Estava com tudo pronto para saída de Thomas. Já havia feito o pagamento e a enfermeira já estava do meu lado.
Thomas estava na cadeira de rodas.
Toda papelada assinada, já era hora de irmos embora, porém, assim que eu sair na porta com Thomas, Bryan, Tom e a enfermeira, Wilson estava chegando.
— Até que enfim, Daniela.
— Eu que digo até que enfim, Wilson. Estou esperando você a horas para pagar a conta. Ele fecha a cara para mim.
— Já disse que não tenho dinheiro para pagar os cuidados dele. Você quis trazê-lo para cá, sem necessidade. Agora você assume a conta. Assinto não me abalando.
— Ótimo. Só para te lembrar que a audiência é na terça feira. Você terá que se explicar muito para a justiça, e o valor que ele recebe vai para mim.
— Eu não sei para que você quer ficar com o dinheiro dele, já que você vai voltar a morar com a gente. Sorrio.
— Boa sorte, Wilson! Digo andando e empurrando a cadeira. Há, esqueci de te avisar. Ele vai morar comigo a partir de hoje.
— O que? Não. Eu não permito isso. Ele fala vindo para a frente da cadeira de rodas.
— Eu acho que você não entendeu ainda que não tem o direito de nada aqui. Se você aceita ou não, isso não é problema meu.
— Ele é meu filho. Meu único filho. Você não pode me tirar ele.
— Não estou tirando. Pelo contrário, eu estou aqui devolvendo ele para você. Assim que ele estiver melhor, bem da capacidade mental dele, ele vai voltar para você. Enquanto isso, eu cuidarei dele.
— Você pode cuidar dele na nossa casa. Nunca.
— Não quero e nem vou. Digo firme. Agora você pode me deixar passar?
— Você não vai levá-lo. Ele puxa a cadeira e eu suspiro. Estou cansada dessa palhaçada. Tom já iria falar alguma coisa, mas eu não o deixei.
— Wilson, você só me cansa. Está cansando a todos. Se você não me deixar levar ele por bem, será por m*l. Quer que eu faça valer os meus direitos de esposa, eu farei. Quer que eu chame a polícia, eu chamarei. Pego meu celular. Então?
— Você vai levá-lo para casa que você mora com outro homem? Eu não vou permitir.
— Já disse que não me interessa, o que você quer ou não. Eu vou chamar a polícia se você não me deixar levá-lo.
— Eu vou vê-lo todos os dias na casa do c*****o. Assinto não dizendo mais nada. Ele acha que vamos ficar no apto de Markos e por mim que pense assim. E pode ter certeza de que vou solicitar que você e ele volte para casa.
— Faça como quiser. Digo empurrando a cadeira de rodas e passando por ele.
— Ele não vai deixar isso quieto. Bryan diz e eu sei disso, mas neste momento não estou preocupada com ele.
— Eu sei. Porém, ele pode tentar qualquer coisa, que eu estarei disposta a tudo para defender o que eu quero.
— Estou gostando de ver. Estamos aqui para te ajudar no que for. Tom diz e eu assinto.
Fomos o caminho todo observando se Wilson não iria nos seguir. Até mesmo despistamos em algumas ruas para ver se ele estava atrás de nós. E eu acredito que ele não nos seguiu porque está com problemas maiores.
Chegamos no apto de Bryan.
Ele é super aconchegante. Tem dois quanto e uma imensa sala. Ele está todo mobiliado também. O que já facilita a minha vida. Mas eu dormiria no chão se fosse preciso.
— Dani, em um dos quartos colocamos uma cama mais baixa, para facilitar você e a enfermeira tirá-lo da cama. Bryan abrem a porta do quarto, e realmente é uma cama mais baixa.
— Obrigada por terem pensado nisso. Bryan beija minha cabeça.
— Você pode considerar esse seu novo lar. Não precisa se preocupar com nada, somente em fazer esse cara voltar ao normal e depois voltar para gente. Tom diz e eu o abraço.
— Farei o meu melhor. Digo me desprendendo dele.
— Vamos deixar vocês. Mas, qualquer coisa nos ligue.
— Pode deixar. E mais uma vez, muito obrigada!
— De nada!
— Passarei na sua casa mais tarde para pegar as minhas coisas.
