Capítulo 3

1358 Palavras
Andrea saiu do elevador e seguiu para a sala de Mira, colocou o copo sobre a mesa em silêncio e virou-se saindo, Mira estranhou a atitude da morena, Andrea não havia feito perguntas ou aberto a boca para dizer nada. O dia foi corrido por causa do preparativo da festa de aniversário da revista, Andrea passou boa parte da manhã na rua enquanto Mira participou de três reuniões para decidir sobre os detalhes pendentes da festa. — Emily! — Não houve nenhuma resposta — Emily! — Mira respirou fundo começando a ficar irritada com a ruiva. Andrea chegava no corredor quando escutou Mira chamar a colega que estava em algum lugar da Runway acatando alguma ordem da editora. — Emily não está, Mira. — E por que você demorou a me responder já que ela não está? — Eu acabei de chegar. — Não me importa, traga-me a minha agenda — Andrea seguiu para sua mesa e pegou a agenda voltando para a sala da mais velha, entregando-lhe e virou para sair da sala — Vá até a edição e me traga as fotos que foram tiradas essa manhã — Disse folheando a agenda — Aproveite e avise que irei quero o livro às dez, você irá leva-lo, espero que ele esteja lá quando eu chegar em casa depois do jantar, isso é tudo — Andrea saiu da sala sem dizer nada, Mira levantou o olhar, não estava entendendo o que estava havendo, mas estava preocupada. .§. Andrea desceu do táxi e seguiu para a porta da grande residência, ela tirou as chaves da bolsa e adentrou a casa fechando a porta, caminhou pelo pequeno corredor e colocou o livro sobre a mesa, sentiu um corpo contra o seu e virou-se vendo uma das pequenas ruivas, abriu um largo sorriso. — Hey Cass — A ruivinha cruzou os braços emburrada — O que houve? — Pensei que erraria — Andrea riu e a pegou no colo. Havia estado com as meninas em alguns momentos e por mais que no primeiro encontro quase perdeu a vida por causa da brincadeira das duas, as ruivinhas pediram desculpas e acabaram apegando-se a morena em um momento que nenhuma das três sabia dizer qual momento era esse. — Eu disse que não voltaria a errar, você está mais pesada, anda comendo chocolate escondido da sua mãe? — Um pouquinho. — Eu acho que é muito, está uma bolinha — Disse divertida enquanto sorria e a beijou na bochecha — Onde está Caro? — Na cozinha com Kara, estamos lanchando para irmos dormir. — Vamos até lá, eu não posso demorar, pois sua mãe deve chegar a qualquer momento — Disse seguindo para a cozinha, colocou Cassidy no chão. — Andy! — Oi meu amor — Disse beijando-a nos cabelos ruivos. Andrea cumprimentou Kara com dois beijos e sorriu para uma mulher de cabelos claros que estava arrumando a cozinha. — Andy olha — Cassidy lhe chamou atenção e mostrou o local do dente que havia caído no dia anterior. — Agora você e a Caro estão muito mais parecidas. — Eu ganhei uma nota de cinco dólares da fada dos dentes. — Uau, acho que vou tirar dois dentes meus para conseguir dez dólares. — Mas você não pode, Andy — Caroline disse olhando-a. — É, você tem razão — Disse sorrindo — Agora terminem de lanchar, pois a Kara tem que coloca-las na cama. — Conta história pra gente. — Eu não posso ficar, se a mãe de vocês me pega aqui serei uma mulher morta. — Fica, por favor, Andy — Caroline implorou. — Apenas uma história, não dá nem tempo da mamãe chegar — Cassidy disse juntando as mãos em frente ao rosto pintado por pequenas sardas, Andrea olhou para os dois pares de olhos brilhantes claros como os de Mira. — Tudo bem, mas apenas uma história. — Eba! — Comemoraram juntas, Andrea riu junto a Kara. — Agora comam — Disse apoiando o rosto na mão. .