e coçou a cabeça. — Ei, Sun — chamou ele e ela ergueu a cabeça — posso dormir aqui hoje? Para sua alegria, a resposta foi sim e eu deixei claro que ele ficaria na sala. — Hoje tem — silabou ele, por fim. Que os céus ouçam. Preciso f***r com esse homem. (...) Eu tinha total confiança no Trevor. Sei que ele não daria de “cara louco invasor de casas que vai me estuprar e abusar da minha filha”, mas eu sou mãe, tenho minhas desconfianças mesmo com total confiança (Eu juro que estou tentando pensar com coerência). Sun acabou de dormir, Nikkei está na sala e eu no quarto me enchendo de colírio. A vontade de ir para a sala e tirar a roupa é enorme, mas meu olho feio me impede. Aqui vão algumas regras que fiz no meu bloco de notas do celular: Regra um: um cara diferente na casa igual à um canivete embaixo do travesseiro. Regra número dois: sem deixar ele por sua filha pra dormir ( sem apego prejudicial). Regra número três: não transe onde sua filha gosta de ficar. Bati a mão na cama e suspirei pesado, indo até minhas mensagens. “Já dormiu?” — enviei, vendo o “online” aparecer assim que a mensagem chegou. “p*u duro, não dá enquanto ele não abaixar” — respondeu de volta. “Quer ir lá fora? Tá abafado” “Quero” Eu já estava na cadeira de balanço mais uma vez em dez segundos, com Nikkei me atacando com os lábios. — Me diz que a gente vai t*****r… — resmungou e eu neguei. — Não vou ficar cara a cara com você toda roxa… — puxei seu lábio inferior com meus dentes e apertei seu m****o, enquanto sua mão fazia magia nos meus s***s. — 69? — sugeriu. Ai, c*****o. Assenti e olhei em volta. Um 69 na varanda poderia ter plateia, apesar do muro e em volta da casa. A Sun pode acordar e olhar da janela. Segurei as mãos de Trevor e me levantei. — Garagem — falei baixo e ele assentiu, me pegando no colo, indo até nossa s*x stop. Trevor abriu a porta traseira da sua SUV enorme e arrancou a calça e a cueca, se deitando no banco. Me surpreendi com sua ereção e sorri. Ele estava mesmo com vontade, pelo menos eu não vou passar vergonha ensopada. Tirei apenas a calça do pijama e a calcinha, entrando no carro também e deixei a porta aberta, caso a minha filha resolva chorar por não me encontrar no meu quarto. O espaço era pequeno demais, mas consegui virar minha b***a na direção de seu rosto e Trevor agarrou minha cintura, enfiando a língua em mim inesperadamente. Faminta por aquele homem, fiz o mesmo. Um gemido gutural escapou de sua garganta, sorri com aquilo e meu ponto de prazer foi sugado levemente, me deixando entorpecida. Coloquei boa parte do seu órgão na boca e movi meu quadril, correspondendo aos seus gemidos. — Assim, gata? — sacana, Nikkei deixou os lábios presos ali e usou o polegar para me estimular. — Assim… — respondi, voltando a colocar meu novo brinquedo favorito entre os lábios. Suados e ofegantes, perdidos em prazer, lábios dormentes e mente enevoada, gozamos. — f**a-se seu olho, quero comer você. (...) Minha campainha tocou e o barulho agudo atravessou o corredor da sala que dá acesso ao meu quarto, me fazendo abrir os olhos e olhar no relógio. Sete e vinte da manhã, quem acorda essas horas num sábado? Passei um robe cumprido pelas costas e abotoei, fui escovar os dentes e a campainha tocou mais uma vez, interrompendo minha vontade de fazer xixi. Peguei a chave do portão e fui até a sala, vendo Trevor jogado no sofá com várias marcas que eu fiz no nosso segundo round e o balancei no sofá. — Nikkei, vai para o meu quarto — falei e ele se levantou tropeçando, indo até o corredor — O último, lado direito — falei e fui abrir a porta, indo até o portão. A campainha tocou mais uma vez. — Já vai, p***a — resmunguei e abri o portão, indo fechar na mesma hora. — Estou com o instituto da criança aqui fora, Sarah — a voz que mais me atormenta atravessou meus tímpanos e eu voltei a abrir o portão. — O que quer, Geórgia? — olhei para a calçada, vendo uma moça alta, mas de meia idade segurando uma prancheta. — Pode entrar, senhora Royce, Sarah não vai se importar em ter a casa revistada. Quando a tal Royce deu um passo para frente, bati minha mão no peito dela e a impedi de entrar. — Você não tem ordem judicial para entrar na minha casa e não tem o que revistar — intercalei o olhar entre as duas figuras maquiavélicas. — Não preciso de ordem judicial se alguma criança estiver sendo maltratada, ainda mais, com uma mãe solteira de olho roxo. Royce me atropelou vitoriosa, como se suas palavras fossem me abalar. Entrei junto, sem temer a nada. A moça arrogante abriu a porta da sala, entrando. Ela olhou em volta e olhou a cueca do Nikkei em cima do sofá, nós não transamos ali.  