• Maria •
Assim que meus olhos se abriram, eu ouvi palmas e senti a mão de Christina em meu ombro. Ela sorriu de forma acolhedora para mim e me parabenizou.
Eu me levantei desnorteada. Todos os meus medos foram calculados... Todos menos o último. Meu pior medo e que quase me prendeu na simulação.
Eric.
— Vai pro meu apartamento agora e me espera lá.
Olho para o lado e vejo Eric perto de mim, mas ele está olhando fixamente para o telão em que mostra os tempos dos que já foram simulados.
— Como é? — sussurro de volta
— Me espera lá. Eu chego em cinco minutos pra abrir a porta pra você. — ele sussurra ainda sem me olhar
— O que? Eric, não. — franzo o cenho
— Não vou falar de novo. — ele me olha rapidamente, mas logo volta a disfarçar — Vá!
Eu não quero falar com Eric agora. Nós tivemos uma noite bacana, apesar dos gritos, mas eu não quero conversar com ele. Provavelmente o assunto será meu último medo e eu não me sinto pronta para explicar isso. Não me sinto pronta porque eu simplesmente não tenho uma explicação.
Decido ignorar a sua ordem. Sabe-se lá o que temos, pode e vai esperar. Quero esquecer meus problemas por pelo menos hoje. Comemorar que eu passei e meus amigos também. A partir de hoje, Drew, Ali, Jessie e eu somos oficialmente membros da Audácia.
— Parabéns, novos membros da Audácia! — Max diz e uma salva de palmas é ouvida — Amanhã vocês poderão escolher suas funções, de acordo com suas ordens de classificação. A partir de hoje, vocês são nossos e nós somos um.
Gritos e mais gritos são ouvidos. Drew me abraça forte, tirando meus pés do chão e eu me permito sorrir e comemorar com ele. Ali e Jessie se juntam à nós e, juntos, decidimos ir fazer mais tatuagens.
Chegando ao estúdio, escolhemos por uma tatuagem em grupo, que nos represente. Optamos por fazer cada um o símbolo de um dos quatro naipes que compõem um baralho, para nos lembrarmos sempre que há alguém para nos ajudar.
♣ — Drew
♠ — Maria
♥ — Ali
♦ — Jessie
Fiz também outras tatuagens que achei bonitas. Confesso que está começando a virar vício. Preciso me policiar sobre isso. Na lateral do dedo anelar da mão esquerda eu fiz a frase be brave, para eu sempre me lembrar de ser corajosa. Na costela, eu fiz o símbolo de diferente (≠), me referindo ao fato de eu ser divergente.
— E então, como estou? — olho para meus amigos, exibindo meus novos desenhos corporais
— Achei que faria uma no pescoço também, como o Eric. — Jessie diz
— Não sei se encaro isso como elogio ou ofensa. — digo demonstrando confusão
— Ofensa, com certeza. — Drew murmura e me puxa pela cintura, pondo-me no meio de suas pernas, analisando o desenho em minha costela — Ficou bonito.
— Jura? — sorrio
— Juro. — ele sorri para mim
— Melhor amigo do mundo. — o abraço pelo pescoço e beijo sua bochecha
— Vocês deviam namorar. — Jessie comenta
— Jessie! — Ali a repreende
— Que? — olho pra ela
— Só pensei alto. — ela dá de ombros
Nesse momento, fico feliz que eles não tenham visto meus medos também, se não saberiam do meu caso com Eric. Já foi estranho suficiente ver alguns membros da Audácia e do Conselho me olhando e cochichando.
— Sete horas. — Jessie diz olhando no relógio — Bora. Max mandou que estivéssemos no refeitório às sete.
— Se corrermos, chegamos às sete e dez. — Drew diz
Começamos a correr feito quatro malucos pelo complexo da Audácia e, com menos de cinco minutos, eu já estou cansada.
Quando chegamos no refeitório eu já estou me arrastando e quase pondo meu pulmão pra fora pelas narinas. Me apóio no ombro de Drew e fico esperando todos os iniciandos se juntarem. Eric, Max e os outros dirigentes da Audácia estão na parte de cima do refeitório. Quase como em seus altares.
Por um momento, o olhar de Eric cruza o meu. Ele está furioso. Provavelmente por eu não ter obedecido o seu comando e por estar tão próxima de Drew.
— Prestem bastante atenção! — Max diz alto — Todos os membros da Audácia, incluindo antigos e novos, devem formar duas filas em direção àquela mesa.
Ele aponta para a mesa grande onde em cada ponta há um cara m*l encarado com um aplicador em mãos. Me encolho e me pergunto o que será aplicado em nós.
— É um rastreador. — Eric diz, como se lesse minha mente — Sem perguntas! É apenas para suas seguranças.
Drew, eu, Jessie e Ali, respectivamente, ficamos em uma fila aguardando nossa vez. É possível ouvir burburinhos e eu tenho certeza que todos estão animados com sua nova facção e, alguns, confusos.
Quando chega a minha vez, Eric está conversando com o cara que irá me aplicar o rastreador. Respiro fundo e baixo meu olhar.
