A premiação aconteceu em um teatro antigo, elegante, daqueles que guardam histórias nas paredes. Sarah não esperava ganhar nada naquela noite. Foi mais por presença, por contrato, por educação. Vestia um vestido preto simples, cabelo solto, sardas iluminadas pela maquiagem mínima. Estava confortável e isso fazia toda a diferença. Foi durante o coquetel, depois dos aplausos e dos discursos longos, que ele apareceu. Não chegou invadindo espaço. Não interrompeu conversa. Apenas se aproximou quando percebeu que ela estava sozinha, observando um quadro na parede como quem busca um respiro. — Você olha para as coisas como se estivesse escrevendo sobre elas — disse ele, com um sorriso tranquilo. Sarah virou-se, curiosa. Ele era alto, mas não imponente. Tinha um ar calmo, maduro, olhar atent

