Capítulo 6

1575 Palavras
Diante do seu adorável sorriso de covinhas não pude negar quando ele me ofereceu mais um biscoito, a princípio desconfiei visto que ele alegou ter preparado usando minha receita mas estava realmente bom, estava ficando difícil nutrir ódio por alguém tão gentil. - Eu usei gotas de chocolate assim como você me disse. - Luke empurrou suavemente a xícara de café sobre a mesa para que eu pegasse. - Eu não sei se está muito bom, ofereci alguns ao cara com quem estou saindo e ele pareceu não ter gostado mesmo falando que estavam bons. Levei a xícara a boca mantendo meus olhos nela, Kevin odiava cookies e pelo visto não era muito bom em mentir para seu amante. - Nem todos gostam, mas garanto que está tão perfeito que eu duvido que você tenha feito. - murmurei sorrindo enquanto negava com a cabeça quando ele me ofereceu mais café. - Eu agradeço o curativo na mão mas preciso ir. - em um ato rápido e desesperado Luke segurou minha mão que estava sobre a mesa. - Você pode ficar para o jantar, eu farei lasanha. - Luke sorriu esperançoso como se me falar que serviria minha comida favorita fosse o suficiente para me fazer ficar, e era, mas eu não poderia arriscar encontrar o Kevin ali ou que ele retornasse para casa e não me encontrasse. Por que tanto desespero em passar um tempo com um desconhecido? Ele não tem amigos? - Desculpe, você provavelmente tem outras coisas para fazer. - Luke recolheu sua mão lentamente enquanto olhava para baixo. - É que eu estou na cidade há menos de um ano e não sou bom em fazer amigos já que trabalho muito. Então ele queria uma amiga, isso era muito mais que perfeito para mim. - Nós já nos esbarramos mais vezes do que desconhecidos na rua costumam fazer, então acho que está nascendo uma amizade esquisita aqui. - murmurei me levantando da cadeira, e foi só então que eu notei que na porta de sua geladeira havia uma foto pregada. Acho que meus olhos permaneceram ali por tempo demais pois Luke seguiu meu olhar e se levantou pegando a foto para que eu pudesse ver de mais perto, engoli a seco o embrulho no estômago. - Este é o Kevin quando completamos 2 meses juntos. - forcei um sorriso enquanto aceitava a foto de sua mão, eles pareciam felizes com enormes sorrisos no rosto enquanto o Luke segurava um buquê de rosas na mão. - Ele é extremamente romântico e me surpreendeu nesse dia... - Deve ter sido uma surpresa e tanto. - falei baixinho enquanto lhe devolvia a foto. - Ele parece ser um cara perfeito, pelo que você contou. - Sim, ele é maravilhoso, o que é extremamente difícil de encontrar para pessoas como eu. - seus olhos brilhavam a o falar do meu marido, ato que não passou despercebido por mim, ele definitivamente estava apaixonado. - Ele sempre me compra flores, me leva para jantares ou café da manhã em dias aleatórios, sempre escreve bilhetes me dizendo o quanto eu sou incrível para ele, não parece ter vergonha de mim ou algo assim... - seu sorriso foi diminuindo lentamente, como se tivesse lembrado de algo r**m. - Eu só não entendo o por que ele ainda não me pediu em namoro, sabe!? - Eu não consigo imaginar o motivo para ele não ter feito isso ainda. - eu sabia que minha frase havia saído de maneira irônica mas o ruivo estava tão concentrada em sua cega paixão que sequer percebeu meu tom. - Nós temos tudo, entende? - assenti lentamente com a cabeça enquanto sentia seu braço rodear meu pescoço como se fôssemos íntimos, ele me guiou suavemente até a sua sala e me fez sentar no sofá ignorando completamente que eu havia dito que ia embora há poucos instantes. - Ele é perfeito para mim, é um cara fofo e trabalhador, super atencioso e romântico, fora que em outras questões ele é incrível. - seu sorriso malicioso fez meu estômago embrulhar automaticamente, aquilo já era demais para mim. - Mas parece que algo está o segurando ainda. Eu sabia muito bem o que estava o segurando ainda, um casamento de 5 anos com uma i****a devota a ele, sem contar que ele não era um cara assumido para a sociedade. - Quando for o momento certo você terá tudo o que merece. - levei minha mão a sua coxa enquanto sorria amigavelmente, Luke sorriu de volta assentindo com a cabeça. - Você é um cara incrível Luke, qualquer pessoa consegue ver isso e será muito sortuda por tê-lo, não se preocupe. - Você é um amor de pessoa, moça