Feedback do passado da Sarah:
Eu lembro quando tinha seis anos que choramingava para ir no palco com a minha mãe que era bailarina profissional onde a mesma tentava me fazer mudar de ideia mas obviamente que seu esforço foi em vão, acabei cedendo pelos meus caprichos e enquanto as cortinas se abria para o palco lá estava eu segurando a mão da minha mãe que provavelmente estava aguardando sua vez para subir naquele palco e brilhar.
As luzes se acenderam ao mesmo tempo que fizemos nossa entrada no palco, ouvindo o público gritar o nome da minha querida mãe. De longe era a coisa mais linda que havia visto, uma cena emocionante de ser ver e que enchia de longe o seu coração de alegria.
A música se fez presente, as crianças entrando no palco para se apresentar com minha mãe, tinha de tudo para ser perfeito mas infelizmente uma das meninas torceu o tornozelo e não havia mais ninguém para substituí-la, minha mãe estava desesperada pois não havia como enrolar o público devido a música já havia começado a tocar, as cortinas não tinha como fechar, sendo uma situação complicada onde todos corria de lá para cá tentando achar uma solução então timidamente apertei a mão da minha mãe, sussurrando em seus ouvidos assim que se abaixou para ficar da mesma altura do que eu.
— confia em mim!
Minha mãe se surpreendeu com aquelas três únicas palavras portanto sabia exatamente o que eu queria dizer então chamou uma das pessoas que coordenava as coisas avisando que não precisa se preocupar em achar uma substituta que obviamente não entendeu porém não fez questão de questionar minha mãe e apenas passou as informações em seu rádio enquanto a minha mãe olhava-me em meus olhos, segurando minhas mãos entre as suas.
— não me decepcione - responde a minha mãe
A mesma certifica que consegue a mesma roupa de bailarina que as outras estavam vestidos, que visto em seguida após receber, me juntando até às demais enquanto a minha mãe adentra sozinha no palco fazendo sua entrada triunfal, ouvindo os aplausos do público que logo em seguida um silêncio se fez presente demonstrando respeito para o talento da minha mãe.
A coreografia não era difícil, primeiro pelo fato de eu assistir todos os ensaios, segundos porque eu vivia praticando balé em casa desde que tinha três aninhos de idade, então sim, o balé sempre foi presente em minha vida e isso devia agradecer a minha mãe que se não fosse por ela, com certeza a minha realidade seria muito diferente.
Os anos se passaram e desde aquela apresentação com minha mãe eu me apresentava com ela até que um dia a mesma adoeceu, descobrindo que essa doença vinha de geração em geração, só porque um m****o da família devia ter tido e assim uma dos cincos membros pegava e essa uma pessoa logo foi a minha mãe que descobriu que não poderia mais dançar ou melhor praticar balé, sendo o suficiente para que tudo mudou de um dia para o outro.
Minha mãe começou a ter depressão, m*l se alimentava, não dormia direito e sair para algum lugar? Nem pensar! As contas estavam tudo atrasados, nossa luz, gás, eletricidade havia sido cortada e o telefone da minha mãe não parava de tocar que quando iria atender a mesma dizia para ignorar mas infelizmente logo vieram bater em nossa porta, expulsando a gente da casa que estávamos alugando, dando tempo só de recolher o pouco de pertences que a gente tinha onde uma delas eu iria pegar a roupa de bailarina porém a minha mãe arrancou das minhas mãos e simplesmente destruí, gritando que a partir de hoje balé seria um tabu, não podendo falar mais sobre e que também me proibiu de praticar e só parou de gritar depois que me fez prometer que jamais, nunca, iria voltar a praticar balé.
Meu coração doía, não queria desistir de um sonho meu que nasceu através da pessoa que eu mais admirava mas sendo criança e sem entender a vida acabei prometendo para minha mãe que faleceu meses depois, me deixando sem nada, teto, comida e estando caminhando pelas ruas, sem rumo,sentindo fome e cansaço então acabei me deitando no chão mesmo em um canto protegido da chuva e da vista das pessoas onde após me aconchegar acabei adormecendo mas acabei acordando com uma lambida de um filhote cachorro que não parava de me encarava
— Olá para você também cachorro…
— uaf uaf! - late o filhote
Não entendia nada do que queria me dizer já pronta para voltar a dormir, mas logo o filhote pegou a manga da minha camisa puxando para mim levantar então com cuidado para não bater a cabeça e assim segui o filhote, curiosa em saber onde ele me levaria que chegamos em menos de vinte minutos aproximadamente.
A casa era grande, tendo árvores, flores, lago, a grama era muito bem cuidada, dando para ver que era uma propriedade privada. Não conseguia não admirar o local mas logo acabei me assustando ouvindo um garoto gritar, vindo em nossa direção, já achando que iria brigar comigo.
— Pupy, quantas vezes eu disse para não… - briga o menino
— Então seu nome é Pupy, coisa fofo…
— Ah… oi… desculpa por gritar mas é que esse Pupy tem mania de fugir… - disse o menino
Ficamos um tanto conversando onde aproveitei a desabafar sobre a dúvida se devesse mesmo desistir do meu sonho em ser uma bailarina devido a uma promessa feito a minha mãe quando ainda era pequena, nos despedimos em seguida onde tomo caminho de volta até onde o Pupy me tirou, torcendo que aquele garoto não desconfiasse de onde eu morava porém não tive tanta sorte pois o Pupy fez a mesma coisa que havia feito com o garoto que seguiu o cachorro e me viu adentrar no lugar que eu me escondia para dormir que chamava de casa. O menino se abaixou onde me chamou, fazendo-me me assustar pela segunda vez pois não havia visto ele me seguir e lá estava o Pupy ao lado dele novamente.
— engraçadinho, mostrou onde eu moro para seu dono, não foi?
— onde você mora? - pergunta o menino
Por algum motivo minhas bochechas ficaram vermelhas, sentindo a vontade de me enfiar em um buraco e não sair mais, mas infelizmente não havia como desmanchar o que já havia sido feito e só poderia aguardar para ver o que iria acontecer de agora em diante, mesmo estando assustada mas logo me acalmei assim que o garoto pousou sua mão sobre a minha enquanto estava contando um pouco da minha história para o mesmo que estava ouvindo atentamente. O dia em que eu o conhecia seria o dia que minha vida mudou de um dia para o outro e que jamais seria tão agradecida por ter cruzado o caminho dele, seu nome era Marcos.