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1089 Palavras
Aranha V.a.d.i.a de m.e.r.d.a. Teve coragem de me derrubar e sair correndo… e pior que isso, achou que ia conseguir fugir de mim. Meus homens ficaram me olhando por alguns segundos, sem reação, até eu mandar eles se mexerem, porque ninguém ali ia ficar parado enquanto aquela desgraçada tentava escapar. A ordem do Brutus foi bem clara quando ele disse que toda a família do Tóxico que ficasse no morro tinha que morrer, e eu não sou o tipo de homem que descumpre ordem. Aranha: rapaziada, eu vou procurar essa p.i.r.a.n.h.a que me agrediu junto com os outros. Quero vocês na atividade, tá ligado? Qualquer sinal de bagulho doido, eu quero ser avisado pelo rádio. Não quero ser pego desprevenido. — Suave, chefe. Comecei a andar pelo hospital procurando de um lado pro outro, analisando cada detalhe, cada porta, cada possibilidade, até perceber uma coisa que fez tudo fazer sentido, porque ela não saiu correndo igual uma desesperada, sem direção, o que significava que ela sabia exatamente pra onde estava indo. Como ela conhece o morro muito bem, não ia tentar sair pra fora sabendo que tinham vários homens meus espalhados por tudo quanto é lado, então ela ainda estava ali dentro, escondida, esperando a melhor chance de não ser encontrada. Ao invés de subir direto, eu voltei pro salão, dei dois tiros pro alto pra cortar qualquer esperança que ainda existisse ali dentro e gritei, deixando claro que ninguém ia sair daquela situação ileso. Aranha: como vocês viram, eu não tô pra brincadeira. Então eu quero saber onde aquela p.i.r.a.n.h.a se escondeu. Eu sei que tem um cofre aqui dentro, e ela não saiu correndo do nada. Então vocês vão me passar a visão de onde é esse cofre, se não eu vou começar a matar um por um até alguém resolver colaborar. Geral começou a gritar, alguns tentaram correr, mas meus vapores já tinham cercado todo mundo. Eu fui direto na médica que tinha falado comigo antes, segurei ela e encostei a arma na cabeça dela. Médica: eu não sei de cofre nenhum, pelo amor de Deus. Eu não sei do que você tá falando. Eu fiquei olhando pra ela por um segundo, avaliando, esperando qualquer sinal de mentira, qualquer hesitação, mas ela só tremia, completamente desesperada, e, mesmo assim, eu puxei o gatilho sem pensar duas vezes. O corpo dela caiu no chão, e o barulho foi suficiente pra fazer todo mundo ali entender que eu não estava blefando. Segurei um médico pela camisa logo em seguida, puxando ele pra perto, e comecei a pressionar, apertando o pescoço dele com força enquanto falava baixo, sem precisar gritar. Aranha: eu acho que tu não é surdo, né? Então eu só vou perguntar uma vez… onde é? Médico: pelo amor de Deus… ela é uma menina boa. Ela não tem nada a ver com a família dela. Ela não é envolvida com o tráfico. Aranha: e tu vai acabar igual aos outros se não falar onde ela tá. Ele hesitou por um segundo, e foi isso que entregou tudo. Médico: lá em cima… no segundo andar. Tem uma porta falsa, toda vermelha, na sala 2. Se você abrir atrás dela, tem um cofre. A senha é 546. Todos os médicos têm acesso. Assim que ele terminou de falar, eu soltei ele por um instante, como se tivesse terminado, e, quando ele respirou aliviado, eu dei um tiro na cabeça dele, porque eu não gosto de x.9. Quem fala demais não merece segunda chance. Comecei a subir a escada na direção que ele falou, já com a cabeça funcionando mais fria, organizando tudo, até meu celular começar a tocar. Quando vi o nome do Brutus na tela, passei a mão no rosto, porque eu já sabia que ele ia reclamar de eu não ter avisado antes, mas, no fim das contas, o que importava era o resultado, e o morro já era nosso. Atendi rápido, porque, quando eu demoro, ele já vem em cima. Ligação. Aranha: fala. Brutus: eu acho que tu já devia ter me ligado pra falar que conseguiu tomar o Vidigal, né? Fiquei sabendo pelo pessoal daqui de dentro da cadeia, que passou a visão pra um vapor. Qual foi? Tá esquecendo que eu sou o dono da facção ou tá achando que pode fazer tudo sozinho? Aranha: foi m*l, chefe. É que quando eu cheguei no postinho, a filha do Tóxico tava aqui. Mas a desgraçada conseguiu me bater e sair correndo. Agora eu já descobri onde ela tá e tô indo atrás. E vou te falar… a mina é bonita mesmo. Brutus: bonita como? Aranha: parece a mãe dela. Mais bonita pessoalmente do que nas fotos. Morena, cabelão, chamou atenção na hora. Mas tu mandou matar, eu vou matar. Tu sabe como é, eu sigo ordem. Brutus: será que vale a pena matar? Não é melhor a gente usar ela? Tu tá ligado que dá pra fazer uma tortura psicológica maneira com o Tóxico, né? Pra ele se entregar de uma vez. Eu não quero competição no Rio de Janeiro, já te falei isso. Aranha: e se a gente mandar ela ir aí te visitar? Imagina ele sabendo que a filha dele tá indo pro presídio pra ficar contigo. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, pensando, e eu já sabia que ele tinha gostado da ideia antes mesmo de ele responder. Brutus: acho que não é má ideia. Pode mandar ela pra cá. Eu vou ensinar ela direitinho a não levantar a mão pra homem. Aranha: suave. Eu vou tirar ela do cofre e depois mando um vídeo pra tu conferir. Tô falando que tu vai gostar. Brutus: mesmo que eu não goste, só de ver o pai dela sofrer já vai valer a pena. Mas não quero que mais ninguém toque nela. Eu quero ela inteira pra mim, pra mostrar pro pai dela com quem ele mexeu. E vai me passando tudo que tá acontecendo aí, porque eu não gosto de saber das coisas por vapor. Aranha: suave. Já tô indo buscar ela. Desliguei, guardei o celular no bolso e continuei subindo, já com tudo resolvido na minha cabeça. Pegamos um dos seguranças pra mostrar exatamente onde ficava a sala, e ele não teve coragem de mentir. Quando ele me mostrou a parede falsa e eu digitei a senha, a porta abriu sem dificuldade. Ela tava lá dentro, encolhida. Quando me viu, se assustou e recuou. E, naquele momento, eu apenas sorri, sabendo que agora ela não tinha mais pra onde correr.
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