Capítulo 5

1177 Palavras
Ao sair de casa me perguntei se o sol sempre foi tão forte daquele jeito ou eu havia perdido o costume ao longo dos dias, para meu infortúnio o Bob estava cheio de disposição para gastar toda a energia que acumulou em todos os dias em que não o levei para passear. - Eu sei que prometi me retratar com você garotão, mas não pode me puxar assim. - o repreendi suavemente enquanto tentava mantê-lo próximo ao meu corpo puxando-o pela guia ao mesmo tempo em que me esforçava em tirar meus cabelos recém escovados do olhos. - Não me parece uma boa ideia sair contigo de cabelo solto. - resmunguei pisando firme pela calçada para não ser arrastada por aquele cachorro nada educado. O parque nunca esteve tão longe, e para piorar eu precisava pegar meu celular no bolso para conferir se o Luke continuava postando fotos suas se exercitando pelas redondezas, eu nem precisava me esforçar muito pois esse homem fazia questão de me dizer seu paradeiro... Como se implorasse para que eu o seguisse. Assim que puxei meu celular do bolso da jaqueta implorei aos céus que o Bob continuasse cheirando os arbustos alheios para que eu pudesse ter uma noção de que caminho seguir para encontrar a ruiva. Como se finalmente notasse que eu havia parado no meio do caminho, Bob começou a latir incessantemente, revirei os olhos enquanto tentava guardar meu celular de volta na roupa mas esse segundo de distração foi o suficiente para que eu fosse puxada bruscamente por aquele maldito cachorro radiante, tentei puxá-lo de volta mas eu não tinha força o suficiente fora que a guia enrolada em minha mão estava começando a machucar devido ao atrito então só me restava correr na tentativa de manter nossa distância a mínima possível antes que ele me fizesse cair no chão e ser arrastada como um saco de batatas. - Bob! - gritei seu nome furiosa enquanto corria sem fôlego, fiz uma nota mental de que estava muito sedentária e precisava melhorar isso antes de tentar puxá-lo de novo na intenção de pará-lo. - Bob, para! - gritei novamente mas antes que eu pudesse fazer algo ele simplesmente aumentou sua velocidade me fazendo tropeçar e cair de joelhos no chão. Por sorte minha mão se desprendeu no processo evitando que a vergonha fosse ainda maior, puxei todo o ar que conseguia para os meus pulmões os sentindo queimar. Se eu não fosse tão cética acreditaria que aquele maldito cachorro estava tentando sabotar meus planos. Tentei me levantar apoiando a mão no chão mas só então notei que ela estava com um machucado bem avermelhado na palma,suspirei frustrada enquanto me levantava de modo desengonçado. - Nada mais me impede de levá-lo para um canil, aquilo não é um cachorro, é um monstro rancoroso. - usei minha mão para limpar minha calça suja de areia enquanto pensava em como me livrar daquele Golden desobediente, e como se tivesse me ouvido escutei seus latidos atrás de mim. - Agora você resolve voltar seu filho de uma p... - parei minhas palavras ao virar-me e ver que o meu cachorro estava sendo segurado por ninguém menos que o Luke Jacobs. Seria o Bob também um traidor? - Eu aposto que ele sente muito. - Luke sorriu sem graça enquanto se aproximava com sua gata debaixo do braço, ele me estendeu a guia do Bob ainda sorriu e quando estendi minha mão para pegá-la pude notar seu olhar sobre meu machucado. Era sempre estranho vê-lo, eu sentia uma mistura de sentimentos que sempre me deixavam entre a raiva e a gentileza, e sinceramente, eu não sabia qual dos dois deveria prevalecer. - Não foi nada. - murmurei disfarçando enquanto pegava de volta o meu projeto de terrorista de quatro patas. - Obrigada por trazê-lo de volta, não sei o que deu nele hoje. - Dizem que os animais sentem quando estamos chateados e bravos, o seu cachorro pode ter tentado te animar e acabou exagerando. - Luke coçou a nuca com a mão livre enquanto ajeitava sua bola de pêlos silenciosa em seu braço, concordei com a cabeça achando aquele papo muito entendiante mas mantive o sorriso nos lábios para soar amigável. - Não achei que realmente tinha um cachorro. - Achou que eu estava apenas rondando sua vizinhança espionando você? - era pra ter saído em tom de brincadeira mas pelo seu olhar era notável que eu falhei nisso ou ele realmente cogitou que eu estava a seguindo. - Eu tenho um cachorro, m*l educado e bastante feliz, e como pode ver ele adora correr e me fazer passar vergonha em público. - inclinei-me um pouco para acariciar a cabeça do meu cachorro que estranhamente estava sentado comportado apenas observando a Luke com sua costumeira língua de fora. - Esse é o Bob. - Não é um problema, a Jane me causa muitas vergonhas também quando decide destruir as plantas dos vizinhos. - sorri compreensiva vendo que Luke não parava de sorrir. - Da última vez que nos encontramos disse que não estava muito legal, eu só queria saber se você se sente melhor ou... - ele pareceu buscar as palavras certas para prosseguir, o que estranhamente soava atencioso de sua parte. Sequer achei que ele pudesse se lembrar de mim depois de uma semana, ainda mais se importar com meu bem estar. - Eu estou bem. - murmurei olhando em seus olhos, eu não podia transparecer que estava derrotada para o amante perfeito do meu marido. - Não achei que fosse lembrar. - Você não estava bem mas mesmo assim me fez rir muito aquela noite e me passou sua receita de cookies, você se tornou inesquecível moça do cachorro. - me lembrei que não havia lhe dito meu nome, e isso não parecia lhe incomodar. Realmente como policial ele precisava melhorar e muitos os seus instintos, era com essa gentileza toda que ele pegava criminosos? Espero que não, senão a cidade estará perdida em suas mãos. - Sua mão está machucada e minha casa fica há algumas quadras, gostaria de ir lá para fazer um curativo? - o encarei incrédula me perguntando se ele era louco de convidar uma estranha pra sua casa. Eu era apenas a esposa traída em busca de vingança, mas eu podia ser pior, tipo um ladrão de gatos ou um maníaco stalker, Luke precisava ser menos e******o, claramente que depois de me deixar entrar em sua vida pois agora eu precisava de toda sua ingenuidade para facilitar minha vida. - Você costuma chamar qualquer desconhecido para sua casa? - perguntei baixinho deixando minha curiosidade dominar. - Só os que tem sérios problemas com seus cachorros e estatura inofensiva. - revirei os olhos para seu insulto delicado a minha altura. - Se não quiser ir tudo bem pois... - Eu aceito! - falei rápido demais temendo perder a chance de observar o interior de sua casa. Eu não sei bem o que esperava, mas sabia que Luke sequer saberia o que lhe atingiu, graças a sua ingenuidade cega.
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