CASADOS

3207 Palavras
Todos se puseram de pé para se despedir. Maria beijou a filha e deu uma piscadela de aprovação.  – Posso não gostar dessa pressa toda – sussurrou ela –, mas você é uma mulher feita. Ignore o seu pai e siga o seu coração.  Um nó apertou a garganta de Penelope  – Obrigada, mamãe. Temos muito que fazer esta semana.  – Não se preocupe, querida.  Estavam quase na porta quando Jim lançou um apelo final.  – Penelope, o mínimo que você pode fazer por sua família é adiar o casamento por algumas semanas. Anthony, você não discordaria, não é?  Anthony pousou a mão no ombro de Jim, enquanto a outra mão estava firmemente presa à de sua noiva . – Entendo seus motivos para querer esperar, Jim, mas o fato é que estou perdidamente apaixonado pela sua filha, e nós queremos nos casar no sábado. Gostaríamos muito de ter a sua bênção.  Todos aguardaram em silêncio. Até mesmo Mel ficou quietinha para observar o desenrolar da cena. Penelope esperou a explosão . Jim aquiesceu.  – Está bem. Posso conversar com você um momento?  – Pai...  – Só um momento. Anthony seguiu Jim até a cozinha. Penelope tentou reprimir a preocupação, trocando ideias com Isa e Bella sobre vestidos de madrinha. Conseguiu um vislumbre do rosto sério de Anthony enquanto ele escutava o pai dela.  Após alguns minutos, apertaram-se as mãos e Jim, com um ar derrotado, deu um beijo de despedida na filha. Despediram-se e entraram no carro.  – O que o meu pai queria?  Anthony deu ré para sair da entrada da casa e se concentrou na estrada.  – Estava preocupado com os custos do casamento.  A culpa a invadiu em imensas ondas. Nem sequer pensara nos custos do casamento. É claro que seu pai presumira que teria de pagar por tudo, mesmo que os tempos houvessem mudado. O suor se formou em pequenas gotinhas em sua testa.  – O que você disse a ele?  Anthony olhou para ela.  – Eu me recusei a deixá-lo pagar. Disse que, caso tivesse feito a vontade dele e esperado um ano para me casar, poderia aceitar o dinheiro dele, mas, já que decidimos apressar o casamento, eu insistia em arcar com os custos. Então fizemos um trato. Ele pagará pelas roupas dele e de seu irmão, e eu pagarei pelo casamento e pelos vestidos das mulheres, inclusive o seu.  Ela soltou o ar num sopro rápido e estudou o rosto dele à luz dos faróis que passavam. Seus traços se mantinham inexpressivos, mas o gesto dele tocou seu coração.  – Obrigada – disse ela, com suavidade.  Ele se encolheu como se as palavras dela o machucassem.  – Não tem por que agradecer. Eu jamais magoaria seus pais. Quase ninguém teria dinheiro suficiente para pagar por um casamento em uma semana, e eu entendo essa questão do orgulho familiar. Jamais poderia tirar isso deles.  Ela engoliu suas emoções e eles permaneceram em silêncio por algum tempo.  Penelope olhava a escuridão pela janela. A oferta dele sugeria um relacionamento real entre eles, e isso a fez desejar que houvesse mais. Ela deveria apresentar a família a um amor de verdade, não um falso. As mentiras da noite a deixaram abatida, e ela se deu conta de que barganhara com o d***o em troca de dinheiro. Dinheiro para salvar sua família, mas ainda assim. A voz grave dele interrompeu o silêncio e os pensamentos sombrios dela.  – Você parece aborrecida com a nossa pequena encenação de hoje. – Odeio mentir para a minha família.  – Então por que você está fazendo isso?  Um silêncio desconfortável se instalou entre eles. Anthony insistiu.  – Por que você quer tanto esse dinheiro? Você não parece muito feliz com a perspectiva de se casar comigo. Está mentindo para sua família e organizando um casamento falso. Tudo isso para investir em sua livraria? Poderia muito bem pegar um empréstimo com o banco como qualquer dono de negócios. Algo não está fazendo sentido.  