Pré-visualização gratuita Capítulo um
A vida de um médico pode ser tão organizada quanto bagunçada ao extremo. A minha, por exemplo, é um caos.
Como um médico emergencial, minha vida é uma completa bagunça. Tenho dias sem dormir, pacientes para atender, coisas pesadas para digerir e muitas, muitas pessoas com problemas emergenciais no qual eu sou muito bom para atender e salvar a tempo de criar ainda mais caos.
No dia-a-dia corrido, não dou muita importância para coisas que não estão no meu roteiro. Gosto de ter foco no que eu nasci para fazer. Apenas corro de um lado a outro por todo o hospital, tentando fazer tudo certo.
Sou médico há nove anos, e ainda me surpreendo com o tanto de coisas ruins que vejo todos os dias.
Bem, mas em um hospital geral, é o de se esperar; ainda mais na emergência.
Sempre há mortes demais, choros, desespero, e algo que no fim, acaba levando minha mente para um lugar fundo, silencioso, onde repenso em tudo o que fiz. É sempre assim.
Mas não irei mentir, também há muita felicidade.
Ver um paciente lutando por dias ou até meses e se recuperar no fim, é algo que todo e qualquer médico gosta de ver.
Sempre foi algo que me animou muito.
Cuidar de todos aqueles que precisam de mim, e ver a melhora é algo infinitamente feliz. Não consigo sequer achar uma palavra que descreva o que sinto.
E é sentindo essa coisa boa dentro de mim, que agora saio sorrindo de mais uma sala hospitalar, depois que acabo de entregar a alta a um paciente que passou meses em um tratamento doloroso de um câncer que felizmente se findou.
É revigorante.
Caminho olhando meu Pager, alheio e cansado, mas quando ouço um chamado agudo por socorro, meus pés me forçam a frear no mesmo instante.
O chamado vinha do quarto ao lado. Eu, junto a alguns enfermeiros que passavam por ali, corremos para verificar o que acontecia, e foi quando uma pequena garotinha de cabelos loiros vem até mim, puxando meu jaleco em seu particular desespero.
ㅡ O que aconteceu? ㅡ pergunto, exasperado.
ㅡ Meu tio! Meu tio está precisando de ajuda! ㅡ foi o que ela disse, ainda me puxando;
Eu apenas corri do jeito mais rápido que consegui, ainda lhe seguindo para o quarto ao lado. Assim que cheguei onde o homem se encontrava, parei totalmente desacreditado, vendo-o de olhos fechados, mas numa tão patética mentira, que seu riso explode no momento em que seu olho esquerdo abre minimamente e me encara.
ㅡ Isso é sério? ㅡ perguntei chateado. ㅡ Vocês são loucos?! Idiotas?!
Eu ouço o chiado dos enfermeiros, alguns até xingam baixinho quando passam por mim, saindo daquela sala.
A verdade é que ali não havia emergência alguma.
A garota, que mais tarde descobri ser Diana, de apenas doze anos. Ela estava internada com câncer cervical e seu quarto ficava bem ao lado daquele. O rapaz em questão ㅡ que não é tio dela coisa nenhuma ㅡ e que continua deitado sobre a cama, rindo descontroladamente da minha cara e de todos os que acreditaram na brincadeirinha i****a dele, é Júnior, de vinte e um anos, internado com IC ㅡ insuficiência cardíaca ㅡ e que estava tão entediado com a pequena amiga que fez naquela ala hospitalar que resolveu fazer algo tão r**m assim.
ㅡ Isso aqui é uma emergência hospitalar, vocês estão brincando com um médico enquanto pessoas podem estar morrendo, sabia?! Há pessoas que realmente precisam de atendimento urgente aqui, o que tem na cabeça? Não podem fazer isso. E se alguém estiver precisando de mim ou de qualquer enfermeiro que acreditou em você? Isso é inadmissível.
O rapaz olhou ao redor, para cada rosto presente na sala e envergonhou-se severamente.
