(...)
Trevor me conduziu até sua sala de estar, onde não tinha nada exagerado e chamativo, é tudo bem arrumado e faz o estilo dele.
Depois de me mostrar o primeiro andar todo ( sala, sala de jantar, cozinha e banheiro), ele segurou minha mão e subiu as escadas, nos levando até um corredor com quatro portas.
A primeira era o quarto do irmão, banheiro e escritório, o último era seu quarto.
Entramos e ele me mostrou algumas fotos nas prateleiras, fiquei olhando uns livros sobre direito, encontrando alguns que eu já tive que ler para trabalhar em psicologia jurídica.
— São bons e caros — disse ele atrás de mim, fazendo seu hálito quente bater no meu pescoço — e bem chatinhos de ler.
Dei risada.
— Eu imagino que seja, são bíblias parlamentares — passei os dedos pelos livros — já li alguns…
Trevor beijou minha bochecha e falou:
— Vou buscar alguma sobremesa, mas não sei se tem, Tyler come tudo.
Suponho que seja seu irmão mais novo.
— Não tem problema, eu estou satisfeita.
— Vou ver mesmo assim — depois de suas palavras ele abriu o smoking e desceu. Reparei um traço de alguma tatuagem em seu peito e fiquei curiosa.
Sentei-me na cama e deixei minhas coisas na mesinha de centro, analisei o quarto, revirando os olhos.
Como ele consegue ser tão organizado? Minha casa é uma bagunça e, por mais que a Sun contribui com a bagunça toda, eu sou muito desorganizada.
Ouvi uns passos e olhei para porta, ele estava com dois copos na mão.
— Pelo menos ele não bebeu o rum — Nikkei me estendeu um dos copos — gosta de rum?
Ri baixinho.
— Eu gosto de tequila, vodca, whisky, martini e até aquelas pingas de bar mas detesto rum.
Ele pareceu espantado com a minha sinceridade e bateu a mão no rosto.
— Vou lembrar disso — Nikkei se sentou ao meu lado e pegou o copo, deixando na mesinha também. Seus lábios encontraram o copo e ele bebeu o líquido lentamente. O observei descaradamente achando tudo muito sexy e ele riu.
— Tem certeza de que não quer?
— Tenho — afirmei, olhando para uma porta dentro do cômodo — Vou ao banheiro — me levantei e caminhei até lá, precisando muito de fazer xixi.
Lavei minhas mãos após dar descarga e saí do banheiro.
Puta que pariu.
Nikkei havia trocado de roupa. Estava com uma bermuda de moletom e sem camisa. Pude ver sua tatuagem toda: Uma águia no peito que vai de ombro a ombro. Não é colorida, mas é muito bem feita.
— Deve ter doído demais — comentei e ele ligou a televisão.
— A dor foi grande, mas a vontade foi maior.
Ele se virou de costas, exibindo mais uma que fica em boa parte de sua clavícula.
Um dragão entre muitas flores havaianas. Parece estranho, mas é tão linda quanto a outra.
— Qual doeu mais?
— A do peito — respondeu ele.
Me aproximei e passei a mão na das costas.
— Essa é recente. Meus pais são religiosos e eu tive que esperar muito pra fazer, ela cicatrizou há pouco tempo.
— O que te levou a fazer um dragão no meio de flores havaianas?
— Eu acho as flores bonitas e gosto da figura de um dragão, pedi para o tatuador unir as duas artes. Demorou muito para que saísse algo do meu agrado. Quando eu era criança eu amava assistir filmes com dragões, achei legal destacar essa lembrança. Essas flores são as preferidas da minha avó.
— Você preserva muito sua família, é difícil achar alguém que tenha esse carinho — comentei, voltando a me sentar na cama.
Trevor se sentou e me colocou em seu colo.
— Que bom que você acha isso.
Em segundos, estávamos no nosso segundo beijo da noite.
Trevor me ajeitou em seu colo e segurou minhas pernas, eu estava circundando sua cintura enquanto nossas bocas estavam em um beijo feroz.
Toquei seu peitoral, passando as mãos pelos ombros e braços, imaginando como será mais embaixo.
— Tudo bem pra você? — perguntou ele.
Tem muitas mulheres que recusam sexo no primeiro encontro.
Não sou uma delas.
— Tudo sim.
