Tentar II

1922 Palavras
Caminho pela rua da casa de Carol com o coração acelerado, nem a nostalgia que o lugar me transmite me faz ficar mais calmo. Não sei porque aceitei vim até aqui, foi uma péssima ideia, sendo que sei exatamente o que vai acontecer assim que Carol me ver. Respiro fundo parando de frente para a porta branca, que mesmo com alguns furos e tinta desgastada da madeira, me faz lembrar de quando eu ficava com Carol na casa dela. Nós assistíamos filmes, que no final sempre acabava com a gente transando. E sua mãe fazia bolos para vender, e nós comiamos a maioria. Carol e eu éramos a dupla mais bagunceira do bairro desde criança, e nem mesmo quando viramos adolescentes nós mudamos, na verdade só foi pior. Bato na porta com as pernas bambas feito vara verde. Não sei como a Carol está, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Não sei se vai me bater ou abraçar assim que me ver. O que eu sei, é que ela vai me dizer que está apaixonada pelo seu noivo, e que eu sou louco por ter vindo até sua casa, depois de tanto tempo. A porta é aberta, e assim que meus olhos enxergam Carol vestida com um vestido de noiva, meu coração vacila uma batida. Ela está linda, muito mais do quê antes, muito mais que qualquer dia que eu tenha a visto. Carol estampa um sorriso feliz no rosto, mas assim que me ver, ele se desfaz dando lugar ao que identifico ser uma feição de nervosismo e surpresa. - Carol, oi - minhas palavras são lentas, já que ainda tento processar toda sua aparência nova. Ela está maquiada, mas não é algo exagerado. Seu cabelo tem umas mechas presas no alto da cabeça, e o resto está solto em volta dos seus ombros, mas cobertos pelo véu branco que têm preso atrás da cabeça. Por um segundo me imagino no altar a esperando para casar comigo, e me parece tão certo, tão bom. Porquê não eu Carol? - Niall...que surpresa - fala com seus olhos focados em meu rosto. - Você está linda Carol - elogio olhando por todo seu corpo -, muito linda. Ela sorri envergonhada olhando para os dedos dos pés, da mesma forma que fazia quando éramos amigos. - Obrigada - agradece e volta com seu olhar para mim. - Você quer... - Quem é? - uma mulher que reconheço sendo sua mãe, aparece na porta. Ela me olha e sem dizer muito pula em meus braços para me abraçar. - Niall! Que saudades de você querido. - Eu também estava - falo olhando para Carol por cima do ombro de sua mãe. Dona Rose sempre gostou muito de mim. Ela era como uma segunda mãe, me cuidava quando estava doente, me alimentava quando estava com fome, e me dava broncas quando aprontava com a Carol (o que acontecia frequentemente). - Veio para o casamento da Ca? - pergunta se afastando do meu abraço. - É hoje? - franzo minha testa confuso olhando para Carol. - Não - Rose ri - A Carol só está experimentando o vestido. Oh sim. - Entra - ela me puxa para dentro de sua casa, onde me deparo com várias mulheres na sala. Me sinto constrangido por ser o único homem a estar aqui, e tento procurar pelos olhos de Carol que não encontro. - Meninas, esse é o Niall, ele é praticamente da família - Rose me apresenta para as mulheres, e reconheço Hannah, a melhor amiga de Carol. - O famoso! - uma delas fala vindo até mim, e logo depois outras se juntam me cercando. Tento dar a minha atenção para elas, mas estou focado em procurar por Carol em algum canto da sala. Onde ela se meteu? Após alguns instantes de perguntas, fotos e abraços, as garotas se afastam. Não pensei que até aqui eu seria alvo de atenção, e é esse o lado r**m da fama: sempre dar atenção. - Eu posso ir ao banheiro dona Rose? - peço. - Claro que sim Niall, a casa é sua. - Me fala com um sorriso enorme no rosto. Não me lembro dela ser tão simpática assim, ou nem seja simpatia, mas sim felicidade em ver que a filha está prestes a se casar. Dona Rose sempre quis isso. Subo as escadas para ir para o corredor que se encontra o banheiro e os quartos. Eu conheço essa casa melhor do quê ninguém, e conheço a Carol melhor do quê ninguém, e sei que agora ela muito provavelmente está em seu quarto. Vou para o quarto dela, abrindo a porta devagar para que não escutem lá embaixo, que estou com ela. Deus sabe o quanto iria ser constrangedor todas aquelas mulheres me pegarem com Carol. Seu quarto mudou, não é tão escuro igual antes. Agora tem luz, tem cor, e no criado mudo ao lado da sua cama, um porta retrato dela abraçada com um homem, me faz perceber que é o noivo dela. Vejo Carol de costas para mim, e de frente ao espelho grande dela. Seus olhos me olham através dele, e em silêncio ficamos. Não sei o que dizer à ela, muito menos admitir que ainda a amo, ainda mais vendo o quanto está feliz com seu noivo. Não é justo, mas mesmo assim eu a quero tanto. - Ele parece ser legal - corto o silêncio, me referindo ao seu noivo na foto. - O que você quer aqui Niall? - sua voz é forte. - Te ver - caminho até ela, deixando meu corpo logo atrás do seu. - Você teve todo o tempo do mundo para me ver, porque logo hoje? - vejo sua testa se franzir através do espelho. Amo quando ela faz isso, parece até uma criança curiosa. - Eu cheguei hoje, e fiquei sabendo que estava noiva, queria ver se era verdade. - Já viu, então acho que pode ir embora. - Ela é rude, e sei que está ficando com raiva. Não vou desistir assim, se estou aqui devo ir até o fim. Não me importo mais sobre seu noivo, ou qualquer outra coisa, agora eu quero por um ponto final nisso. - Carol - murmuro levando meus dedos para suas costas nuas pela a******a do vestido. Sinto ela se arrepiar, o que me deixa mais a vontade em continuar a acariciando. - Você não me esqueceu - deslizo o zíper que têm abaixo da sua lombar, deixando o inicio da sua calcinha branca aparecer. - Niall não...