ㅡ Desculpe-me, doutor...
A garotinha fez o mesmo, ficando tão vermelha quanto um morango ao perceber o que havia causado. Eu suspirei, pedindo para que um dos enfermeiros que ainda estavam ali perto, organizasse-a e a deixasse em sua cama, de modo confortável.
ㅡ Por favor, não faça mais isso. ㅡ Voltei a falar sério com o homem. ㅡ entendeu?
Ele assentiu, mas seus olhos não me encaravam sequer por um segundo. Talvez envergonhado, e apenas se ergueu quando a porta do quarto ㅡ agora vazio ㅡ voltou a abrir.
ㅡ Já está tomando bronca, Ju?
Ergui meus olhos para a voz grave que ecoou logo na entrada e me deparei com outro homem bem ali. Ele parecia ter a mesma idade do que havia recebido bronca, mas diferente do outro, esse carregava um concentrador de oxigênio portátil nas mãos e em seu nariz havia um cateter para auxiliar no recebimento da substância.
ㅡ Sim. Seu amigo aprontou f**o comigo. ㅡ falo e direciono meu olhar novamente ao tal Júnior. ㅡ mas ele já se desculpou, e prometeu não fazer mais brincadeiras sem graça, não é?
O rapaz apenas assentiu, me fazendo rir um pouco.
ㅡ Palhação. ㅡ outro diz, entrando na sala. ㅡ Me desculpe por tudo, doutor...
ㅡ Dylan. Dylan King.
ㅡ Doutor Dylan. Júnior além de ter o coração falho, talvez tenha o cérebro também.
ㅡ Ei! ㅡ o homem protesta, mas a fala do outro até mesmo me tira um riso.
ㅡ Aliás, desculpem os meus modos. Eu me chamo Brian. Brian Ferri. ㅡ o homem largou a mão de seu concentrador de oxigênio e a ergueu para mim.
Aproximo-me para cumprimentá-lo, e ouço uma risada baixa.
ㅡ Suas mãos são pequenas e delicadas para serem as de um médico... ㅡ ele diz, olhando aquilo como se realmente tivesse cabimento.
ㅡ Não são apenas mãos de um médico, são mãos de um cirurgião geral ㅡ me gabo, soltando-me de seu toque. ㅡ e se me dão licença, preciso ir. Há pacientes reais esperando por mim ainda. ㅡ e volto a olhar o outro. ㅡ não apronte mais, entendeu?
Ele solta um muxoxo, mas não fala nada a mais. Despeço-me de todos ali e saio, mas logo mãos me seguram com sutileza, e quando viro meu olhar, encontro novamente o tal Ferri.
ㅡ Me desculpe doutor King, é que... ㅡ Olho bem o rapaz, esperando o que quer que seja, e ele parece pensativo.
ㅡ Precisa da minha ajuda para algo? ㅡ pergunto-o, cruzando os braços.
ㅡ Não, é que... qual a sua idade?
Franzo meu cenho, não entendendo o propósito de sua pergunta.
ㅡ Tenho trinta e quatro anos, por quê?
ㅡ Ah... Eu tenho vinte e nove. ㅡ ele fala num tom tão alegre que parece realmente que sua idade tem importância em algo.
Apenas assinto em concordância, ainda não entendendo o real motivo dele ter me parado para perguntar algo fútil.
ㅡ legal... mas se não tem nenhuma pergunta médica, preciso ir. ㅡ me viro, mas outra vez, ele segura meu pulso.
ㅡ Espera. Você... não quer tomar um café comigo hoje? ㅡ pergunta.
Eu o olho outra vez, ainda analisando seu rosto, mas de uma maneira que ainda tento entender o que ele quer, mas apenas fico quieto.
ㅡ Desculpe, não entendi bem o que quer, mas eu realmente preciso atender alguns pacientes agora. Então, adeus.
