Capítulo 32

1382 Palavras
-Sofia. -Carl chamou minha atenção e eu olhei na direção da calçada. O encontrei parado olhando pra cá. -Está afim de dar uma volta? -É claro. -Sorri. -Para onde vamos? -Surpresa. -Eu só não posso chegar muito tarde. Hoje é o meu turno na torre. Ele começou a caminhar e veio para o meu lado perto da cerca de p******o. -Pelo jeito vamos ficar juntos então. Hoje é o meu dia também. -Ele tirou seu chapéu e arrumou o cabelo para trás. -Então é melhor irmos logo. -Peguei em sua mão e o puxei para dentro de casa. -Arrume uma mochila, encontro você daqui a pouco. ### -Agora só temos que passar lá na Olívia e pedir pra ela nos entregar as nossas armas. -Arrumei a mochila nas costas assim que saimos de casa. -Vamos lá então. -Pegou em minha mão mais uma vez. -E Peter? Não o vi hoje lá na sua casa. -A escola dele mudou o horário, então agora ele vai passar quase a tarde toda lá. -E Dylan? -Chutou uma pedrinha que estava em nossa frente. -Bom... -Pensei um pouco. -Ele eu não sei. Não temos conversado muito ultimamente. -Aquela amiga sua já aceitou que ele não quer mais nada com ela? É, ele já sabe de toda história. -Na verdade ainda não. -Suspirei. -Ela ainda está tentando fazer ele voltar a ter sentimentos por ela. Eu não sei, mas acho que isso deveria ser uma coisa que acontece naturalmente, não? -Pelo jeito ela não pensa assim. Concordei e andando um pouco mais enfim chegamos na dispensa. -Olha só quem decidiu aparecer por aqui. -Olívia sorriu e se levantou da cadeira. -O que querem? Armas? -Sim, por favor. -Respondi. Ela entrou e pouco tempo depois voltou com duas pistolas nas mãos. -Aqui. -Nos entregou. -Tomem cuidado. Saímos da dispensa e fomos em direção ao portão de entrada de Alexandria. -Ei, vocês dois. -A voz de Michonne nos fez olhar para trás. -Aonde pensam que vão? Já viram o horário? Faltam apenas duas horas para o sol se pôr. -Está tudo bem, Michonne. A gente sabe se virar. -Carl respondeu. Ela cruzou os braços. -Sim, eu acredito nisso. Mas mesmo assim fico preocupada. Por que é que vocês não dão uma volta aqui dentro? O que lá fora tem de tão especial que vocês não podem fazer aqui? Carl foi para perto dela. -Não esquenta a cabeça não. -Michonne virou o rosto para o seu lado oposto, se fazendo de brava. -Ah, Michonne. Não fica assim, vai. -Ele pegou em seu rosto, a fazendo olhar para ele. -Não fica assim. Não consegui segurar a risada e isso fez ela rir também, deixando a postura de brava para trás. -Assim não vale. -Falou em seguida. -Ok, vocês podem ir. Mas cuidado, pelo amor de Deus. -Carl a abraçou fortemente, fazendo ela bater em seu braço para que ele lhe soltasse. -Só vocês mesmo pra fazer isso comigo. Olha, seu pai vai me m***r quando souber que eu deixei vocês sairem esse horário. Sorri para ela. -Obrigado, Michonne. Você é dez. -Disse Carl vindo correndo aonde eu estava e pegando em minha mão, me puxando para fora de Alexandria. ### -Agora você vai me dizer aonde estamos indo? -Puxei assunto assim que já estavamos longe o suficiente. -Já disse que é surpresa, anjinho. -Sorriu. -Ah, mas... você sabe que eu sou curiosa, Carl. Por favor. -E esse é um dos motivos para eu estar guardando segredo. Gosto de ver você desse jeito. -Mas, mas... -Tentei encontrar algum argumento plausível. -Ah qual é? Carl começou a rir. -Calma, nós já estamos perto. Segundos depois ele parou de andar e eu o olhei tentando entender. -O que aconteceu? -Perguntei. -Você não vai acreditar. ### Coloquei o patins e começamos a andar. Carl chegou perto de mim aos tropeços e por muito pouco não caiu com tudo no chão. Isso só não aconteceu porque consegui segura-lo. Começamos a rir. -Te falei que não sou muito bom nisso. -Arrumou o chapéu que estava quase saindo de sua cabeça. Eu não consegui lhe responder, já que a risada não deixava. -Ei, vai ficar rindo