Capítulo 27

2029 Palavras
-Anjinho? -Me virei assustada na direção da voz e assim que o vi, saí correndo e lhe abracei sem pensar duas vezes. -Ah, Carl. Como me encontrou? -Perguntei enquanto o apertava mais contra mim. -Eu fiquei te procurando todos os dias. Meu Deus, você está bem. -Nos separamos e ele me beijou. -Senti tanto a sua falta. -Falei assim que nos separamos. -E Judy? Cadê ela? -Perguntei olhando ao redor. Quando me virei para ele novamente, vi que seu rosto estava estranho. -O que foi? Ele caiu no chão e eu me abaixei preocupada. Assim que ele levantou a cabeça, levei um susto enorme. Ele havia se transformado em zumbi e tentou me pegar. -O que? Não. Carl. CARL! Por que isso está acontecendo? -Saí correndo e olhei para trás, vi ele quase me alcançando. Ele conseguiu me segurar e mordeu meu pescoço, me infectando também. *~*~*~* -NÃO. -Me sentei rapidamente e de modo involuntário passei a mão em meu pescoço, me certificando de que estou bem. Ao olhar para a cama, notei o quanto ficou molhada por conta de meu suor. -Mas que d***a. -Passei as mãos sobre meus cabelos. Olhei para a cama a minha frente e percebi que Peter não está mais no quarto. -Que sonho estranho. -Respirei profundamente. Me levantei e tirei o lençol. Coloquei dentro do cesto de roupa. -Oi, você está bem? Escutei você gritando. - Disse Dylan parado na porta. -Eu só tive um pesadelo. Nada demais. -Coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha. -Sabe Sofia, eu andei pensando e era melhor eu não ter te contado nada. Talvez se eu tivesse ficado quieto, você não me trataria assim. Poxa. Eu te elogio e você me ignora, eu fico preocupado e venho ver se você está bem e você me dá uma resposta curta e grossa. Você devia ter pelo menos um pouco de consideração. Eu fiquei com você esse tempo todo, em nenhum momento deixei você sozinha. Sempre coloquei você e o Peter em primeiro lugar e tudo o que eu fiz e ainda faço é pensando em vocês, no seus bem estar. E é assim que você me agradece? Me tratando desse jeito? Se você não gosta de mim, olha tudo bem, não vou te forçar a ficar comigo, mas por favor, não me trate assim. Fiquei em silêncio. Se ele quer falar o que está sentindo, então tudo bem. -Eu gosto de você, e não sei quando esse sentimento vai passar. Então você não faz ideia do quanto me dói ver você me tratando desse jeito. -Cruzou os braços. -Você gostaria que o seu namoradinho te tratasse assim? -Não coloque ele no meio disso. -Até quando você vai ficar se iludindo achando que ele está te procurando? Será que você não enxerga que já se passaram três semanas? -Vai se fuder, Dylan. -Me alterei. -Não é porque quando você estava "desaparecido" ninguém foi atrás de você que isso signifique que ele fará o mesmo. Dessa vez ele que ficou quieto. -Não tenho culpa se você não sabe o que é gostar de alguém de verdade. Mas quando descobrir, Dylan, e se descobrir, vai ver que sempre vai haver confiança entre você e a pessoa. Eu confio em Carl, e sei que ele não desistiria de mim assim tão fácil. -E quem é você para saber se sei ou não? Você já me conhecia antes, Sofia? Sabe se eu já gostei de alguém ou não? Há algum tempo atrás eu até estava pensando que estava te amando, mas a única coisa que tenho agora é nojo de olhar no seu rosto. E como você mesmo disse, quando gostamos muito de alguém temos confiança, e isso era uma das coisas que eu mais tinha em você. Ele saiu e bateu a porta, me deixando completamente irritada e com v*****e de dizer mais algumas coisas para faze-lo calar a boca. Carl narrando: -Vamos Carl, não temos muito tempo. Pega as coisas logo. -Disse Glenn. -Eu já vou. -Peguei as minhas roupas e joguei tudo dentro da mochila. Coloquei nas costas e saí correndo indo em direção a porta aonde estão todos parados com suas armas