Capítulo 28

2306 Palavras
Sofia narrando: Eu sinto como se tudo estivesse ficando cada vez mais complicado. Desde a minha última conversa com o Dylan, tudo ficou estranho. Ele não fala mais comigo e muito menos olha para mim. Peter chegou a perceber o clima pesado e me perguntou o motivo, só que tive que fingir estar tudo bem e isso é completamente exaustivo. Eu venho pensando muito e acho que realmente irei seguir em frente. Talvez isso seja o melhor a se fazer no momento. Essa briga até que serviu para alguma coisa. Ela abriu os meus olhos e me mostrou que ele infelizmente tem razão. Qual é, eu me iludi tanto nesses últimos dias que cheguei a pensar que Carl ainda estaria atrás de mim. As possibilidades são totalmente pequenas. Até parece que ele perderia todo esse tempo. Eu estou decidida. De hoje em diante irei tentar ao máximo não ficar pensando neles. Por mais que todos eles sejam minha família, sei que nunca mais os verei, então não tem o por que eu ficar pensando que irei. Tudo era tão mais fácil. Eu não precisaria me adaptar como estou fazendo agora. Não estaria brigada com alguém do g***o e muito menos estaria triste. Mas como não tem como eu mudar o presente, irei aceitar esse fato e me esforçar para criar uma família aqui também. Eu tenho muita esperança que serei bem amiga da Enid. Ela parece ser uma garota legal. Mesmo conversando tão pouco, ela não parece ser uma menina chata ou coisa do tipo. E quanto a Peter, ah, ele é a melhor criança que já conheci. Por mais que não seja da minha idade, ele sabe de muita coisa e é muito bom em dar conselhos. Eu o considero muito como meu irmão mais novo. Em todos os momentos que estou m*l, ele é o primeiro a perceber e a me perguntar se estou bem. E isso é uma das coisas que mais me chama a atenção nele. A sua preocupação pelos outros. -Oi... -Levantei minha cabeça e olhei para ver quem era, Enid. -Posso me sentar aqui com você? -Afirmei. Ela pegou um graveto que havia acabado de cair da árvore acima de nossas cabeças e começou a rabiscar a grama. -O que foi? Aconteceu alguma coisa? -Não. -Olhei para o lago. -Na verdade eu só ando com a cabeça em outro lugar ultimamente. Estou tentando mudar isso. -Quer me contar? Sei lá, as vezes contar para alguém pode te fazer bem. -Senti seu olhar sobre mim. -É que na real é tudo isso. -Sorri triste. -Olha, Enid -A encarei. -eu tenho que te contar tudo o que está rolando entre eu e o Dylan. Acredito que você tenha esse direito já que meio que está envolvida nisso. -Rolando entre você e ele? Então quer dizer que... vocês estão juntos? -Ela me olhou meio decepcionada. -Não não, não é isso. Pode ficar calma, vou te contar detalhe por detalhe. -Comecei a falar tudo desde o momento que ele se declarou até quando eu disse não. Ela pareceu bem concentrada, escutando tudo o que eu tinha pra falar. -Ele não gosta mais de mim mesmo. -Ela olhou para baixo. -Caramba Sofia, o que você tem? O que fez para conseguir conquistar ele em tão pouco tempo? E agora? O que vou fazer? -Ela começou a chorar. -Eu o amo, não quero perder ele. Por favor, você tem que me ajudar. -Enid, eu já te falei que eu vou tentar. Mas agora está bem difícil já que não estamos nos falando. Mas eu te prometo que irei tentar. -Por que ele tinha que se apaixonar por você? -Ela piscou meio forte então uma lágrima escorreu. -Eu não queria isso. Ela ficou quieta e isso me fez pensar um pouco no que irei fazer para juntar eles novamente. Mas e se... -Você pode ir conversando com ele. -Me virei para ela mais uma vez. -Puxa assunto. Uma hora eu tenho certeza que ele vai voltar a gostar de ti. Você é linda, Enid. Tanto por fora quanto por dentro. Mesmo eu te conhecendo a pouco tempo sei que é uma pessoa maravilhosa. E se ele não enxergar isso em você, siga em frente. Ele não merece o seu choro. Nenhum homem merece as nossas lágrimas. Ela sorriu e secou as bochechas. -Está vendo? É nisso que eles se apaixonam. Como você é. Sorri mesmo sem concordar muito com sua fala. -Agora mudando completamente de assunto, fiquei sabendo que mais tarde irá chegar um g***o aqui em Alexandria. Vi Aaron organizando algumas casas. -Falou ela. -Ei, e aí meninas, como vocês estão? -Nos viramos e vimos Ron parado. -Por que estão aqui? -Só estamos tomando um ar. -Disse