-Como veio parar aqui? -Carl perguntou e em seguida colocou as mãos no bolso da calça.
-Assim que me perdi de vocês, encontrei o Dylan. -Chutei uma pedrinha. -Ele que me ajudou desde o começo. Logo em seguida conheci o Peter, aquela criança que estava comigo lá no portão. Ficamos procurando vocês durante essas três semanas, e com isso encontramos esse lugar.
-Você ficou esse tempo todo com dois meninos? -Vi que ele olhou para baixo.
-É... Mas não tem que se preocupar com isso. Peter é uma criança e o Dylan... bom, eu já dei um jeito nele.
-Já deu um jeito nele? -Me olhou confuso.
-Eu te explico melhor depois. -Parei de andar assim que chegamos em frente ao lago.
-Sim, depois. -Se aproximou de mim e pegou em meu rosto. -Agora nós temos que corrigir aquilo que ficou pendente. -Sorriu e tirou o meu cabelo da testa.
-Temos mesmo, né? -Passei a língua sobre os lábios e isso fez o seu olho se direcionar pra lá. -Acha que agora já é uma hora boa para fazermos isso?
-Eu não sei. Mas sei que quase não estou mais conseguindo me segurar para não fazer isso.
Sorri e ele aproximou seu rosto do meu. Encostamos nossos lábios e isso me fez sentir uma emoção maior do que quando fizemos isso pela primeira vez. Sorri em meio ao beijo e ele virou seu rosto para o outro lado.
Apoiei minhas mãos em sua nuca e ele segurou minha cintura firmemente.
-Eu senti tanto a sua falta. -Sussurrou assim que nos afastamos um pouco. -Eu estava aqui pensando, -Começou a falar novamente assim que voltamos a andar mais uma vez. -havia se passado pela sua cabeça que estaríamos assim hoje em dia?
-Assim... assim como? Nos beijando? -Tentei segurar o sorriso.
-Sim. -Riu também.
-Ah, na verdade eu tinha te achado bem chato.
-Chato? -Pegou em minha mão. -Por quê?
-Bom, tinhamos acabado de nos conhecer e você já queria me levar para o seu pai. Meio estranho, não? E você sabia que eu podia muito bem meter uma bala nesse rostinho lindo seu.
Ele riu mais uma vez.
-Conta outra né, Sofia. Você estava cercada de zumbis, desesperada. Se fosse tão "corajosa" ao ponto de me m***r, não ficaria com medo deles. -Me desafiou.
-Como teve coragem de dizer isso pra mim? -Dei um murro em seu braço e isso o fez gargalhar mais alto.
-Eu só estava brincando, ai. -Passou a mão em cima do braço. -Ficou mais forte nessas três semanas, né?
Sorri e peguei em sua mão mais uma vez.
-Que coisa chata vocês dois. -Uma voz vinda do lago fez nós dois olharmos naquela direção.
Dylan está sentado na grama enquanto joga pedras dentro da água.
-Então no fim de tudo vocês realmente se reencontraram. Chega a ser engraçado tudo isso.
-Eu te disse que isso ia acontecer. -Apertei mais forte a mão de Carl assim que notei seu olhar pro Dylan.
Dylan abaixou sua cabeça rindo e em seguida se voltou para nós dois.
-Sabe, Sofia, quando você mencionava ele pra mim, juro que não imaginava que ele era desse jeito.
-O que está insinuando? -Carl deu um passo para frente mas eu consegui faze-lo parar.
-Que eu pensei que você fosse mais do que um cara normal que não possui um olho. -Riu de novo. -Foi por isso aí que você se apaixonou? É sério?
-Ah mas eu vou arrebentar a cara desse...
-Carl, não. -Segurei em seu braço. -Deixa ele falar.
-Quando eu te conheci, não havia se passado nenhum momento em minha cabeça que você é igual a todas as outras. Toda aquela ilusão de garota boazinha que você havia passado simplesmente desapareceu, não é?
-Em nenhum momento eu fingi ser algo que não sou, Dylan. Na verdade eu sempre fui extremamente sincera com você.
