Tentar III

2047 Palavras
Trevor estava errado, não vale de nada ir atrás da pessoa que você ama, no final ela irá te trocar de qualquer maneira, e se casar com uma pessoa melhor. Simplesmente. - Ei - minha mãe entra no meu antigo quarto, onde estou arrumando minha mala. Quero ir embora, mesmo tendo chegado à pouco tempo, não tem sentido eu continuar aqui se a mulher que eu amo está indo se casar em algumas horas. - Sim mãe? - a olho enquanto fecho o ziper da mala. - Não vai embora não filho. Você só ficou dois dias aqui - pede com a voz cheia de tristeza. Depois que meu irmão se casou, e foi construir uma família, minha mãe sentiu falta de ter a nossa família reunida em casa. Desde então sempre que algum de nós viemos para Irlanda, meus pais insistem para que fiquemos mais um pouco. - Eu sei mãe - passo a mão entre as mechas loiras do meu cabelo. - Mas eu não quero ficar aqui para ver a Carol casada. Minha mãe suspira. Ela sabe o quanto Carol e eu éramos grudados e apaixonados, é impossível negar o quanto a gente se amava, e se ama até hoje. - Eu sei que é duro para você ver isso, mas filho você tem que aprender a lidar com isso. Não é fugindo que irá esquecer da Carol. O que vocês têm é amor puro demais para ser esquecido de um dia para o outro. Mesmo que já tenha ido atrás dela para conversar, eu ainda acho que deva tentar mais uma vez. Faça ela perceber que quem ela precisa ter ao lado dela é você. - Mãe, ela preferiu ele. Ela vai se casar com ele e eu não posso fazer nada. - Visto a minha jaqueta, já desistindo de fazer qualquer coisa para ir atrás da Carol. Não é porque eu a amo que vou insistir já sabendo que ela não vai ficar comigo. - Niall, ela disse que te ama, não disse? - o tom de voz da minha mãe aumenta, me chamando atenção para ela. Eu a disse sobre o que aconteceu no quarto da Carol, eu sempre digo tudo para a minha mãe, ela é como minha melhor amiga. - Disse, mas... - Se ela te ama, claro que ela quer ficar contigo. Insiste só pela última vez filho. E se ela disser para você, que não te quer, pode então ir embora. Abano a cabeça discordando da idéia da minha mãe. Já chega de me humilhar pela Carol, ela está feliz com o noivo dela, e é assim que deve ser. - Mãe, eu sei que nós dois tivemos uma história juntos, e que nosso amor ainda existe, mas acha mesmo que esse é o melhor caminho? Acha mesmo que a Carol vai me querer? - Acho! Acho porque é raridade encontrar casal que se ama o tanto quanto vocês dois. E pelo menos uma última vez Niall. É só essa vez que eu te peço, vai atrás dela. - Minha mãe praticamente implora. Eu sei que não devo, mas preciso pelo menos provar para a minha mãe que ela está errada. Que a minha história com a Carol já está acabada. Que mesmo a gente mantendo o amor aceso, não será possível ficarmos juntos. E irei provar isso para a minha mãe, e para todos, antes que me julguem e dizem que não me esforcei para ter Carol comigo. - Ok, eu vou atrás dela. - Digo, arrancando um sorriso da minha mãe. - Então vai logo, falta pouco para o casamento começar. - Diz, e então me apresso em sair de casa. Corro para a casa de Carol, sentindo meu coração se acelerando conforme me aproximo. Não posso negar para ninguém o quanto a quero comigo, e o quanto queria que ela me dissesse que quer o mesmo. Toco a campainha, e espero que abram a porta. Sem resposta eu toco novamente, e de novo, de novo, de novo. Sinto minhas mãos suando de nervosismo e ansiedade. Por que raios ninguém abre essa porta? - Niall? - alguém me chama por trás das minhas costas. Me viro, encontrando senhor Miguel. Ele era o diretor da minha