Na segunda-feira, Aurora tentou disfarçar a ansiedade da melhor forma que pôde. Acordou ainda confusa por despertar em um quarto enorme de paredes claras, teto alto de gesso, cama gigante e lençóis macios o bastante para fazê-la sentir nas nuvens e acrescentar certa dificuldade em levantar. Apesar de não trabalhar mais na boate faziam três dias, ainda não conseguira se livrar do costume de só dormir depois das duas da manhã. Tinha passado as últimas noites e madrugadas vagando no apartamento que era seu e ao mesmo tempo não era. Por mais bonito que fosse, com todo aquele espaço e móveis sofisticados, o lugar não tinha nada a ver com ela. Nada dos móveis nostalgicamente aconchegantes, nada da bagunça irreversível do quarto, dos papéis espalhados na sala, do chuveiro que teimava em desligar