ㅡ Será que eu posso ir com você? ㅡ e torna a perguntar, dessa vez me largando, mas parando ao meu lado. ㅡ poderíamos passar um tempo juntos e eu te veria trabalhar, depois, finalmente, tomaríamos um café.
ㅡ Desculpe-me, Ferri, mas o que você quer exatamente? ㅡ volto a cruzar meus braços, impaciente. ㅡ é alguma brincadeira nova que está fazendo com o seu amigo? Quando eu disse que preciso atender outros pacientes, eu não estava mentindo, compreende isso?
Ele sorriu, mostrando-me seus os dentes da frente mais avantajados e seu sorriso com covinhas gigantescas, mas pigarreou antes de falar:
ㅡ É que acho que acabei de me apaixonar por você.
Eu rio. Só pode ser brincadeira.
ㅡ Você o quê?!
ㅡ Falo sério. Meu coração está acelerado.
ㅡ Não é um ataque cardíaco? ㅡ me aproximo, buscando meu estetoscópio e repouso em seu coração, realmente ouvindo suas batidas fortes e ligeiras. ㅡ qual é seu registro médico? ㅡ me aproximo de uma das recepções dali e busco um dos tablets de atendimento. ㅡ você está internado aqui, certo? Respire com calma.
Outra vez ouço seu riso, e desta vez olhando-o, ele parece ainda mais solto.
ㅡ Não estou morrendo, doutor. Não ainda. Só quero realmente saber se o que estou sentindo agora é real. Vai que estou me apaixonando por um homem chato demais para saber o quanto é bonito?
Pisco novamente desacreditado, e apenas libero um riso, abandonando o tablet onde antes busquei. Há pacientes bem loucos às vezes...
ㅡ Certo, se você não está morrendo, apenas volte para o seu quarto e repouse. Preciso mesmo ir agora. ㅡ digo por fim dando-lhe as costas e saindo.
Não ouvi o garoto falar mais nada, e segui aliviado por isso.
Naquele percurso, passei por alguns pacientes no qual haviam saído da UTI e que estavam apenas de observação para checagens básicas, e, outra vez sentindo aquela sensação boa, eu os liberei para que voltassem para suas casas e conforto familiar.
Quando cheguei à ala de emergência, sorri aliviado por perceber como não estava tão cheia. Era um alívio. Meu Pager estava sem notificações ou chamados a, pelo menos, trinta minutos.
É raro, mas acontece às vezes.
Aproveitando o tempo vago que tenho, caminho até a lanchonete do andar. Estava sem comer nada por horas, talvez mais do que doze, mas o velho e quente café era o que mais me fazia falta.
Esperei a pequena fila que se estendia ali, e sorri contente quando chegou a minha vez de fazer o pedido.
ㅡ Por favor, um...
Eu já estava pronto para realizar meu pedido a atendente que já bem me conhecia e sabia o que eu iria pedir, quando um belo copo de quinhentas mililitros foi posto bem a frente do meu rosto, cheiinho de café quente.
Olhei aquilo surpreso, e levei meu olhar a pessoa que o estendia ao meu lado. Eu ri, desacreditado, é claro. Novamente naquele dia, vi o sorriso de dentes avantajados e de covinhas fundas.
ㅡ Acertei? ㅡ Brian perguntou. Seu olhar parecia repleto de expectativas.
Suspiro mais uma vez, olhando bem para o rosto de Ferri, e o vejo se afastar um pouco assustado quando ergo minhas mãos, me aproximando de seu rosto de forma impensada.
Eu não vou lhe bater, mas talvez ele ache isso. Entretanto, apenas um ofego é o que ele deixa escapar quando eu ajeito o cateter torto em seu nariz.
ㅡ Estava desregulado. ㅡ falo, olhando-o nos olhos e busco o copo. ㅡ é puro e sem açúcar? ㅡ pergunto, preocupado.
ㅡ Ah... eu... acho que não.
ㅡ Ótimo, porque eu gosto com bastante leite e açúcar ㅡ rio e o vejo rir também, talvez aliviado.
