-Sofia. -Carl chamou minha atenção e eu olhei na direção da calçada. O encontrei parado olhando pra cá. -Está afim de dar uma volta?
-É claro. -Sorri. -Para onde vamos?
-Surpresa.
-Eu só não posso chegar muito tarde. Hoje é o meu turno na torre.
Ele começou a caminhar e veio para o meu lado perto da cerca de p******o.
-Pelo jeito vamos ficar juntos então. Hoje é o meu dia também. -Ele tirou seu chapéu e arrumou o cabelo para trás.
-Então é melhor irmos logo. -Peguei em sua mão e o puxei para dentro de casa. -Arrume uma mochila, encontro você daqui a pouco.
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-Agora só temos que passar lá na Olívia e pedir pra ela nos entregar as nossas armas. -Arrumei a mochila nas costas assim que saimos de casa.
-Vamos lá então. -Pegou em minha mão mais uma vez. -E Peter? Não o vi hoje lá na sua casa.
-A escola dele mudou o horário, então agora ele vai passar quase a tarde toda lá.
-E Dylan? -Chutou uma pedrinha que estava em nossa frente.
-Bom... -Pensei um pouco. -Ele eu não sei. Não temos conversado muito ultimamente.
-Aquela amiga sua já aceitou que ele não quer mais nada com ela?
É, ele já sabe de toda história.
-Na verdade ainda não. -Suspirei. -Ela ainda está tentando fazer ele voltar a ter sentimentos por ela. Eu não sei, mas acho que isso deveria ser uma coisa que acontece naturalmente, não?
-Pelo jeito ela não pensa assim.
Concordei e andando um pouco mais enfim chegamos na dispensa.
-Olha só quem decidiu aparecer por aqui. -Olívia sorriu e se levantou da cadeira. -O que querem? Armas?
-Sim, por favor. -Respondi.
Ela entrou e pouco tempo depois voltou com duas pistolas nas mãos.
-Aqui. -Nos entregou. -Tomem cuidado.
Saímos da dispensa e fomos em direção ao portão de entrada de Alexandria.
-Ei, vocês dois. -A voz de Michonne nos fez olhar para trás. -Aonde pensam que vão? Já viram o horário? Faltam apenas duas horas para o sol se pôr.
-Está tudo bem, Michonne. A gente sabe se virar. -Carl respondeu.
Ela cruzou os braços.
-Sim, eu acredito nisso. Mas mesmo assim fico preocupada. Por que é que vocês não dão uma volta aqui dentro? O que lá fora tem de tão especial que vocês não podem fazer aqui?
Carl foi para perto dela.
-Não esquenta a cabeça não. -Michonne virou o rosto para o seu lado oposto, se fazendo de brava. -Ah, Michonne. Não fica assim, vai. -Ele pegou em seu rosto, a fazendo olhar para ele. -Não fica assim.
Não consegui segurar a risada e isso fez ela rir também, deixando a postura de brava para trás.
-Assim não vale. -Falou em seguida. -Ok, vocês podem ir. Mas cuidado, pelo amor de Deus. -Carl a abraçou fortemente, fazendo ela bater em seu braço para que ele lhe soltasse. -Só vocês mesmo pra fazer isso comigo. Olha, seu pai vai me m***r quando souber que eu deixei vocês sairem esse horário.
Sorri para ela.
-Obrigado, Michonne. Você é dez. -Disse Carl vindo correndo aonde eu estava e pegando em minha mão, me puxando para fora de Alexandria.
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-Agora você vai me dizer aonde estamos indo? -Puxei assunto assim que já estavamos longe o suficiente.
-Já disse que é surpresa, anjinho. -Sorriu.
-Ah, mas... você sabe que eu sou curiosa, Carl. Por favor.
-E esse é um dos motivos para eu estar guardando segredo. Gosto de ver você desse jeito.
-Mas, mas... -Tentei encontrar algum argumento plausível. -Ah qual é?
Carl começou a rir.
-Calma, nós já estamos perto.
Segundos depois ele parou de andar e eu o olhei tentando entender.
-O que aconteceu? -Perguntei.
-Você não vai acreditar.
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Coloquei o patins e começamos a andar. Carl chegou perto de mim aos tropeços e por muito pouco não caiu com tudo no chão. Isso só não aconteceu porque consegui segura-lo.
Começamos a rir.
-Te falei que não sou muito bom nisso. -Arrumou o chapéu que estava quase saindo de sua cabeça.