de mim mesmo? -Concordei e coloquei a mão na barriga, que já está doendo de tanto rir. -Muito bem então. Ele começou a vir atrás de mim e ambos começamos a "correr". Isso acabou fazendo ele cair mais uma vez. -Não achei graça. -Tentou ficar sério mas lá no fundo eu vi o quanto ele está segurando para não rir de si mesmo. -Ah vamos lá, confesse logo de uma vez que foi engraçado. -Ri e estendi minha mão para ajuda-lo a levantar. Quando segurei ele me puxou e me fez cair ao seu lado. -Agora estamos quites. -Ele sorriu e eu tentei parecer brava, o que não durou muito tempo. ### -É aqui. -Olhei para frente e vi um pequeno rio passando por debaixo de um ponte completamente mágica. -Uau, Carl. -Sorri e fui em direção a ponte. Fiquei em silêncio, apenas aproveitando esse momento que nem parece ser real. -Fico feliz por ver que você gostou. -Falou pouco tempo depois. -Eu amei. Estando aqui eu nem consigo acreditar que o mundo está do jeito que está. Carl permaneceu quieto por um bom tempo antes de se virar pra mim. Me virei para ele também, estranhando o gesto. -Sofia. -Respirou fundo e desviou seu olhar do meu. -Eu te trouxe aqui na verdade porque eu quero que você me prometa uma coisa. -Concordei meio receosa. -Quero que me prometa que sempre, independente de qualquer coisa, estaremos juntos. -Você sabe que se depender de mim nunca iremos ficar longe novamente. -Procurei seu olhar. -Eu não digo como namorada, e sim ao meu lado para tudo. Até mesmo quando eu morrer... -Quer parar com esse papo b***a? Você está me assustando. -Você sabe que isso pode acontecer a qualquer momento, amor. Eu só quero que você me prometa isso. -Carl... O que está pensando em fazer? -Senti meu peito apertar ao pensar nas possibilidades. -Não é nada. -Por favor, me fala. -Peguei em seu rosto e o levantei, o forçando a olhar para mim. -Eu só... na verdade é só uma hipótese. -Carl. -Falei já não aguentando mais esperar pela resposta. -Eu quero m***r o Negan. -Falou baixo. -Você o que? -Soltei o seu rosto e o olhei tentando entender. -Não está falando sério, está? -Alguém tem que fazer isso, antes que seja tarde demais. Neguei. -E esse alguém não é você! Carl, você está escutando o que está dizendo? -Eu só quero que você me prometa, amor. -Por favor. -Quase implorei. -Tira essa ideia da cabeça. -Eu só quero fazer isso para enfim podermos viver em paz novamente. Eu não consigo dormir e acordar todos os dias sabendo que aquele cara pode estar prestes a m***r você ou alguém do nosso g***o. -Eu prefiro viver em meio ao caos mas tendo você do meu lado. Você não entende que as chances de você voltar vivo de lá são mínimas? -Por favor tente me entender, você é a pessoa mais importante em minha vida, e quero mante-la a salvo. Por isso prefiro que eu morra do que você. Senti uma lágrima escorrendo involuntariamente então a sequei e me virei para o lado oposto dele. -Ei. -Pegou em meu braço. -Não era a minha intenção te deixar desse jeito. -E como é que você queria que eu ficasse, Carl? -Quase gritei me virando para ele. -Feliz? Quer que eu fique feliz ao saber que a pessoa que eu amo pode não estar mais comigo? Que pode não estar por perto quando eu precisar? É isso o que você quer? Por que se for, olha eu sinceramente não posso fazer isso. Ele ficou em silêncio e eu me virei novamente. -Eu estou fazendo isso por você. Estou fazendo por nós. -Por nós? -Olhei para ele indignada. -Sério? Se fosse por nós, você teria me contado antes de tomar essa decisão. -Eu preciso fazer isso. -Neguei. -Eu tenho que fazer isso e você sabe que sim. Respirei fundo e sequei as lágrimas. -Tudo bem. -Falei. -Faça o que quiser. Eu não vou te impedir. Fique à v*****e. Só não pense que estou contente com essa decisão sua. -Comecei a andar, voltando pelo mesmo caminho que viemos.
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