Pouco tempo depois de eu ter começado a andar, senti ele vindo logo atrás de mim. Não ousou vir para o meu lado então estamos há alguns metros de distância. Também não se atreveu a dizer alguma coisa.
Como ele pôde tomar uma decisão dessas sem nem ao menos ver o que eu achava? Quero dizer, eu sei que ele tem total liberdade para fazer o que quiser, mas querer m***r o Negan? Ainda mais sozinho? Ele só pode estar ficando doido.
Se nosso g***o todo ainda não fez isso, é porque estão bolando algum plano muito bom. Agora me diz, se um g***o de em média 20 pessoas não conseguiram m***r aquele cara, ele acha mesmo que sozinho vai conseguir fazer isso? É suicídio. Literalmente está cavando a própria cova.
Que ideia mais i****a.
-Sofia. -Me chamou. Não olhei para trás. -Por favor, não fica brava. A última coisa que eu quero é que eu vá e você fique sem falar comigo.
Permaneci em silêncio mas senti um leve aperto em meu peito.
Ele ainda está pensando em ir.
-Por que ainda está insistindo nisso? Por que não tenta ser como um adolescente normal que não tem essas ideias idiotas de sair assim para m***r alguém que tem a p***a de um exército todo do lado dele!? -Me exaltei.
Ele respirou fundo e tentou manter o controle da voz.
-Acha mesmo que dá de ser um adolescente normal no mundo em que estamos vivendo agora? -Negou. -Nós vivemos em constante ameaça, Sofia. Não podemos sequer ter a d***a de uma vida normal.
-E você acha que vai fazer alguma diferença você ir até lá para tentar enfrenta-lo? Você está caminhando em direção a morte, Carl!
-Pode até ser que eu esteja fazendo isso. -Ergueu os braços. -Só que eu não vou fazer falta, entendeu? Não vai sequer fazer alguma diferença eu morrer ou não.
-Está escutando o que está dizendo? Você acha que eu suportaria viver todos os dias sabendo que eu podia ter te impedido mas não consegui fazer isso? Acha que eu aguentaria acordar dia após dia sem ter você por perto? -Apontei o dedo em direção ao seu peito. -Isso é egoísmo, Carl. Você está sendo um p**a egoísta!
Desviei meu olhar do seu e olhei para o chão. d***a, eu odeio brigar com ele.
-Sofia. -Pegou em meu queixo e me forçou a olhar para ele. -Eu também não suportaria saber que ele fez alguma coisa pra você. Então eu tenho que tentar impedi-lo antes dele pensar em fazer isso. Querendo ou não você meio que o desafiou naquele dia.
-Sei me defender sozinha. -Falei sentindo a raiva já se dissolvendo em meu peito.
-Eu sei que sabe. -Sorriu. -Só que eu também quero te proteger.
-Não vou conseguir te fazer mudar de ideia, né? -Olhei para baixo mais uma vez.
-Não. -Alisou meu rosto. -Só que eu vou voltar, você vai ver.
-Só... sobreviva, está bem?
-Pode ter certeza disso. -Levantou minha cabeça e ficou me encarando durante um tempo. -Sabia que você é perfeita?
Sorri triste e o aproximei de mim, beijando sua boca logo em seguida.
-Não queria estragar o clima, -Parou beijo. -mas vou partir essa madrugada.
Respirei fundo e concordei. Preferi não argumentar mais e permaneci em silêncio.
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-Eu... tenho que ir agora. -Se aproximou de mim.
-Toma cuidado, por favor. -O abracei o mais forte que consegui.
-Vou estar de volta amanhã. -Envolveu seus braços eu redor.
-Me promete? -Sussurrei.
-Não posso te prometer isso, anjinho. Mas eu vou tentar ao máximo.
Concordei.
-Contou ao seu pai? -Me separei dele e olhei em seu rosto.
-Na verdade não... -Coçou a cabeça. -E eu ficaria grato se você não falasse nada também.
-Mas e se acontecer alguma coisa? Ele sequer vai estar sabendo que você foi lá.
-É, é, eu sei. Mas não quero deixa-lo preocupado. Eu já disse que vou voltar amanhã. Ele nem vai perceber minha ausência nesse meio tempo.
Neguei mas não falei nada.
-Tenho que ir agora. -Pegou em meu rosto. -Se cuida, tá?
-Vou tentar. -Abaixei a cabeça ao sentir meus olhos lacrimejarem involuntariamente.
-Essa é minha garota. -Ele beijou minha testa e em seguida pegou a a**a no chão.
Carl saiu e foi correndo em direção a floresta e eu permaneci o encarando daqui de cima da torre. Mais pra frente ele se virou e acenou com a mão, me fazendo retribuir o gesto.