ㅡ Fico imensamente feliz que eu tenha acertado, doutor.
Bebi o primeiro gole, saindo da fila para não atrapalhar o fluxo e procurei uma mesa. Percebi que Ferri ainda me seguia, então quando eu me sentei em um dos bancos e ele sentou a frente, eu ri mais uma vez.
ㅡ Você é insistente, sabia?
ㅡ É, eu sei. ㅡ ele ofegou, descansando uma de suas mãos sobre a bochecha, ainda me olhando.
ㅡ Me diz logo o que quer comigo.
ㅡ Acho que estou mesmo apaixonado por você, já te disse isso.
ㅡ Sei... ㅡ e novamente dou-lhe as costas. ㅡ conta outra.
Eu sei que com certeza ele está brincando com a minha cara, mas não tenho tempo para isso. Esse pouco tempo livre que tenho deve ser usado com coisas boas, então é isso que faço. Me ergo da mesa e caminho para a sala de descanso, onde procuro um dos sofás grandes vazios e tiro meu celular do bolso, buscando entre os aplicativos o meu sand balls ㅡ meu joguinho favorito.
ㅡ Eu não estou mentindo, doutor. Eu sei, parece loucura, mas não é.
ㅡ Não tem como outra pessoa se apaixonar por outra assim. Eu sei, sou bastante bonito e irresistível.
ㅡ Que convencido. ㅡ ele riu, mas dei apenas de ombros.
ㅡ É a verdade, o que posso fazer?
Ferri se esgueira para ver o que faço no celular, e mesmo que eu veja o quanto ele é curioso, eu não me importo, porque ele se foca no meu joguinho, me vendo fazer a melhor performance com as minhas bolinhas coloridas.
ㅡ Fase duzentos e quatro, doutor King? ㅡ ele pergunta. Eu acho que ele está impressionado, mas ouço o que vem a seguir, o que me deixa chateado, é claro. ㅡ Estou na fase trezentos e dois.
Ele busca o seu próprio aparelho no bolso, abrindo no mesmo jogo que jogo no momento, e se gaba por sua fase tão alta.
ㅡ Grande coisa. ㅡ falo, finalizando uma nova fase. ㅡ eu não tenho muito tempo para jogar, então é muito bom que eu esteja em uma fase tão alta, sabia?
ㅡ Claro que eu sabia, isso é legal. E olhe só, ao menos temos coisas em comum, isso é bom, não é?
Libero um riso, não desviando meus olhos do meu joguinho e bebo mais um gole de meu café. Vejo-o sentar ao meu lado dobrando as pernas em posição de índio.
ㅡ Qual seu livro favorito? ㅡ a pergunta vem sem pretensão.
ㅡ Como? ㅡ questiono, desistindo de jogar já que ele provavelmente não vai calar a boca e tampouco parar de me encher de perguntas.
ㅡ Qual é o seu livro favorito no mundo inteirinho?
Me viro para ele, apoiando a mão sobre o sofá quando repouso meu rosto ali, pensativo.
ㅡ Acho que Anna Karenina. Sou apaixonado nele.
ㅡ Ah, romance... ㅡ ele assente, pensativo. ㅡ Li e não gostei muito não.
ㅡ Porque não?
ㅡ Não sei. Só não gostei. Mas o meu livro favorito, se quer saber, é a trilogia do senhor dos anéis. ㅡ e outra vez, vi seu sorriso dentuço dar as caras
ㅡ Típico... ㅡ eu rio. ㅡ mas eu também já li e não gostei tanto assim desses,
ㅡ Não somos tão parecidos na leitura... é uma pena. ㅡ ele diz, parecendo realmente entristecido.
Eu o olho, e ele tem levemente um bico formado, ainda olhando o celular, com a tela agora completamente apagada.
ㅡ As pessoas têm suas diferenças. ㅡ explico. ㅡ não fique triste por isso. As vezes é legal.