Enid que logo em seguida secou os olhos novamente. -E você? -Resolvi dar uma volta. Posso me sentar com vocês? -Concordamos. Ele se sentou ao meu lado e cruzou as pernas. -Vocês sabem por que o Dylan está tão m*l humorado hoje? Dei bom dia e ele simplesmente me ignorou. -Ele é assim mesmo, agorinha já vai estar normal de novo, você vai ver. -Já que estamos falando dele. -Ron se virou para mim. -Por que não nos conta como é que vocês se conheceram? ### Tenho a impressão de que hoje as horas passaram mais rápido do que o normal. Durante quase a manhã toda nós ficamos lá sentados conversando e isso acabou me fazendo distrair um pouco. -Sofia! cheguei da escolinha. -Peter entrou correndo aqui no quarto e começou a pular em sua cama, que é aqui ao lado da minha. -Estou vendo. -Ri de sua animação. -Mas me conta, o que achou? Como foi? -Eu adorei. A professora é tão legal. Os meus coleguinhas também. Eu vou poder ir amanhã de novo, né!? -É claro que sim. Você vai ir todos os dias. -Me sentei na cama. -Ah, já ia me esquecendo. Aquela sua amiga pediu pra eu te avisar que o Aaron já saiu daqui e que agorinha o g***o já vai chegar. Concordei. -Vai querer ir lá no portão? A gente pode ver eles de pertinho. -Falei. -Quero, vai ser legal. ### Enquanto descia as escadas para ir em direção ao portão, demos de cara com Dylan. Ele simplesmente virou o rosto e seguiu o seu caminho. Nossa, mas até quando ele vai ficar assim? -Aí está vocês dois. -Enid falou assim que nos viu aproximando de onde ela está. -Animados? -Na verdade, sim. -Apertei mais forte a mão de Peter. -Estou ansiosa. Espero que tenha gente da nossa idade. -Já eu espero que sejam legais assim como você e o Peter. -ABRAM O PORTÃO! AARON JÁ ESTÁ DE VOLTA. -Gritou o homem de cima da vigia. Não sei o que esperar dessas pessoas novas, mas espero muito que eles substituem a gente no quesito fofoca. Não aguento mais ser o centro das atenções por aqui. Assim que meus olhos foram até o portão sendo aberto, senti como se meu coração estivesse sendo retirado do meu peito. Carl narrando: Então é isso. Um novo recomeço em nossas vidas. Na verdade, um novo recomeço em minha vida. Eu nunca pensei que teria que desistir de correr atrás de algo que eu gosto. Mas acho que já está na hora de eu me convencer de que nunca mais verei ela. É difícil. Muito. Mas eu já tentei fazer tudo e nada a trouxe de volta. Conversei com meu pai mais cedo e ele disse que me apoiará independente da decisão que eu tomar. Não está sendo fácil pra ninguém desse g***o. Ninguém está aceitando o fato de nunca mais vê-la. O Daniel, nossa ele está super abalado. Essa noite quando acordei pude escutar ele chorando baixinho. A Maggie então, não quer comer nada tem uns 2 dias. A r*****o das duas estava tão boa. Pareciam até mãe e filha. Judith? Não para de chorar um minuto. As vezes eu pego ela, a acalmo e ela fica quietinha. Mas é só por questão de minutos porque logo depois começa tudo de novo. Vou ter que tentar fazer ela se acostumar comigo e com meu pai, já que Sofia não está mais presente. -Carl. -Maggie chamou minha atenção. Estamos todos caminhando em direção a Alexandria. Enquanto a maioria das pessoas estão lá na frente, eu permaneci aqui, caminhando sem pressa alguma. Estava sozinho até ela resolver vir aqui me fazer companhia. -Você está bem? Concordei e continuei olhando para frente. Eu sinceramente não estou nem um pouco afim de conversar agora. -Tenho percebido que você anda muito quieto ultimamente e pensei que... bom, eu pensei que talvez você queira conversar. Respirei fundo e olhei para ela. -Eu estou tão confuso. -Falei mesmo sem querer. -Não sei mais o que fazer. -E tudo isso tem haver com a Sofia? Concordei e desviei meu olhar do seu. -Sei bem o que está sentindo, Carl. -Suspirou. -Só que sabe, a Sofia é muito esperta e bastante corajosa. Por isso ela deve estar em segurança, você não acha? -Mas e se não estiver? E se Negan tiver pego ela e está a mantendo presa? Sendo torturada ou coisa pior? -Tenho certeza que ela iria arranjar um jeito escapar. Fiquei em silêncio. -O que eu estou tentando dizer é que ela está bem. E eu sei o quanto é r**m pensar na possiblidade de ela não voltar mais. Só que estamos dando um passo muito grande em nossas vidas. Você já havia