Capítulo 03

1023 Palavras
***Dias antes Em Paraisópolis um novo dia começava, nas ruas os moradores andavam receosos, aos poucos as crianças retornavam para a escola e alguns se arriscaram mesmo com o toque de recolher durante a noite. Elloá, agora com seus 25 anos, era uma dedicada professora do ensino fundamental. Infelizmente nem todas as suas decisões foram as corretas, após sua mãe adotiva ir embora devido à violência da comunidade, ela acabou indo morar com seu namorado Júlio César, no início os dois se davam super bem, mas após alguns meses o ciúme excessivo deixou as coisas complicadas. Às vezes Elloá chegava tarde, por ter que corrigir provas, adiantar as aulas do dia seguinte, Júlio sempre a questionava de forma agressiva. — Elloá, isso horas de uma mulher decente chegar em casa? — Eu estava trabalhando, Júlio, não existe nada mais decente do que isso. — Está dizendo isso, por que estou desempregado? Acho que me orgulho de ser sustentado por você, uma mulher? — Estou sinceramente cansada de suas cobranças, acho que nosso relacionamento não tem futuro. Júlio César irritado se levanta, indo até a mesa onde Elloá servia o jantar, ele a segurou pelo braço, mas ela se soltou e não baixou a cabeça. — Já pedi diversas vezes que não me segure dessa forma. — Você tem outro é isso? — Não Júlio, não tenho ninguém, eu apenas estou cansada dessas discussões sem sentido, por isso, não quero mais, eu gostava de sua companhia, mas hoje vir para casa se tornou uma tortura. Júlio percebeu que Elloá não estava brincando, realmente desde que eles foram morar juntos a relação mudou, mas do que eles previam e antes muito antes do que imaginavam. Ela nem ao menos conseguiu jantar, foi para o quarto o deixando ali, Júlio não aceitou muito bem e puxou a toalha de mesa quebrando a louça e espelhando toda refeição no chão, em seguida saiu foi até um bar, comprou uma garrafa de cachaça e tomou no gargalo. — Se aquela desgraçada acha que vai me dispensar assim está enganada. Falou ele enquanto se embriagava olhando em direção à casa onde morava, mas ao perceber que o namorado havia saído, Elloá foi até a cozinha e muito desanimada começou a fazer a limpeza do local, recolhendo os cacos e a comida feita com tanto trabalho. ***Narrado por Elloá *** Eu sinceramente ainda gostava de Júlio, não era amor, isso eu sempre soube, mas nos dávamos muito bem, quando minha mãe resolveu ir embora, não achei nada mais morarmos juntos, pois ele ficava mais tempo em casa do que na dele. Mas quando ficou desempregado, tudo ficou complicado, ele passava boa parte nos bares, eu trabalhava o dia todo, quando chegava ainda tinham as coisas em casa por fazer, quando o cobrei ele se ofendeu, dizendo que não era seu papel. Júlio sempre foi ciumento, mas eu via um certo charme, mas aos poucos aquilo foi me incomodando, principalmente quando tinham acusações e desconfianças injustas. Quando um dia liguei para Mari, foi ela quem me resgatou, me levou para a comunidade, eu devia minha vida aquela mulher, pela família que me deu e pela oportunidade de poder ter uma vida decente. Eu fui até sua casa, que fica na comunidade de Iporanga, além disso, acabei criando uma amizade com Amelia, sua filha, às vezes nos encontrávamos para conversar e trocar opiniões. — Mari, eu não sei o que fazer, Júlio está me sufocando, minha mãe me avisou várias vezes, mas eu ignorei, achei que fosse implicância. — Olha, Elloá, eu sinceramente acho que Janete tinha razão, você precisa se afastar dele, não precisa aceitar isso, tem sua casa, seu trabalho, antes que ele passe dos limites. — Por isso não quero me casar, credo. Comenta Amélia vendo o sofrimento de Elloá, mas sua mãe segura o pulso da filha e fala olhando em seus olhos. — Ahh filha, infelizmente o coração às vezes nos prega uma peça, seu pai era um folgado rsrsrs, mas conseguimos nos entender rsrsrs. Responde Mari, com seus olhos brilhantes e cheio de amor, pouco depois Chupim, seu marido, entra com suas roupas sujas e todo suado, caminha em direção a ela e a beija com ternura. — Aposto que estava falando de mim, bom professora, em breve terão um novo líder, vamos fazer um baile de boas-vindas, para ele em uma semana. — Espero que consiga mesmo colocar aquela comunidade nos eixos, senhor. — E pode apostar que vai, deverá chegar em breve. Apesar de nunca ter me apaixonado de fato, eu via Mari e seu marido e sonhava um dia viver um amor assim, antes disso queria encontrar minha irmã que hoje deveria ter seus 15 anos. Após ouvir seus conselhos, resolvi voltar para casa, Júlio inda não tinha retornado, peguei suas coisas e coloquei numa mala, mesmo sabendo de sua resistência eu sabia que aquilo era o melhor a fazer, não poderia mais viver daquele jeito, depois de tudo que passei, não poderia aceitar menos que ser feliz. Mas nem tudo era tão fácil como eu imaginava, naquela noite, Júlio chegou muito embriagado, ao ver suas malas no chão da sala ele ficou furioso, me agarrou pelo pescoço, sentia me sufocar, após muita persistência consegui acertá-lo entre as pernas. — Sua p*****a, quem você pensa que é? — Por favor, está me machucando… ahhh — Ahhh, desgraçada. — Por favor, Júlio, saia dessa casa. — Você não tem ideia com quem está mexendo, linda, vai se arrepender. — Saiiiii. Ele falou ainda com as mãos entre as pernas, abriu a porta e saiu levando uma das malas, mas eu joguei as demais para fora, tranquei a porta e coloquei uma cadeira para impedir que ele entrasse. — Amanhã preciso trocar essa fechadura. ***Narradora*** Fora da casa, dois amigos de Júlio o esperavam, Elloá não imaginava que o mesmo teria se envolvido com alguns criminosos, ao verem com as malas debocharam, irritado e m*l conseguindo ficar em pé esbravejou. — Anda logo com essa merda, p***a. — Que pretende fazer agora? — Vamos atrás do Fernandes, ele nos deve favores. — p**a que pariu.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR