Sete

1763 Palavras
Quando deixei Yoongi em casa naquele dia, o beijei e olhando bem nos seus olhos eu o perguntei: — Yoongi, quer namorar comigo? — Boa noite, Jungkook. — respondeu com indiferença. Então, sua resposta novamente era um nítido "não", mas o seu olhar sempre me dizia outra coisa. Me levantei e fui tomar banho, ele estava sempre nos meus pensamentos, principalmente porque já fazia quase meio ano que estávamos nessa. Eu estava muito apaixonado, como nunca fiquei antes, então, eu queria que as coisas corressem bem, mas também queria respeitar o espaço do Yoongi, deixá-lo desconfortável não fazia parte dos meus planos. Eu sabia que ele não se sentia bem quando eu pedia coisas como: apresentá-lo aos meus amigos ou encontros em grupo com Taehyung e Jimin, por isso também um dia eu resolvi abrir logo o jogo com o Yoongi e lhe contar que eu ainda tinha 17 anos. Ele me olhou com espanto e do jeito que ele abriu a boca, sabia que ia me xingar. Aí eu fui logo lhe dizendo que agora faltava mais ou menos um mês para o meu aniversário de 18 anos, perguntei a ele se isso tinha mesmo tanto problema assim e Yoongi fechou a boca e suspirou. O rapaz balançou um dos seus pés, encarando o movimento, aí ele me olhou e disse que estava tudo bem, mas que eu não devia mais esconder nada dele e que pensasse em como eu o coloquei em risco. Yoongi também me alertou como seu emprego era vital para ele e ele não podia se arriscar tanto, afinal de contas, ele estava saindo com o filho de 17 anos de Jeon Chanwoo e mesmo que meu pai se mostrasse um homem gentil quando ia ao restaurante, tudo tinha seu limite. Quando saí do banheiro — ainda com a cabeça cheia de lembranças e pensamentos sobre Yoongi e eu — acabei dando de cara com Jimin e isso me fez rir, porque Yoongi sempre dizia como devia ser difícil esbarrar com alguém em uma mansão. Às vezes ele até brincava que podíamos nos perder aqui por uma semana inteira. — Ah, Jungkook, então era aqui que você estava? — falou com seu jeito desleixado. — Você não foi à escola hoje, então vim te ver. — O Yoongi dormiu aqui, aí eu acabei não indo. — Estão namorando? — me olhou esperançoso. Jimin, sendo meu melhor amigo, obviamente sabia de tudo sobre Yoongi e eu. Ele achava excitante toda a nossa história e às vezes era impaciente, como se minha vida amorosa fosse uma novela episódica. — Ele disse “não” de novo. — estalei a língua em frustração. — Falou com ele sobre o seu aniversário ao menos? — Ainda não, mas eu vou falar. Ainda tem tempo, falta uma semana. — Eu não vejo a hora de conhecê-lo… — se animou. — Jimin, não vai assustar ele, por favor. — Prometo... Eu tive uma ideia. Você já almoçou? — Não, porque? — Podemos ir comer no Kkochi & Kkojhyeo. — encarei meu amigo com um olhar mais severo, ao perceber suas intenções. — Não me olha assim, eu gosto da comida de lá e quando eu vou com você não tem conta pra pagar e sempre tem mesa, é tão difícil fazer uma reserva lá. — riu largo, como se seus motivos fossem mesmo apenas aqueles dois. — Não sei, Jimin… Ele saiu daqui tem menos de uma hora, vai achar que estou perseguindo ele. — Que nada, é o restaurante do seu pai, Jungkook, nada mais normal do que você aparecer lá às vezes e não vamos lá há um tempão. Se de repente você passar na cozinha para agarrar um certo funcionário e convidá-lo para comemorar o seu aniversário, não tem problema e, honestamente, eu aposto que ele ia gostar. Revirei os olhos, Jimin não conhecia o Yoongi. Eu duvidava que ele ia gostar que eu aparecesse no seu trabalho, mas estava tudo bem ir ao Kkochi & Kkojhyeo, já que Yoongi nem ia saber que eu estive lá. — Vamos só para comer. — o alertei. Fui ao meu quarto me vestir. Coloquei a primeira roupa que vi pela frente e encontrei com Jimin na sala. Fomos atrás do motorista e pedimos para que ele nos levasse a uma filial específica do Kkochi & Kkojhyeo, a que o Yoongi trabalhava. Eu não ia incomodá-lo, mas eu gostava da sua comida, lembrava perfeitamente do seu tempero na nossa viagem para a casa do lago e eu morria de vontade de voltar lá com ele. Tinha sido um primeiro encontro perfeito, apenas nós dois. Apesar de ter sido a minha primeira rejeição vinda daqueles lábios que eu beijei incansavelmente. Quando descemos na frente do restaurante, Jimin já estava e******o demais, revirei os olhos para ele e mandei ele se comportar. Entramos e nos deram a melhor mesa e o melhor atendimento. — Sr. Jeon, que prazer vê-lo por aqui, o senhor também, Sr. Park. — Jimin e a família Park eram velhos amigos dos Jeon. — O que vão querer hoje? Vou me certificar de que tragam tudo o que desejam com rapidez. Eu mesmo vou me