-Extremamente sincera... -Virou seu rosto para o outro lado. -Essa é a nova forma que acharam para substituir pra quando você é uma escrota?
Carl se soltou de mim e caminhou até onde Dylan está. Antes dele conseguir dizer qualquer coisa, Carl deu um murro bem em seu rosto, o fazendo cair para trás na grama.
Carl subiu em cima dele e não parou de depositar socos.
-EI, PARA. -Corri até eles e tentei separar. Esforço feito atoa, já que cada puxão que eu dava para tentar tirar Carl de lá, ele depositava mais socos.
Com muito esforço Dylan conseguiu sair de baixo e foi para cima de Carl.
-Para com isso! Para vocês dois! -Gritei mais uma vez.
Assim que olhei em volta para procurar ajuda, vi Rick, Daryl e Daniel vindo correndo até nós.
-Ajuda, Rick. -Fui até eles e Rick puxou Carl de cima de Dylan.
-Eu ainda mato você, seu desgraçado.
-Vai pensando que eu vou deixar por isso mesmo, seu caolho filho de uma p**a.
Carl tentou se soltar das mãos de Rick mas isso apenas o fez receber um sermão.
-Ei, Carl! -Seu pai gritou.
Ele parou de tentar se soltar e começou a respirar fundo tentando recuperar a calma.
-Dylan. -Me aproximei dele que está de pé perto da árvore. Seu rosto está cortado em algumas partes e debaixo do seu olho já começou a inchar. -Sai daqui, por favor. -Ele virou a cabeça para o outro lado, sem me olhar. -Dylan, por favor. -Olhei dentro de seus olhos. -Por favor.
Ele negou com a cabeça e se soltou de Daryl, indo em direção a nossa casa. Passei as mãos sobre meus cabelos.
-Me responde uma coisa, Carl. Isso é algo para se fazer assim que chegamos em um lugar completamente novo? -Perguntou Rick. -Foi esse o tipo de educação que eu te dei?
-Mas foi ele que me provocou e...
-Eu não quero saber, entendeu? Se eu ver você brigando mais uma vez, terei que tomar certas providências.
Ele concordou e abaixou a cabeça.
-Me desculpe, pai.
Rick colocou a mão no cinto e olhou para mim.
-Olha Rick, a culpa realmente não foi dele.
-Candy, deixa eles se resolverem sozinhos, está bem? -Meu irmão pegou em meu ombro.
Concordei e fiquei quieta.
-Agora vá limpar esse machucado aí na sua sobrancelha. -Soltou o braço de Carl. -E eu espero que isso não se repita, caso contrário nós iremos embora.
Rick saiu andando e antes de Daryl o seguir, ele veio para perto de nós dois.
-Devia ter dado um chute no saco dele. Garanto que teria doído mais do que uns murrinhos no meio da cara.
Tentamos não rir mas foi praticamente impossível. Daryl enfim saiu e eu me aproximei mais de Carl.
-Ei. -Peguei em seu rosto. -Deixa eu ver essa sua sobrancelha. -Toquei levemente onde está cortado. -Não vai precisar de ponto.
-Meu pai tem razão. -Suspirou. -Eu fui um i****a.
-Não, você só quis me defender. -Passei o dedo mais uma vez e em seguida foquei minha atenção em seu rosto que me observa com delicadeza. -E eu sou muito grata a você por isso.
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Aaron separou uma casa para todos do g***o de Rick ficarem. Mas como na casa em que eu estou ficando tem apenas eu, Peter e Dylan, decidi que seria melhor eles ficarem com a gente também.
Ao perceber a ausência de Tyreese e Andrea, acabei descobrindo que infelizmente eles não conseguiram chegar até aqui.
Por mais que eu não tenha falado muito com eles, sei que eram pessoas muito importantes.
E Judith, está tão linda. Parece que ela está ficando cada vez mais esperta. E isso encanta todo mundo que está ao seu redor.
Deanna falou que vai mandar algumas pessoas irem atrás de um berço pra ela. Fico muito feliz e aliviada ao mesmo tempo, ao saber que aqui ela pode crescer feliz e saudável. Eu morria de medo dela não crescer como uma criança normal. Tudo o que eu quero é que ela tenha uma infância boa. E é isso que estou tentando fazer com Peter também.