Nikkei abriu meu vestido atrás e desceu as alças, olhando meus s***s cobertos pelo sutiã. Seu sorriso pervertido fez meus m*****s doerem e uma tensão descer em velocidade luz para o meu ponto de prazer.
Levantei e tirei meu vestido, voltando a sentar em seu colo, me deixando levar pelo enorme prazer de sentir seu pênis semi ereto embaixo de mim.
Foram beijos pelo meu pescoço, mordidas no lóbulo e apertos pela minha b***a. Gentilmente, Trevor retirou meu sutiã e olhou para os meus s***s com um tipo de expressão desconhecida. Não pude saber se ele gostou do que viu ou sentiu repulsa. Eu já amamentei e não tenho o corpo mais definido do mundo, mas até antes de sair de casa meus p****s estavam no lugar.
Aliviada e excitada, gemi baixo quando seu lábio tocou meu mamilo e sua língua ajudou a enrijecer ali.
As mãos de Nikkei desceram pelas minhas costas e pararam na minha b***a. Ele brincou com o elástico da calcinha e puxou para o lado. Estourando a mesma.
Não liguei, é só um tecido.
Tirei sua bermuda — foi inútil ele ter colocado — encontrando um pênis pronto para mim, sem nenhuma cueca.
Pronto e vantajoso.
Ele estava querendo sexo, não era só eu que queria s*******m hoje.
Toquei ali, apertando. Merda, eu estou tão molhada que chega a ser vergonhoso.
Ele nos girou na cama, me deixando por baixo. Os beijos que estavam no meu pescoço foram parar entre as minhas pernas.
Nossas respirações demonstraram ansiedade. Nikkei começou a me chupar de um modo gentil, fazia tanto tempo que eu não sentia algo assim, estava sendo tão bom e eu nunca queria pará-lo. Sua língua fazia um ótimo trabalho em mim, estava mais áspera por conta do rum. Ele se mantinha faminto, enquanto minha mão direita apertava seus fios, fazendo sua boca estar grudada em mim, o saciando.
Pedi para que ele não parasse e assim ele o fez, Trevor colocou minhas pernas sob seus ombros e me penetrou com a ponta da língua. Era ridículo eu estar tão próxima de um orgasmo em tão pouco tempo.
Me contorci na cama, gemendo em aprovação. Nikkei me elogiava das melhores formas possíveis, não era clichê falando do meu gosto ou de como eu tinha um corpo bonito; ele repetia gostosa mais vezes do que eu podia contar, me falou coisas sujas que não ouvira nunca e deixava explícito sua opinião sobre eu ser uma safada.
Quando atingi meu orgasmo, foi impossível não gemer bem alto, ele subiu em cima de mim e meteu tudo bem fundo de uma vez, me trazendo a sensação de estar sendo rasgada. Doeu, mas logo minhas “paredes” se acostumaram com seu tamanho em mim. Fiquei de quatro como ele pediu e segurei na cabeceira da cama, gostei do fato de ele não ser tão cuidadoso e dar uns tapas na minha b***a. Com meu cabelo ele fez um r**o de cavalo e puxou de leve, me instruindo a ficar de joelhos em sua frente enquanto ele ia ainda mais forte. Meus s***s foram tocados como uma raridade e ele continuou a me f***r como se não existisse ninguém além de nós.
Me estimulei, sabendo que ele estava vendo por cima dos meus ombros e ouvi uma risada safada.
— Você vai gozar bem gostoso pra mim? — era esse tipo de coisa que eu queria ouvir há anos, eu precisava disso desde sempre, mas não enxergava.
Respondi que sim e ele ficou dentro de mim sem se mover, Nikkei segurou meu quadril e se sentou na cama comigo em seu colo sem sair de dentro, de costas para ele, movi meu quadril com força até chegar ao céu, descendo direto pro inferno num misto de prazer inacreditável.
Trevor saiu de mim após meu orgasmo e teve o próprio, deixando seu sêmen pela minha coxa.
Deitamo-nos na cama sem muita proximidade, na verdade, eu não quis forçar nada, mas ele me abraçou e me beijou com muito mais calma. Eu estava parcialmente realizada.
— Isso foi louco — murmurou ele.
— Espero que seja um elogio — olhei para ele, que nos cobriu, todo ofegante e meio pálido. Bela visão.
— A gente pode continuar com isso a noite toda, vai receber muitos elogios durante a mesma. Mas eu prometo que vão ser elogios que não podem ser ditos em públicos.
