capítulo 47

1672 Palavras

Charlotte ligava todos os dias, mas a diferença de fuso deixava buracos no meio das conversas. Às vezes eu estava saindo para o trabalho quando ela ainda nem tinha dormido; outras, já era noite quando o nome dela aparecia na tela e eu não tinha energia para explicar por que me sentia estranhamente vazia. Eu dizia que estava tudo bem, porque era mais fácil do que tentar traduzir aquela sensação difusa de estar fora de lugar na própria vida. O apartamento parecia grande demais nas manhãs em que Edgar saía cedo. As janelas amplas deixavam a cidade entrar sem pedir licença, o barulho constante, o ritmo apressado, a impressão de que eu precisava acompanhar tudo aquilo ou ficaria para trás. O silêncio que ficava depois que a porta se fechava não era exatamente solidão, mas também não era descan

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