Dylan? Bom, eu nem sei. Desde a briga ele não dá as caras na rua. Só fica dentro de casa. Mas o que é que ele tinha que ficar bravo daquele jeito? O que é que ele tinha que ficar falando aquelas coisas? Caramba. Se ele gosta mesmo de mim, devia ficar feliz pela minha felicidade. Olha, eu realmente não tenho a mínima ideia do que fazer. Falar com ele? Não quero. Mas acho que isso é o melhor.
Por mais que eu esteja morrendo de raiva da cara dele, sei que ainda devo muito a ele. Dylan foi uma pessoa muito boa comigo nesses últimos dias. Foi ele que me manteve a salvo, foi ele que me ajudou a cicatrizar minha perna.
-Ei, Sofi. Como você está? -Perguntou Beth vindo ao meu lado.
Agora eu estou aqui encostada na cerca de p******o da sacada. Estava sozinha até então.
-Estou bem. E você? -Parei de olhar para a vista e olhei para ela.
-Bem, bem. Fiquei sabendo que Carl caiu no murro com um menino aí. E o melhor disso tudo, foi por você. -Sorriu.
-Não foi bem assim. O Dylan que ficou provocando e isso acabou lhe irritando. -Coloquei meu cabelo para trás. -Daí Carl partiu pra cima dele.
-Mas foi por você. -Ela me olhou com uma cara maliciosa. -Eu queria ter alguém que fizesse isso por mim.
Comecei a rir.
-Para com isso. Eu quase morri de preocupação ao ver os dois se socando no chão. -Olhei para fora novamente.
Ela se encostou ao meu lado e ficamos olhando para o mesmo lugar.
-Então... -Começou novamente. -Eu vim até aqui na verdade porque eu tenho que te contar uma coisa. Eu não tenho ideia se você vai gostar ou não, mas eu preciso falar pra alguém. -Virou seu rosto para mim.
-Ah. -Tentei não demonstrar surpresa. -É claro, pode falar.
-Antes de tudo, quero que saiba que eu não tenho muita certeza se eu realmente sinto isso ou se estou sendo muito precipitada. -Concordei e permaneci a encarando. -É... eu acho que estou gostando do Daniel. -Fechou os olhos.
Engasguei com minha própria saliva e não pude evitar arregalar os olhos levemente.
-Do meu irmão? -Perguntei ainda não acreditando no que acabei de ouvir.
-Eu não tenho muita certeza, Sofi. Mas sempre que ele está por perto, -Respirou fundo. -ah, é tão gostosa a sensação.
Sorri e peguei em sua mão.
-Eu acho que vocês formariam um casal lindo.
-Mesmo? -Seu sorriso quase foi de orelha a orelha.
-E se depender de mim, vocês vão ficar juntos logo logo. -Sorri. -Você ainda vai ser a minha cunhada, Beth.
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Passei o restante da tarde inteira na casa em que a maioria das pessoas do g***o estão. Achei melhor ficar um pouco longe de Dylan, vou deixar ele se acalmar.
-Tenho que ir agora. -Me levantei do sofá.
-Obrigada por ter passado a tarde aqui conosco, Sofia. -Michonne falou e eu sorri pra ela. Em seguida fui em direção a porta. Senti Carl logo atrás de mim.
-Deixa eu me despedir de você. -Parei assim que passamos pela porta de entrada. Carl se aproximou mais e nos abraçamos. -Por que não dorme aqui essa noite? -Perguntou antes de me soltar.
-Não posso deixar o Peter sozinho. -Encostei meu nariz em sua camiseta e aproveitei mais um pouco do seu cheiro.
-Trás ele também. -Nos separamos e ele pegou em meu cabelo, o colocando atrás de minha orelha.
-Não vou fazer isso, Carl. -Sorri. -Amanhã cedo eu apareço por aqui de novo.
-Vai demorar tanto. -Lamentou.
-Não vai. -Dei um beijo rápido em sua bochecha. -Vejo você amanhã. Dorme bem.
-Por favor, não suma de novo.
Sorri e comecei a caminhar até minha casa.