Capítulo 21

1526 Palavras
Saímos da casa e entramos em um carro. Daryl deu a partida e o carro começou a andar. Fomos o caminho todo em silêncio. Ninguém atreveu abrir a boca para falar nada. Não consigo prestar atenção em mais nada a não ser pensar em Judith. Eu não posso deixar acontecer alguma coisa com ela. Eu preciso protege-la, e garanto que vou fazer qualquer coisa que for necessário pra isso acontecer, Eu sabia desde o início que ela não prestava. Sempre tive uma pressentimento com r*****o a ela. Só que mesmo assim eu decidi lhe dar uma chance. Uma chance para eu tentar me convencer de que minha opinião estava completamente errada. E está aí o resultado. Eu devia estar cuidando dela, devia estar acordada. Eu não podia ter dormido! Mas eu fui seguir o conselho daquela... daquela... esquece. Sinceramente, eu tenho pra mim ela não bate muito bem da cabeça. Fazer tudo isso o que ela está fazendo, por simplesmente não ser correspondida por Carl? -Ei. -Maggie me chamou a atenção. -Nós vamos encontra-la, Sofia. Concordei sem v*****e alguma e voltei a olhar para a janela. -Talvez. -Falei algum tempo depois. ### -Para. -Carl falou. -Para o carro! Ali ela. Daryl freou e todos nós descemos o mais rápido que conseguimos. Eu não fui tão rápida, já que minha perna ainda está bem dolorida. Assim que Carla se deu conta de nossa presença, pegou uma a**a no bolso e apontou na direção da cabeça de Judith, que está em seu colo. -Fiquem aí aonde estão! -Gritou. Todos nós paramos e Rick começou a falar: -Carla, por favor, não precisamos disso. Eu realmente sinto muito se o que Carl disse te magoou. Tenho certeza que não foi a intenção. -O que? Eu falei a verdade. -Rick olhou para ele como se o mandasse calar a boca. -Eu não sou obrigado a ter que ficar com ela só porque ela quer. -Carl, não... -Tentei faze-lo parar. -Eu não podia fingir estar gostando de você se isso não é verdade. -Abaixou um pouco o tom de voz. -Você só iria se machucar. Ela ficou quieta. -Por favor, não machuque minha irmã. Ela não tem nada a ver com isso. -Não posso deixar vocês se saírem bem. Um de vocês têm que pagar. -Eu. -Falei. -Pode ser eu. Mas antes você terá que entrega-la para Rick. -Nem fuden... -Não deixei Carl terminar de falar. -Carl, não se preocupe comigo. Sua irmã tem muito o que viver ainda. -E você também! -Olhou pra mim. -Eu não posso deixar você fazer isso. Eu vou no seu lugar. -Vai ser assim agora? Joguinho de empurra? Anda logo que eu estou perdendo a paciência. -Anjinho, por favor. -Ele se aproximou de mim. -EU DISSE NENHUM PASSO. -Carla gritou. Carl parou aonde estava e Judith começou a chorar. -Ela precisa de você. Você é o irmão dela. Tem que ver ela crescer. -Por favor, Sofia. Judith começou a chorar mais e pude perceber que Carla carregou a a**a. -Não Carla, espere. Entregue ela para Rick, por favor. Ela continuou apontando em sua direção. Entregou ela para Rick e mirou a a**a em mim. -Finalmente vou poder fazer o que sempre quis desde a primeira vez que te vi. Bom fim pra você, v***a. Fechei meus olhos já esperando pelo pior. Escutei barulho de tiro mas não senti dor alguma. -O que? -Olhei para eles confusa. -Você realmente achou que eu ia deixar ela atirar em você? -Carl sorriu enquanto guardava a a**a no bolso. -Ah, Carl. -Fui até ele e lhe dei um abraço. Ele encaixou sua cabeça em meu ombro e ficou com o rosto do lado do meu pescoço, o que fez com que eu arrepiasse. -É muito bom saber que você sente cócegas aqui. -Falou baixinho, o que acabou me fazendo arrepiar mais uma vez. Nos afastamos abruptamente ao escutar um som de carro vindo em alta velocidade. Fiquei olhando na intenção de tentar ver quem poderia ser. Só que antes de eu conseguir raciocinar que não eram pessoas boa, eles começaram a atirar em nossa direção. Isso acabou fazendo nós todos nos separamos, já que cada um começou a correr para um lado, tentando se salvar. Como estou com a perna machucada, fui me arrastando até um beco próximo, onde somente agora me dei conta de que não conheço absolutamente nada desse lugar. Quando pensei na possibilidade de voltar e tentar ir junto com alguém do nosso g***o, vi que o carro começou a vir até mim. No desespero, entrei na primeira loja que encontrei e fui na direção dos fundos, onde encontrei uma porta que dava em outro beco. Comecei a "correr" novamente, dessa vez tentando voltar para o lugar em que tenho certeza que nosso carro está. A dor que estava em minha perna, parece que se multiplicou, e isso acabou fazendo eu parar para tentar controlar o latejo. Respirei fundo algumas vezes, tentando de alguma forma controlar a dor. -Ei, garota. -Me virei e avistei um menino não muito longe de mim. Tentei correr de novo. -Não, não precisa fugir. Não vou machucar você. Parei e me virei pra ele mais uma vez. -Você tem alguma coisa pra comer aí? -Veio caminhando até mim. -Não se aproxima! -Peguei uma madeira no chão. -N-Nem mais um passo. -Calma, eu só estou com muita fome. Não tem nada aí com você? -Não. -Respondi com um certo receio. -Eu acabei me perdendo do meu g***o. Isso já se faz duas semanas. -Passou as mãos no cabelo. -Tenho procurado comida por aqui só que está sendo bem complicado. -Não tenho nada. Até te daria alguma coisa se tivesse... -Tá tranquilo, mas então... também está perdida? -É. -Abaixei um pouco a madeira. -Acabei de me separar deles. -Jura? Bom, então eles não devem estar tão longe. Você quer ajuda? Talvez a gente consiga encontrar eles. -Ãhn... -Me afastei um pouco. -Eu não vou machucar você. -Não tem como eu saber disso. -É... -Pensou um pouco. -Eu posso ficar longe de você, se isso te fazer se sentir mais protegida. Ri e concordei. Assim que comecei a andar, a dor reapareceu duas vezes pior do que antes. -m***a! -Parei e me curvei. -Foi baleada? -Perguntou e eu consenti. -Como? -Fomos resgatar uma amiga. -Impressionante. -Se aproximou. -O g***o de vocês parece ser realmente bom. O meu nem se deu conta do meu desaparecimento. -Sinto muito. -Está tudo bem. -Voltou a olhar pra minha perna. -Eu posso não entender muito sobre isso, mas posso te garantir que sua perna não está nada boa. -É. -Dei de ombros. -Está infeccionado. A menina que estava cuidando de mim infelizmente teve que ser morta hoje mais cedo. Por isso estamos aqui. -Vocês a mataram!? -Quase gritou. -Só porque era extremamente necessário. -Passei a mão na cabeça. -Não matamos sem motivo o suficiente. -E por que fizeram isso então? -Olha, é muito cedo pra eu poder te contar essas coisas. -Sim, sim, tem razão. Desculpa. Comecei a andar até sair do beco. -Escuta, precisa de ajuda para andar? Parece estar sendo bem complicado. -Está sendo mesmo, mas dou conta. -Respirei fundo. -Obrigada. -Que nada. Se precisar você pode se apoiar em mim, não me importo. Andando mais um pouco, enfim chegamos no mesmo lugar que o carro estava mais cedo. A diferença é que eles não estão mais aqui. Sequer tem algum sinal de onde eles possam estar. -Eles... -Olhei ao redor. -Eles deviam estar aqui. -Eles podem ter ido buscar ajuda. -Não, eu acho que não. -Meu coração apertou. -Até ele me deixou... -Não te abandonariam assim. Se se arriscaram tanto pra buscar aquela garota, por que com você seria diferente? Permaneci em silêncio, tentando digerir tudo ainda. -Podemos voltar por onde vocês vieram e tentar encontrar aonde vocês ficam. O que acha? -Sim, pode ser. -Falei sem ânimo. ### -Você tem certeza que era para esse lado? -Ele perguntou parando. Já estamos andando a bastante tempo e até agora nem sinal da casa. -Tenho, eu me lembro dessa praça. -Mas é a segunda vez que passamos por aqui. -É? -Daqui a algum tempo já vai anoitecer, acho melhor passarmos a noite em um lugar fechado. -Não, eu não posso parar. Eu tenho que chegar lá ainda hoje. Meu irmão vai ficar preocupado. -Melhor não, de noite iremos correr o risco de sermos mordidos pelos andarilhos ou pegos por algum g***o que não seja amigável. Olhei para o horizonte e o sol pegou bem em meu rosto. -Tudo bem, mas logo pela manhã iremos sair bem cedo. -Sem problemas. -Ele deu de ombros. -Ah, a propósito, me chamo Dylan. -Sofia. -Sofia. -Repetiu. -Tem quantos anos? Eu tenho dezoito. -Dezessete. -Me sentei em um banco que havia aqui. Ele estava prestes a se sentar também quando viu alguns zumbis. -Espera aí, vou dar um jeito nisso. -Ele se aproximou deles e os matou com uma faquinha que tirou de sua mochila. Será que estou fazendo a coisa certa? Eu sei que eu não devia confiar em uma pessoa que acabei de conhecer mas, ele foi muito legal em se oferecer para me ajudar. Talvez eu esteja apenas me enganando...
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR