O silêncio dele é torturante para mim. Assim que entro na cozinha e vejo seu olhar apático para mim, fico congelado. Não consigo mover um dedo sequer. Não consigo reunir palavras para serem ditas, justificativas a serem dadas, tudo o que faço é ficar parado fitando seus olhos castanhos. Esperando que ele tome alguma atitude, que fale o que de fato está acontecendo, mas ele não faz isso. Papai está parado no meio da cozinha, uma mão oculta dentro da calça de risca de giz, a outra segurando um envelope pardo desses grandes que geralmente ele guarda documentos da fábrica. Nunca vi um olhar tão frio dele quando esse que expressa agora. Eu sei que preciso falar, mas tenho medo de minha voz falhar. – Eu andei me perguntando que horas você chegaria, já que não ficou na aula de hoje – fala ele d