§. Mira encarou Irv a sua frente, sabia que não era a favorita do homem calvo a sua frente, sabia que o que ele mais queria era motivos para tira-la da chefia da Runway. Tal ato jamais conseguido por ele, não havia deslizes da parte da editora-chefe e sua vida pessoal não influenciava em absolutamente nada dentro da editora, Mira tomou grande gole de vinho que havia em sua taça e olhou para o homem que falava sem parar a mais de meia hora. Mira havia contido a vontade de revirar os olhos para tudo que escutava desde que havia sentado naquele restaurante, Irv definitivamente era péssimo para os negócios e para um machista que não se permitia admitir o quão boa era o trabalho de Mira e o quão abaixo dela, ele estava. Sempre inventava alguma ideia mirabolante no intuito de que ela aceitasse e ficava irado quando escutava o quão inútil e inválida suas propostas de melhores eram. Mira olhou para seu relógio de pulso pela quarta vez em menos de cinco minutos fazendo com que o homem parasse de falar e lhe olhasse. — Algum problema, Mira? — Tenho um compromisso em meia hora — Mentiu, apenas não suportava mais o fato de continuar na presença de tal ser — Há algo mais que você gostaria de propor? — Não, eu já disse tudo o que precisava e pensava. — Ótimo — Disse com um pouco de deboche na palavra, levantou-se — Foi um prazer revê-lo, Irv — Pegou a bolsa e o casaco e saiu do restaurante deixando o homem para trás com cara de poucos amigos. .§. Andrea olhou para as meninas que dormiam e escutou o celular tocar, o pegou respirando fundo ao ver que era Nate, atendeu saindo do quarto. — Eu não sei o que essa mulher fez com sua mente e te fez pensar que eu só penso em mim, mas não é verdade, Andy, eu amo você, eu não me importo se trabalha com ela e aqueles fantoches, mas, por favor, não vamos deixar uma relação de anos por causa de uma briga boba. — Nate, nós não temos mais nada o que falarmos — Disse séria — Será que você não percebe o quão tóxico você se tornou pra mim? O quão tóxica nossa relação estava sendo? — Claro que não era tóxica, Andy, de onde tirou isso? — Você era o único que acha que ela era saudável, Nate, hoje eu percebo o quão i****a e ingénua , eu fui, o quão manipulada e tola eu era, pare de me ligar, acha que não percebeu que você quebrou tudo o que tínhamos e também acho que não escutou tudo o que eu disse a você ontem a noite — Disse contendo a vontade de chorar, seus olhos queimavam assim como sua garganta — Acabou Nate, você é tóxico e eu não o quero mais na minha vida — Disse e desligou não conseguindo mais conter às lágrimas. Não podia dizer que não doía, pois seria uma completamente mentira, tudo em seu íntimo dormia, era como cortar-se com uma lâmina afiada sem anestesia alguma. Era como esmagar o coração ainda dentro do peito, tentou abafar os soluços com a mão mas nada parecia aliviar, perguntava-se como poderia ter sido tão ingénua por tantos anos, queria esquecer tudo o que estava vivendo. Tudo o que demorou tanto para enxergar, não sabia descrever quanto tempo ficou ali chorando, mas os passos que aproximavam-se a fez voltar a si, não se preocupou tanto ao pensar que era Kara, mais a voz e o olhar que lhes foram direcionados a fez tremer. — Andrea? O que... — Mira aproximou-se preocupada — Você está sentindo algo? Está machucada? — Perguntou analisando-a, Andrea continuou a encara-la ainda não tinha reação, Mira buscou seus olhos e viu tristeza ali, viu que não era algo carnal, não era o corpo de Andrea que estava machucado, a morena secou o rosto. — Desculpa Mira, eu... Eu já estou indo embora, me desculpe — Disse saindo rapidamente deixando a editora para trás completamente preocupada.
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