Pré-visualização gratuita Carne de cordeiro sem espinha
Melody
Eu estava me banhando na alegria do momento quando descobri que minha paixão de longa data, o príncipe do reino de Mallory, era meu companheiro.
Eu m*l podia esperar para contar a ele.
Corri por horas, da matilha de meu pai até o palácio; só para dar a notícia ao meu suposto companheiro.
Derek costumava me evitar sempre que eu tentava falar com ele. Não sei por quê, mas parece que ele me odeia.
Minha mente adolescente estava sobrecarregada com a notícia e eu não parei para pensar no que aconteceria se eu dissesse a ele. Eu estava tão feliz. Eu pensei que o vínculo de companheirismo faria com que ele me amasse independentemente do que sentia antes.
Cheguei ao palácio ofegante como um cachorro. Fui autorizada a entrar, já que não era a primeira vez que visitava a Princesa.
Mas desta vez, ao invés do quarto da Princesa, fui direto para o do Príncipe. Eu estava corando como uma boba enquanto abria a porta, assim como costumava fazer quando acompanhava a Sophia.
Ele levantou levemente a cabeça, mas desviou o olhar assim que me viu.
"O que é? Diga a Sophia que estou ocupado, não quero ser perturbado."
Sua voz foi dura, me fazendo querer me encolher e desistir de contar a ele, mas minha empolgação falou mais alto. Reuni toda a coragem que pude e decidi contar a ele.
"Não vim falar com a Sophia."
"Então?" Ele m*l podia esperar para me mandar embora.
"Eu vim te dizer algo."
"Desembucha!" Ele parecia apressado, como se não pudesse esperar para me mandar embora. Como se minha presença fosse venenosa para ele.
"Eu... Nós... Eu sou... Você sabia..."
"Você poderia sair até ter algo significativo para dizer?"
Não. Abanei a cabeça. Preciso contar a ele.
"Você sabia que somos... Que eu sou sua companheira? Sua destinada companheira." Enfatizei tola, como se ele não entendesse até eu acrescentar isso.
A expressão em seu rosto me disse que ele já sabia.
"E daí?" Sua resposta fria confirmou meus pensamentos. Ele já sabia.
"Achei que... Eu queria..."
Minha voz se prendeu na garganta quando fui subitamente prensada na parede. Derek rosnou e agarrou meu pescoço.
"Você contou para alguém?" Ele respirou em meu rosto.
Eu não conseguia falar pois meu pescoço estava apertado em seu agarre. Só consegui balançar a cabeça.
"Para quem mais você contou?! Me responda!"
Ele percebeu que eu não poderia responder, já que ele estava segurando meu pescoço com força.
"Fale antes que eu arranque sua cabeça do seu corpo!"
"Eu... Eu não contei para ninguém." Consegui tossir as palavras.
"Melhor assim. Agora suma daqui! Nunca mais mostre sua cara para mim!"
"Eu... Eu sou sua companheira." Repeti tola, como se isso mudasse algo.
"Eu não quero uma ovelha sem espinha dorsal, sem coragem, sem lobo como você como companheira!"
"Mas..." Gaguejei, incapaz de dizer uma palavra sob seu escrutínio.
Não consegui dizer as palavras que estavam em minha língua antes que ele agarrasse meu braço e me pressionasse contra seu peito largo. Ele se inclinou perto do meu ouvido, para sussurrar alto o suficiente para eu ouvir.
Sua voz fria enviou arrepios pela minha espinha quando ele disse: "Eu, Derek Marvin, rejeito você como minha companheira!"
Sem esperar para ouvir o que eu tinha a dizer. Ele me jogou para fora.
Minhas pernas ficaram fracas e caí no chão do lado de fora da porta de seu escritório. Meus olhos ardiam, mas eu não estava pronta para provar que ele estava certo.
Ele me chamou de sem espinha dorsal.
Me levantei do chão e saí do palácio. Meus passos ficaram pesados enquanto eu voltava para a matilha do meu pai, me lembrando de quão longe eu havia chegado.
As palavras de Derek me atravessaram como facas. Cortando e retalhando impiedosamente todo o meu corpo.
Não sabia o quão longe havia chegado em tão pouco tempo até que estava caminhando pela estrada sem fim. Parece que até o céu decidiu me punir por ser tola. Começou a chover de repente.
O que eu estava pensando mesmo?
Eu esperava que Derek pulasse em cima de mim e me beijasse assim que eu dissesse a ele que era sua companheira?
Ele me odiava e nunca deixava de mostrar o quanto.
Como eu poderia pensar que ele me aceitaria de braços abertos?
Tola! Essa palavra se encaixa muito bem em mim.
Voltei para casa e me deixei encharcar pela chuva. Pelo menos, ela teve a gentileza de lavar minhas lágrimas.
Consegui chorar com todo o meu coração.
Lá fora, na chuva, fiz um juramento de nunca mais ser fraca ou sem coragem. Nunca mais serei aquela garota sem espinha dorsal.
De agora em diante, nunca mais serei a mesma!
~~~~~~~~~~
Alguns dias depois do meu décimo nono aniversário, fui chamada para o estudo do meu pai. Ele deve ter algo importante para dizer, caso contrário não me chamaria.
Todos já estavam esperando quando cheguei.
"Bom dia, pai", tentei parecer calma.
