Capítulo 30

1926 Palavras
Duas semanas depois. -Ei Sofia, você vem? -Rick perguntou passando em frente a minha casa. -Ah não, hoje não. Meu turno é de noite. -Bom, vou indo então. -Ele fez um sinal com a mão e eu acenei com a cabeça. Durante essas duas semanas foi decidido como seria feito a divisão das pessoas em cada casa. Como Deanna nos disponibilizou mais uma casa, ficou um pouco mais fácil. No fim ficou assim: Aqui: Eu, Dylan, Peter, Daniel, Beth, Maggie e Glenn. Com Rick: Carl (Já que achamos melhor ele ficar longe de Dylan), Michonne, Daryl e Carol. Na outra casa: Sasha, Abraham, Tara, Rosita e Eugene. Como já tem um tempinho que estamos aqui, Deanna nos deixou encarregados de fazer algumas coisas para ajudar o lugar. E minha função é ficar de vigia algumas noites na torre da igreja. No começo digamos que Rick não se deu muito bem com o pessoal daqui. Na verdade, quase ninguém do nosso g***o deu. A maioria não gostou do jeito que as coisas aqui se desenrolavam. Eu até que concordo, as pessoas daqui não estão nem um pouco preparadas para se acontecer algo, como uma invasão. É incrível como ninguém nos escuta. Eles nunca passaram nem um terço do que passamos lá fora, por isso não concordam. Durante esse tempo, Glenn se meteu em confusão com o filho de Deanna. E isso gerou uma maior fofoca. Logo em seguida, foi a vez de Rick, que teve que falar duro com Deanna para ela entender de uma vez que esse lugar estava completamente sem segurança e podíamos correr perigo. Enfim ela abriu os olhos e concordou com ele. E como viu que Rick é muito "sábio" em r*****o a ficar em segurança, ela começou a dar mais ouvidos a ele. Não em tudo, mas na grande maioria. No outro dia, Deanna e sua família decidiram dar uma festa de boas vindas a todos nós que chegamos recentemente. Até que foi legal. Fazia um bom tempo que eu não sabia o que era uma festa. Apesar que eu não estava muito animada para sair de casa, resolvi ir. E tenho que confessar, foi uma ótima escolha que eu fiz. Duas semanas atrás. -Já está pronta? -Perguntou Peter enquanto arrumava a gravata de seu ursinho. -Ahn... quase. -Prendi o último grampo na parte de trás do meu cabelo. O deixando metade preso e metade solto. Ele sorriu e veio para perto de mim. -Está bonita. -Falou enquanto me olhava através do espelho. Dylan entrou no quarto e isso acabou levando minha atenção e a de Peter para lá. Dylan ainda está com alguns lugares do rosto um pouco inchado e há um corte um pouco fundo em sua bochecha. -Oi. -Falei para ele. -Está precisando de alguma coisa? Ele ficou em silêncio mas não tirou seu olhar de mim. -Tudo bem? -Perguntei após começar a ficar preocupada. Dylan balançou levemente a cabeça e voltou de seu tranze. -Sim, é... -Pigarreou. -Eu vim aqui pra ver se vocês estão prontos. -Desviou seu olhar. Concordei e Peter tomou a palavra. -Eu vou esperar vocês lá em baixo. -Saiu correndo do quarto e fechou a porta atrás de si. Merda, Peter. -É bom já irmos também. -Parei de olhar para o espelho e me virei para ele. Ao notar que ele não iria dizer nada, comecei a andar até a porta. -Espera. -Pegou em minha mão, me fazendo parar. -Eu preciso falar com você. -Soltei a mão e olhei para ele. -Eu queria me desculpar por ontem, sabe, pela briga, por ter xingado seu namorado e... por ter te chamado de escrota. Me perdoa, de verdade. Eu juro que não falei por m*l, eu só... fiquei com ciúmes e... -Tudo bem. -Falei somente. -Não estou te achando muito