CAPÍTULO 25

1733 Palavras
Dulce Maria 3 dias se passaram desde a nossa visita a avó de Maria Eduarda, as investigações seguiam – se normalmente porém as meninas continuavam relutantes em não dizer nada e como já estavam na delegacia há alguns dias, resolvemos leva- las para os alojamentos onde suas famílias estavam e irão permanecer até tudo se resolver ou se alguma das famílias desistir de ficar lá e assinar o termo de responsabilidade pela saída dali, onde deixávamos claro os riscos que elas correriam com a quadrilha ainda a solta. Por enquanto nenhuma família havia assinado e isso me deixava feliz, mesmo sem o depoimento das vítimas. Estávamos dentro de uma das nossas viaturas a caminho do hospital novamente, o médico tinha nos ligado para pedir que fôssemos até lá para falar da avó de Maria Eduarda. Maria Eduarda – Será que ele nos chamou para falar que minha avó faleceu ? Olhei para ela e notei que entrelaçava as mãos em sinal de nervosismo, então peguei em suas e sorri para ela Dulce – Infelizmente só saberemos quando chegarmos lá Maria Eduarda – Estou com tanto medo Dulce – Eu queria poder te dizer algo e te acalmar, mas te garanto que não sou a melhor pessoa para isso, mas posso dizer que você tem que estar preparada para tudo. Maria Eduarda – É difícil se preparar para uma notícia dessas, da última vez que eu tentei, eu... Maria Eduarda agora contava sobre sua vida, sua família e principalmente a morte dos seus pais, que segundo ela, faleceram em um acidente de trânsito. Como estávamos na viatura não demoramos muito para chegar ao hospital. ✨ Médico – Familiares e amigos de Lourdes Campebel ? – Chamava no corredor Maria Eduarda – Estou aqui doutor, você nos chamou aqui e aqui estamos Médico – Ah sim – Sorrindo – Tenho boas notícias para te dar, a sua avó acordou do coma hoje de manhã e posso dizer que está se recuperando muito bem Maria Eduarda – Você está falando sério? Minha avó acordou mesmo? Médico – Sim e inclusive chama por Maria Eduarda, que acredito que seja você, não é? Maria Eduarda – Sim sou eu mesma Ela levava as mãos a boca e eu podia ver a alegria em seu olhar, ela olhava para mim e repetia várias vezes " – Minha vó acordou " Maria Eduarda – Eu posso ver ela? Médico – Claro, eu levo você até lá! Ela se virou novamente para mim, sorrindo Maria Eduarda – Você vem com a gente? Dulce – Pode ir, aproveite um pouco o momento somente você e sua vó, depois se der eu vou lá vê- la Maria Eduarda – Então tá bom Médico – Vamos? Ela se virou e seguiu o médico corredor a fora, sumindo das minhas vistas. O hospital estava cheio de policiais então quanto a segurança dela eu não deveria me preocupar. Eu estava feliz, sim, feliz! Pela recuperação de Lourdes e também porque agora Maria Eduarda vai poder contar para a gente mais detalhes sobre a quadrilha. Peguei uma revista para ler mas alguns minutos depois o som de notificação do meu celular tocou e eu teria ficado muito brava se não fosse uma mensagem de Marichello no qual enviava uma foto de Maria Paula sentada em seu cadeirão, segurando uma barra de chocolate em uma das mãos e seu rosto e sua roupa estavam sujos de chocolate. Eu deveria ficar brava por ela ter dado chocolate para a minha filha mas eu estava tão feliz e fiquei tão encantada com aquela foto, que a única coisa que fiz foi sorrir Dulce – Minha pestinha – Sussurrei para mim mesma E eu quase morri de amores quando logo em seguida ela me enviou um áudio de 5 segundos da minha filha dizendo " – Mamã, vem..." Dulce – Mais tarde a mamãe está ai para ficar juntinha de você, está bem? Respondi com outro áudio e fiquei repetindo o áudio dela por centenas de vezes só para ficar ouvindo ela me chamar. Notei Maria Eduarda voltar para a sala de espera e se sentar ao meu lado, sua carinha estava bem feliz Maria Eduarda – Minha vó vai ficar aqui por mais alguns dias, mas já está fora de perigo graças a Deus Dulce – Não sabe como me deixa feliz ouvir isso – Passo minhas mãos em seu rosto – Mas porque voltou rápido? Maria Eduarda – Hoje ela ainda vai ficar em observação na UTI mas amanhã ela já irá para o quarto. Eles deixaram eu ficar só 15 minutos lá e para o meu azar ela estava dormindo Dulce – Não tem problema, o importante é que ela já está fora de perigo, amanhã ou depois nós trazemos você aqui novamente para vê – la Maria Eduarda – Obrigada por tudo – Sorridente Dulce – Não precisa agradecer, só não se esqueça do nosso trato Maria Eduarda – Não esquecerei, assim que eu estiver em casa com a minha vó, vou contar tudo sobre aqueles malditos. Enquanto ela falava eu me lembrei que as malas com roupas dela e da avó que a própria avó dela trazia estavam guardadas na delegacia, aqui no hospital ficou apenas uma bolsa com uma troca de roupas que deixamos aqui há