Não morra

1525 Palavras
PONTO DE VISTA DE BLAIR O guarda continuou a me observar com suspeita enquanto eu estava deitada no colchão, olhando fixamente para o teto. Eu não mostrava nenhum sinal de desconforto, apenas que estava entediada até a alma, e eu sabia que isso o estava deixando louco. Notei que o outro guarda estava ausente, sem dúvida, havia saído para comer algo. Meu estômago roncou e eu o esfreguei, distraída. Sem dúvida, eventualmente eu seria alimentada com pão velho ou algo assim, me consolei, mas não sabia quando seria. Eles podem não querer me manter viva, mas também não estavam dispostos a arriscar a ira do Alfa Johnathon se ele me encontrasse morta. Covardes. Rolei e suspirei profundamente. A porta do calabouço abriu com um rangido alto, me deixando tensa. Supondo que fosse apenas o guarda retornando, eu apurei meus ouvidos, intrigada quando ouvi não uma, mas duas pessoas se aproximando. Eu farejei. Eu posso não ter um lobo, mas ainda tenho audição sensível e um bom olfato. Ainda consigo discernir diferentes cheiros de membros diferentes do bando e gemi em voz alta quando senti o forte e nojento cheiro floral de Brynn. O que ela estava fazendo aqui embaixo? Sem dúvida, veio para se vangloriar, pensei com uma carranca. Se ela achava que ia me irritar, ia se decepcionar. Rolei e me sentei, olhando através das barras. Os guardas e Brynn cochichavam entre si. Eu os observei com suspeita, mantendo suas vozes baixas, para que nem mesmo minha audição sensível pudesse pegar qualquer parte da conversa. O guarda loiro correu em direção à porta e a abriu enquanto eu estava ali parada, me perguntando o que diabos estava acontecendo. Antes que eu pudesse me mover ou mesmo tentar resistir, ele me derrubou no chão, forçando meus braços para trás enquanto eu finalmente resistia. O outro guarda se aproximou, puxando a longa corrente que pendia do teto. Senti algemas sendo colocadas nas minhas mãos e então elas foram puxadas com força para cima e penduradas no gancho preso ao teto. Eles sorriram. Apertei os lábios. “Então, era assim que seria”, pensei, mordendo o lábio. Brynn iria além de suas capacidades como filha do Alfa. A corrente foi tensionada e minhas pernas balançavam alto acima do chão, meus braços não sendo arrancados de suas juntas por pouco. Lutei contra um grito. Brynn entrou na cela, segurando um grande chicote de couro em suas mãos. Ela tinha um sorriso no rosto. Eu a encarei furiosamente, recusando-me a mostrar qualquer sinal de medo. Eu me joguei em direção a ela e ela recuou, fora do meu alcance. — Meu pai pode não ter achado adequado te punir, mas isso não significa que eu não posso — Ela sussurrou. Eu cuspi nela. A saliva caiu em suas roupas, e ela gritou, enxugando freneticamente, com uma expressão de nojo no rosto. — Você é nojenta — Ela chorou, e um dos guardas deu um passo à frente e me deu um tapa no rosto, fazendo minha cabeça voar para trás devido à força. Saboreei o sangue escorrendo do meu lábio enquanto estreitava os olhos para eles. — Você sabe que isso é ilegal — Sibilei, chutei e acertei o guarda loiro bem no saco com um grande senso de satisfação. Ele se curvou e segurou-o com força, com uma expressão de fúria no rosto. — v***a — Ele uivou, e o outro guarda me deu um soco direto no estômago. Fiz uma careta, balançando selvagemente na corrente. Brynn me encarou e olhou para o guarda que ainda estava de pé e acenou com a cabeça em minha direção. — Rasgue a camisa dela — Ela exigiu friamente. Eu me preparei e senti a picada de suas garras ao usá-las para rasgar, não apenas minha camisa, mas também meu sutiã, deixando minha pele nua exposta para eles. Eu os encarei, desafiando-os a continuar. Eu não ia chorar ou implorar para que parassem, não ia suplicar para que me cobrissem de volta. Isso enfureceu Brynn, que soltou um grito de raiva, brandindo o chicote para mim. Ela atravessou para trás de mim. — Deus, como eu te odeio — Ela rosnou, o estalo do chicote soando, antes de sentir a dor mais excruciante em minhas costas, um sibilo escapando entre os dentes cerrados enquanto eu lutava para respirar. Sentia como se minhas costas estivessem em chamas. Ela me bateu novamente, minhas costas arqueando de dor, meus dentes cerrando enquanto eu suportava. Meu silêncio só a enfurecia ainda mais, os guardas recuavam com os olhos arregalados enquanto a observavam descontar sua raiva em mim, cada