nas mãos. Durante a noite, a casa foi completamente cercada por zumbis e precisamos encontrar uma alternativa o mais rápido possível para podermos sair daqui sem ninguém ser infectado. -No três. -Disse meu pai. - Um... dois... três. -Ele abriu a porta e todos saímos. Droga, são muitos. Todos começaram a atirar, tentando m***r o máximo de zumbis possível. Como percebemos que não ia dar certo, saímos correndo. Pelo jeito vamos ter que passar o restante da noite em algum lugar temporário, já que a rua é a pior alternativa pra agora. -Corram. Mais pra frente a gente decide onde vamos ficar. ### -Anda Carl, acorda. -Levantei assustado e dei de cara com Daniel. -Estou indo procurar pela minha irmã, vai vir? -Agora? -Tentei me acostumar com a claridade. Ele concordou. -E vai só nós dois? -Abraham disse que também vai hoje. -Passou as mãos no cabelo. -Agora levanta logo, antes que o sol esquente. Ele estendeu sua mão para mim e eu a segurei. Em seguida me puxou e eu fiquei de pé. ### Durante quase o percurso todo nós três fomos em silêncio. Aproveitei para pensar nas possibilidades de lugares em que ela possa estar. Não teria saído da cidade, né? As chances são mínimas. Alguma loja aleatória? Também acho que ela não permaneceria lá por muito tempo. Então onde? -Carl. -Daniel me chamou a atenção. -Olha... é... -Coçou a sobrancelha e olhou para baixo. -Eu posso te fazer uma pergunta completamente... é... -Estalou a língua. -m***a. Não me leve a m*l pela pergunta, mas é que ela é minha irmã mais nova e pra mim ela vai ser uma criança e... -Pergunta. -Tentei não rir de seu nervosismo. Olhei para Abraham e o vi nos encarando, como se também estivesse curioso para saber qual é a pergunta. -Então... -Pigarreou. -Você e a Sofia já... é... já fizeram aquele ato? -Fechou os olhos, como se não estivesse preparado pra resposta. -O que? -Não consegui segurar mais a risada. -Não. Olha Daniel, eu respeito você e respeito muito mais a sua irmã. Eu e ela não vamos fazer isso até ela se sentir preparada. Pensar nessa possibilidade fez o meu coração acelerar involuntariamente. -Ah, graças a Deus. -Suspirou aliviado. -Obrigado por isso. -Pode ficar tranquilo porque se depender de mim não vai acontecer por agora. Na verdade... -Pensei um pouco. -Eu nem sei se vai ser comigo. Mas se for, só irá acontecer quando ela estiver se sentindo a v*****e e quando quiser também. -Valeu, cara. -Ele bateu em meu ombro. -Mas que m***a é essa? -Abraham falou, nos fazendo olhar na mesma direção. Há vários, vários muros completamente altos. Um ao lado do outro, dando a entender que está protegendo algo do outro lado. -Aonde isso vai dar? -Comecei a andar, tentando encontrar o final dos muros. Eles também me seguiram e pouco tempo depois encontramos um portão com uma placa gigantesca pregada ao lado. -"Bem vindo a Alexandria, zona segura." Mas o que é isso aqui? Algum tipo de reformatório? -Perguntei. -Não, isso não tinha na cidade antes, foi construído agora. Eu imagino que deve ser cheio de casas aí dentro, porque pelo tamanho do lugar, provavelmente devem ter feito parecido com um condomínio fechado. -Disse Abraham. -E vocês acham que tem a possibilidade dela estar aí dentro? -Perguntei mais uma vez. -É possível, mas também podem não ser pessoas boas. -Pode ser que tenha razão, porém não vamos saber se não arriscarmos. -Cruzei os braços. -Então devemos simplesmente bater palminha e rezar para que eles não metam uma bala na nossa cabeça? -Daniel riu e negou. -Não mesmo. Vamos voltar e contar para Rick. Ele vai saber o que fazer. Após um tempo de discussão, nós três entramos em um consenso e decidimos fazer o que Daniel disse. ### Quase no final da tarde, alguém bateu no portão do local onde estamos e isso acabou fazendo todos nós ficarmos em estado de alerta. Alguns