Eu não consegui lhe responder, já que a risada não deixava.
-Ei, vai ficar rindo de mim mesmo? -Concordei e coloquei a mão na barriga, que já está doendo de tanto rir. -Muito bem então.
Ele começou a vir atrás de mim e ambos começamos a "correr". Isso acabou fazendo ele cair mais uma vez.
-Não achei graça. -Tentou ficar sério mas lá no fundo eu vi o quanto ele está segurando para não rir de si mesmo.
-Ah vamos lá, confesse logo de uma vez que foi engraçado. -Ri e estendi minha mão para ajuda-lo a levantar. Quando segurei ele me puxou e me fez cair ao seu lado.
-Agora estamos quites. -Ele sorriu e eu tentei parecer brava, o que não durou muito tempo.
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-É aqui. -Olhei para frente e vi um pequeno rio passando por debaixo de um ponte completamente mágica.
-Uau, Carl. -Sorri e fui em direção a ponte.
Fiquei em silêncio, apenas aproveitando esse momento que nem parece ser real.
-Fico feliz por ver que você gostou. -Falou pouco tempo depois.
-Eu amei. Estando aqui eu nem consigo acreditar que o mundo está do jeito que está.
Carl permaneceu quieto por um bom tempo antes de se virar pra mim. Me virei para ele também, estranhando o gesto.
-Sofia. -Respirou fundo e desviou seu olhar do meu. -Eu te trouxe aqui na verdade porque eu quero que você me prometa uma coisa. -Concordei meio receosa. -Quero que me prometa que sempre, independente de qualquer coisa, estaremos juntos.
-Você sabe que se depender de mim nunca iremos ficar longe novamente. -Procurei seu olhar.
-Eu não digo como namorada, e sim ao meu lado para tudo. Até mesmo quando eu morrer...
-Quer parar com esse papo b***a? Você está me assustando.
-Você sabe que isso pode acontecer a qualquer momento, amor. Eu só quero que você me prometa isso.
-Carl... O que está pensando em fazer? -Senti meu peito apertar ao pensar nas possibilidades.
-Não é nada.
-Por favor, me fala. -Peguei em seu rosto e o levantei, o forçando a olhar para mim.
-Eu só... na verdade é só uma hipótese.
-Carl. -Falei já não aguentando mais esperar pela resposta.
-Eu quero m***r o Negan. -Falou baixo.
-Você o que? -Soltei o seu rosto e o olhei tentando entender. -Não está falando sério, está?
-Alguém tem que fazer isso, antes que seja tarde demais.
Neguei.
-E esse alguém não é você! Carl, você está escutando o que está dizendo?
-Eu só quero que você me prometa, amor.
-Por favor. -Quase implorei. -Tira essa ideia da cabeça.
-Eu só quero fazer isso para enfim podermos viver em paz novamente. Eu não consigo dormir e acordar todos os dias sabendo que aquele cara pode estar prestes a m***r você ou alguém do nosso g***o.
-Eu prefiro viver em meio ao caos mas tendo você do meu lado. Você não entende que as chances de você voltar vivo de lá são mínimas?
-Por favor tente me entender, você é a pessoa mais importante em minha vida, e quero mante-la a salvo. Por isso prefiro que eu morra do que você.
Senti uma lágrima escorrendo involuntariamente então a sequei e me virei para o lado oposto dele.
-Ei. -Pegou em meu braço. -Não era a minha intenção te deixar desse jeito.
-E como é que você queria que eu ficasse, Carl? -Quase gritei me virando para ele. -Feliz? Quer que eu fique feliz ao saber que a pessoa que eu amo pode não estar mais comigo? Que pode não estar por perto quando eu precisar? É isso o que você quer? Por que se for, olha eu sinceramente não posso fazer isso.
Ele ficou em silêncio e eu me virei novamente.
-Eu estou fazendo isso por você. Estou fazendo por nós.
-Por nós? -Olhei para ele indignada. -Sério? Se fosse por nós, você teria me contado antes de tomar essa decisão.
-Eu preciso fazer isso. -Neguei. -Eu tenho que fazer isso e você sabe que sim.
Respirei fundo e sequei as lágrimas.
-Tudo bem. -Falei. -Faça o que quiser. Eu não vou te impedir. Fique à v*****e. Só não pense que estou contente com essa decisão sua. -Comecei a andar, voltando pelo mesmo caminho que viemos.