Capítulo 2

1563 Palavras
Às horas passavam, tanto Andrea quanto Mira tentava evitar sair da Runaway, ambas pela mesma coisa, a separação, Mira havia assinado os papéis do divórcio a algumas semanas, mas Stephen ainda continuava em sua casa para não atiçar a mídia. Ambos tinham seus quartos, mas ela não via a hora de tê-lo longe, havia conversado com um conhecido para que ele contornasse qualquer coisa que viesse a repercutir na mídia sobre sua separação. Já Andrea tentava evitar mais uma conversa desgastante com Nate, sairia da casa de Lily e pediria para que não fosse declarado onde ela estaria morando, não queria contato com o moreno, achava que seria melhor, já que não tinham mais uma relação. — Você pode ir, eu quem irei levar o livro hoje — Andrea foi desperta pela voz de Emily. — Sim, eu sei, só não queria sair por agora, Nate deve está lá embaixo me esperando. — E você não quer encontrá-lo. — É... Mais ou menos isso — Emily afirmou com um aceno de cabeça — E Mira ainda está na sala. — E muito silenciosa por sinal. — Acha que algo aconteceu? — Eu sei lá, nunca sabemos o que esperar quando se trata de Mira — Andrea levantou-se — Aonde vai Andrea? — Andrea a olhou. — Ver se ela precisa de algo. — Ela vai te colocar pra fora como um cachorro sarnento. — Não custa tentar — Disse seguindo para a porta, deu duas batidas antes de abrir a porta e encarou a editora que estava completamente distraída olhando para a janela. — Mira? — O que quer Andrea? Não me lembro de tê-la chamado — Disse sem olha-la. — Vim saber se... Precisa de algo — Mira a encarou por alguns minutos. Andrea era bela, tinha lábios chamativos, a voz doce que lhe levava a perguntar quão bom era ouvi-la gemer durante o sexo, a pele alva que com certeza ficava marcada com facilidade e aqueles malditos lábios entreabertos que pareciam o mais belo convite para a perdição, Mira passou os língua entre os lábios. — Quando eu precisar ou querer algo, eu chamarei, isso é tudo — Disse curta e grossa, e virou-se para a janela, escutou os passos da morena afastarem-se e a porta sendo fechada. — Eu te avisei — Andrea olhou para a ruiva forçando um sorriso e pegou a bolsa seguindo para o elevador. Não sabia o motivo da sua raiva em relação a Mira, talvez fosse por estar tão sobrecarregada com tudo que estava lhe acontecendo, entrou da grande cabine de metal e apertou o botão do térreo, assim que as portas fecharam-se, ela soltou o ar que nem ao menos sabia que estava prendendo, seu coração batia acelerado, a tensão de ter que conversar com Nate fazia seu coração bater acelerado. Assim que saiu do prédio da Elisa-Clark avistou o moreno parado com as mãos nos bolsos da calça. — Eu não posso demorar — Disse séria. — Tudo bem. — Onde pretende ir? — Podemos ir ao parque, você gosta de lá — A morena apenas chamou um táxi e entrou sendo seguida pelo moreno. Andrea passou boa parte da viagem olhando para o lado de fora, assim que o táxi parou em frente ao Central Park, ela desceu começando a caminhar, logo parou e ficou encarando a água que corria sob a ponte, Nate parou ao seu lado indeciso sobre se deveria ou não dizer algo. — Diga o que quer dizer — Disse sem olha-lo. — Andy... Volte para casa, eu sinto sua falta — Ela riu irônica e o olhou. — Sente a minha falta? — Disse entredentes, estava farta de sempre escutar aquilo quando ela se afastava, era sempre a mesma frase — Você sempre diz a mesma coisa, Nate, você nem ao menos se importa se eu também sinto saudade ou qualquer outra coisa relacionada a nós, você é egoísta, só pensa no que é melhor pra você, no quão está sendo maravilhoso trabalhar na droga daquele restaurante e na proposta que recebeu para sair da cidade ou até mesmo do país, sempre me criticou por eu está trabalhando com Mira, sempre quis ficar no caminho quando eu pensava em dar um novo passo, você não sente a minha falta, você sente falta de tentar me controlar, de tentar mandar no que eu visto, com quem eu saio, com quem eu falo, com o que eu como ou se vou engordar, mas jamais se importou com o que eu sinto, você sente falta de ter alguém para que você possa gozar dentro, mais não se importa se eu fiz o mesmo, então Nate, não venha me dizer que sente a minha falta, pois eu não sinto nenhum pouco a sua, faça o favor de ir para outra cidade, outro país, ou fique em Nova York, mas esqueça que fiz parte da sua vida, pois eu nem ao menos lembro que te tive na minha — Andrea sentia as gotas grossas de suas lágrimas e saiu dali deixando Nate sem reação alguma. Andrea sempre foi calma, tranquila e manipulável, mas não naquele momento, ela não era a mesma ingênua de meses atrás, via o ódio em seus olhos e isso lhe assustou. .