Penelope sentiu uma bolha de pressão em sua garganta e quase contou a verdade. Sobre a doença de seu pai, logo depois de ele voltar para casa. Sobre a falta de plano de saúde e a dificuldade de pagar as exorbitantes contas médicas.  Sobre a luta de seu irmão para pagar a faculdade de medicina enquanto sustentava sua nova família. Sobre as ligações intermináveis dos cobradores até que sua mãe não vira alternativa a não ser vender a casa, já hipotecada tantas vezes quanto possível. Sobre o peso da responsabilidade e a impotência que Penelope sentia o tempo inteiro.  – Preciso do dinheiro – retorquiu ela, simplesmente.  – Precisa? Ou quer? Ela fechou os olhos à provocação. Ele queria acreditar que ela era egoísta e fútil. Foi então que ela percebeu que precisava se defender contra esse homem de todas as maneiras possíveis.  O beijo estilhaçara qualquer ilusão de neutralidade entre eles. Os lábios de Anthony haviam abalado as próprias fundações da alma dela, assim como acontecera naquela primeira vez, no bosque. ele tinha a capacidade de destruir suas barreiras, deixando-a vulnerável. Após uma semana vivendo sob o mesmo teto, ela estaria subindo pelas paredes para estar com ele. Ela não tinha escolha. Precisava incitar raiva nele. Se ele pensasse nela como uma pessoa de caráter duvidoso, certamente a deixaria em paz e ela sairia daquela situação com seu orgulho e sua família intactos. Recusava-se a alimentar sua pena ou aceitar sua piedade.   Contar a verdade sobre sua família iria destruir o que restara de suas defesas. Talvez ele até lhe oferecesse o dinheiro sem nenhuma obrigação, e ela ficaria para sempre em dívida com ele. Pensou em como ele a veria como uma mártir caso soubesse o que ela estava fazendo para salvar Tara, e a imagem a fez sufocar de humilhação. Não. Era melhor que ele acreditasse que ela era uma mulher de negócios sem coração, algo que já parecia inclinado a fazer. Ao menos ele a desaprovaria e a deixaria em paz.  Só de estar perto de Anthony ela se sentia inquieta, e se recusava a funcionar como estepe para a preciosa Gabriella. Seu trato com o d***o seria em seus próprios termos. Penelope buscou forças no fundo de seu ser e se lançou na segunda rodada de mentiras da noite.  – Quer mesmo saber a verdade?  – Quero, quero sim. – Você sempre teve grana, Principezinho. Ter dinheiro ameniza muito a infelicidade e o estresse. Estou cansada de batalhar como a minha mãe. Não quero ter de esperar outros cinco anos para expandir minha livraria, e não quero ter de lidar com juros e bancos e amortização de dívida. Vou usar o dinheiro para construir um café na BookCrazy e fazer dele um grande sucesso.  – E se não der certo? Você estará de volta ao mesmo lugar em que começou.  – O imóvel tem se valorizado, então eu sempre posso vender a loja. E pretendo usar o excedente para construir uma carteira de investimentos mais sólida. Talvez compre logo uma casa pequena para já ter alguma segurança quando nosso casamento acabar.  – Por que não pedir duzentos mil? Ou mais? Por que não levar tudo o que eu tenho? Ela deu de ombros.  – Acho que cento e cinquenta mil será suficiente para tudo o que eu quero. Se acreditasse que você concordaria em me dar mais dinheiro, teria pedido mais. Afinal de contas, tirando a parte de ter de lidar com a minha família, é uma barganha bastante tranquila. Eu só preciso aturar você.  – Acho que você é mais lógica do que eu havia pensado.   A afirmação deveria ter sido um elogio. Penelope ardia de vergonha, mas sabia que comprara o distanciamento de que tanto precisava. O preço havia sido o seu caráter. Mas ela lembrou a si mesma de seu objetivo e ficou quieta. Anthony parou o carro na frente do prédio dela. Ela abriu a porta do carro e pegou sua bolsa. – Eu te convidaria para subir, mas acho que vamos nos ver até demais este ano.  