-Sim. -Cruzei os braços, esperando ela começar a falar.
-Tudo bem. -Respirou fundo. -Bom, não me ache estranha, está bem? É só que sei lá, eu tenho percebido que tenho sentimentos por você, sabe? Não como amigo... -Olhou para baixo.
-Ah... -Não consegui esconder minha expressão de surpresa. -Bom... -Tentei encontrar as palavras certas. -Mas olha, a gente se conhece tem o que, 5 dias? Você não acha que é muito -Dei enfâse no muito. -cedo pra você chegar nessa conclusão? -Cocei a nuca.
-Sim, mas eu não sei o que aconteceu. Eu só sei que gosto de você.
-Então, -Pigarreei. -olha Carla, eu me sinto muito... lisonjeado por ficar sabendo disso, de verdade mesmo. Só que não é recíproco, sabe?
Meu Deus, eu estou me embolando todo.
-Eu tenho que ir agora. Você quer falar mais alguma coisa?
-É a Sofia não é? O que ela tem? Me fala, o que ela tem que eu não tenho?
-Não a coloque no meio. Ela não tem nada a ver com isso.
-Como não? Você nem se dá uma chance de me conhecer. Sempre que eu tento puxar assunto você me responde curto e grosso. Já com ela só falta babar no chão.
Arqueei uma sobrancelha, não acreditando no que estou escutando.
-Desculpe mas eu não tenho a obrigação de ficar te dando atenção não. Te chamei para vir para o nosso g***o porque vi o quão r**m você estava. Queria te ajudar. Só que isso não me faz ter que te tratar igual trato a Sofia. Eu a conheço a muito mais tempo do que você.
-Me arrependo de ter cuidado dela. -Disse baixo, como se não quisesse que eu escutasse.
-Como tem coragem de dizer isso? -Me aproximei mais dela. -Você precisa aprender que nem tudo acontece do jeito que a gente quer, Carla. Agora só porque eu não sinto o mesmo por você, você vai ficar assim?
-Não conte mais comigo para ela se recuperar.
-Escuta aqui, você tem quantos anos? Dez?
-Vai se fuder, Carl. -Ela apontou seu dedo na direção de meu peito. -Olha pra mim. -No começo eu me recusei a olhar em seus olhos mas acabei cedendo. -Você não vai mais contar comigo pra nada, escutou? Se depender de mim pra sua namoradinha não perder a perna... -Sorriu. -Ela morre.
Segurei na a**a que estava em meu bolso e por muito pouco não a tirei para fora e apontei em sua direção. Ela olhou para baixo e viu minha mão, isso a fez sorrir.
-Anda, atira em mim. Atira logo em mim, Carl!
Me afastei dela.
-Você é doida. -Pensei em sair andando de uma vez mas não fiz isso.
-Eu sou doida? Foi você quem se recusou a ficar comigo!
-Meu Deus do céu, garota! -Explodi. -Eu não gosto de você. Supera logo de uma vez. Eu estava tentando achar uma forma de te falar isso sem te machucar, mas p***a, você é insuportável. Agora eu entendo o porque da sua mãe te tratar daquela forma. Você é psicopata.
-Repete isso. -Veio com o dedo apontado em minha direção.
-Opa, o que é que está acontecendo aqui? -Maggie veio até nós.
-Essa menina que não bate bem da cabeça. -Comecei a falar.
-Eu? Quem ameaçou atirar em mim foi você!
-Como é que é? -Me alterei. -Ah mas você...
-Tudo bem, depois eu converso com vocês a sós. Vocês dois estão de cabeça quente agora. E anda, saem da porta onde Sofia está dormindo. Ela pode acordar assustada com toda essa gritaria.
Carla revirou os olhos e saiu. Já eu permaneci aqui parado, tentando entender exatamente o que acabou de acontecer.
-Ela é doida, Maggie. Doida. -Passei a mão na cabeça.
-Vai, me conta o que estava rolando.
-Acredita que ela teve a capacidade de me dizer que se a Sofia precisar da ajuda dela, ela não vai ajudar só porque os meus sentimentos por ela não são recíprocos?
-Como?
-Sim, pois é. -Suspirei. -Mas pode ficar tranquila que eu não vou fazer nada. O que eu quero dela é distância. E no fim a Sofia tinha razão. -Fiquei em silêncio mas Maggie fez um sinal como se quisesse que eu explicasse. -Desde o começo ela não tinha ido com a cara da Carla. A gente até chegou a "discutir" sobre isso.
-Intuição feminina nunca falha, Carl. Aprenda isso. -Sorriu. -Bom, agora eu vou lá falar com o seu pai sobre ela. É bom ficarmos atentos, não é?
Concordei ela começou a andar em direção da escada, já eu fui até a porta do quarto em que Sofia está. Quando ia pegar na maçaneta, ela girou sozinha e a porta se abriu. Sofia está parada, completamente imobilizada, com os olhos cheios de lágrimas.
-Ela desejou a minha morte. -Falou após alguns segundos.
-Você... ouviu tudo? -Ela concordou e abaixou a cabeça, fazendo com que as lágrimas escorressem por sua bochecha. -Ei, calma. -Fui para perto dela e envolvi meus braços ao seu redor, a abraçando.
-Eu achei que estávamos bem. Eu pedi desculpas pra ela no dia que você estava m*l. Pensei que os meus instintos estavam me enganando e eu estava sendo severa demais com ela. Mas vejo que eu estava certa, ela não é uma pessoa boa. -Passei as mãos sobre seus cabelos na intenção de acalma-la.
-Ela só falou aquilo pra me provocar.
-E agora eu vou viver o resto da vida com a minha perna desse jeito. -Soluçou levemente. -Sem ela eu não tenho chances de ficar bem de novo.