Mordi meu lábio.
— Ser elogiada na cama é bom — desgrudei meus fios do rosto e passei a unha pela sua tatuagem.
— Você merece muito elogio, começando por esses p****s.
— E você consegue t*****r em três posições ao mesmo tempo, impressionante.
Nós rimos e eu o beijei.
— Quero continuar saindo contigo, não só pelo sexo, mas você é incrível — falou.
— Você é incrível também, a gente pode conduzir isso que temos para ver no que dá.
— Sem pressa, certo? — perguntou.
— Para que pressa? — sorri, molhando os lábios.
Ele colocou meu cabelo atrás da orelha e passou o polegar no meu rosto, mordendo seu lábio.
— Segundo round? — perguntou novamente.
Beijei seu pescoço e desci os beijos até sua barriga.
— p***a, gata — ele disse, rindo malicioso e tirou o lençol de nós — Isso vai ser bom…
E foi muito bom.
Se eu for mesmo uma v***a como fui taxada há um tempo, eu quero ser, eu posso ser o que eu quiser.
(...)
Eu contei cada detalhe do meu encontro com Trevor para Madeline e ela surtou. Nós ficamos pulando na cama com a Sun e a minha amiga ficou gritando “a mamãe deu” igual uma louca. Mas eu não liguei, eu estava dolorida no sábado de manhã e no domingo também. Foi uma dor maravilhosa. Uma dor que me lembrou de tomar pílula do dia seguinte.
Já era de tarde e eu estava brincando com a Sun, quando alguém me ligou.
Saí do quarto da Sun e fui pegar meu celular, a menos que seja Trevor, não sei quem me ligaria no domingo a noite.
Peguei o celular e me surpreendi com o número salvo ali.
Era o avô de Justin.
Atendi meio preocupada, indo para o quarto da Sun.
— Oi… é o Bruce — ele falou, meio desnorteado.
— Oi, em que posso ajudar? — fiquei balançando um bichinho de pelúcia, vendo a Sunshine rir.
— Precisamos de ajuda…a mãe do Justin precisa dele e eu estou disposto a te receber aqui na minha casa para poder ter provas de qualquer coisa. Preciso do meu neto… a mãe dele precisa dele.
Confusa, pedi o endereço e anotei no celular, confesso que não entendi muito sobre o que aconteceu. Vejo que amanhã será um dia cheio.
Voltei a brincar com a Sun e respondi algumas mensagens do Trevor, pensando na ligação.
(...)
— Entre, por favor — o avô de Justin me deu espaço e já foi puxando meu braço gentilmente para os cômodos dos fundos — minha filha não está, entre nesse quarto e tente achar qualquer coisa que determine a inocência do meu neto.
Entrei e olhei para ele, que tinha os olhos cansados e cheios de dor.
— Olha, moça… Pattie precisa de Justin, ela afundou sem ele e… mesmo ele tendo assassinado o padrasto, eu sei que ele deve ter tido algum motivo. Olhe tudo e me chame se precisar.
— O senhor sabe que esses procedimentos não são tão simples, não sabe? — perguntei, vendo ele afirmar e prossegui — eu posso achar todas as provas do mundo, mas se ele não falar a verdade sobre o que realmente aconteceu, minhas provas serão inúteis. O senhor desconfia de algo?
Ele negou, derrotado.
— Pode mexer em tudo, querida, o quarto dele está igual à quando ele saiu.
Assenti, colocando minhas coisas em cima da cama.
A casa não é chique, é super humilde e toda ajeitada. Tem muita aparência de casa de avó. Vasos de flores espalhados pelo corredor que dá acesso ao quarto, detalhes nas paredes, não parece um lugar de má influência para ele. Na verdade, esse lugar parece onde uma criança precisa estar. Tudo em seu quarto tinha um pouco de carinho.
Um violão velho e muito bonito estava pendurado na parede, ao lado da janela. Havia um jogo de cartas em cima da escrivaninha, livros sobre alguns músicos e muitas partituras.
Abri uma gaveta achando palhetas, muitas folhas de cadernos todas escritas. Eram músicas.
Justin era compositor.
Li algumas impressionada, colocando no lugar. Abri o guarda-roupa e senti um cheiro gostoso de perfume. As roupas penduradas consistiam em cores bem escuras, exceto um moletom roxo e branco.