do cachorro. - Luke fez uma careta após dizer aquilo. - É estranho que eu ainda não saiba seu nome e já estou lhe contando minha vida. - Você pode me chamar de Melissa. - murmurei após alguns instantes, não era um nome irreal, era apenas mais seguro dar o meu nome do meio do que o primeiro. Se fosse um pouco inteligente ele poderia falar de mim para o Kevin ou até mesmo procurar a minha ficha criminal, que até então estava limpa, mas eu duvidava muito que ele fizesse isso. Seu desespero por uma amiga falava muito mais alto do que sua inteligência. - Bom Melissa, eu espero que possamos sair para tomar um café depois, amanhã não dá pois o Kevin tem uma festa da empresa e iremos juntos... - parei de ouvir o que ele estava falando ao escutar aquilo. - Tudo bem que será como amigos pois ele disse que seu chefe é bastante preconceituoso, mas ainda sim acho incrível isso. Como ele se atrevia a convidar o amante para a festa da empresa? Eu que sou esposa dele raramente fui convidada para os eventos pois ele sempre alegava que eu poderia constrangê-lo na frente dos colegas de trabalho, mas o ruivo perfeito ele quer ao seu lado? - Estou te enchendo com essas coisas não é!? - despertei de meus pensamentos ao sentir a mão do Luke sobre a minha, sorri sem graça negando com a cabeça rapidamente. - Claro que não, eu só estava pensando que preciso ir para casa colocar a comida do Bob. - murmurei a primeira coisa que veio em minha mente. - Se eu atrasar sua comida de novo é capaz que ele machuque muito mais do que apenas minha mão. - Luke pareceu se convencer daquilo pois sorriu compreensiva. - Te entendo muito bem, a Jane é bastante temperamental e fica brava com qualquer coisa, mas eu não sei o que seria da minha vida sem ela. - contive o sorriso diabólico que nasceu em meus lábios ao escutar aquilo. - Bom, eu vou te acompanhar até a rua pois preciso ir ao mercado. Levantamos do sofá e caminhamos até a porta, Luke me abraçou de um jeito atrapalhado e acenou um tchau para mim seguindo pela rua, eu peguei o Bob que estava preso a um ferro da sua cerca e caminhei na direção oposta lentamente. Assim que notei que ela havia desaparecido no fim da rua, voltei correndo até sua casa, amarrei o Bob novamente e caminhei até a lateral de sua casa onde havia uma janela. - Aulas de pilates por favor me ajudem. - pedi em um murmúrio enquanto agarrava a janela com toda a minha força e impulsionava meu corpo para cima, ser baixinha nunca foi tão horrível quanto naquele momento. Como previsto a janela estava destrancada então foi fácil rastejar para dentro de sua sala do modo mais silencioso possível, a queda no chão não podia ter sido pior mas eu reclamaria da dor nas costas depois, eu não sabia quanto tempo o Luke levaria no mercado então precisava agir rápido. - Jane? - chamei baixinho enquanto andava pela sala procurando a gata. - Vem cá bichano, eu não vou te fazer m*l. Se não contarmos aquilo como um sequestro, então não, eu não lhe faria m*l. Surgindo da cozinha avistei o meu alvo, me aproximando devagar estendi minha mão para pegá-la porém em um movimento rápido fui arranhada violentamente na mão. - Sua filha da mãe! - murmurei baixo vendo o avermelhado com três marcas de garras afiadas. - Se não vier por bem, virá por m*l. Dito isso dei um passo rápido para frente e a agarrei, a gata parecia ter sido possuída por um ser maligno pois começou a se sacudir no meu colo e arranhar cada pedaço exposto do meu corpo, eu não podia sair da casa com aquele gato escandalizando daquele jeito então em um ato impensado ergui minha blusa e enfiei a gata ali cobrindo todo seu corpo. Engoli a vontade de chorar ao sentir minha barriga ser arranhada várias vezes e tomando impulso de novo pulei da janela caindo de b***a na grama, olhei para os lados me certificando que nenhum vizinho havia visto aquilo, me levantei rapidamente fechando a janela e pegando o Bob passei a correr para casa segurando aquela bola de pêlos debaixo da minha blusa. - Anda Bob, senão eu não terei mais pele pra contar história. - resmunguei puxando meu cachorro para que ele andasse mais rápido. Apenas quando cheguei em casa e soltei o gato dentro da despensa o trancando ali que eu me dei conta do que havia feito. - p***a, eu sequestrei o gato do Luke.
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