encarregar de acompanhar o serviço para os dois. — Obrigado e boa tarde. — Jimin respondeu com seu sorriso fofo e radiante e pegou o cardápio. — Estou faminto. — Obrigado, Sr. Choi. — o cumprimentei. Jimin passou os olhos pelo menu e eu o acompanhei. Escolhemos os pratos e como o Sr. Choi disse, fomos servidos em uma velocidade incrível e tudo parecia apetitoso. Comemos, enquanto Jimin ria perguntando se Yoongi que tinha feito tudo aquilo e ficou me enchendo o saco querendo saber se eu ia ou não falar com ele e como um i****a, eu muito tanto vê-lo de novo... — Tudo bem, eu vou falar com ele. Me espera aqui. — cedi. Deixei Jimin sozinho na mesa. Ele fazia um sinal de polegares para cima pra mim e chamava o Sr. Choi para pedir a sobremesa. Eu saí do restaurante e dei a volta, indo para os fundos, onde sabia ter uma porta para a cozinha. Abri a porta e no meio de todo o vapor, quinquilharias de cozinha, pessoas e um aroma delicioso, vi Yoongi vestido com uma calça preta e um avental na cintura da mesma cor, assim como uma camisa de manga e botões, branca e um touca nos cabelos. Era a primeira vez que via Yoongi vestido em tom claro. Poucas pessoas olharam quando abri a porta, estavam absortos demais no trabalho corrido. Um rapaz ao lado do Yoongi lhe deu uma cotovelada e cochichou algo que o fez virar-se de repente e me encarar surpreso. Deixando seus colegas de trabalho confusos, ele largou o que estava fazendo e veio até mim, me empurrando para fora e batendo a porta atrás de nós dois. — O que você faz aqui? — ele não parecia chateado, apenas surpreso. — Eu vim almoçar com o meu amigo e ele me lembrou de te dizer uma coisa que eu esqueci mais cedo. — falei nervoso. Ele acariciou o meu peito e me encarou. — Hm, então fala logo, estou no meio do expediente. — O meu aniversário está chegando… — Você tinha me dito isso. — É que eu queria que você aparecesse no dia. — Vai fazer o que? — segurou a minha camisa e me puxou para junto de si. — Uma festinha só pros amigos mais próximos. — E nós somos amigos? — debochou. — Bem, nós somos alguma coisa. Yoongi mordeu o seu lábio e puxou sua touca, libertando seus cabelos rosados. Em seguida, ele me puxou para cima dele e eu me curvei, apoiando a mão na porta. Ele me beijou e eu segurei o seu rosto retribuindo. Eu estava surpreso com sua atitude. Yoongi me dava um beijo ansioso e sua mão foi até meus cabelos, para acariciá-los. Eu acabei deixando um gemido rouco escapar e apertei a sua cintura, o puxando para mim. Enrosquei a minha língua na sua e até a passei no céu de sua boca, o que o fez me apertar e em seguida morder meu lábio e me soltar. Encarei sua boca vermelha do nosso beijo. — Todos na cozinha estavam comentando que o filho do senhor Jeon estava aqui almoçando. — Ah, que droga, Yoongi. Era complicado para mim quando ele agia assim, parece até que ele estava esperando que eu viesse falar com ele. Eu estava enganado? Yoongi se chatearia se eu tivesse ido embora sem vim vê-lo? Abracei seu corpo e eu sabia que já tinha perguntado isso a ele hoje, mas... — Tem certeza que você não quer namorar comigo? — o encarei. — De novo? Não faz nem três horas que pediu. — riu. — Eu realmente acho que você gosta de mim, Yoonie. — Claro que eu gosto. A gente está transando há o que? Uns cinco meses? — É, mas você entendeu o que eu quis dizer. Espertinho. — Eu vou no seu aniversário. Diz onde e quando. — retomou o assunto. — Vai ser na minha casa. — ele fez uma careta. — Meus pais não vão estar lá, só alguns amigos e eu queria que você os conhecesse — Eu conheço o Taehyung. Às vezes eu converso com ele no bar. — Ainda vai lá? — o peguei pela cintura e suspendi seu corpo. — Eu gosto de beber e dançar, alivia o estresse. — Deve ser lindo de ver. Vou aparecer lá de novo qualquer dia desses. — Danço para você na sua festa, mas eu não vou te dar nenhum presente. Eu vivo duro e você tem tudo. — fez bico. Ele adorava enfatizar que eu era um "garotinho mimado". — Eu só quero que você vá e dance para mim. — rocei o meu nariz no seu. — Vou estar lá... Hm… Eu posso fica para dormir? Eu nunca pretendi deixá-lo voltar para casa e antes de voltar para perto de Jimin lhe dei mais um beijo e o coloquei no chão. Yoongi sorriu para mim e deu um alerta que me fez sair de lá com o coração acelerado. — Jungkook-ah, se você tivesse ousado ir embora sem vir aqui me ver, você ia estar fodido. E dito isso, ele se virou, voltando com seus olhos entediados, mas eu vi em seus lábios um sorriso infantil. Aí Yoongi sumiu atrás da porta e me deixou sorrindo feito bobo. Sua presença sempre me deixava assim.
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