Dulce Maria
Ouvir aquilo de Parker me deixou um tanto quanto desnorteada novamente, acredito que só não desmaiei novamente pois havia me alimentado bem. Mais 200 pessoas sumidas, mais 200 mulheres que, ao que tudo indica, foram dormir sonhando com uma vida de modelo na Europa e acordaram sendo escravas sexuais de velhos ricos e malditos. Olhei de relance para Christopher e pude perceber que ele também não gostou nada de ouvir aquilo, acredito que ninguém gosta de saber desse tipo de coisa
Dulce – Concordo com o Christopher, não podemos ter folga
Parker – Não poderiam mesmo, porém como eu havia dito, quanto vocês voltarem trabalharão o dobro, então tirem o dia para aproveitar e resolver tudo o que for preciso.
Me sentei na cadeira pensativa, agora pensava também em Maria Paula, vou ficar ainda mais distante dela, mas espero que seja por pouco tempo. Preciso para ontem contratar uma babá. Tudo está tão difícil
Parker – A polícia local nos enviou todos os documentos com fotos e relatos de parentes e amigos das vítimas, isso pode poupar o trabalho de vocês viajar até lá para isso, a não ser que...- O interrompi
Dulce – Vamos dar uma olhada, mas você sabe que eu gosto de ir eu mesma fazer isso, então se for preciso eu viajarei
Ucker – Viajaremos – Me corrigindo
Olhei para ele querendo mata-lo, no fundo estava torcendo para realmente ter todas as informações nos documentos, evitando assim de eu ter que viajar com Christopher Uckermann ao meu lado
Parker- Era só isso que eu precisava dizer, aproveitem bem suas folgas amanhã
Ele arrumou as pastas em cima de uma das mesas e saiu, fechando a porta. Eu me sentei em minha cadeira e comecei a mexer no meu computador, precisava para ontem colocar o anúncio da babá na internet. Estava tudo muito bem na medida do possível até Christopher resolver abrir a boca
Ucker – Torcendo para não ter que viajar sozinha comigo, Dulce Maria? Está com medo?
Dulce – E porque eu teria medo de você? Não tenho medo de ninguém, muito menos de você
Ucker – Algo me diz que você tem medo de ficar sozinha comigo, no mesmo lugar, no mesmo hotel
Nesse momento ele estava sentado em sua cadeira, virado para mim, me olhando e jogando a caneta para o alto
Dulce – Algo me diz que você tem que voltar ao trabalho, temos muita coisa para fazer, não ouviu que mais 200 meninas foram levadas por um bando de vagabundos?
Ucker – Eu sei, e vou fazer o meu trabalho, fique tranquila
Finalmente ele parou de jogar a caneta para o alto, se virou para o computador e se concentrou, mas novamente o silêncio durou pouco
Ucker – Sabe Dulce, eu fico pensando, o que leva essas pessoas a fazerem isso?
Dulce – Isso o que? – Olhei para ele sem entender
Ucker – Isso de traficar pessoas – pensativo – Porque se sentem felizes em ver o sofrimento dos outros?
Dulce – São bandidos, Christopher! – Exclamei – Querem ganhar muito dinheiro fácil, as custas dos sofrimentos dos outros
Ucker - Infelizmente existem pessoas assim, sujas e que se aproveitam dos outros, tirando essas mulheres de suas famílias
Notei que Christopher fitava o chão, agora eu tenho certeza de que, por mais que ele se faça de durão, está bem chateado também com isso tudo.
Dulce – Eles não ligam, só pensam em si mesmos e no dinheiro. Por isso precisamos acabar com eles e devolver essas pessoas, vivas, para suas famílias e amigos. E eu não vou sossegar enquanto isso não acontecer, não vou sossegar enquanto não ver Anahí novamente ao meu lado.
Ucker – Você sente muita falta dela, não é? Sempre foram muito ligadas
Dulce - Sim
Ucker – É tão r**m sentir falta das pessoas, eu por exemplo sinto muita falta do meu pai – me olha – e também de t*****r gostoso com você
Aquela conversa não estava me fazendo nada bem, então resolvi cortar, não somente por Christopher porque nas raras vezes em que conversamos civilizadamente ele se mostra legal, mesmo teimando em dar em cima de mim, mas sim porque aquilo me faria lembrar de algumas coisas, principalmente dos meus pais.
Me levantei, fui até onde as pastas estavam e as dividi
Dulce – Vamos focar no trabalho – Séria
Ele assentiu com a cabeça, pegou as pastas que lhe sobraram e voltou a se concentrar. O restante do nosso dia de trabalho foi assim, analisando os documentos que ali estavam e trocando uma palavra ou outra, falando sobre informações e possíveis provas que ali havíamos encontrado.