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Carl narrando:
Agora que já estou longe o suficiente de Alexandria, não consigo parar de pensar se foi uma boa ideia eu fazer isso. Até porque pode ser que a Sofia tenha razão...
De qualquer forma, não vale a pena eu voltar agora que já estou tão perto do meu objetivo.
Um caminhão parado no meio da estrada me fez entrar entre as árvores, já que podem não ser pessoas boas.
-É, já está bem cheio. Acho que está na hora de voltarmos pra casa. -Disse um dos homens que apareceu literalmente do nada.
-Com certeza. Bom, eu só espero que dessa vez Negan nos recompense. Porque da última vez ele disse que daria o dobro de comida para minha família e até hoje a promessa não foi cumprida.
-Pô cara, eu já até desisti. Só faço esse trabalho hoje em dia porque não tenho aonde morar se ele me expulsar. Mas uma coisa eu te falo, ele nunca cumpre o que promete. Então acho que você não devia ficar contando muito com isso.
-Tem razão. Agora eu acho melhor irmos logo antes que temos que arcar com as consequências.
O outro concordou e ambos entraram no caminhão. Corri até lá e entrei na parte de trás, ficando junto com as comidas. Me escondi no fundo e fiquei com minha a**a apontada na direção da entrada, já que qualquer coisa eu só aperto o gatilho.
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Ao sentir o motor parar, foquei novamente a minha atenção na entrada e me preparei para o momento em que alguém entrar. Isso acabou acontecendo minutos depois. Não pensei duas vezes antes de atirar e isso fez o cara cair no chão.
É agora ou nunca.
Quando comecei a caminhar para fora do caminhão, notei a quantidade de pessoas presentes aqui. m***a. Não era assim que eu esperava chegar.
-Onde está o Negan? -Perguntei para todos que estão me encarando assustados. -Olha, eu não quero ter que machucar mais um de vocês. Então por favor, só me respondam.
Um dos homens veio correndo em minha direção, então atirei novamente em legítima defesa. Isso acabou fazendo um cara com a metade do rosto queimado vir correndo até mim também. Tentei atirar mais uma vez só que ele consegui me fazer cair de cima do caminhão e ficou com uma a**a apontando em direção a minha cabeça.
-Quem é você, pirralho?
Sorri.
-Não importa quem eu sou. Eu estou aqui para m***r o Negan. Ou você me fala aonde ele está, ou vai se arrepender. -Falei.
-Me arrepender? -Ele perguntou rindo. -E o que um garotinho como você irá fazer, hein?
-Não duvide da minha capacidade, seu i****a. -Tentei me levantar mas ele me empurrou com o seu pé. Me fazendo cair para trás mais uma vez.
Assobios vindos de algum canto me fez procurar e encontrei Negan vindo em nossa direção com o seu taco de beisebol que eu tenho v*****e de quebrar na cabeça dele.
-Acho muito corajoso da sua parte ter entrado dentro daquele caminhão, -Ele apontou. ter vindo até a minha casa e ter matado dois dos meus homens. Mas, se você pensa que irá ficar por isso mesmo, está muito enganado, garoto. -Ele se abaixou ao meu lado. - Agora eu quero que você se levante e diga o seu nome.
Fechei a cara e me levantei, batendo no braço do cara para que ele parasse de mirar com a a**a em mim.
-Carl. -Falei assim que notei que não teria outra escapatória. É isso ou levar um tiro agora mesmo.
Ele se levantou também.
-Carl, bom, eu tenho a impressão de já ter visto você em algum lugar. -Ele começou a pensar. -Óh, é claro, você é um dos moradores de Alexandria, não é mesmo? -Ele perguntou rindo. -Foi muito corajoso em ter vindo até aqui.
-Eu vim pra m***r você. -Falei ao sentir raiva por perceber que meu plano já começou m*l.
-m***r quem? Eu? Ora não seja t**o. Eu nunca morro, garoto. Mas vou facilitar as coisas para você. -Ele pegou uma a**a do bolso e entregou em minha mão. O olhei sem entender. -É o seguinte, você não queria me m***r? Então. É só atirar. -Ele sorriu e mirou a a**a em sua própria cabeça.
Com certeza é alguma pegadinha mas com certeza também não vou perder essa oportunidade.
Segurei o gatilho e atirei sem pensar duas vezes. Foi aí que ele começou a rir mais.
-Você não pensou que eu estava falando sério, pensou? Isso foi apenas um teste. E é como eu disse; eu nunca morro. -Ele pegou em meu ombro. -Você é realmente muito corajoso e eu gostei disso. Venha, vamos entrar. Quero que veja uma coisa.
Ele começou a andar e eu fui atrás. Entrando dentro da enorme construção.
-Olha só isso. -Ele se aproximou de uma grade de p******o e olhou lá para baixo, aonde há várias pessoas.
Todos se ajoelharam diante dele.
Pessoas ingênuas.