golpe rasgando minha pele e espalhando respingos de sangue pelo chão. Whack, whack, whack. Ela me atingiu rapidamente, cada golpe mais forte que o anterior. Exalei, lutando contra as lágrimas. Eu já havia sido chicoteada antes, mas nunca por ela. Era ilegal para Brynn punir alguém antes de se tornar oficialmente a Alfa. Meu corpo tremia com o esforço de conter a vontade de gritar. Meus olhos ardiam com as lágrimas que eu corajosamente tentava não derramar. Whack, whack. Ela não estava pegando leve. O chicote estalava alto enquanto ela continuava a me b*******a e outra vez, até parecer que ela me abrira completamente, com o sangue jorrando das feridas. Eu sentia que estava começando a perder o controle, a agonia era tão intensa que eu lutava para não mostrar minha angústia. A sala começava a girar ao meu redor e eu me sentia desorientada, respirando de forma superficial. — Grita, maldita! — Ela gritou, sua voz ecoando pela câmara — Grita e implora para eu parar! — Ela rugiu. Eu cerrava os dentes. Ela estava ofegante e parecia exausta agora. Os guardas estavam começando a ficar nervosos. Eu sentia meu coração acelerado e então ele começou a desacelerar e eu ofeguei. Eu sabia instintivamente o que estava prestes a acontecer e podia sentir o pânico se aproximar. — Pare — O cara loiro falou, agora parecendo desesperado enquanto ele me olhava de perto, sangue escorrendo do meu lábio — Brynn, pare de uma vez — Ele rosnou — Já é o suficiente. Olha para ela — Ele ordenou. Ela não deu atenção, me atingindo várias vezes. Meu peito começou a ficar apertado e eu lutei para respirar. O guarda praguejou. Meu coração estava acelerado, mas agora eu podia sentir que estava começando a desacelerar enquanto minha visão ficava embaçada e meu corpo começava a ficar mole. — p***a, você não consegue perceber que ela está tendo um ataque? — Ele perguntou, arrancando brutalmente o chicote das mãos de Brynn enquanto ela lutava contra ele — Se ela morrer, todos nós morremos — Ele rosnou. Isso a fez parar, seus olhos se arregalaram de pânico. Eu ofeguei, o outro guarda rapidamente tirou minhas algemas e me abaixou para o chão. — O que faremos? — Ele sussurrou — Se a levarmos para a ala hospitalar, o Alfa saberá o que fizemos. Brynn riu. — Quem se importa se ela morrer? — Ela perguntou maliciosamente — Confie em mim, meu pai finge se importar, mas na realidade, não se importa. Deixe-a aqui, se ela sobreviver, então nada acontece e se ela morrer, bem, então, a matilha só perde um m****o inútil — Ela disse indiferente. Os guardas a encararam incrédulos. Eu olhei para cima, para eles, cada respiração parecia que seria a minha última. Eu tossi, ainda tentando puxar ar para os pulmões. Os guardas murmuraram entre si e depois se levantaram. Eu sentia que m*l conseguia me manter consciente. Meu peito estava tão apertado que era um milagre que eu conseguisse respirar. Meu coração estava desistindo de mim. Eu observei com olhos embaçados enquanto Brynn entregava o chicote para o guarda loiro e o beijava na bochecha, antes de subir as escadas como se nada tivesse acontecido. Minha mão apertou meu peito. Meus olhos ficaram lacrimejantes. Cada respiração era uma luta. A porta da cela se fechou, o que me fez arfar. Os guardas viraram as costas, escondendo o chicote como se não tivessem envolvimento. O quarto girava ao meu redor. Eu podia sentir minha vida escorrendo para longe. Será que eu ia morrer aqui embaixo? Será que Brynn finalmente conseguiu o que ela queria o tempo todo? Eu senti o ressentimento me inundar. Mesmo sentindo a dor insuportável que percorria meu corpo a cada movimento, eu rolei, tentando abrir minha via aérea apenas um pouco mais. Eu estava tão perto de deixar essa matilha e cada um desses miseráveis para trás, tão perto de finalmente estar no controle do meu próprio destino. Eu esfreguei meu peito, encorajando meu coração a continuar batendo. Se eu morresse agora, a matilha estaria livre de mim, mas eu nunca viveria a vida que eu estava desesperada para ter. “Respire, droga Blair”, eu pensei comigo mesma, fraca como um gatinho. “Respire e mantenha seu coração batendo. Morrer é apenas deixar esses bastardos vencerem. Eu seria condenada se permitisse que isso acontecesse. Brynn vai ter o que merece e eu serei quem vai fazer isso acontecer.” “Respire e viva para se vingar! Respire!”
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