Meu coração estava acelerado. Mesmo sabendo que não tinha feito nada de errado, não podia deixar de sentir medo.
"Você está atrasada!", rosnou meu pai. Seus olhos lançaram punhais em minha direção.
"Desculpe, pai, acordei tarde."
Essa foi a única desculpa que consegui pensar. Não posso enfrentar a raiva do meu pai e, julgando pela expressão em seu rosto, posso estar enfrentando muito mais do que apenas sua demonstração de raiva.
"Pai, vamos começar", instigou Malfoy.
Malfoy é meu irmão caçula e mesmo eu sendo dois anos mais velha que ele, ele parece maior com ombros largos e uma aparência impressionante.
"Sim, pai," acrescentou meu irmão mais velho, Malcolm.
Esses dois são os favoritos do meu pai. Com rostos bonitos, corpos perfeitos, altura e um lobo. Tudo o que eu não tenho.
"Isto é sobre o próximo evento da minha coroação," começou o pai, me lembrando de que ele será nomeado visconde do reino de Mallory. "Eu quero que tudo esteja em perfeita ordem. Você deve se comportar bem. Não me envergonhe."
Aquelas palavras eram dirigidas a mim. Eu sei disso porque os olhos do pai estavam em mim enquanto ele falava.
"Está claro?!" O pai trovejou, me trazendo de volta à realidade.
"Sim... Sim, pai!" Eu assenti fervorosamente.
Eu me pergunto por que meu coração está batendo tão forte. Tenho certeza de que todos podem ouvir o quão rápido meu coração está batendo.
"O rei e toda a sua família, juntamente com outros convidados importantes, estarão aqui," o meu pai agora estava em pé diante de mim. "Eu não vou tolerar nenhum mau comportamento ou desajeitamento."
Eu sabia que ele estava falando comigo. Ele não precisa estar em pé diante de mim. Agora, estou assustada até a medula.
"Anotado, pai," Malfoy veio ao meu resgate.
Ele segurou minha mão já suada e apertou, transmitindo um pouco de calor através dela.
Eu me senti um pouco mais relaxado e coletado o suficiente para responder ao pai.
"Anotado, pai," eu repeti.
"Bom, agora saia." Eu me encolhi com a voz do meu pai. Eu não esperei para ser mandada embora uma segunda vez.
Uma vez que eu estava do lado de fora, deixando as pessoas inteligentes discutirem a coroação. Meu pai só tem o aviso para me passar. Eu não era parte da equipe. Não tenho permissão para planejar ou fazer arranjos com eles.
O benefício de ter um lobo, eu acho.
Eu não tenho o luxo disso, já que não tenho um lobo.
Fiquei feliz por estar fora. Eu pude soltar minha respiração assim que saí. Enquanto caminhava de volta para o meu quarto, eu pude repassar todas as advertências do meu pai em minha mente.
Eu preferiria não comparecer à função do que ser uma vergonha.
No dia seguinte era a coroação do pai. Notei que vários convidados já haviam chegado. Todos estavam ocupados. Eu era a única sem nada para fazer.
Voltei para o meu quarto e decidi dormir, mas então eu soube que isso me faria incorrer na ira do meu pai. Fui imediatamente tomar um banho para me preparar para o banquete.
Logo chegou a hora da coroação. Me arrastei para o salão do banquete contra minha vontade, pois tínhamos que receber a comitiva real.
O Príncipe caminhou em nossa direção com outros poucos seguindo atrás dele, incluindo Sophia.
"Sejam bem-vindos, vossas altezas reais," eu fiz uma reverência.
"Melody!" Sophia me abraça, ignorando sua imagem. "Faz tanto tempo."
"Boas maneiras, Sophia!" O Príncipe sussurrou, mais como se estivesse gritando em voz baixa.
Seu ódio por mim é evidente em seu rosto. Eu me pergunto o que fiz para ele me odiar tanto.
Por mais que eu preferisse evitar vê-lo, eu não pude evitar. Temos que receber nossos convidados, a cortesia exige.
A coroação foi bem-sucedida e consegui ficar calma. Não estraguei o dia e estou grata por isso.
Me levantei para voltar ao meu quarto. Não que minha ausência fosse ser notada.
Além disso, bebi um pouco demais graças a Malcolm e Malfoy.
Eles queriam que eu me divertisse e eu fiz, até que o rosto de Derek apareceu diante de mim. Ele era amigo de Malcolm, então era natural que ele bebesse um pouco de vinho com ele.
Decidi dar um passeio no jardim para clarear a cabeça.
Eu estou cansada do Príncipe. Minha paixonite por ele desapareceu naquela noite de chuva, dois anos atrás. Mas eu me pergunto por que me sinto infeliz vendo aquelas jovens senhoras cortejando ele.
Estou superando! Estou completamente superando ele, repeti para lembrar ao meu coração.
Minha visão estava turva quando levantei para ir embora. Consegui manter uma postura elegante enquanto voltava ao meu quarto.
Eu estava sorrindo amplamente, feliz por não ter envergonhado o pai hoje. Provavelmente ganharei um tapinha na cabeça amanhã.
Justo quando eu pensei que meu dia estava perfeito, de repente ouvi a voz de alguém atrás de mim. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo até que tudo ficou escuro e a última coisa que ouvi foi: "Essa aqui servirá."