Ferri assente, mas ainda tem o bico formado. Seus olhos miram os meus naquele instante, e então ouço o seu suspiro.
ㅡ Talvez eu não esteja me apaixonando por uma pessoa tão má assim. ㅡ seu sorriso parece bobo, o que me faz outra vez rir também.
Admito, ele me diverte um pouco, pois, claramente, apenas está tentando me cantar ou algo assim. E ele faz isso de maneira incansável.
ㅡ Você prefere gato ou cachorro? ㅡ as perguntas retornam, e eu já nem reclamo mais. Apenas penso um pouco sobre o que irei responder.
ㅡ Acho que... hm, gato... eles são fofinhos e dormem muito, é o tipo de bichinho que me cativa.
ㅡ Isso! ㅡ vejo Ferri comemorar. ㅡ eu também prefiro gatos. Eles são superiores!
Eu só consigo rir a cada pergunta boba que ele faz ou a cada comemoração sem sentido. O tempo livre que tenho não é muito, mas ele parece comemorar a cor amarela que é a mesma favorita que a tela, ou quando digo que prefiro tênis no lugar de sapatos.
Não conheço esse garoto, tampouco sei qual seu verdadeiro intuito com toda essa brincadeira, mas ele faz meu tempo passar de um jeito descontraído, e isso não é tão r**m assim, já que estou livre de ver pessoas doentes ou morrendo por alguns minutos.
Quando meu Pager notifica, eu bufo, mas sei que é hora de ir. O olhar que Ferri põe sobre meu corpo erguido é tão persuasivo e me comove. Ele também se ergue, buscando e ajeitando seu concentrador de oxigênio bem ao lado de seu corpo.
Novamente eu ergo minhas mãos para endireitar seu cateter que teima em ficar fora do lugar, todo torto, e, sem querer, toco a ponta de meu dedo em seu nariz pontudo.
ㅡ Seu toque é tão suave, doutor King. ㅡ ele diz olhando bem nos meus olhos, e sorrir. ㅡ Você acabou de me fazer se apaixonar um pouquinho mais por você, acredita?
ㅡ Deixe de bobagem, garoto. ㅡ falo ao endireitar meu jaleco. ㅡ tome cuidado ao retornar para o seu quarto, Ferri.
ㅡ Brian. Por favor, me chame por Brian... Quero que sejamos íntimos já que iremos nos casar algum dia.
Eu reviro os olhos, mas sorrio mais uma vez.
ㅡ Tudo bem então. Tenho que ir agora, Brian, se cuide, ok?
ㅡ Ainda irei te ver, não é? ㅡ ele insiste em suas perguntas incansáveis e em suas investidas mais engraçadas do que certeiras.
Paro por um segundo para olhá-lo e encaro bem os olhos maiores que o comum que me fitam. Brian continua me olhando à espera de uma resposta.
Ele não vai desistir.
ㅡ Trabalho aqui, Brian, provavelmente me verá sim.
ㅡ Tudo bem. E, doutor, estou no quarto duzentos e nove. Passe lá quando quiser, eu te compro outro café. ㅡ ele pisca um dos olhos, mas quase fecha os dois naquele movimento engraçado. ㅡ mas não será um encontro, doutor King. Não ainda, ok?
Eu n**o novamente, e escuto meu Pager notificar mais uma vez.
ㅡ Mas ainda eu vou te levar a um encontro de verdade. ㅡ ele finaliza sorrindo. ㅡ agora vá, acho que você precisa salvar uma vida. Seja um super-herói e talvez eu te beije alguma hora dessas.
Reviro meus olhos, sorrindo de sua brincadeira sem graça.
ㅡ Até mais, Brian.
Ele ri ainda mais, até um pouco mais tímido, e assente.
ㅡ Até mais, doutor King.
Caminho saindo de perto de si, mas ainda é como se eu sentisse seus olhos sobre cada passo que dou.
Parece queimar sobre minha pele, mas outra vez não n**o.
Ele é só mais um paciente doidinho.