sincera. -Abaixou o olhar. -E o que é que você esperava, Dylan? Você já deixo bem claro pra mim que quando eu sou sincera na verdade estou sendo uma escrota. Ele respirou fundo e passou as mãos no cabelo. -Eu já te pedi desculpas por isso. -E você acha mesmo que em um passe de mágica eu vou simplesmente esquecer tudo o que você disse? Você não só me insultou, como também insultou o Carl. Eu sinto muito se você ainda tem ciúmes mesmo sabendo que eu nunca retribui o que você sente por mim. -Eu sei, Sofia. Eu sei. Sei que o que eu fiz foi errado. Tenho total noção disso. -Se virou e passou as mãos no cabelo mais uma vez. -Acha que eu não me arrependo de ter gostado justo de você? Acha que eu estou lidando bem com tudo isso? Dói em mim ver você junto com aquele cara. Me dói, sabia? Fiquei em silêncio e ele riu de si mesmo. -Esquece, eu sou um i****a. -Dito isso ele saiu e me deixou aqui sozinha. ### -Ah, aí estão vocês. -Ron veio ao nosso encontro assim que aparecemos em frente a casa em que a festa está acontecendo. -Que bom que decidiram vir. Ele e Dylan fizeram um cumprimento com as mãos e eu permaneci parada. -E aí, Sofia, como você está? -Ele veio até mim e arrumou seu cabelo para trás. -Estou bem, obrigada. -Tentei sorrir pra ele. Ron se virou para começar a subir as escadas mais uma vez só que eu chamei sua atenção. -Sabe me dizer se Rick já chegou? -Ahn... -Pensou um pouco. -Se eu não me engano eu e o vi encostado lá perto da cozinha. Concordei e nós todos entramos na casa. Aqui dentro está bem melhor do que eu esperava. Há várias pessoas espalhadas no decorrer dos cômodos e a maioria está conversando. -Sofi, vem aqui, vem. -Beth sinalizou com a mão e eu olhei para a pessoa que ela está sentada perto. Meu irmão. Sorri ao ver aquilo e fui até lá. -Oi. -Falei e fiquei de frente para os dois. Ambos estão sentados nos degraus da escada. -Faz muito tempo que estão aqui? -Não muito. -Daniel respondeu. -Beth fez o favor de enrolar pra se arrumar. Beth a olhou com uma cara indignada e bateu de leve em seu braço, o fazendo rir. -Então quer dizer que os dois pombinhos estavam juntos antes de vir pra cá? -Provoquei. -Na verdade o Carl e a Tara ainda estavam lá. -Ah, saquei. Então foi escolha sua ficar esperando ela terminar, né? -Meu Deus, Sofia. -Beth escondeu seu rosto entre as mãos. -O que? -Ri. -Eu desisto. -Beth se levantou e eu me virei pra ela, tentando controlar a risada. -Vou ir lá buscar alguma coisa pra comer. Após sair, fui para o lado de Daniel e me sentei. -Tem alguma coisa que eu precise saber? -Perguntou assim que viu que Beth já estava longe o suficiente. -Como assim, irmão? -Tentei disfarçar. -Bom, você está estranha. Parece que sabe de alguma coisa que eu não sei. -É que na verdade... eu quero muito te fazer uma pergunta. -Continuou me olhando, tentando entender. -O que você acha da Beth? Arqueou as sobrancelhas. -Ela é legal, por quê? -Não estou dizendo nesse sentido, Dani. -Tirei minha franja do rosto e sorri. -Aonde quer chegar, Candy? -Já se passou pela sua cabeça de sei lá, dar uma chance pra ela? Ele piscou algumas vezes antes de pigarrear e passar as mãos no cabelo. -Por que quer saber isso? -Pareceu estar sem graça com a pergunta. -É só uma pergunta simples, irmãozinho. Vai, fala. -Eu não tinha parado pra pensar muito nisso, mas acho que sim. Daria sim. Sorri e tentei conter a felicidade dentro de mim. -Ok, isso é muito estranho de conversar com minha irmã mais nova. -Por que não conta