Ele assentiu.  – Boa noite. Eu te ligo. Posso mandar os caras da mudança assim que você estiver com tudo pronto. Faça o que quiser a respeito do casamento, e só me avise onde e quando eu preciso comparecer.  – Ok. Até mais.  – Até. Ela entrou no apartamento e fechou a porta; encostou as costas na porta e se deixou escorregar até terminar sentada no chão.  E chorou.                                                                               • • •  Anthony a acompanhou com os olhos até que ela estivesse em segurança em seu apartamento e esperou as luzes se acenderem. O ronronar suave do motor do BWM era o único som a quebrar o silêncio. Estava incomodado com a própria irritação diante da confissão dela. Não era da sua conta por que ela queria o dinheiro. As motivações dela eram boas o suficiente para fazer com que ambos atravessassem o ano que estava por vir sem maiores incidentes.  Ele tinha que ficar longe dela. Os pais dela haviam suscitado uma vontade perigosa dentro dele. Ele havia reprimido rapidamente a emoção, mas ficou irritado com a ideia de ainda nutrir algum traço doente de esperança de vir a ter uma família normal. Talvez fosse porque ela estivera tão bonita aquela noite. Seu sorriso era tão fácil, os lábios volumosos relaxados. Ele desejara inclinar a cabeça e provar o que havia além daqueles lábios rosados, carnudos. Desejara deslizar a língua dentro da boca de Penelope e tentá-la.  O tecido justo de seus jeans evidenciavam as curvas de seu traseiro e o gingado de seus quadris. Estava usando uma camisa rosa choque bastante conservadora, mas quando ela se inclinou para a frente, Nick vislumbrou a renda rosa-clara em que se aninhavam seus s***s generosos. A imagem ficara gravada em sua memória e comprometera sua concentração – ele passou a maior parte da noite tentando fazer com que ela se inclinasse para que ele pudesse roubar mais uma olhadinha em seu decote, como um adolescente e******o.  Ele viu a luz se acender e arrancou com o carro. Seu mau humor o mordiscava como um pit bull genioso. Ela o perturbava de uma forma profunda e visceral. Sua família também. Lembrou-se de como a mãe dela era afetuosa. Lembrou-se da culpa que sentia quando criança por desejar que sua própria mãe desaparecesse e o deixasse com Maria Jones. Lembrou-se da velha dor de não ter nenhum controle em um mundo contraindicado para crianças sozinhas. Lembrou-se de coisas que jurara jamais desencavar. Casamento. Filhos. Ligações só causavam dores terríveis que ninguém merecia sentir.   Anthony havia erguido muralhas para que Penelope  nunca visse suas fraquezas. Se suspeitasse que ele a desejava de alguma forma, as regras do jogo mudariam. Ele não pretendera deixar que aquela sereia tivesse nenhum tipo de poder sobre ele. Até que aconteceu o beijo. Anthony murmurou um palavrão. Lembrou-se da respiração descontrolada dela, de seus olhos cerrados. Da camisa que finalmente se abriu o bastante para que ele visse a carne firme envolvida em renda cor-de-rosa. Ele estava pronto para afastá-la, mas ela apertara o braço dele quando sua mãe a chamou. Acabou reagindo por instinto para salvar a farsa. E então a boca cálida e úmida de Penelope se abriu sob os lábios dele. O doce sabor dela obliterou os seus sentidos e o cheiro enlouquecedor de baunilha e especiarias o derrubou – sem prisioneiros. Exigente. Punitivo. Apaixonado.  