CAPÍTULO TRÊS

1172 Palavras
"Aquele que não se entrega não sabe qual a sensação de ser arrebatado pelo sentimento mais nobre e mais forte que existe. Não importa a idade. Não importa a luta. O mais importante é que ele está aí para te dominar." Eu sou Raphael Vermattos. Eu e meu melhor amigo, Henrique Larama crescemos juntos. Nascemos com poucos dias de diferença. Nossos pais se certificaram de nos ter na mesma época, eles também eram melhores amigos. Eu nasci no dia nove e Henrique no dia doze, ambos em setembro do mesmo ano. Quando tínhamos quinze anos, no meio da nossa festa de aniversário, Sabrina chegou com uma criança recém-nascida nos braços. Seus pais estavam muito bravos! E, de repente, os pais de Henrique estavam muito bravos! — Henrique? — sussurrei para meu amigo — Aquela não é a menina que ficou com você na nossa festa de formatura? Henrique empalidece e balança a cabeça, afirmando devagar. — HENRIQUE! — tio Carlos Larama grita do outro lado da sala. — VENHA AQUI! — ele está vermelho e só pode ser de raiva! Eles vão para o escritório do tio Carlos. Meu pai, Luiz Vermattos, pede que eu mantenha a calma, promete que vai salvar Henrique e vai atrás deles, entrando também no escritório. A conversa é longa. Espero por quase duas horas até que Henrique sai com uma grande marca vermelha no rosto. — Então, cara? O que aconteceu? — pergunto assim que ele chega perto de mim e noto que ele treme um pouco. — Eu... eu... — ele passa a mão no rosto e no cabelo. — Rapha... eu sou pai! — arregalo meus olhos. — Eu percebi assim que a vi com a criança, Rapha. — E o que acontece agora, Henrique? — Papai falou de responsabilidade, entrar nos negócios... os pais dela não querem ficar perto da criança... — E ela? Sabrina? — Disse que é muito nova. Que se eu não ficar com a menina, ela a colocará para adoção. Mamãe disse que vamos criá-la. Me incluiu na frase e disse que eu não tenho direito de opinar. — Mas você disse alguma coisa? Qual a sua opinião? — Eu só tenho quinze anos, Rapha. Mas eu não quero minha filha crescendo com estranhos! Eu disse para minha mãe. Ela disse que se orgulha de mim. — E por que seu rosto está vermelho? — Meu pai me bateu assim que entrei no escritório. Agora eles estão decidindo quanto vão dar para eles sumirem e nunca mais voltarem. Vamos criá-la sem nenhum contato com eles. — E você vai ter que começar nos negócios? — Eu sim! Mas minha filha, nunca! — ele até parece um homem falando. — Eu vou com você, amigo! Entraremos juntos! E faremos de tudo para mantê-la fora de tudo isso! Ela já tem nome? — Não. Quer me ajudar a escolher? — O que você acha de Carla? O feminino do nome de seu pai? — Eu prefiro Luiza! O feminino do nome do seu pai! Ele quem não deixou meu pai me espancar. — É... acho que é justo... — sorrio. — será que seu pai não vai ficar chateado com isso? — Não ligo. Ele vai ter que aceitar. A filha é minha, ele quer que eu fique em casa sendo pai e quer que eu trabalhe para criar responsabilidade. Mas tem uma coisa boa nisso tudo... — O quê? — Eu fiz se.xo, Rapha! — ele ri baixinho — E Luiza é a prova disso! Ninguém vai poder desmentir! — a risada dele me contagia. — Certo, cara! Mas eu também fiz... acho que tenho mais sorte que você! — Tem certeza? — Ah, sim! Eu não vou dizer quem foi, só que ela é casada e disse que toma remédio para não engravidar... tô salvo! — dou um sorriso de orelha a orelha. — Certo, bonitão! Vamos tentar falar com meus pais antes que eles tentem colocar outro nome na minha filha! Esperamos na porta do escritório. Ouvimos alguma coisa parecida com um milhão de euros e meu pai dizendo que pagaria, mas que se qualquer um deles tentasse chegar perto da criança, ou mesmo depois de adulta, ele mandaria os capangas dele matar todos eles. Tio Carlos tentou argumentar com meu pai, mas ele fez questão. — Mais um motivo para homenagear seu pai. — Henrique fala e a porta abre. — O que vocês querem? — tio Carlos pergunta sério. — Eu escolhi o nome da minha filha, pai. E, já que eu vou ter que trabalhar com você, acho justo que eu possa escolher. — Eu quero começar nos negócios, também. — falo assim que vejo que tio Carlos está ficando bravo de novo. — Que bom, meu filho! — papai consegue amenizar o clima uma vez mais. — Entrem! Já encerramos essa parte. Alberto, Sarah, vocês podem ir à minha fazenda amanhã à tarde. Eu lhes darei o prometido e vocês três vão cumprir a parte de vocês! Vão apagar de suas mentes os Larama, incluindo a criança! — E se um dia a gente precisar de alguma coisa? — Alberto pergunta. — Seu vermezinho ganancioso! Um milhão de Euros não é o suficiente para você? — papai fala entre os dentes. — Sempre há uma segunda opção! Quer tentar? — Claro que não, senhor Vermattos! — Sarah parece mais sensata que o marido. — Isso é muito mais do que precisamos para deixar o país! Olho para Sabrina. Ela está num canto do escritório, sentada numa poltrona, jogando em seu PSP. Me aproximo dela. — Então, Sabrina? Você não quer sua filha? — pergunto baixinho. — Você tá louco? Eu tenho quinze anos! Eu vou me formar numa boa faculdade de física e vou trabalhar na Nasa! Me esquece! Amanhã nem vou me lembrar que isso aconteceu! Se era essa a sua preocupação, pode ficar tranquilo! Não vou procurar ela e nem nenhum de vocês! De preferência, nem coloquem meu nome na certidão de nascimento! Me afasto dela com a sensação de ter conversado com um ser de outro planeta... ou talvez um de.mô.nio... A festa continua. Eu, meus pais, Henrique e os pais dele revezamos Luiza em nossos colos. Há uma mulher que é mãe há um mês na fazenda de meu pai, ela é filha do nosso capataz e concorda em amamentar Luiza, então sabemos que ela ficará bem. Segundo Alberto e Sarah, Luiza nasceu na casa deles, com a ajuda de uma parteira, no dia anterior à nossa festa de quinze anos. Dia dezesseis de setembro, uma sexta-feira. Por que nenhum deles, nos procurou antes para falar sobre a gravidez? Nenhum deles queria a criança! Nem a mãe e muito menos os avós maternos! Mas Luiza será muito amada por nós! Ela não terá que se preocupar com nada além de ser feliz! Eu mesmo me comprometi com Henrique e nossos pais de que a protegeria sempre e Henrique também. Nossos pais também se comprometeram em ajudar no que ela precisar.
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