-Estou gostando de ver o trabalho de todos. E como consequência, darei a todos vocês um dia de folga. Fiquem à v*****e. -Eles começaram a comemorar e Negan olhou para mim, como se quisesse ver se eu percebi a quantidade de poder que ele possui sobre elas. -Isso garoto, se chama respeito. -Ele bateu em meu ombro e saiu. -Podem se levantar. -Escutei ele dizendo de longe e o segui.
Entramos em um cômodo aonde há várias mulheres. Todas sentadas com uma roupa meio... vulgar pode-se dizer assim.
-Fique à v*****e. -Ele abriu os braços. -Pode escolher qualquer uma.
Ele obriga elas a fazerem isso?
-Sei o que está pensando e não, eu não as forço a fazer isso. Foi escolha delas. Então, -Ele sorriu. -o que nos resta é aproveitar essa gentileza. Muito obrigado, meninas.
Elas sorriram e não estão parecendo nem um pouco incomodadas com as circunstâncias.
-Anda, escolhe uma pra você. Isso vai te animar. Sua cara está péssima.
Neguei mas não demonstrei nenhuma reação. Jamais seria capaz de fazer isso com a Sofia.
-Já saquei. Você nunca transou, não é mesmo? Bom, eu não posso te forçar a fazer isso. Mas. -Ele se aproximou de mim. -Se quiser sair dessa virgindade desgraçada, a hora é agora.
-Não. -Falei. -Estou muito bem assim. -Olhei em volta mais uma vez. -Aliás, isso tudo é muito escroto.
-Qual é, garoto. Você deve ter o que, uns... 17 anos. Não acha que já está na hora?
-Não dou muita importância pra isso.
-Bom, eu tentei. Mas já que você não quer, não posso fazer nada. Agora venha. Precisamos ter uma conversinha em particular. -Ele falou e antes de sair da sala deu um beijo em uma das mulheres.
Fomos para o que parece ser o quarto dele.
-Vamos começar. -Negan falou se sentando em um sofá à minha frente. -Eu andei pensando e já tenho uma punição para você. Eu quero que me mostre o que tem escondido aí. -Ele apontou para meu olho.
Ele só pode estar enlouquecendo.
-Não. -Falei simplesmente.
-DOIS HOMENS. Dois homens. Punição! -Se alterou.
Eu tenho total consciência do que eu fiz. Sei que foi completamente errado ter matado esses dois homens inocentes. Mas que escolha eu tinha? Era eles ou era eu.
Não me sinto confortável em mostrar uma parte minha que sou completamente vulnerável mas também sei que estou "devendo" uma favor a ele.
Respirei fundo e comecei a desenrolar a faixa. Demorei um pouco para tirar a gaze e em nenhum momento Negan tirou seu olhar de mim.
-É isso! É. -Falou assim que tirei de uma vez. -Puxa vida isso deve ter doído! Eu quero tocar, por favor deixa eu tocar.
Apesar de já estar quase acostumado com a ideia de não ter um olho, ver alguém me zoar assim na minha cara, me fez de certa forma ficar completamente m*l e com um aperto no peito.
Realmente deve ser h******l.
-Cara você já se olhou no espelho? Isso com certeza é a coisa mais nojenta que já vi em toda minha vida.
Mesmo contra a minha v*****e, senti v*****e de chorar. Vê-lo falando assim comigo me fez lembrar das coisas que passei durante o ensino médio.
Ele ficou sério ao notar minha expressão.
-Mas que m***a garoto. Olha, as vezes eu me esqueço... que você é apenas um garoto.
Abaixei minha cabeça e permaneci em silêncio.
Bateram na porta e logo em seguida um homem entrou.
-Com licença, o senhor esqueceu a Lucille lá perto do caminhão.
-Esqueci? Puxa isso nunca aconteceu. -Ele começou a trazer o taco de baseball para ele. -Espera, você a tratou bem? A tratou como uma dama deve ser tratada?
-Ahn... sim, senhor.
-Ótimo. Agora pode sair.
O cara saiu e Negan olhou para mim novamente.
-Então, como você já fez uma das punições, está na hora de ir pra próxima. -Ele sorriu.
Fiquei o encarando, tentando entender. Mostrar a minha cicatriz não é o suficiente?
-Não pensou que seria só isso, não é? -Não respondi. -Óh, você pensou. É uma pena mesmo. Bom, bora lá então. -Ele se levantou e eu coloquei a faixa de novo. -Ei, o que está fazendo? Eu não pedi pra você colocar. Pedi?
Fiquei em silêncio.
-Pedi? -Ele abaixou a cabeça tentando olhar em meu olho.
Neguei com a cabeça.
-Exatamente. Então tira e vamos acabar logo com isso.
-O que você vai fazer?
-Você vai gostar. -Ele sorriu.