Capítulo 8 – A Tempestade e o Fogo
Dois dias após o baile, o castelo ainda comentava sobre a duquesa. Havia quem dissesse que ela agora comandava Ravello com o olhar, que havia domado o duque com sorrisos e postura.
E Lorenzo ouvia — em silêncio, mas com a alma em chamas.
Ele não admitia, mas Isabela já morava em seus pensamentos. No entanto, cada vez que percebia isso, tentava agarrar-se ao que conhecia: o controle, a autoridade, o domínio. Era assim que sobrevivia. Era assim que mantinha o mundo à sua maneira.
Então, quando a viu passeando pelos estábulos, rindo com o tratador enquanto acariciava um dos cavalos mais ariscos da casa — aquele que ninguém conseguia aproximar — algo em Lorenzo explodiu.
Não era o tratador. Não era ciúme. Era o fato de que ela estava à vontade. Livre. Como se o castelo fosse dela. Como se ela não precisasse dele para existir ali.
Naquela noite, invadiu os aposentos dela sem bater.
— O que pensa que está fazendo?
Isabela, diante do espelho, ergueu os olhos com calma.
— Retirando as joias. O colar estava apertando meu pescoço, veja só — disse, sarcástica, e virou-se para ele.
— Falo do seu comportamento! Rindo com criados, passando tempo onde não lhe cabe! Há protocolos, Isabela!
Ela cruzou os braços, firme. — Protocolos ou regras suas, feitas para manter o mundo girando ao seu redor?
— Você é minha esposa! Há uma imagem a zelar!
— E eu sou uma mulher, Lorenzo! Não um troféu que você pode esconder numa prateleira!
O silêncio entre os dois foi cortante. Ele se aproximou, os olhos intensos, o maxilar travado.
— Você me provoca.
— Porque não sou como as outras? Porque não me curvo? — ela rebateu, sem recuar um passo. — Você não sabe o que fazer comigo. E isso te assusta.
As palavras caíram como aço quente.
Num impulso, ele a puxou pela cintura, os olhos cravados nos dela.
— Você me enlouquece.
— Então pare de lutar — sussurrou ela, os lábios tão próximos que ele sentia o calor da respiração.
E ele parou. Parou de fingir, de resistir, de controlar.
O beijo veio como tempestade — denso, urgente, cheio de raiva e desejo. Eles se agarraram como se quisessem ferir e curar ao mesmo tempo. Ele a deitou na cama com pressa, as mãos correndo por sua pele como se quisesse gravar cada traço. Ela retribuiu com igual intensidade, puxando-o, guiando-o, dominando-o por dentro.
Não foi uma noite de amor. Foi uma noite de fogo.
Mas no meio do calor, havia algo mais. Um olhar que durava um segundo a mais. Um toque que demorava a se soltar.
E quando, exaustos, ficaram lado a lado, os dedos ainda entrelaçados, sabiam — sem dizer — que aquela batalha os unia mais do que qualquer aliança.
Ela não seria dele por imposição.
Mas talvez… ele já fosse dela.