Pré-visualização gratuita — Eu quero saber o gosto da sua boca
Cecília
Eu olhei para o relógio e suspirei. Já passava das nove da noite. A empresa estava vazia, mas eu ainda estava lá.
Minha mesa estava uma bagunça. Como secretária do Alexandre Lombardo, minha vida era organizar a dele, e hoje ele estava mais insuportável do que nunca.
Alexandre era o tipo de homem que toda mulher sonha em ter uma noite quente de sexo. Alto, loiro, ombros largos, um tanquinho tão definido que faria qualquer mulher go*zar só de vê-lo sem camisa.
Trabalhar com ele por quatro anos foi um teste de paciência, apesar de ser tão gostoso, ele não passa de um cretino arrogante. O que ele tinha de gostoso ele tinha de insuportável.
Meus pensamentos sobre ele ficavam divididos entre, envenenar a sua comida, e sentar na cara dele.
Aquela noite estava um saco, mais uma reunião insuportável,mais uma noite sem dormir com o cara mais frio do universo.
O dia tinha sido normal, mas do nada tudo deu errado e eu tinha que pagar o pato de novo. Peguei os relatórios que precisávamos para concluir um acordo urgente que tinha surgido do nada.
O senhor lombardo estava na sala sozinho esperando os papéis, ele sempre gritava, mas aquele dia ele estava calmo, o que com certeza parecia ser muito pior do que qualquer outra reação dele.
O meu celular começou a tocar. Era a Agatha, minha melhor amiga, então atendi rápido, tentando equilibrar as pastas no braço.
— Oi, Agatha — falei cansada.
— Amiga, que horas você sai do trabalho hoje? Estou com fome! — a voz dela era desanimada.
— Boa pergunta, amiga. Hoje não tenho hora para sair. Surgiu uma emergencia aqui, precisamos resolver esse B.O.! Se não, o Senhor Lombardo vai ficar uma fera.
Eu ouvi a risada maliciosa da Agatha. Ela sempre via o lado safado das coisas.
— Uma fera, é? Que delícia, Cecília! — ela brincou. — Eu queria que ele estivesse uma fera comigo. Imagina esse homem bravo descontando tudo em cima de você? Com aquelas mãos enormes apertando sua cintura... Jesus, eu ia adorar ver ele perdendo o controle.
A primeira vez que ela viu o senhor Alexandre ela disse que entendeu o porque eu passava tanto tempo no trabalho, até hoje ela jura que já tive alguma coisa com ele.
Se eu tivesse a oportunidade, eu com certeza daria para ele. Sei lá, vai que eu consigo amansar a fera. Fora que seria uma experiência nova ficar com um cara gostoso,pra variar todos os caras feios que eu já peguei.
— Agatha! Para com isso. Eu preciso trabalhar — interrompi antes dela começar o discurso sobre como eu tenho direito de dar para quem eu quiser, e se eu quiser dar para o meu chefe, eu deveria insistir. Mas acho que o fato da Agatha ser uma herdeira e nunca ter trabalhado na vida deixa ela alheia sobre o que significa demissão por justa causa.
— Vai lá, amiga. Mas se ele te olhar demais, você já sabe o que ele quer — ela riu e desligou.
Respirei fundo. "É só trabalho", eu disse para mim mesma. Mas a imagem das mãos do Alexandre no meu corpo, como a Agatha descreveu, não saía da minha cabeça.
Peguei as pastas e fui até a sala de reuniões. Bati na porta e entrei.
Para minha surpresa, o silêncio era total. A sala estava quase escura. Só o senhor Lombardo estava lá, sentado na ponta escura da mesa.
Ele tinha tirado o paletó. A camisa branca estava com os primeiros botões abertos, revelando o início do peito forte. As mangas estavam dobradas, mostrando os braços marcados por veias.
— Senhor Lombardo? — chamei. Minha voz saiu um pouco falhada. — Trouxe os relatórios.
Ele se virou devagar. O olhar dele estava diferente. Não era a raiva de antes. Era algo mais denso. Mais quente.
— Venha aqui, Cecília.
Caminhei até lá. O meu coração batia tão forte que eu achei que ele fosse ouvir. Estendi as pastas para ele. Quando ele foi pegar os arquivos, ele não apenas segurou o papel.
Ele cobriu a minha mão com a dele, e a segurou, quando tentei soltar a minha mão, olhei para ele e por um segundo ele ficou me olhando sem dizer uma palavra sequer.
A pele dele estava quente. Aquilo nunca tinha acontecido antes. Durante os últimos anos ele foi a pessoa mais fria que já conheci, m*l olhava nos meus olhos e do nada segurou a minha mão.
— Estranho... — ele murmurou, ainda tocando minha mão. — Você parece nervosa hoje.
— É o cansaço, senhor — menti, puxando a mão devagar, para me livrar daquele clima realmente estranho.
Ele deu um sorriso de canto. Um sorriso que dizia que ele sabia que eu estava mentindo.
— Cecília feche as cortinas. Vou ligar para o projetor — ele ordenou apontando para as grandes janelas da sala com vista para os prédios de São Paulo.
Fui até a janela, porque o controle estava na parede. Apertei o botão e as cortinas pesadas começaram a deslizar, bloqueando a luz da cidade lá fora. A sala ficou quase no escuro, apenas com uma luz suave vindo do teto.
Quando a cortina fechou totalmente, eu me virei, e tomei um baita susto, o senhor Lombardo estava bem atrás de mim.
Dei um passo pra trás, batendo as costas na janela. Ele estava tão perto que eu pude sentir o calor que vinha do corpo dele. O cheiro nele era intenso e hipnotizante.
O senhor Lombardo colocou a mão na parede, ao lado da minha cabeça. E a outra mão foi na minha cintura.
— Senhor Lombardo, o que está fazendo? — perguntei tentando entender o que estava acontecendo.
— Acho que você sabe o que estou fazendo.— Ele se aproximou ainda mais, a ponto de eu conseguir sentir seu hálito mentolado.
— Não acha que eu poderia te denunciar por assédio? — Perguntei
— Claro que pode me denunciar, mas não acho que você faria isso.— Ele sussurrou mordendo o lábio inferior logo em seguida.
— E por que não? — Perguntei, achando ele muito atrevido.
— Porque suas mãos estão agarrando o meu peito.— Por um instante eu não notei, mas meu corpo correspondeu ao toque dele.
— Me diz uma coisa, Cecília — ele disse, com a voz tão baixa que era quase um gemido. — Nesses quatro anos, eu sempre me perguntei... Quais são os seus desejos mais obscuros na cama?
Minhas pernas ficaram bambas. O jeito que ele falou "na cama" me fez imaginar coisas que eu nunca deveria ter pensado sobre o meu chefe. Eu não conseguia responder. Fiquei completamente muda.
Alexandre levantou a mão e tocou o meu rosto. O polegar dele deslizou pelo meu lábio inferior, puxando-o levemente para baixo. O toque era possessivo, carregado de uma vontade que ele não tentava esconder.
— Eu quero saber o gosto da sua boca — ele disse me observando com uma obsessão, que eu não sabia que ele possuía. — Eu sonho com isso todas as noites.
— E está esperando o quê para isso?