pensado que iríamos pra um lugar assim? Eu não. E outra, você já parou pra pensar que talvez ela possa estar em Alexandria? Como é que eu não havia pensado nesse possibilidade? -Maggie, você é incrível. -Sorri para ela. -Ela realmente pode estar lá. -Ao ver sua expressão mudar para preocupação, diminui o tamanho do sorriso. -O que? Não era para eu ficar feliz? -Era sim, mas é que foi apenas uma hipótese. Não quero que crie expectativas e aí a gente chega lá e ela não está. -Tudo bem, não vou ficar criando não. Mas agora estou realmente animado pra chegar lá agora. -Vamos fazer um acordo. Se por um acaso ela não estiver, iremos seguir em frente e não tocar mais nesse assunto. Fechado? -Fechado. Sofia narrando: -O que? Mas... -Senti minhas penas enfraquecerem assim que avistei Rick e todos os outro integrantes. -Sofia, o que foi? -Perguntou Peter. Quando nossos olhares se encontraram, todos eles permaneceram parados, como se não estivessem acreditando no que estão vendo. Meu olhar percorreu todos eles e involuntariamente parou assim que encontrei Carl. O mundo simplesmente decidiu parar de girar e permaneceu apenas nós dois aqui. Senti as lágrimas rolarem por minha bochecha e sorri feliz por ver todos eles mais uma vez. Meu irmão veio correndo até mim e assim que nossos corpos se encostaram, ele envolveu seus braços ao meu redor. -Candy. -Falou enquanto me apertava mais contra si. -Como eu pensei que não te veria novamente. -Ai, meu Deus. -Foi a única coisa que consegui dizer. -Eu te amo. Ele se separou e pegou em meu rosto. Em seguida sorriu. -Continua linda. Sorri e ele secou minha lágrima que acabou escorrendo. Segundos depois Maggie veio até nós dois. Ela também me abraçou. -Eu sabia que íamos ver você novamente. Está tão grande. Não consegui não rir de sua fala. -Maggie, só tem três semanas que estamos sem nos vermos e você acha que cresci? Continuo do mesmo tamanho. -Acho que a saudade acabou mexendo com minha cabeça. -Ela disse rindo também. -Fico feliz por estarmos juntas de novo. Assim que nos separamos e eu olhei para frente, senti meu coração subindo em direção a boca. Lá está ele, parado, esperando todos saírem para chegar a sua vez. Olhei dentro de seu olho e ele sorriu. Ah, que saudades desse sorriso. Não consegui me controlar e corri até ele, o abraçando o mais forte que consegui. -Oi. -Respirei fundo, apenas sentindo seu abraço novamente. -Você não sabe o quanto senti a sua falta, Sofia. -Ele me apertou mais. -Eu fiquei te procurando todos os dias mas nunca achei nenhuma pista de onde você poderia estar. -E agora encontrou. Me encontrou e nunca mais irá perder novamente. -Ele encostou sua cabeça em meu pescoço. -Está fazendo isso pra me irritar, não é? -Perguntei rindo. -Sim, sei que você tem cócegas. -Ele também falou rindo. -Eu estava com tanta saudades dessa risada sua. -Falei. -Meu Deus, você está aqui. -Sussurrou um tempo depois. -Você está aqui comigo agora. -Dá pra acreditar? -Sorri. -Hoje de manhã eu já tinha desistido de ver vocês. -Agora não precisamos mais nos preocuparmos com isso. Estamos juntos mais uma vez. Concordei mas permaneci em silêncio, apenas aproveitando a sua presença. -E então? Quando é que vão se beijar? -Perguntou Daryl o que fez todo mundo rir. Carl me olhou envergonhado. -Bom... -Ele olhou pra todo mundo. -Acho que isso é algo que tem que ser feito com privacidade, não é? -Ah, sem essa. Só uma bitoquinha vai. -Disse Rosita. Olhei para Carl e senti meu rosto todo pegar fogo. -Você quer? -Perguntou baixo o suficiente para somente eu escutar. -Na frente de todo mundo não. -Sorri. -Bom, gente, sinto muito mas o espetáculo acaba aqui. -Carl falou. -Ai que bom que não vou ver a Sofia beijando. Isso seria constrangedor demais. -Peter disse e fez todo mundo rir. -Agora o que acham de enfim entrarmos para vocês conhecerem a nova casa? -Aaron perguntou. Todos concordamos e começamos a andar. -Ei, espera. -Carl pegou em minha mão, me puxando de volta. -Quero que você me mostre o lugar. -Mas é isso que o Aaron vai fazer. -Eu quero que só você me mostre. -Ele sorriu e fez uma cara de cachorrinho abandonado. -Tudo bem. Venha. -Ele soltou sua mão da minha e fomos caminhando, indo em direção ao lago.
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