O sol filtrava-se pelas pesadas cortinas de veludo vermelho, iluminando suavemente o quarto luxuoso. Isabela despertou com os lençóis ainda bagunçados ao seu redor e o coração batendo em um ritmo estranho. A noite anterior ecoava em sua mente como uma melodia proibida.
Ela passou os dedos pelos próprios lábios, como se ainda sentisse os beijos do Duque. Aquela versão dele — mais silenciosa, mais vulnerável, mais... humana — a confundia. Como podia o mesmo homem que a desafiava com palavras afiadas e olhares dominadores agora assombrar seus pensamentos com um toque gentil?
Levantou-se com cautela, vestiu-se com a ajuda da criada e desceu para o desjejum. Mas o salão estava vazio. Nenhum sinal do Duque. Nenhum bilhete. Nenhuma palavra.
Horas depois, soube que ele havia saído cedo a cavalo, sem avisar ninguém.
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Naquela noite, um baile estava marcado no palácio para celebrar o aniversário de um aliado político do Duque. Isabela deveria representá-lo como esposa — mesmo sem saber se ele voltaria a tempo.
Vestida com um elegante vestido vinho, com o corpete justo e os ombros à mostra, Isabela entrou no salão sob olhares curiosos. Murmúrios se espalharam rapidamente — todos queriam saber por que o Duque não a acompanhava.
Ela sorriu, mantendo a postura. Mas por dentro, se perguntava:
Ele estava fugindo dela? Ou de si mesmo?
Foi então que, como se chamado pelo próprio destino, ele surgiu nas portas do salão. Alto, imponente, com os olhos negros fixos nela.
O salão pareceu silenciar.
Ele atravessou o salão sem desviar o olhar, e ao chegar diante dela, curvou-se levemente e disse com voz baixa, grave:
— Espero não ter demorado demais, mia duchessa. O que tivemos ontem... não foi um erro.
Os olhares em volta ardiam em curiosidade, mas Isabela só conseguia ver ele. O Duque. O homem que a fazia se perder, se encontrar e se queimar ao mesmo tempo.
Ela ergueu o queixo com firmeza, mas seus olhos entregaram o tumulto em seu peito.
— Não sei o que foi ontem... mas sei o que quero agora, milorde. Que seja real. Ou que acabe.
Ele aproximou o rosto, quase encostando seus lábios nos dela.
— E se eu não souber mais como parar?