pra ela? -Sem chances, Sofia. -Negou. -Ela é três anos mais nova do que eu. -Você sabe que isso não é mais um problema hoje em dia, né? Idade é só um número. -Tá, vamos dizer que sim. Só que isso não muda o fato de que talvez ela não queira nada comigo. -Não se preocupa com isso. -Peguei em seu ombro. -Agora você só precisa tomar coragem, ir até lá e chamar ela pra dar uma volta. Após pensar um pouco, concordou e eu me levantei. -Boa sorte. -Mandei um beijo pra ele e saí. Andando mais um pouco pela casa, encontrei todo mundo conversando e se divertindo. Estou tentando encontrar Carl mas não o vejo em lugar algum. Estranho. Saí da casa e fui em direção a cerca de p******o, onde encontrei Daryl sentado fumando. -O que? Não está se divertindo? -Soltou a fumaça no ar. -Estou. -Respirei fundo e me encostei próxima a ele. -Só vim ver como está o céu. -Fala a verdade, veio ver se Carl estava aqui não é? Ahn? -Ele sorriu e olhou para mim. -Também. -Sorri ao ver que não iria adiantar mentir. -Mas vim mesmo pra esfriar a cabeça. -Problemas já nessa idade? -Fumou mais uma vez. -Mais ou menos isso. Na real são coisas que eu nunca imaginei que passaria. -Olhei para ele. -Garotos. Daryl estalou a língua e se arrumou melhor na cerca. -É aquele guri de mais cedo, não é? -Concordei. -É, imaginei. Ele gosta de você? -É o que ele diz. -Olhei para o céu. -E eu estou sem saber o que fazer, Daryl. Eu não gosto dele assim, sabe? Fora que a Enid está afim dele e eu prometi que ajudaria eles dois a ficarem juntos. Ele desceu do cercado e ficou ao meu lado. -Olha cachinhos dourados, não sou nem um pouco bom em dar conselhos, mas vamos lá. -Ele jogou o cigarro no chão e pisou em cima. -Você já contou pra ele que não quer ter nada? -Sim, várias vezes. -Suspirei. -Então ele já está ciente. Relaxa. Se ele realmente gosta de você, vai seguir em frente. E quanto a sua amiga, eu acho que você deve falar a verdade pra ela. -Eu já fiz isso, inclusive ela ficou muito m*l. Estou tentando fazer os dois ficarem juntos mas ele não ajuda. Hoje mesmo antes de termos vindo, nós tivemos uma conversa. -Sobre o que? -Ele queria se desculpar por ter brigado com Carl. Disse também que estava com ciúmes, por isso fez aquilo. -Faça o que falei, se não tiver resultado, aí você vai ter que terminar o que Carl já começou a fazer com ele. Ri assim que percebi que ele estava se referindo a brigar. -Obrigada, Daryl. -Fui até ele e o abraçei. Olhei para a escada e vi Carl e Carol subindo. -É, acho que já vou indo. Essa festa não é pra mim. -Daryl desceu as escadas ao lado deles e Carl olhou na direção aonde eu estava. -Pensei que não viria mais. -Falei e isso fez ele sorrir. -Fiquei meio enrolado com a Judith lá em casa. -Enfiou as mãos no bolso. -Ela não queria dormir de jeito nenhum. -Entendi. -Falei e desviei meu olhar do seu. -Tudo bem? -Tirou suas mãos do bolso e as levou para o meu rosto. -Estou te achando tão tristinha. -É tudo isso que vem acontecendo com o Dylan. -Voltei a olhar para ele. -Não gosto de ficar brigada com alguém. -Isso não é culpa sua, anjinho. -Alisou minha bochecha. -O culpado disso tudo é só ele. -Pode ser. -Suspirei. -Não fica assim. Venha, vamos entrar um pouco e aproveitar essa festa. -Sorriu e pegou em minha mão. -Vamos tentar esquecer tudo isso só essa noite, o que acha? -Acho uma boa ideia. -Sorri. Atualmente... É, acho que valeu a pena eu ter decidido ir àquela festa.
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