§. Mira chegou em casa no meio da noite, havia revisado o livro na Runaway mesmo, assim que colocou o casaco dentro do armário viu Stephen descer as escadas. — As garotas estavam perguntando por você. — E onde estão? — No quarto — Mira acenou com a cabeça. — Irei viajar essa madrugada. — Se não quiser voltar, fique a vontade. — É algo que você com certeza iria ficar feliz. — Você não tem noção do quanto. — Bom, só quis avisar para que não me procure — Mira riu com deboche. — Não te procuro nem mesmo para me fazer gozar, Stephan, não tenho o porquê procura-lo para outra coisa. — Não me procura por que não quer. — Nos dois sabemos bem que você não é um bom amante, não sei o que sua namorada viu em você, ah, sei sim — Sorriu — A conta bancária. — Diz isso porquê ela é mais jovem. — Não, eu digo isso porquê ela é uma abrigada, mora em um apartamento caríssimo onde você paga, vai aos melhores restaurantes e usa as melhores roupas porquê você também paga, eu jamais precisei que me desse absolutamente nada, e a única coisa que você me deu até hoje, além de dor de cabeça, foi uma aliança de casamento que eu já fiz o favor de devolver, ou seja, você não me deu nada. — Aceita um whisky? — Duplo — Disse seguindo-o para a sala, sentou-se tirando os sapatos e suspirou colocando os pés sobre a mesa de centro. — Já conseguiu conquistar a sua assistente? — Emily? Quem disse que eu a quero? — Estou falando da segunda Emily, a que é nova no escritório — Disse entregando-lhe o copo, Mira o encarou por alguns segundos. — Quem disse que estou querendo conquistar Andrea? — Talvez não queira, mas você a deseja. — Não tente entrar em minha mente, Stephen, você é péssimo nisso — Stephen sorriu bebendo seu whisky. — Ela é uma bela garota, é jovem, tem uma pele magnífica, é delicada, esforçada e passa por cima das suas ordens sempre que pode. — Você é gay? — Perguntou com a sobrancelha erguida, Stephen riu. — Não. — Pode dizer, será nosso outro segredo. — Mesmo se eu fosse não te daria o gostinho de saber. — Eu estou achando que sua namorada na verdade é um namorado. — Não invente, Mira — Ela riu e colocou o copo de lado já completamente vazio, apoiou o rosto na mão e fechou os olhos sentindo a massagem que Stephen lhe fazia. — Ao menos massagem você sabe fazer bem — Stephen revirou os olhos e continuou a massagem, viviam em pé de guerra, ambos cheios de defeitos e com um casamento frustrado, mas tinham seus momentos de paz, sendo bons amigos o que eram muito melhores do que como um casal. — Mamãe — Ambos olharam para a porta vendo as ruivas paradas à porta. — Oi bobbseys. — O dente da Cass caiu. — Sério? — Sim, olha — Abriu a boca mostrando que lhe faltava um dente. — Como ele caiu? — Ela mordeu uma maçã. — A Kara disse que seria bom e que não doeria. — Você o guardou? — Sim, estou esperando a fada dos dentes. — Tem que espera-la dormindo, querida — Disse acariciando os cabelos da filha. — Eu queria vê-la, mamãe. — A Caro não há viu semana passada, se você não dormir, ela não virá. — Eu queria conversar com ela — Disse emburrada, Mira riu. — Jantaram? — Sim — Caroline respondeu bocejando e deitando no peito da mãe que lhe beijo nos cabelos. — Stephen disse que quando voltar de viajem nos trará presentes. — Ele sempre trás — Mira disse revirando os olhos e encarou o ex-marido. — Tradição — Disse e levantou-se — Vou terminar de fazer as malas — Beijou os gêmeas e logo em seguida Mira, logo depois saiu da sala. — Vamos subir também? — Sim — Disseram juntas e sonolentas, levantaram e seguiram para as escadas.
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