Luiza é uma criança muito especial e muito amada. Ela começa a aprender a falar e a andar muito antes de um ano de idade. Fiquei babando quando ela começou a falar meu nome, todo errado, claro! Mas era meu nome.
— Tutu Fafailel. — ela dizia e eu derretia.
Por causa dela, nos tornamos responsáveis antes do tempo. E, nos tornamos mais alegres também, apesar de nossas responsabilidades aumentarem rápido.
Eu e Henrique aprendemos a negociar drogas e armamentos, aprendemos a nunca usar, nem mesmo para experimentar, as drogas. Aprendemos também a não ingerir muito álcool, que também é uma droga! Aprendemos a manusear nossos armamentos de forma muito competente e eficaz, aprendemos a criar e educar uma criança e, acima de tudo, aprendemos a sempre usar camisinha!
Continuamos estudando, claro! Nossos pais jamais iriam deixar que abandonássemos os estudos. Eu me formei em Contabilidade e Direto. Henrique se formou em Economia Química. Tudo para que os negócios fossem bem administrados e protegidos.
Durante os cursos de faculdade, não fomos para um campus, para não sairmos de perto de Luíza. Brincávamos com ela todos os dias e conseguimos acompanhar seus primeiros passos, suas primeiras palavras, sua primeira dentição e a troca dos dentes. Nós a levávamos ao médico, trocávamos suas fraldas e, nossas mães sempre foram chamadas de mãe por ela.
Eu a levava para as aulas de balé e natação desde os seus dois anos. Henrique a levava para as aulas de equitação e artes marciais.
Quando ela fez oito anos, começou a fazer aulas de piano, ginástica artística e tiro esportivo. Aos dez anos ela já tinha várias medalhas e troféus em várias modalidades esportivas. Eu me orgulho muito dela! Não perco uma apresentação ou competição, seja do que for!
Ela se acostumou a dormir no meu colo desde pequena, e sempre diz que meu pei.to é mais aconchegante que o pei.to de seu pai.
— Não diga isso a ele, Lu! Ele vai ficar muito triste.
— Não se preocupe, tio Rapha. É nosso segredinho. — sorrio para ela, mas tenho uma preocupação.
" — Preciso tirar dela essa mania de sentar de frente para mim no meu colo... ela está crescendo! Daqui a pouco já é uma mocinha..." — penso comigo mesmo. Eu gosto que ela deite a cabeça em meu pei.to. Parece que a estou protegendo ainda mais! Mas por mais que eu tente, ela continua se sentando assim, quando vem se aconchegando para dormir. Ela diz que é mais fácil dormir em meu colo que em sua própria cama.
— Lu, você precisa me ouvir! Você não pode mais sentar assim no meu colo. — falo carinhosamente com ela.
— Você já disse isso... — ela responde sonolenta, quase dormindo.
— Então por que você não me obedece?
— Sou uma pré-adolescente rebelde. Agora me deixe dormir... — eu sinto seu peso aumentar e sei que ela dormiu. Não posso deixar de sorrir ao perceber o quanto ela confia em mim aos dez anos.
Mas ainda assim, tento virá-la em meu colo. Ela simplesmente agarra meu pescoço com os braços e minha cintura com as pernas e resmunga "Hmmm...". Rio baixinho e faço carinho em suas costas.
Henrique entra na sala, observa a cena e sorri.
— Sem sucesso, de novo?
— É... ela disse que é uma pré-adolescente rebelde. — rio baixinho de novo. — Quando adormeceu, tentei virá-la de lado e ela me agarrou assim...
— Esquece, Rapha! Ela vai casar, ter filhos e vai continuar se sentando assim no seu colo. — Henrique ri baixo. — Vai passar a noite aqui?
— Não. Minha sub está ajoelhada do lado da minha escrivaninha.
— Tem certeza? — ele levanta uma sobrancelha para mim.
— Quer assistir o vídeo? — sorrio. — É ao vivo...
— Não. Não consigo entender uma mulher gostar disso. Elas travaram tantas lutas por igualdade...
— Ainda travam, meu amigo! Isso não quer dizer que não gostem de uma tortura consensual. E isso nada mais é do que se testar, se levar ao limite. E elas sempre estão no controle!
— Como elas estão no controle se é você quem segura o chicote? Assim como os org.asmos delas!
— É aí que está! Elas te emprestam o poder. E o toma de você quando falam a palavra de segurança. Às vezes é meio frustrante. Mas se elas sentem prazer com isso, quem sou eu para ne.gá-lo?
— Que seja!
— Se você quiser aprender mais, posso arrumar uma para te ensinar...
— Não. Estou muito bem no meu bom e velho papai e mamãe.
— Mas você dá um tapa na bun.da delas de vez em quando, né?
— Isso não é a mesma coisa!
— É sim! Só não leva todas ao limite. Mas muitas têm seus limites nesse tapa na bun.da. Não é uma coisa comum para todas. Bem... vou colocar Luíza na cama. Já volto.
Levo Luíza para o quarto dela e a deito em sua cama. Para minha surpresa, ela não me larga. Simplesmente não consigo fazê-la me largar. Essa é a terceira vez que isso acontece. Na primeira vez, ela passou a noite toda agarrada a mim. Deito por um instante com ela, sabendo que ela vai me largar em cinco minutos como da última vez e acabo adormecendo. Quando acordo, o dia já começou e Luíza continua agarrada em mim, da mesma forma que adormeceu.
"— Meu Deus! Niely pode ter adormecido nua no chão do meu escritório! Ela pode ficar doente!"
Tento levantar, mas Luíza se mantém agarrada, apenas sua cabeça pende para o lado. Arrumo sua cabeça de volta cuidadosamente, não seria legal ela ter um torcicolo. Depois dessa tentativa fracassada de me levantar, percebo que não adianta querer me apressar. A noite já havia acabado, de qualquer forma. E não iria adiantar tentar falar para ela. Na última vez que isso aconteceu, ela sorriu para mim.
— Então é só não deixar essas vaga.bun.das te esperando.
— Luíza! — eu a repreendi.
— Então agora você vai começar a brigar comigo por eu dizer a verdade? — ela fecha a cara e cruza os braços no pei.to. — Não é justo levar bronca quando não minto! E se você acha que é justo, por que eu tenho que dizer a verdade sempre?
— Eu não estou te repreendendo por dizer a verdade! Estou te repreendendo por falar essa palavra feia, Luíza!
— Desculpa, tio Rapha! Vou tentar não falar isso de novo. — ela abaixa a cabeça.
— Espero que realmente não fale! Onde você aprendeu isso?
— Num filme... mas eu não vou falar mais. Eu prometo! Agora pare de ficar bravo comigo, por favor?
— Tudo bem, querida. Já passou.
— Se já passou por que você ainda tá fazendo cara feia para mim?