Trovoada Os tiros estouram no pé do morro como um aviso. Secos. Ritmados. Cheios de ódio. Meu corpo reage na hora. Não é medo — é instinto. Anos vivendo disso, sentindo o som da guerra vibrar no peito como um chamado. Eu olho pra Sayuri no mesmo segundo em que o barulho ecoa mais forte, e algo dentro de mim se acende. Ela tá em pé no meio do quarto, o rosto ainda molhado de choro, o corpo tenso, mas os olhos… os olhos brilham quando ela ouve os tiros. Não é disfarçado. Não é sutil. É esperança pura naquele olhar. Isso me irrita. Isso me excita. Ela é bonita pra c*****o. Não só bonita. Ela chama atenção sem tentar. Aquele tipo de mulher que entra num lugar e muda o ar. Cabelo caindo solto, boca tremendo de raiva e medo, o peito subindo rápido demais enquanto ela tenta entender o que