Geórgia acompanhou seu olhar e riu brevemente. Sem meu consentimento, Royce entrou na cozinha e abriu a minha geladeira, depois o armário e o meu frigobar. Anotou algo na prancheta e foi até meu quarto, olhando Trevor deitado de bruços, coberto. — Marido? — perguntou. — Não, senhora Royce — a olhei com escárnio, sorrindo com malícia só pra provocar. Eu posso muito bem ser mãe solteira t*****r o quanto eu quiser — meu amigo. Colorido, claro — especifiquei e minha mãe travou a mandíbula, indo até o quarto da Sunshine, a mulher a seguiu e observou tudo, fazendo mais anotações. — Agora pode me dizer por que estão aqui? — fui até a sala, fazendo sinal para saírem. — Eu quero a guarda compartilhada da minha neta. Eu ri alto, colocando as mãos na minha cintura, negando com a cabeça. — Vai dar uma de vovó agora? — juro que a minha voz nunca ficou tão grossa assim. — Seu olho está roxo, Montserrat, roxo! Acha que pode criar uma criança assim?! — O olho dela está roxo porque ela se submete ao perigo para colocar as melhores coisas dentro de casa — a voz grave de Nikkei ecoou do corredor — vocês não podem entrar assim sem ordem judicial, eu trabalho no júri, não existe isso. Ninguém pode entrar querendo tirar uma criança da mãe. Ao ver Trevor, Royce pareceu perder os sentidos. Senti vontade de gritar “Vai com calma, titia, quem senta nesse corpinho sou eu”. — Vou usar — Trevor apontou para o meu aparelho com um telefone sem fio. Mesmo sem saber o que estava acontecendo, Trevor parou ao meu lado e pegou o objeto.   — Eu estou ajudando a criança — Geórgia falou — quem você pensa que é para poder interferir?! O amigo colorido? Nikkei olhou Royce, dedilhando o telefone em suas mãos. — Eu sou chefe da Royce, não é, querida? — seus olhos grudaram nos moça, que ficou anormalmente pálida — e eu estou pensando seriamente em ligar na secretaria do tribunal e pedir para que separem documentos para a demissão dela — Por essa eu não esperava. Minha mãe arregalou os olhos e apertou a bolsa em suas mãos. — Isso não vai ficar assim — sussurrou ela e Nikkei saiu para o quintal, enchendo a tal Royce de broncas, telefonando para alguém. — Por que quer a guarda da Sunshine, Geórgia? — questionei, cruzando meus braços. — Eu estou procurando o pai dela — a pior mãe que se pode ter deu um passo à frente, me olhando — e se for quem eu acho, vou ganhar muito dinheiro. Avancei contra ela, ouvindo a voz da minha filha no quarto, me chamando. — E se você colaborar, eu deixo ver ela nos finais de semana — sua ironia fez o mínimo de paciência que eu tinha ir pelo ralo. — Ouse tirar a minha filha, Geórgia, faça isso e eu sou capaz de te colocar para apodrecer num asilo. Eu paro de pagar os seus remédios e pego a herança que meu pai deixou só para mim, faço você vegetar debaixo de uma ponte. Tenta a sorte. Nikkei entrou, com Royce atrás, interrompendo o que minha mãe iria dizer. — Não posso tirar a menina dela, não tem nada acontecendo — Royce falou. Minha mãe assentiu e fez sinal para ela sair, me olhando fixamente. — Eu vou tentar a sorte, Sarah. — Vamos ver quem é mais forte — apontei para a porta — fora daqui, Geórgia. — Sabe por que eu sou mais forte? — ela fez uma pergunta retórica, indo até a porta com seu par de saltos impecáveis fazendo barulho no chão. Trevor me abraçou de lado, a olhando também — sou mais forte porque tenho o Somers do meu lado. O ar que tinha nos meus pulmões foi embora. Fiquei pálida, ela percebeu e colocou a mão nos lábios.  — Ops! Falei demais. Avancei para cima dela, sentindo Trevor segurar a minha cintura. — O dinheiro dele vai fazer muita coisa com a gente, se prepara, Montserrat, se prepara para perder sua filha para o seu ex marido. Geórgia saiu e eu coloquei a mão no rosto, trêmula. — Ela não pode fazer nada, Sarah, ele não é o pai. — Ele pode — ergui meu olhar para ele, trêmula — Você não conhece Charles Somers.
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