- fala com a voz vacilando, mostrando que ela quer o mesmo que eu. Estou sem razão, estou sem raciocínio, eu só quero ela, depois de tanto tempo chegou a hora de tê-lá comigo pelo menos uma última vez. Levo meus lábios úmidos para sua nuca, depois que afasto o seu cabelo para o lado. Carol geme baixinho, e fecha os olhos. Deslizo minha língua por sua pele quente, o que a faz praticamente cair para trás se não fosse meu braços que a segura pela cintura. Sua cabeça caí para trás, ficando apoiada em meu ombro, dando-me espaço para beijar o seu pescoço. Trilho beijos lentos pela sua carne, arrancando suspiros dela, provando que está gostando. Ao mesmo tempo que estou e******o por ela, também sinto uma nostalgia com tudo que está acontecendo. É como se eu voltei há alguns anos, para quando ainda era o namorado de Carol. Ela se vira de frente para mim, e completando a minha sensação de nostalgia, me beija. Sua boca encaixada na minha me faz perceber que esse é o lugar dela, e não em outra. Guio ela até sua cama, onde a deito e deixo meu corpo sobre o dela. Escuto seu gemido contra os meus lábios, me fazendo recordar da nossa primeira vez. Foi tudo tão incrível naquele dia, eu por alguma razão sabia que iríamos ficar juntos sempre, não importando o tempo, as consequências...naquele dia eu sabia que Carol sempre seria minha. Hoje, agora, essa certeza só aumenta. Não importa se ela vai se casar, não importa se vai construir uma família e tentar ser feliz, ela sempre irá me amar, assim como eu sempre irei ama - lá. Sem pressa alguma eu observo o corpo de Carol após tirar seu vestido. Ela sempre será a minha melhor visão, disso eu não tenho nenhuma dúvida. - Senti sua falta - sussurro contra seus lábios. Ela sorri contente com minhas palavras, enlaçando seus dedos na minha nuca. - E eu senti sua falta - me dar um selinho -, muita falta Niall. (...) O maior sorriso bobo se estampa em meu rosto, mostrando minha felicidade em ter amado Carol depois de tantos anos longe. Ela é incrível. Ela sempre será. - Não acredito que fiz isso - ela murmura com seu rosto deitado em meu peito. - Está arrependida já? - olho para baixo, vendo não muito do seu rosto. - Não - responde prontamente, me deixando mais acalmo. - Eu traí o Dylan, essa é a grande questão. Eu nunca me vi na imagem de um amante, mas agora tendo transado com uma noiva de outro cara, não me sinto tão culpado quanto deveria. Afinal de contas eu estava aqui primeiro que ele, se for considerar minha história com Carol. - Você ainda pode esquecer de se casar com ele - falo torcendo para quê ela considere essa ideia. - Não é tão fácil. O Dylan é uma pessoa ótima comigo, ele é realmente alguém que eu desejaria para se casar com minha filha. - Suspira. Carol se senta na cama, levando o lençol sobre os s***s nús. - Tudo bem, vai mesmo casar com ele então? - pergunto com o coração começando a se apertar com receio de sua resposta. Não quero pensar que ela mesmo depois do que aconteceu aqui, vai se casar com ele. Seria como jogar seus sentimentos por mim no lixo. - Não sei - ela me olha com seu tipo de olhar que conheço bem, e não é nada bom. - Niall nossa história foi linda...o que aconteceu aqui foi perfeito, mas eu não posso simplesmente deixar quem me apoiou durante esses anos. - Sua feição se torna triste, e tenho quase certeza que a minha está dessa mesma forma. O que eu estava pensando? Achei mesmo que ela iria ficar comigo, tendo um noivo que é tão bom para ela? Francamente eu sou i****a demais por pensar nisso, e por me entregar pelo desejo e saudades. Isso tudo não adiantou de nada. Sem dizer nada, eu me levanto e visto minhas roupas, com o olhar de Carol ainda sobre mim. Eu não quero dizer nada para ela, não serão palavras boas, e o melhor é guarda - lás para mim. - Niall - Carol me chama enquanto caminho para ir até a porta do seu quarto. Paro com meus passos a poucos centímetros da madeira branca, e espero ela dizer o que quer dizer. - Me desculpa por isso, você sabe que eu amo você. Minhas pernas tremem. Era tudo o que eu queria que ela me dissesse desde que entrei na sua casa, mas agora não me parece mudar muita coisa. Ela me ama e vai se casar com outro, não tem sentido, e eu nunca irei entender isso. Continuo sem dizer nada à ela, e saio do seu quarto deixando a marca da nossa última transa lá. Agora eu irei seguir em frente sabendo que quem eu amo jamais irá ficar comigo. Continua...
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