— Estaremos te esperando. E se não estivermos lá, Magno está e você também tem a chave.
— Tudo bem! Até mais.
— Vocês quem colocá-lo na cama?
— Acho melhor. Já foi cansativo para ele até aqui. A enfermeira fala e eu só posso concordar.
— Deixa a gente fazer isso, então. Bryan empurra a cadeira até o quarto. Ele e Tom pega Thomas e colocam na cama. A enfermeira ajeita o travesseiro, e a sonda que o alimenta.
— Pronto, meninas, se precisarem já sabem. Eles me dão outro beijo e se vão.
— Eu preciso sair para comprar comida e roupas para ele. Tudo bem, você ficar aqui sozinha, até eu voltar?
— Pode ir tranquila, Sra! Não vamos a lugar nenhum. Assinto.
— Anota meu número, se acontecer algo, você me liga. Ela pega seu celular sorrindo e anota.
— Pronto. Pode ir tranquila. Saio e pego minha bolsa. Tenho algum dinheiro guardado, e assim vai dar para comprar algumas coisas para comer e também roupas para ele. Eu poderia pegar na casa de Wilson, mas eu não quero ver aquele homem tão cedo, para não dizer, somente na terça feira.
Assim que eu saio meu celular toca. O mesmo estava na minha bolsa. Pego o mesmo e vejo que se trata de Markos. Bufo. Não quero falar com ele agora. Talvez nem mais tarde. Eu preciso colocar minha cabeça no lugar em relação a ele. Coloco o celular dentro da bolsa e deixo tocar.
Pego um taxi até o Brooklin. Lá as coisas são mais baratas. Vou comprar as roupas e coisas de higiene pessoal para ele primeiro. Depois passo no mercado.
Meu celular não parou de tocar, e eu nem me dei ao trabalho de olhar. Não quero saber de Markos e nem nada em relação a ele.
Chego à loja e já começo a comprar muitas coisas. Dentre camisas, calças, shorts, pijamas, conjuntos para o frio, meias, cuecas box e também, dois pares de chinelos, dois pares de sapatos, e dois pares de tênis.
Comprei toalhas e roupas de cama. Sei que essas coisas não vão ficar baratas, mas neste momento isso é preciso.
Dividi e Paguei com meu cartão de crédito.
Fui a uma farmácia comprar coisas de higiene pessoal, como escova de dente, creme dental, shampoo, condicionar, sabonetes e desodorantes.
Quando término de comprar tudo, vejo que terei que ir em casa, porque não conseguirei passar no mercado para comprar comida.
Chamo o táxi e não demora muito, já estou dentro dele. Pego meu celular e tem uma ligação e mensagem de Tom. Deve ser Markos que pediu para ele me ligar. Vou até a mensagem. Tom me diz que esqueceu de me falar sobre a comida.
Ele me diz que comprou bastante comida. A dispensa e a geladeira estão cheias. Balanço cabeça sorrindo. Esses dois não tem jeito.
Retorno a mensagem, agradecendo e dizendo que não precisava. Eu iria comprar. Guardo meu celular na bolsa e descanso minha cabeça no encosto do banco.
Eu já estava em casa. A enfermeira me ajudou a colocar todas as coisas que comprei no lugar.
Depois eu fui fazer alguma coisa para gente comer, enquanto ela estava me explicando todo tratamento de Thomas. Ela me disse que já vou casos onde o paciente retorna ao normal muito rápido. É somente os remédios e as drogas pararem de fazer efeito, que ele vai reagindo. Outros demoram mais, porque o organismo é lento para diluir todo efeito que ainda está no corpo.
— Espero que no caso de Thomas, seja rápido. Eu preciso que ele melhore. Digo para mim mesma.
— Vocês estão a muito tempo casados? Ela pergunta picando uma cebola.
— Sim. Mas ele foi dado como morto por meses, para não dizer mais de um ano. E outra, ele não era um marido bom para mim.
— E mesmo assim, você está aqui cuidando dele.
— Para eu ter minha vida de volta, eu preciso que ele fique bem. Mesmo que ele volte sendo o arrogante que era, eu preciso que ele volte. Só assim eu vou poder brigar na justiça pela minha liberdade.
— Então vamos fazer de tudo para ele se recuperar. Ela fala solidária a mim.