Anthony estava fodido – e não no bom sentido. Mas ela jamais saberia. Ele certificou-se de que seu rosto não manifestasse qualquer emoção, apesar de sua ereção colossal provar o contrário. Não importava. Nick se recusava a quebrar as regras. Penelope era uma mulher que vivia o lado iluminado da vida e jamais seria feliz com a promessa que ele fizera a si mesmo quando era criança.  Um ano era o bastante. Ele só esperava conseguir chegar ao fim intacto .                                                                       1 semana depois                                                                                 • • •   Anthony virou-se para olhar a esposa adormecida. Sua cabeça estava apoiada na porta da limousine. O véu fora arrancado de sua cabeça, e uma massa de renda branca estava jogada aos pés dele. Os cachos negros dela estavam espalhados em todas as direções e escondiam seus ombros. A taça de champanhe no suporte do carro estava intocada e já havia perdido todo o gás. Os últimos raios do sol poente banhavam um diamante de dois quilates que brilhava em seu dedo, fragmentando-se e explodindo em mil pontos de luz. Os generosos lábios vermelhos estavam entreabertos, deixando o ar entrar e sair na cadência da respiração lenta, e ela ressonava delicadamente a cada expiração. Penelope Jones era agora sua esposa.  Anthony pegou sua taça de champanhe e brindou silenciosamente ao próprio sucesso. Era agora o dono da Dreamscape Enterprises. Estava prestes a correr atrás de uma chance que só acontece uma vez na vida e não precisava da permissão de ninguém. O dia havia transcorrido conforme o esperado. Tomou um gole generoso do Dom Pérignon e se perguntou por que estava se sentindo tão m*l. Sua mente voltou para o momento em que o padre os declarara marido e mulher. Olhos de safira cheios de medo e pânico quando ele se inclinou para dar o beijo obrigatório. Pálida e abalada, os lábios de Penelope tremeram sob os seus, e ele sabia que não era de paixão. Não daquela vez. Forçou-se a se lembrar que ela só queria o dinheiro. Sua habilidade de fingir-se inocente era perigosa.  Ele zombou de seus próprios pensamentos, virando a taça e sorvendo o que restara do champanhe.  O motorista abriu alguns centímetros do vidro que o separava dos passageiros e disse:  – Senhor, chegamos.  – Obrigado. Pode parar ali na frente. A limusine subia a longa e estreita entrada da casa e Nick sacudiu a esposa delicadamente para acordá-la. Ela se mexeu, soltou um ronco e voltou a dormir.  Anthony tentou reprimir um sorriso e começou a sussurrar. E então se conteve. Voltou ao seu papel de algoz com certa facilidade, inclinando-se e gritando o nome dela. Ela se ergueu de um salto, olhos arregalados de susto. Afastou os cabelos das orelhas e olhou o amontoado de renda branca como se fosse Alice e tivesse descido pelo buraco do coelho.  – Ai meu Deus, a gente... a gente fez...?  Ele entregou a ela os sapatos e a grinalda.  – Não, ainda não. Mas é nossa noite de núpcias, e eu ficarei feliz em comparecer se você estiver a fim.  – Você não fez nada por esse casamento além de comparecer. Eu queria ver você tentar organizar todos os detalhes de uma cerimônia de casamento em uma semana... eu ia me sentar e observar você desabar depois.  – Eu disse para você arrumar um juiz de paz e nada mais.  Penelope riu com desdém.  – Típico macho. Não levanta um dedo sequer para ajudar e se declara inocente quando confrontado.  – Você ronca.  O queixo dela caiu.  – Não ronco, não!  – Ronca sim.  – Ronco nada! Alguém teria me dito.  – Talvez seus amantes não quisessem ser expulsos da cama. Você é bem rabugenta.  – Não sou, não.  – É, sim.  A porta se abriu e o chofer estendeu o braço para ajudá-la a sair. Ela fez uma careta para Anthony e saiu da limusine com a altivez da rainha Elizabeth. Ele conteve outra risada e a seguiu.  