Abri as gavetas e encontrei uma caixa cheia de camisinhas e algumas fotos de Justin com os amigos, suponho. Analisei a foto mais tempo do que deveria, colocando no lugar e continuei a mexer nas coisas.
Na mesinha do abajur havia um monte de desenhos assinados por Jazmyn e Jaxon, pela letra perfeita, alguém escreveu para eles. Sorri com isso, lembrando dos desenhos que a Sun fez pra mim levar na prisão.
Olhei embaixo da cama e dos outros móveis, buscando por alguma coisa estranha, mas nada apareceu.
Suspirei pesado e coloquei as mãos na cama, tocando em algo debaixo do travesseiro.
Puxei um caderninho, olhando a capa toda rabiscada e amassada.
Abri o caderno, me deparando com uma caligrafia perfeita, mas uma coisa me chamou a atenção.
Quando Justin escreveu as músicas, os traços com o lápis eram suaves, já neste caderno, são traços mais grossos e muito fortes, como se ele estivesse com muita raiva. Percebi que ele parecia bater no caderno com a palma da mão, pois todas as folhas estão ovais e amassadas para trás.
Na primeira folha, eu não entendi o que estava escrito, mas quando desci os olhos até a última linha, tinha uma data e, na frente dela, uma letra tremida, a frase era a seguinte: “Nicholas se mudou para a minha casa!”.
Enfiei o caderno na bolsa ao ouvir uns gritos estrangulados.
— Quem está na minha casa!? — reconheci ser a voz da moça em que falei no telefone. A mãe Justin.
— Filha, vem aqui… — era uma voz que eu não tinha escutado antes, mas parecia tão cansada quanto a voz de Bruce quando cheguei.
Levantei da cama e uma mulher entrou no quarto quase caindo de bêbada. É por isso que o avô do meu paciente está tão desesperado para ele sair da cadeia. Ela precisa do filho mesmo estando com raiva dele.
— Quem é você?! — ela quis avançar contra mim, mas vomitou ao se mover, uma senhora entrou no quarto e segurou ela pela cintura — me solta, Diane, eu vou bater nela!
— Pattie, por favor… — Bruce falou, quase chorando — Diane, acompanhe a moça até a porta.
Era a minha deixa, não falei nada, não tinha o que falar.
Diane foi comigo até o portão em modo avião e me olhou, devastada.
— Precisamos do meu neto, senhorita.
— Eu sei — sorri fraco, dando—lhe um abraço breve — vou fazer tudo que estiver ao meu alcance.
— Obrigada…
Me afastei, indo até meu carro e parei no meio do caminho, enquanto ela caminhava para dentro.
— Senhora? — chamei, ela se virou — vá visitar ele e leve lápis e cadernos. Você sabia que Justin escrevia músicas?
Ela assentiu, sorrindo para mim, mas não falou nada.
— Se precisar de uma carona para ir lá, conte comigo.
Entrei no carro, olhando para a minha bolsa e decidi ler o caderno com mais calma na clínica.
Segui para lá, pensando em tudo o que aconteceu e em vinte minutos eu estava no meu destino.
Depois de vestir meu jaleco e atender um paciente, peguei o caderno da bolsa e comecei a ler. Mas não passava de asteriscos com datas.
* Segunda—feira, 13 de Março : meu aniversário foi há uma semana e meia, mas ninguém comemorou. Nicholas fez aquilo de novo.
“Ele fez de novo, ninguém me ouve, ele está mexendo comigo”. Essa frase tinha em todas as datas de seis anos atrás. Fui folheando tudo, até chegar na última linha, vendo a data em que Nicholas foi assassinado.
“ É ano novo, não aguento mais. Vou acabar com ele”.
Me assustei e enfiei o caderno na bolsa, o que quer que tenha acontecido, foi grave, eu já tinha uma prova.
Justin foi maltratado de alguma forma por muito tempo. Saí correndo da minha sala com a bolsa na mão.
— Kimberley, preciso que você ligue para os pacientes de hoje e fale que eu tive um imprevisto e não pude atende-los. Eu me resolvo depois com o diretor.
Voei para o meu carro e coloquei a bolsa no banco do passageiro, indo até o Tribunal de Justiça.
Connor vai me dar outro julgamento, nem que eu precise rodar o mundo para consegui-lo.