Capítulo 23

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Capítulo 23 GABRIELA NARRANDO Acordei com o clarão da televisão refletindo no teto escuro da sala. Meus olhos pesavam e demorei alguns segundos para entender onde eu estava. Me espreguicei, sentindo o tecido da camisola enrolado na minha cintura, e um calafrio percorreu meu corpo. A casa estava mergulhada num silêncio absoluto, daquele tipo que faz a gente ouvir o próprio batimento cardíaco. — Será que ele já chegou? — a pergunta escapou dos meus lábios num sussurro, quase sem querer. Senti um aperto no peito, mas logo me repreendi. Por que eu ainda me importava? Depois da forma como ele me tratou na piscina, depois de toda aquela violência e daqueles olhos cheios de um ódio que eu não conseguia decifrar, eu deveria estar querendo distância. Se ele não está nem aí para mim, se ele me t

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