faísca que queima

1013 Palavras
O café esfriava sobre a mesa, mas Amy m*l notava. Cada palavra de Luis Enrique parecia envolver seu corpo em eletricidade. A proximidade era intensa; ela podia sentir o calor dele, o leve perfume que misturava sobriedade e algo provocante, e isso fazia seu coração disparar. Luis Enrique inclinou-se um pouco mais, como se houvesse uma força invisível puxando-os um para o outro. Amy sentiu o impulso de recuar, mas algo dentro dela dizia para permanecer ali, sentada tão perto, respirando o mesmo ar que ele. — Eu… — começou Luis Enrique, a voz rouca, cheia de uma sinceridade que a surpreendeu. — …eu tenho a impressão de que já nos vimos antes! Amy sentiu um arrepio percorrer a coluna. Era como se ele tivesse lido cada pedaço de sua alma sem precisar perguntar. Ela abriu a boca para responder, mas a voz falhou; apenas um suspiro escapou. Ele estendeu a mão, quase tocando a dela. Quando os dedos se encontraram, mesmo que apenas levemente, a faísca que havia começado no toque do livro explodiu em ondas pelo corpo de Amy. — Isso… — disse Luis Enrique, a voz baixa e carregada de tensão — …isso é estranho, não é? — Estranho… e intenso — murmurou Amy, o coração acelerado, incapaz de desviar o olhar. Por um instante, ficou ali o silêncio mais carregado que eles já haviam sentido. O mundo inteiro parecia desaparecer; apenas eles existiam, flutuando em um espaço onde cada respiração e cada toque carregavam uma promessa silenciosa. E então, tão próximo que quase podia sentir a respiração dele nos lábios, Luis Enrique inclinou-se lentamente. Amy fechou os olhos por reflexo, sentindo uma mistura de medo e desejo. Mas antes que os lábios se encontrassem, um ruído da cafeteria — o tilintar de xícaras e um risinho ao fundo — os trouxe de volta à realidade. Ele recuou ligeiramente, mantendo o olhar fixo nela, carregado de intensidade e segredo. — Talvez… — disse Luis Enrique, com um sorriso que queimava mais do que qualquer toque — …algumas coisas precisem esperar o momento certo. Amy abriu os olhos, ainda tremendo, e soube naquele instante que algo impossível estava começando. Uma atração que a puxava para ele, e que, no fundo, carregava sombras do passado que nenhum dos dois ainda estava pronto para enfrentar. O encontro terminou sem beijo, mas a promessa de paixão e perigo pairava no ar, como se o destino estivesse observando, pronto para unir os caminhos deles de uma forma que ninguém poderia prever. naquela tarde, Amy voltou para casa com uma sensação estranha. estava eufórica com o encontro inesperado com Luis Enrique, um homem que ele nunca havia visto, más, que fez o seu coração disparar em um único momento. era como se já tivesse visto antes. Amy não estava mais pensando na terapia e nos fragmentos de memória. estava pensando no que havia acontecido na cafeteria. no que havia sentido e no que ainda estava sentindo. sua irmã mais nova a esperava no sofá. (Liliana) tinha doze anos e era deficiente visual devido a um acidente que sofreu há alguns anos atrás. _ Amy? (ela disse) _ sou eu! (responde Amy deixando a bolsa encima de uma mesa da sala) - onde está a Cibele? _ ela teve que sair! (respondeu Liliana) _ e deixou você sozinha? quando ela saiu? (pergunta Amy se sentando ao lado da irmã) _ não precisa se preocupar tanto assim comigo, Amy. eu posso me virar sozinha. (responde Liliana bem calma) Amy olhava fixamente para a irmã o tempo todo, com aquele olhar de pena e culpa por não ter conseguido salvá-la. _ eu sei o que está fazendo, e o que está pensando agora. (disse Liliana segurando numa das mãos de Amy) _ não foi culpa sua, você sequer estava aqui. Amy não disse nada. ela levantou do sofá e foi até a cozinha, que era integrada com a sala. _ está com fome? já comeu alguma coisa? (pergunta Amy tentando descontrair) _ estou faminta! (responde Liliana) Amy ligou o fogão e pois as panelas no fogo para esquentar a comida que já tinha sido feita de manhã. ela estava mais nervosa do que o normal, não sabia se tinha sido a terapia ou o encontro com Luis Enrique. más, ela estava alterada, com crise de ansiedade, más, dessa vez era diferente. enquanto isso, naquele mesmo dia, porém a noite. Luis Enrique estava no seu quarto deitado na cama, olhando para o teto. á noite lá fora estava estrelada, ventava sem parar, uma brisa fresca. a janela do quarto de Luis Enrique estava aberta, como sempre. ele acabara de voltar para a cidade depois de vários anos morando fora. ele tentava seguir a sua vida, más, o passado voltava sempre que podia para atormentá-lo. uma lembrança daquela noite, de seis anos atrás. era uma noite chuvosa. ele dirigia um carro alugado por uma estrada de terra. ele só tinha vinte anos na época. era completamente obediente e manipulado pelo o seu pai (Alejandro Navarro) naquela noite, Luis Enrique parou o carro na mata, onde não podia ser visto. desceu do carro ainda com um pirulito na boca. hábito que havia adotado. abriu o porta malas e tirou algo enrolado num lençol branco. ele carregou para dentro da mata onde já tinha uma cova cavada. outras duas pessoas estavam lá com pás nas mãos. era um homem mais velho e uma mulher de aparentemente trinta anos. o corpo é jogado no buraco. enquanto os dois cúmplices jogam pás de terra encima do corpo. um barulho na mata. alguém pisando num galho. todos param. eles a verem. uma garota estava lá, no lugar errado e na hora errada. estava com roupa de academia, estava correndo e acabou entrando na mata por instinto ou outra coisa. a garota era Amy, com apenas dezoito anos. Luis Enrique desperta assustado. com a respiração ofegante. era ela. a garota do café. a menina que ele tinha certeza que já a teria visto antes. _ Amy? é ela! (disse ele para si mesmo, agora sentado na cama)
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