-Vamos dar um jeito. Você vai se recuperar. -Ela me abraçou mais forte.
Um tempo depois, nos separamos e olhei dentro de seus lindos olhos verdes.
-Você acha que agora ela vai implicar conosco? -Perguntou.
-Eu não sei. Mas ela implicando ou não, não vamos deixar isso nos afetar. Ela não faz diferença em nossa vida. A pior coisa que eu fiz foi inventar de trazer ela pra cá.
-Não, você fez bem. Sem ela aqui você podia ter morrido.
Concordei fraco e enfiei minhas mãos sobre sua nuca a levantando um pouco, fazendo ela ficar da minha altura. Ela fechou os olhos já imaginando o que eu ia fazer e me aproximei. Quando encostei meus lábios nos seus, escutei alguém pigarreando. Nos separamos e vimos o irmão dela parado de braços cruzados nos olhando. Ele se virou e saiu andando.
-Dani. -Sofia foi atrás dele.
Quando percebi que ela não voltaria tão cedo, fui até o nosso antigo quarto e fui até a sacada, onde me sentei no chão e retirei o chapéu que meu pai havia me dado da cabeça.
Hoje foi um dia bem confuso. Até um tempo atrás nenhuma garota sequer se aproximava de mim e agora uma vem me dizer que gosta de mim.
Que agora eu tenho quase certeza que me odeia.
Eu não tenho a mínima ideia de como será daqui pra frente. Só tenho certeza de uma coisa, eu preciso encontrar outra pessoa que tenha conhecimento na área de medicina.
-CARL! -Escutei Sofia me gritando então me levantei e saí correndo. -CARL! -Gritou novamente.
Saí do quarto e a encontrei chorando desesperadamente.
-O que houve? -Perguntei preocupado.
-A Judith. E-Ela sumiu. -Quase não conseguiu falar.
-Como assim sumiu? -Meu coração acelerou.
-Sumiu. Desapareceu. -Ela disse exasperada.
-Como Sofia? Ela não saiu andando por aí sozinha.
-Carl, me escuta. Ela sumiu, junto com a Carla.
-O que!? -Uma raiva tomou conta de mim.
-E-Eu tinha ido no quarto para ver a Judith. -Ela fungou o nariz. - E tinha uma carta em cima da cama.
-O que tinha escrito?
Ela tirou a carta do bolso e me entregou. Abri rapidamente e comecei a ler:
Vocês devem estar se perguntando: Cadê a Judith? Não é mesmo? Aiai, sinto muito mas vocês nunca mais vão vê-la. É Rick, acho que você não sabe o que seu filho me fez, mas ele vai me pagar muito caro pelas palavras que ele me disse.
-Ela só pode estar de brincadeira. Eu não falei nada demais. E minha irmã não tem nada haver com isso. Carla não tinha o direito de pegar ela!
-Ela viu que você a ama, e quis se vingar.
Pude sentir meu coração se partir em mil pedaços. Se acontecer algo com ela eu nunca vou me perdoar.
-Continua lendo. -Ela disse secando as lágrimas.
Vou fazer uma boa ação e contar para você aonde irei deixar o corpo dela.
-p***a. -Lágrimas começaram a sair dos meus olhos. -Se ela fazer algo com a Judith, eu juro que a mato com minhas próprias mãos.
Estará em frente ao hotel happy night. Estarei de longe observando a reação de vocês.
Com amor, Carla.
-O que vamos fazer Carl? Ela n******e m***r a Judith. n******e. -Percebi que ela não estava mais dando conta de controlar as lágrimas.
-Vamos dar um jeito. Vamos pegar ela de volta. -Sequei meu olho e guardei a carta. -Você vai ficar, precisa descansar.
-Não. Eu estou bem. Tenho que ir junto. Eu amo ela tanto quanto você Carl, ela é muito importante pra mim. Prometemos a sua mãe que manteríamos ela a salvo. Estamos juntos nessa, se esqueceu?
Essa última parte mexeu muito comigo.
-Você não aguenta, anjinho. Sua perna está infeccionada.
-Quer mesmo falar sobre ferimento? Eu não vou aguentar ficar aqui esperando. Eu preciso ajudar.
Concordei meio receoso e ela meio que conseguiu se controlar.
-Vai contar pro seu pai?
-Sim. Não podemos ir sozinhos. -Ela concordou.
-Vou pegar algumas coisas para levarmos.
-Ok, enquanto isso irei mostrar a carta para todos.
Nos separamos e foi cada um para um caminho.
Sofia narrando:
Isso n******e estar acontecendo. Não, isso não é real. Eu ainda estou dormindo e estou tendo somente um pesadelo.
Anda Sofia, acorda.
Me belisquei e pude perceber que infelizmente eu já estava acordada.
Droga.
A Judy não. Tinha que ser justo ela? Uma bebê indefesa que só queria viver. Eu não posso deixar ela fazer isso, eu prometi para a Lori que cuidaria dela. Não posso desfazer essa promessa.
Peguei algumas coisas e coloquei tudo dentro de uma mochila.
-Vamos? -Perguntou Carl. -Temos que ir rápido antes que ela chegue em frente ao hotel.
-E se não conseguirmos? -Perguntei sentindo uma dor em meu coração.
-Vamos conseguir. Ela foi andando, emtão não vai chegar tão rápido.
Coloquei uma blusa de frio vermelha e a mochila nas costas.
-Quem vai conosco?
-Meu pai, Maggie e Daryl. Anjinho, eu estão tão chateado quanto você, mas me prometa que independente do que encontrarmos você será forte. Está bem?
Concordei e pude sentir minha garganta dar um nó.
-Podemos ir, já estou preparada.