— Obrigada pela sua ajuda! Sou amável.
— De nada! Minha irmã teve um marido que só a maltratava, não fazia nada por ele, e quando ela tomou a decisão de se separar, todos nós da família a apoiamos, principalmente eu. Eu a trouxe para morar comigo, mas ela caiu na lábia dele de novo. E eu não a vi mais. Franzo a testa.
— Eles se mudaram?
— Ele a matou. Meu coração fica apertado.
— Eu sinto muito. Digo sentida.
— É por isso que quando pessoas como você chega na clínica com algum tipo de problema, eu me ofereço para ajudar. Eu vi como seu sogro te trata.
— Aquele velho i****a só quer me manter do lado dele, para ser mulher dele.
— O que? Ela está horrorizada.
— Isso mesmo. Antes de Thomas reaparecer, ele me mantinha sobre a tutela dele, porém, eu conseguir reverter isso na justiça e sair da casa dele. Ele me queria como mulher. Me perseguia em todos os lugares. Espera. Falo e vou saindo da cozinha, indo para sala. Ele trouxe Thomas na porta da casa de Markos. Como ele sabia onde Markos morava? E outra, lembro dele falar que vai visitar Thomas na casa do c*****o.
— Do que você está falando? A enfermeira indaga me vendo andar de um lado ao outro na sala.
— Eu não acredito. Foi um dia depois da boate pegar fogo. Será que foi ele que colocou fogo ali? Será que foi ele que mandou alguém fazê-lo. Não, não pode ser. Ele é pior do que eu pensava. Pode ser que, por minha culpa a boate foi incendiada. Markos pode nem querer falar comigo se isso for verdade. Eu sei que aquele lugar era sua vida. E por minha culpa, ele não tem aquele lugar mais.
— Do que você está falando? A enfermeira pergunta de novo.
— Eu trabalhava em uma boate e namorava o dono. Acho que Wilson descobriu e botou fogo no lugar. No outro dia, ele apareceu na porta do prédio onde eu estava morando. Ele me seguiu. E se ele me seguiu até no apto, ele pode ter me seguido até a boate. Ele sabia quem Markos era, e onde eu estava trabalhando. E para acabar de vez com Markos e me deixar sem emprego, desamparada, ele botou fogo na boate. Ele trouxe Thomas não sei de onde, para me fazer voltar para o lado dele. Ele não está nem aí para o filho, ele só me quer.
— Esse homem é i****a. Tem que tomar cuidado com ele.
— Mais do que tudo. Ele não pode saber onde moramos. Ela assentiu. Voltei para cozinha para terminar o almoço.
Eu não sei como ele conseguiu me seguir, mas se for verdade tudo que eu estou pensando, Wilson tem que ser internado. Ele está cada dia pior. Está sem limite, e eu sei que, ele vai fazer de tudo para me encontrar. Eu tenho que ser mais esperta do que ele.
O almoço fica pronto e a enfermeira e eu começamos a comer. Minha mente não parava de pensar se minha teoria de que Wilson pôs fogo na boate, está certa. E pior que não tem como saber se foi ele. Bufo.
Depois de comer. A enfermeira e eu fomos para o quarto de Thomas. Ele estava de olhos abertos.
Ela me ensinou a trocar a sonda que o alimenta. A sonda urinaria, e depois trocamos a fralda dele.
Mais tarde aproveitei que tudo estava calmo e fui ao apto de Tom. Precisava pegar minhas coisas.
Iria partilhar minhas suspeitas com Tom, mas acho melhor investigar. Não quero fazer falsas acusações.
Assim que cheguei na casa de Tom, entrei com minha chave. Eu devolveria a mesma. Estou indo para sala e escuto a voz de alguém que não escutava a muito tempo.
— Onde ela está? Na faculdade ela não foi, porque eu fiquei a manhã toda lá e nada.
— Markos, fique calmo. Magno diz.
— Ela não me atende. Vocês estão me escondendo algo?
— Vocês dois tem que conversar.
— Ou seja, tem algo acontecendo?
— Boa noite! Resolvo acabar com isso. Ele fica me olhando. Me olhar de baixo a cima. Talvez me analisando para ver se tem algo errado comigo. Eu não queria conversar agora com ele, mas é inevitável. Vamos pôr um ponto final nisso.