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887 Palavras
Alice Eu me defendi da forma que consegui naquele momento e corri para o cofre, tendo certeza de que não estava sendo seguida. Depois, me encolhi ali dentro, tentando controlar a respiração, porque não tinha nenhuma arma ali. Meu pai sempre achou que era impossível alguém encontrar aquele lugar, só que alguns médicos sabiam onde ele ficava, e, no fundo, eu sabia que isso podia dar errado, só não queria acreditar até ouvir o barulho da estrutura sendo aberta e perceber que o meu medo tinha se realizado. Por um segundo, eu pensei que fosse algum médico tentando se esconder, alguém desesperado como eu, mas, quando vi aquele homem parado na minha frente, senti o corpo inteiro gelar e comecei a me tremer todinha. Tentei tacar algumas coisas na direção dele, qualquer coisa que estivesse ao meu alcance, mas ele desviou com facilidade, como se aquilo não fosse nada, e, sem pressa, tirou a arma da cintura, destravou e apontou direto para mim. Aranha: pensou que ia se esconder de mim, sua c.a.c.h.o.r.r.a? Mas eu te encontrei. Ele se aproximou, segurou meu braço e começou a me arrastar para fora, enquanto eu tentava bater nele e me soltar, mas ele apertou com força, num ponto que fez meu corpo inteiro reagir de dor. Alice: tá doendo, me solta, m.e.r.d.a! Aranha: se você soubesse o que eu quero fazer com você, eu acho que ficaria caladinha. Se você não fosse uma mulher tão bonita, agora você já estaria morta. Mas, pra sua sorte, o chefe vai adorar receber a sua visita no presídio. Alice: o… o… o quê? Aranha: isso mesmo que você ouviu. Você vai fazer uma visitinha pro Brutus dentro do presídio, e, até o dia dessa visita chegar, você vai ficar presa, que nem a c.a.c.h.o.r.r.a que você é, porque toda c.a.c.h.o.r.r.a agressiva tem que aprender a ficar na coleira. Alice: eu não vou ficar presa em lugar nenhum. Me solta, p.o.r.r.a! Eu tentei bater nele de novo, mas ele me deu um tapa na cara que fez minha visão escurecer por um segundo e meu corpo cair no chão sem força; antes que eu conseguisse reagir, ele me puxou de novo pelo braço e começou a me arrastar, como se eu não tivesse peso nenhum. Ele gritou para os vapores, me jogou em cima deles e falou: Aranha: vocês falaram que lá na boca tem uma jaula, né? Vocês vão deixar ela presa lá, sem comida. Dá só um pouco de água, porque a gente não quer que a doutora morra de sede. E eu não quero que ninguém encoste nela, porque ela é do chefe. Alice: seu m.e.r.d.a, seu desgraçado. Quando meu pai tomar esse morro de volta, eu mesma vou arrancar a sua cabeça, tá ouvindo? Eu vou acabar com a sua vida! Ele deu um sorrisinho de lado, como se aquilo não tivesse peso nenhum, depois se aproximou de mim, segurou meu rosto com força e falou olhando direto nos meus olhos que eu ainda achava que alguém viria me salvar, e que ele gostava disso porque seria ainda melhor ver quando eu percebesse que ninguém viria, deixando claro que não iria perder tempo comigo naquele momento porque o chefe queria a minha visita e ele não costumava repetir ordem. Ele me soltou, e eu comecei a me debater enquanto os vapores me arrastavam, tentando me soltar, chutando e gritando, mas não adiantou nada, porque eles me puxaram morro acima e me jogaram dentro da prisão que tinha na salinha de tortura, enquanto eu gritava por ajuda e ninguém fazia nada, como se eu tivesse deixado de ser alguém ali dentro e me tornado apenas mais uma pessoa descartável. O tempo passou devagar, pesado, e eu já não estava mais com meu celular porque eles pegaram quando viram que eu estava com ele, me revistaram e uma mulher fez isso comigo, com um olhar frio, igual a todo mundo ali, falando que eu era uma bonequinha e que não ia sobreviver ao chefe, rindo da minha cara como se aquilo fosse engraçado. A minha vontade era dar um soco nela, mas eu sabia que, se fizesse isso, iam me torturar, então tive que engolir aquilo e guardar as minhas forças. — E aí, gostosinha? O chefe me mandou trazer água pra você. É uma pena que eu não possa te dar p.a.u nem outras coisas que você merece agora. Você é muito bonita, sabia? Imagino que seu namorado vai ficar chateado quando o Brutus te pegar. Alice: vai pro inferno e leva seu chefe junto. Eu não vou ficar aqui muito tempo. A minha família vai vir me buscar, e aí vocês vão entender que não deveriam ter mexido comigo, porque aquele desgraçado não vai tocar em mim. — Eu gosto quando você fica assim, cheia de esperança, como se ainda acreditasse que alguém vai vir te salvar, mas a sua família não vai conseguir tomar o Vidigal de volta, porque o bagulho aqui tá pesado, então aproveita enquanto ainda consegue sonhar. Ele saiu, deixou a água ali e me trancou de novo, e eu fiquei olhando para o copo por alguns segundos, com a garganta seca e o corpo pedindo água, mas o medo era maior, porque eu não conheço aquelas pessoas e não podia confiar, mesmo estando com sede.
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