PONTO DE VISTA DE BLAIR
Agonia. Dor. Tudo se misturou enquanto eu lutava para me manter viva, agarrando-me aos fios da consciência nos próximos dias. Mantive-me vagamente consciente, enquanto os guardas forçavam pão velho e água suja pela minha garganta, o único sustento que me era fornecido enquanto eu lutava para continuar respirando e meus batimentos cardíacos começavam a voltar ao ritmo normal. Isso foi o mais longo ataque que já sofri, sem dúvida devido ao castigo implacável de Brynn. Senti minha força, o pouco que possuía, voltar enquanto me sentava, encarando os guardas que permaneciam à mesa, com as cabeças baixas, ignorando minha existência. Eles tiveram sorte de eu não ter morrido. Eu podia sentir minhas costas doendo, o sangue que havia escorrido das feridas estava seco e grudado na minha pele. Fiz uma careta. Isso seria um pesadelo para limpar. Estremeci com o pensamento.
Meu corpo ainda estava seminu. Rezei para não ter uma infecção, tentando tocar as feridas e soltando um sibilo quando o mero toque enviou dor reverberando por todo o meu corpo. Sem um lobo, eu iria cicatrizar, mas seria lento e a dor seria perceptível até lá. Ergui minha cabeça quando a porta da cela se abriu e um guarda entrou, com uma expressão de nojo no rosto. Sem cerimônia, ele se abaixou e me agarrou pelos braços, me puxando bruscamente para ficar em pé. Dei um pequeno grito, e ele começou a me arrastar para fora, em direção aos fundos, onde ficavam os chuveiros. O outro guarda apenas observava, com uma expressão de diversão no rosto. Não ofereci resistência, meu corpo estava esgotado. O guarda parou e eu olhei para ele sem expressão. Ele revirou os olhos.
— Tire o resto de suas roupas — Ele grunhiu.
Me curvei rigidamente e tirei minhas calças e minha calcinha, chutando-as para longe. O guarda pegou uma barra de sabão e me entregou, fazendo um gesto em direção ao chuveiro que tinha um botão para ligá-lo.
— Lave-se — Ele disse de forma brusca — A Luna quer que você sirva o jantar para ela e seus convidados hoje à noite na sala de jantar formal.
Apertei o botão, preparando-me para a água fria que jorraria da ducha acima de mim. Meu corpo ficou rígido, gelado, a dor me varrendo enquanto a água escorria pela minha pele, removendo o sangue seco e causando mais dor. Lutei contra meus gritos e comecei a me ensaboar lentamente por todo o corpo, consciente do meu odor corporal que era forte e penetrante, ensaboando meu cabelo e o limpando, até que meu corpo inteiro estivesse limpo e cheirando a limpeza. Tremi violentamente sob a água, mordendo o lábio, grata por ver que havia muito pouco sangue misturado com a água. Pelo menos minhas feridas estavam cicatrizando e era bom me sentir limpa novamente.
O guarda jogou uma toalha para mim. Peguei-a, apertei o botão para parar a água e a enrolei em volta de mim. Meus dentes batiam um no outro. Eu segurei a toalha. Tinha sido humilhante tomar banho na frente dos guardas, mas a alternativa seria eles me banharem e limparem, seria muito pior. Eu fiz o possível para me dissociar da realidade e me concentrar na tarefa em mãos, fingindo que eles nem estavam ali, para poder passar pelo que tinha que ser feito. Sibilei quando a toalha tocou minhas costas, ainda sensíveis. O guarda me empurrou de volta para a cela. Minhas pernas tremeram um pouco e o encarei com raiva.
— Espere um minuto — Chamou o guarda loiro, parecendo levemente irritado — Você esqueceu de dar roupas para ela — Acrescentou.
— Ah, é verdade — Murmurou o guarda, sem parecer nada arrependido com isso — Que pena — Completou em voz baixa e eu me encolhi.
O guarda loiro jogou roupas na minha direção e eu as peguei, olhando para ele confusa. Eu nunca usaria algo assim nem em um milhão de anos. Nunca havia sido obrigada a vestir algo tão humilhante antes. Com certeza isso era uma piada de algum tipo. Talvez os guardas estivessem me pregando uma peça.
— Muito engraçado — Zombei, estreitando os olhos — Mas de jeito nenhum vou usar isso — Disse com desprezo.
O guarda loiro sorriu, recostando-se na cadeira, com os braços cruzados atrás da cabeça, um ar de deleite no rosto.