até chegaram a pegar suas armas. Peguei Judith do colo de Carol e fui com ela mais para o fundo do lugar, para caso tenha trocas de tiro, eu possa conseguir protege-la. Meu pai fez um sinal com o dedo, pedindo para todos ficar em silêncio. -Eu sei que estão aí dentro, Rick. -Após escutar seu nome, meu pai olhou para todos nós, tentando entender. -Eu tenho uma oferta para fazer a vocês. Bom, eu não estou armado, nisso vocês podem ficar despreocupados. Pode confiar em mim, Rick. Ninguém se atreveu a responder então o homem continuou. -E então? Eu tenho que fazer outras coisas. Caso queiram pelo menos saber da minha proposta, é... batam duas vezes no portão. Se não baterem eu vou embora e você não vão ter nem a oportunidade de... Meu pai abriu o portão e encontramos o cara parado com algumas coisas na mão. Está também com uma mochila nas costas. Todos estão com suas armas apontando em sua direção. -Passa a mochila pra cá, com cuidado. -Ele obedeceu meu pai. Ele a abriu e jogou todas as coisas no chão. Caiu alguns sanduíches enrolados em plásticos e várias garrafinhas de água. -Eu trouxe isso pra vocês e... -Fique quieto, só fala quando ele mandar. -Disse Daryl. O cara concordou e ficou em silêncio. -O que tem na água? -Nada. Está limpa. Lá aonde estamos tem um poço com água pura e uma caixa d'água cheia também. Meu pai juntou todas as coisas e guardou na mochila novamente. Jogou nos pés do cara e ficou o encarando. -Por que está aqui? -Vim convidar vocês para fazerem parte da minha comunidade. Lá nós temos casas para todos vocês. Temos também um estoque cheio de comida e muita água. -Como sabe o meu nome? -Eu venho seguindo vocês há umas 2 semanas. Sei o nome de cada um. Aquele ali. -Ele apontou pra mim. -É o seu filho, Carl. A criança no colo é a Judith, sua filha também. Falando nela, eu posso pegar a minha mochila? -Meu pai pareceu meio receoso mas permitiu, antes, fez um sinal para Maggie mirar nele. O cara abriu o zíper e pegou uma mamadeira com leite dentro. -Eu preparei isso também. É pra ela. -Ele estendeu a mão, dando para meu pai. -Não precisamos. Você pode guardar de novo e ir embora, já perdemos tempo demais. -Por favor, me deixe pelo menos eu mostrar algumas fotos. -Não. -Meu pai se virou. -Rick, vamos pelo menos ver, não vai custar nada. Sem contar que pode ser uma ótima opção de lugar para morarmos. Pensa bem, você não vai querer ficar dentro desse mercado a vida toda, não é? -Disse Maggie. -Ele pode estar mentindo. Não posso colocar vocês em uma enrascada. -E não vai. Só vamos saber se é verdade se vermos essas fotos. Podemos tentar. Ele se virou novamente para o homem. -E então, aonde estão? -Essas são fotos tiradas hoje. Vocês podem perceber que não é antiga nem montagem. -Ele começou a passar as fotos para cada um. -Bom, nós também temos energia movida por luz solar e todas as casas com aquecedor. As casas foram planejadas para o bem estar de todos. No meio do "condomínio" se tem um lago enorme, aonde você pode fazer em um final de tarde uma caminhada ou quem sabe até um piquenique. A foto chegou até mim então a olhei e vi tudo o que ele havia falado. Assim que vi a última foto, olhei para Daniel. -É Alexandria. Ele me olhou confuso. -O que?-Após pegar as fotos de minha mão, ele se voltou ao cara. -Todo esse tempo, você estava falando de Alexandria? -Ele concordou. -Rick, eu, Carl e Abraham vimos esse lugar. -Viram? -Olhou pra mim buscando uma confirmação. Assenti. -Bom, e quando poderia nos levar até lá? -Talvez amanhã. Se vocês afirmarem que vão, irei voltar e organizar a casa de vocês hoje mesmo. -Ótimo. Estaremos esperando. -Eu volto amanhã, foi um prazer poder conversar com você pessoalmente, Rick. -Ele saiu e meu pai fechou o portão.
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