Penelope se deteve, e ele a observou enquanto ela assimilava as linhas arqueadas da mansão, que se assemelhava a uma villa toscana. Pedras de arenito criavam uma imagem de elegância casual, e as paredes altas e janelas grandes conferiam uma aura histórica à construção. Um vistoso gramado ladeava a via de entrada e levava até a casa, estendendo-se depois por vários hectares em alegre abandono. Gerânios coloridos enfeitavam cada janela evocando a antiga Itália. A parte superior da casa se abria para uma varanda com sacada de ferro onde havia mesas, cadeiras e uma hidromassagem em meio a arvorezinhas com muitas folhas. Ela abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas logo a fechou com um estalo.  – O que acha? – perguntou ele.  Ela virou a cabeça.  – É impressionante – respondeu ela. – É a casa mais bonita que eu já vi.  A apreciação dela fez com que ele se enchesse de prazer.  – Obrigado. Eu mesmo a projetei.  – Ela parece antiga.  – Era a ideia. Juro que ela tem todo o encanamento e a rede elétrica necessária.  Ela balançou a cabeça e o seguiu para dentro da casa. Pisos de mármore polido brilhavam e o teto alto fazia o espaço elegante parecer maior.  Os cômodos grandes e arejados levavam a uma escadaria central em espiral. Nick deu uma gorjeta ao motorista e fechou a porta.  – Venha. Vou te mostrar o resto da casa. A não ser que você queira trocar de roupa antes.  Ela tomou nos braços o excesso de tecido e ergueu as saias do vestido, deixando à mostra seus pés calçados em meias de seda.  – Mostre o caminho.  Ele a conduziu em um tour pela casa. A cozinha era moderna e totalmente equipada, exibindo um centro brilhante de aço inoxidável e cromado, mas Anthony  certificou-se de que fosse aconchegante o suficiente para ser o orgulho de uma nonna italiana.  Uma ilha de madeira rústica continha cestas cheias de frutas frescas e réstias de alho, garrafas de azeite com infusão de ervas, massas secas e tomates maduros. A mesa era de carvalho pesado com cadeiras robustas e confortáveis. Podia-se ver uma vasta seleção de vinhos em uma estante de ferro. Portas de vidro levavam ao solário, recheado de móveis de vime, estantes de livros e vasos de margaridas por todo o cômodo. Em vez de pinturas coloridas, fotografias em preto e branco adornavam as paredes com uma ampla variedade de amostras da arquitetura mundial.  Anthony desfrutou da expressão no rosto de Penelope enquanto ela assimilava cada canto daquele espaço. Ele a conduziu escada acima rumo aos quartos.  – Meu quarto é no fim do corredor. Meu escritório é particular, mas fique à vontade para usar o computador da biblioteca. Posso providenciar qualquer outra coisa que você precisar.  – Ele empurrou uma das portas. – Eu te dei uma das suítes com banheira. Não conheço o seu gosto, portanto sinta-se livre para redecorá-lo como quiser.  Ele ficou olhando enquanto Penelope examinava o quarto em seus tons neutros e claros, a cama king size de dossel e o restante da mobília.  – Está bom assim. Obrigada. Formalidade pulsou entre eles enquanto Nick observava o rosto dela por um momento.  – Bom, você sabe que estamos presos juntos aqui por uns dois dias, não sabe? Usamos nossos trabalhos como desculpa para não sair em lua de mel, mas não posso dar as caras no escritório até segunda-feira ou as pessoas vão fofocar. Ela concordou com a cabeça.  – Posso acompanhar os negócios pelo computador e Maggie disse que iria me ajudar.  Ele se virou.  – Acomode-se e me encontre na cozinha. Vou preparar algo para o jantar.  – Você cozinha?  – Não gosto de ter estranhos na minha cozinha, já tive minha cota disso quando jovem. Portanto, aprendi.  – Você é bom?  Ele riu, convencido:  – O melhor. Então saiu, fechando a porta. 
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