Finalizei o dia de trabalho as 19h, peguei algumas pastas e notebooks para levar para casa e seguir analisando algumas coisas, posso não ir trabalhar na delegacia amanhã mas não me daria folga, preciso e vou descobrir tudo sobre aqueles filhas da p**a.
Dulce – Até Segunda feira, agente Uckermann
Ucker – Até, agente Dulce
Sai dali rapidamente e cansada, coloquei as coisas no carro e segui para casa. Estava chovendo um pouco então para a minha infelicidade peguei um pouco de trânsito. Queria chegar em casa, tomar um banho, comer e assistir um filme com minha filha. Tudo bem, seria um filme do nível por exemplo do Ursinho Pooh ou Uglydools mas não importa, só queria a companhia dela, a minha bebê, o amor da minha vida e eu sentia falta daquilo.
Assim que cheguei coloquei as coisas por ali mesmo, corri até minha filha que chamava por mim ao me ver abrir a porta e enchi ela de beijos e abraços. Ana Paula olhava para a gente com um olhar de ternura.
Ana Paula – Acho tão lindo esse amor de vocês um dia eu vou ter um filho
Dulce – Dá muito trabalho, mas é a melhor coisa – Sorri
Ana Paula- Bom, eu vou indo
Dulce – Está bem e não precisa vir no amanhã se não quiser, estarei de folga
Ana Paula – Folga? Como assim folga? Dulce a Anahi está sumida, não podem tirar folga das investigações – Assustada
Dulce – Calma, apareceram mais algumas vítimas que também sumiram e Parker resolveu dar folga pra gente, mas não se preocupe que eu trouxe todo o trabalho para casa, folga é algo que não está nos meus planos, pelo menos até resolver tudo isso
Ana Paula – Então tá bom – Sorrindo de canto
Dulce – E eu já coloquei o anúncio na internet sobre a vaga de babá
Ana Paula – Tomara que apareça alguém bem legal e que ame essa pequena princesa
Ela estava na minha frente mas Maria Paula estava no meu colo e de costas para ela, então ela virou o rostinho da pequena de lado e depositou ali vários beijos, fazendo a princesa sorrir. Maria Paula é uma bebê muito simpática e gosta de todo mundo, estava um pouco receosa dela sentir falta de Ana Paula
Ana Paula – Assim que você contratar uma babá eu vou viajar, mas assim que eu voltar de viagem venho visitar vocês
Sorri e ficamos conversando por mais alguns minutos até ela resolver ir embora. Eu aproveitei para fazer aquilo que estava com vontade: Tomei um banho junto com a minha pequena, jantamos e antes de dormir conectei a tv na Netflix e ficamos assistindo agarradas o filme da Galinha pintadinha
✨
No dia seguinte acordei com a ligação da seguradora informando que o carro estava na mecânica. Pedi para a atendente o endereço da mecânica e ela prontamente me passou. Arrumei a mim e a pequena, tomamos nosso café e poucos minutos depois eu já estava na porta da mecânica. Notei que era um lugar muito bem arrumado e conservado, muito diferente do que vemos nos filmes ou das mecânicas que eu havia levado ele para consertar antes de ter o seguro: suja, cheirando a óleo queimado e com o mecânico todo sujo de graxa.
Bom, nessa tinha sim o mecânico cheio de graxa, mas era muito diferente..Estava com minha filha no colo e observando o lugar quando Bryan o mecânico apareceu atrás de mim
Bryan – Você é a dona do carro que a seguradora trouxe hoje?
Dulce – Sou sim – Me virando para ele
Bryan – Vai levar ainda umas 2 horas para ele ficar pronto, você pode aguardar aqui mesmo ou ir dar uma volta e voltar depois
Dulce – Vou dar uma volta
Assim que saí dali notei que logo na frente tinha uma pracinha com playground, faz tanto tempo que não levo minha pequena a esse tipo de lugar, então decidi leva-la.
Chegamos lá e comecei a brincar com ela nos brinquedos menores como o mini escorregador e o mini gira gira, ela se divertia tanto que gritava de alegria. A peguei no colo para levar ela em outro brinquedo, ela pediu para que eu a colocasse no chão e assim o fiz.
Logo que coloquei ela no chão eu ouvi meu celular tocar e quando fui atender vi um cara de bicicleta passando pela gente, pegou Maria Paula no colo e saiu correndo.
Dulce – DEVOLVE ELA! – Gritei desesperada
Saí correndo atrás dele mas não deu tempo de nada, eu só ouvi o barulho de um tiro e tudo se apagou