antiga escola, e uma pessoa que admiro infinitamente, por ter me insentivado com a música. - Senhor Miguel! - O abraço. - Quanto tempo, hein? - digo me afastando para o olhar. - Sim menino Niall, muito tempo - ele sorri - o que faz aqui? - Estou procurando pela Carol. - Enfio minhas mãos dentro da calça jeans envergonhado. Ele sempre me pegava beijando a Carol pelos corredores da escola, e por gostar bastante da gente, nunca nos deu alguma advertência. - Vocês dois hein? Nunca existiu casal mais apaixonados que vocês. - Comenta o mesmo que dizia quando me via com Carol na escola. - É... - murmuro. - Mas ela não está ai Niall. Agora ela já deve está entrando na igreja. - Seu olhar de pena cai sobre mim. - Eu sinto muito que vocês não tenham dado certo, eu jurava que quem estaria com ela na igreja hoje, seria você. - Fala com a sinceridade presente em sua voz. Todos pensaram isso na verdade. Nosso bairro sempre apoiou muito nosso namoro, sempre fomos queridos por todos, e quando começamos a namorar, foi festa por todo lado. - O senhor sabe onde fica a igreja? - pergunto. Se não posso falar com a Carol em sua casa, eu preciso tentar ir falar com ela na igreja. E me esforçar para chegar lá antes que seja tarde. - Claro, é a da praça Niall. - Ele me informa, e no segundo seguinte eu estou correndo para ir até lá. - Boa sorte filho! - ele grita, mostrando que sabe o que estou pretendendo fazer. Corro sem parar até a praça. Passo pelas pessoas desenfreado, e recebo alguns gritos como "É o Niall!" Ou "Vai atrás dela Niall!" Nosso bairro por ser pequeno, todo mundo conhecia todo mundo, e um casamento repercutia por todos os lados, ainda mais sendo da Carol. Percebo algumas pessoas correndo atrás de mim, para me acompanhar. Reconheço algumas delas sendo da minha antiga escola. Sorrio surpreso e grato por todo esse apoio, ainda mais nesse momento que nem sei se irá acabar bem. Na praça dou de cara com uma multidão de pessoas. É como se todo mundo da Irlanda estivesse presenciando o casamento de Carol, o que me deixa ainda mais nervoso em pensar que toda essa gente vai me ver tentando impedir o casamento. Passo pelas pessoas que se espremem na porta da igreja, e me reconhecendo elas abrem o caminho, facilitando a minha entrada. Já dentro dela, vejo familiares conhecidos da Carol nos bancos, Josh e Trevor sentados logo em frente ao altar, onde Carol e seu noivo estão um de frente ao outro, ouvindo as palavras do padre. Dona Rose me olha, e rapidamente sua feição se torna feliz. Ela sabe o que eu vim fazer aqui, desde o dia que fui em sua casa ela sabe. Ela e mais um bocado de gente. - Carol! - grito alto, o mais alto que posso para todos ouvirem. A igreja é enorme, e cheia de gente fica ainda mais difícil de ser notado. Carol me olha. Seu véu branco cobre seu rosto tão bonito, e por alguns segundos perco foco a olhando. Eu amo essa mulher demais, não posso deixar ela ficar com ele. Agora eu entendo porque minha mãe queria que eu viesse para cá, ela sabia que assim que eu olhasse a Carol, eu tentaria tê - lá comigo. - Niall? - Carol empalidece como se estivesse vendo um fantasma. - O que faz aqui? Um silêncio absoluto invade a igreja, todos estão nos olhando agora. - Eu não posso deixar você casar - caminho pelo tapete vermelho que leva ao altar. - Eu te amo, e você sente o mesmo por mim, isso tudo é errado. - Aponto para ela e o noivo, que nos olha mais confuso que todo mundo. Carol vêm até mim pisando duro, mostrando sua raiva. E eu sei que estou ferrado por ela não ter gostado que eu interrompesse seu casamento, mas eu não poderia deixar. Não, eu