Na terça-feira a mesa de Aurora já havia sido instalada do lado de fora do escritório de Gabriel, ao lado esquerdo da porta. Naquela tarde Aurora usava mais uma das incômodas saias justa, e se não bastasse o incômodo da roupa, havia também os olhares dos outros funcionários que a seguiram desde o saguão até a entrada do elevador e então até que estivesse devidamente sentada à sua mesa. Com certeza todos já sabiam de sua posição como assistente pessoal, um cargo inédito na empresa e que por si só já levantava suspeitas. E obviamente o fato do motorista da empresa ir busca-la na faculdade todos os dias e leva-la ao trabalho apenas aumentava os cochichos. Mas a pior parte mesmo era Renata. Ela não só observava Aurora com crescente desdém, como passara metade da tarde lhe pedindo “ajuda” com