uns dias atrás, então eu tive uma idéia Dulce – O que acha de levarmos as malas lá para a casa do alojamento onde vocês vão ficar ? Assim quando sua avó sair daqui do hospital já estará com tudo arrumado Maria Eduarda – Boa idéia, podemos fazer isso Dulce – Então vamos pois temos que passar na delegacia para pegar as malas antes de irmos para lá e o alojamento não é muito perto ✨ O tempo de ir a delegacia, pegar as malas de Lourdes que os policiais haviam levado para lá e depois chegarmos no alojamento foi mais extenso do que imaginei. Assim que chegamos, cumprimentei alguns policiais que faziam a vigilância do local e adentramos no alojamento, parando com a viatura em frente a uma casinha Branca. O alojamento são casas financiadas pelo governo e cedidas para a polícia e consequentemente para as vítimas, afim de manter a segurança das vítimas de casos extremamente perigosos e que estão sendo investigados, como por exemplo o que estamos vivendo e investigando: tráfico de humanos Sem perder mais tempo entramos na casa. A casa escolhida para Maria Eduarda era bem simples, assim como as demais, tinha um quarto com 2 camas de solteiro, 1 banheiro e uma cozinha estilo americana. As paredes eram Brancas e a casa cheirava a lavanda. Maria Eduarda – Enfim, lar, doce lar Dulce – Por pouco tempo pois logo eu colocarei as mãos naqueles filhas da p**a e eles vão arder no inferno e vocês poderão voltar para suas casas Maria Eduarda – Faça isso, salve as meninas Dulce – Farei! Começamos a arrumar as coisas que estavam ali, não eram muitas coisas mas o suficiente para passarmos algumas horas. Já eram 17:55 quando havíamos terminado tudo e estávamos já na parte de fora da casa Dulce – Vamos voltar? Maria Eduarda – Eu gostaria já de dormir aqui, sei que na delegacia eu tenho toda a segurança do mundo mas lá eu não consigo dormir, posso já ficar por aqui ? Dulce – Bom – Respirei fundo – Acredito que não terá problemas, aqui você também estará segura Maria Eduarda – Está bem. Dulce, eu só tenho a agradecer a você por tudo o que está fazendo por mim e por sua dedicação em encontrar as meninas. Sei que é o seu trabalho, mas você não está sendo somente profissional, está sendo humana. Dulce – Não precisa agradecer, faço porque gosto Maria Eduarda – Enquanto estávamos vindo para cá e arrumando as coisas, eu resolvi que não vou esperar minha vó chegar aqui para te contar tudo, eu vou te contar tudo agora Dulce – Está bem, como quiser Maria Eduarda – Quando estávamos vindo, notei que tinha um outdoor aqui perto e... Começou a falar mas logo foi calada por um estrondo que podemos ouvir próximo dali, seguido de alguns policiais gritando " – ESTÃO TENTANDO INVADIR! ATIREM ! ". Olhei para o portão de entrada do alojamento e haviam alguns carros pretos com as armas apontadas para nós Dulce – MERDA! – Gritei Agora os barulhos de tiros eram consecutivos, saquei minha arma e corri em direção contrária, disparando tiros na direção dos invadores e puxando Maria Eduarda comigo. Dulce – ENTRA PARA DENTRO DA CASA - Gritei Maria Eduarda – Mas Dulce... Dulce – POR FAVOR FAZ O QUE EU ESTOU MANDANDO! – Desesperada E ela foi. Mas a sorte parecia não estar comigo e muito menos com ela, quando já estava na porta da casa, acabou levando dois tiros. Dulce – NÃOOOO MARIA EDUARDA! – Gritei Desesperada e com um tremendo nó na gargante eu fiquei, entretanto não poderia parar agora, continuei atirando em direção a eles e me escondendo em diversos locais diferentes, até que fui tentar disparar mais um tiro e vi que minha munição havia acabado Dulce – INFERNO! Eu permanecia escondida atrás de uma das casas, senti meu celular vibrar, peguei ele no bolso e olhei rapidamente, vi que haviam algumas mensagens e ligações de Christopher e Parker de poucos segundos atrás. Resolvi não dar atenção, atender celular agora não era o momento Fiquei mais um pouco escondida até perceber tudo se acalmar e alguns dos policiais dizerem pelo rádio " Eles desistiram, estão indo embora! " Ao ouvir isso eu imediatamente sai dali e corri em direção a Maria Eduarda, me ajoelhando ao lado dela. Medi sua pulsação e o que eu mais temia aconteceu: Maria Eduarda estava morta MORTA! Senti as lágrimas descerem pelo meu rosto e eu já soluçava, não chorava somente por ter perdido alguém crucial para a investigação mas também por ter perdido uma amiga, uma menina cheia de sonhos e que só queria voltar a ser feliz ao lado de sua avó. Dulce – Meu Deus do céu! – Chorando muito Depois disso pude ouvir um policial dizer " – UM DELES CONSEGUIU INVADIR, ATIRA! ", " - CUIDADO AGENTE DULCE" e seguido de " – Agora você vai morrer, Dulce Maria " logo atrás de mim Ouvi mais um tiro, um único tiro e tudo se apagou.
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