não poderia. - Você tá ficando louco? - ela briga soltando o buquê de flores no chão. - Acha que pode simplesmente aparecer aqui e estragar tudo? - seus olhos fervem a raiva, e me seguro para não ri do seu biquinho. Ela sempre o faz quando está brava, e é tão fofa. - Porfavor não faz isso com você mesma - agora estou falando mais baixo, dando apenas para ela me ouvir. - Você sabe que nosso amor não vai acabar. Mesmo que você se case, mesmo que você tenha filhos com esse cara, seu coração não irá pertencer a ele, porque você Carol, você me ama. - Niall... - ela suspira. - Todos sabem que nosso amor nunca será igualado a nenhum outro - volto a falar um pouco mais alto, para pelo menos algumas pessoas escutem, sem tirar meus olhos de Carol. - Nós crescemos juntos, nosso amor também. E não admito que você acabe com tudo que vivemos. Eu te amo desde o momento que olhou para mim e sorriu. Eu te amo desde o momento que me beijou, e me deixou ser seu. Você é minha Carol, e não há nada que possa fazer para mudar isso. Mesmo que passe anos, milhares de anos, nosso amor continuará intacto, porque ele é real. - Levanto o véu de Carol, revelando seu rosto perfeitamente lindo. Ela tem lágrimas nos olhos, e tenta controla - lás piscando ou desviando seu olhar do meu. - Por que está fazendo isso? - sussurra. - Porque eu demorei muito para perceber que o meu lugar é ao seu lado. - Respondo trazendo seu corpo para mais perto do meu, pela sua cintura. - Aceita voltar para mim? - Pergunto alto, deixando a expectativa no ar. Meu coração está acelerado, como nunca ficará antes. Eu tenho medo. Não estou preparado para ouvir um não. Seria como jogar tudo no lixo, todo meu esforço, nossa história juntos e o meu coração. Além de ser uma humilhação na frente de toda essa gente. Todos aguardam a resposta de Carol, e após alguns segundos em que ela olha para seu noivo como quem pede desculpas, e volta seu rosto para mim, ela responde: - Aceito. Uma série de aplausos e gritos enchem a igreja, e eles só aumentam assim que Carol e eu nos beijamos. A felicidade me invade, quero sair pulando de tamanha felicidade e gritar para todo mundo ouvir que a mulher da minha vida está comigo novamente. Ter ela é como encaixar a última peça do quebra - cabeça, e eu sei que agora nada irá nos separar. Me afasto de Carol, e vejo Trevor e Josh sorrindo para mim, como se dissessem "dever cumprido". Todos estavam felizes, exceto o noivo e seus familiares, obviamente. - Vamos sair daqui, está muito cheio - Carol pede. Assinto com a cabeça, e entrelaço sua mão na minha. Puxo Carol em direção da porta dos fundos da igreja, passando rapidamente pelas pessoas que abrem caminho, e nos parabenizam. No fundo da igreja, eu fecho a portão enorme de madeira. Ali fica o jardim, e os muros altos nos deixa com privacidade, além da vista bonita das plantas e do chafariz transbordando água ao centro. Carol enrola seus braços em volta do meu pescoço, enquanto abraço ela pela cintura, não querendo a soltar nunca mais. - Você é louco - ela ri, mirando seus olhos escuros para os meus. - Eu sei - admito também rindo. - Mas no final estamos juntos. - Colo nossas testas uma na outra, e esfrego a ponta do meu nariz no dela. Me sinto leve, como se estivesse tirado um peso enorme das costas, e agora estou nas nuvens. - Finalmente - ela diz contra meus lábios. - Agora para sempre. - Sempre. A beijo com calma, querendo aproveitar desse momento tão único para nós dois. E agora eu sei, que o meu lugar sempre foi e sempre será ao lado de Carol. Fim.
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