— Lamento informar você, docinho — Ele disse com um sorriso debochado — Mas você não tem escolha. De acordo com a Luna Bianca — Ele disse, balançando a cabeça, um pequeno sorriso nos lábios — Esse é o seu novo uniforme; ela quer que todos saibam que você é apenas a empregada ou serviçal da casa da matilha.
— Todo mundo já sabe disso — Eu disse com raiva — Não preciso de roupas idiotas para enfatizar isso!
Ele levantou uma sobrancelha, enquanto o outro guarda ria.
— Ei, eu sou apenas o mensageiro. Resolva isso com a Luna Bianca quando a encontrar, se tiver coragem — Disse levemente — Mas, por enquanto, você não tem escolha. Não vou te dar outras roupas, então é colocar isso ou ficar nua.
Meus olhos se arregalaram e o outro guarda riu.
— Não tenho objeções se ela quiser ficar nua — Ele disse de modo arrastado — Ela tem um corpo que implora para ser admirado — Disse com um sorriso repugnante, seus olhos percorrendo deliberadamente minha forma de cima a baixo.
Senti a bile subir na minha garganta. Doente, bastardo, pervertido. Eu não tinha esquecido a ameaça dele anteriormente. Entrei pisando forte na cela e arranquei minha toalha, ouvindo um rosnado baixo vindo do guarda.
Comecei a vestir as roupas, me sentindo frustrada. Isso era um novo nível para a Luna, ou outra forma de exercer seu poder e controle sobre mim. Uma punição por ousar confrontar sua filha preciosa, Brynn. Pus a calcinha e em seguida o sutiã, coloquei as meias-calças brancas nas pernas. O guarda observava cada movimento meu, seus olhos estreitos, sua respiração ofegante. O guarda loiro desviou o olhar. Pelo menos ele tinha algum senso de decência.
Vesti o vestido por cima da cabeça, contorcendo-me para colocá-lo. Me sentia desconfortável. O tecido ficava apertado em volta dos meus s***s e não deixava muito espaço para respirar. O vestido caía até os joelhos, mas não deixava quase nada para a imaginação e o sutiã e a calcinha eram rendados, sedutores.
Lutei com a fita que deveria ser amarrada nas costas. O guarda entrou e a amarrou sem dizer uma palavra, sua mão demorando-se na pequena região das minhas costas. Ele saiu e fechou a porta.
O guarda loiro se levantou e se aproximou com um par de sapatos de salto baixo na mão. Eu os peguei com a mão trêmula. O que a Luna estava pensando? Esse tipo de uniforme só me traria o tipo errado de atenção. Era isso que ela queria? Ou isso era apenas uma maneira de me humilhar? Certamente ela não poderia me fazer usar isso permanentemente. Sentei-me no colchão, o vestido se amontoando um pouco. O guarda riu, olhando para os meus s***s.
— A fantasia de empregada francesa combina muito com você — Ele disse com aprovação enquanto eu franzia o cenho — Talvez todas as ômegas devessem usá-la — Ele acrescentou com uma expressão pensativa no rosto.
Revirei os olhos.
— Isso é nojento — Rosnei — E objetifica as mulheres. Acho isso degradante e altamente ofensivo.
— Então sinta-se à vontade para informar a Luna Bianca sobre isso — Disse o guarda loiro, me olhando com um sorriso — Tenho certeza de que ela levará em consideração os sentimentos de uma ômega.
O outro guarda gargalhou. Bati os saltos com raiva no chão e olhei fixamente para a peça ofensiva. Parte de mim estava tentada a rasgá-la em pedaços, mas isso só enfureceria ainda mais a Luna.
Não, eu tinha que agir com inteligência. Um sorriso perverso surgiu em meu rosto. Se a Luna queria brincar de jogo, então que assim seja, eu jogaria.
— Ela apenas talvez não goste do resultado final — Eu murmurei baixinho para mim mesma.
“Logo eu seria liberada para ajudar no jantar”, eu pensava, com um pequeno sorriso no rosto, e então seria a hora de colocar as luvas e que os jogos comecem. A vitória seria minha, e a Luna aprenderia que eu não era tão facilmente intimidada. Sorri para mim mesma. Oh, isso seria hilário.
Eu m*l podia esperar e a melhor parte era que ela mesma havia se colocado nessa situação. Eu ri e os guardas me olharam incrédulos enquanto eu lhes lançava um olhar inocente.
Às vezes, você precisa pensar fora da caixa para ensinar seu inimigo a não mexer com você, mesmo que não seja a maneira mais sutil de fazer isso. Eu estava prestes a mostrar a todos que não iria aceitar isso passivamente e que não me curvaria para uma Luna por quem eu não tinha respeito.