— Olá, Hippie. — o aplicador diz e me lança um sorriso torto — Você foi bem.
— Obrigada. — limito-me a dizer
— Vai ser como uma picada, ok?
— Você não está aqui para conversas, Túlio. — Eric adverte
Sinto a mão do aplicador — que descobri se chamar Túlio — em meu rosto e ele inclina minha cabeça para a esquerda, deixando meu pescoço livre. Com a outra mão, ele aplica o rastreador em mim e me encolho ao ouvir o barulho. Foi mais barulhento que doloroso, confesso.
— Prontinho — ele sorri
Eu me viro e sinto Drew me abraçar pelos ombros. Esperamos que Ali e Jessie fossem marcadas e, depois, fomos juntos para o dormitório.
***
Abro meus olhos.
Me sento na cama.
Espero que todos ao meu redor façam o mesmo.
Fico de pé...
... fico tonta.
Me sento de novo na cama.
Pisco os olhos, sentindo-os pesados. Olho em volta sem entender nada. Decido seguir como os outros.
Me visto com calça preta, botinas e jaqueta. Prendo o cabelo e logo estou pronta com um dos trajes de guerra.
Sigo em fila com meu grupo e observo meus amigos. Eles parecem estar sob o efeito de alguma simulação.
Passo a mão em meu pescoço e então me lembro do rastreador que nos aplicaram. Não era um rastreador. Estão nos usando para algo.
Ainda em fila, chegamos no fosso, onde armas estão sendo distribuídas. Ouço as vozes de Max e Eric. Não estão no meu campo de visão e eu não me arrisco a procurar.
— Eles nos vêem e nos ouvem, mas não processam.— ouço a voz de Max — Obedecem apenas ao comando do dispositivo.
— A Erudição consegue me surpreender. — Eric comenta em desdém
— Ei, o que é pra fazer? — ouço uma terceira voz
— Olha, temos um anormal aqui. — Max zomba — Nenhum divergente passará.
— Não. — ouço Eric suspirar
— Psiu! Ei! — Max diz e ouço passos — Relaxa. Vai ficar tudo bem.
Ouço dois disparos e não me mexo. Não preciso olhar para saber que o dono da terceira voz que ouvi está morto.
Pego minha arma. É uma arma grande que precisa da técnica que Quatro ensinou no tiro ao alvo.
Juntos, como um exército, caminhamos juntos para pegar o trem que já nos espera na estação.
Uma vez no trem, o mesmo começa a andar e eu fico parada, sentindo algumas lágrimas silenciosas escaparem.
Eric não queria que eu participasse dessa merda toda. Eu nem sei que p***a é essa. Mas se a Erudição está por trás, coisa boa não é.
Talvez isso tenha ligação com a morte do meu pai.
★★★
— Querida, pode sair de seu esconderijo.
Assim que ouço a voz de papai, saio de trás da árvore de tronco grande. Coloco as mãos para trás e abaixo a cabeça, me sentindo envergonhada.
— Dona Jeanine anda o visitando muito. — digo baixo
— Ela precisa de um favor meu.
— Favor? — olho para ele curiosa
— Eu já fui da Erudição, querida. Há muito tempo. — ele se abaixa para ficar num tamanho próximo ao meu — Jeanine era minha amiga.
— Então por quê você não ajuda? — franzo o cenho — Amigos ajudam amigos, certo?
— Mais importante que amigos ajudarem amigos é amigos manterem o foco de outros amigos. — ele explica paciente — Um amigo de verdade sempre deve alertar o outro, quando esse outro tiver fazendo algo errado.
— Então a dona Jeanine está errada?
— Jeanine quer que eu faça algo para ela, mas eu não irei fazer.
— Faça, papai. Por favor, faça. — imploro — Eu não gosto quando ela fica vindo te ver e, se você não fizer, ela vai ficar insistindo.
— Não, meu amor. Não tenha medo. Ela foi embora e não voltará mais.
★★★
E meu pai tinha razão. De fato, ela não voltou. Mas mandou alguém voltar.
Dias depois eu recebi a notícia de que meu pai foi baleado num conflito entre os Sem-Facção que a Audácia precisou intervir.
Respiro fundo e trato de tentar controlar minhas lágrimas. Agora não é hora para isso. Se eu conseguir fugir, posso pedir asilo na Amizade, com Johanna e ficar com ela pro resto da minha vida.
Não é o que eu almejei na minha vida, mas eu também não almejei estar envolvida nas sujeiras da Erudição.
Sinto alguém empurrar de leve meus dois ombros. Olho discretamente e percebo que estou entre Tris e Quatro. Respiro um pouco mais aliviada. Vou esperar o momento certo e contar meus planos para eles. Talvez a Amizade também possa dar asilo à eles.
O trem pára na estação da Abnegação. Fico tensa. A Audácia vai atacar a Abnegação? Por que? Para quê?
Todos descemos e então já vão invadindo as casas e rendendo as pessoas. Quatro e eu vamos passando, enquanto Tris dá a volta por trás para achar a casa de seus pais. Vamos seguindo suas coordenadas e logo estamos lá. Assim que entramos, vemos Tris ajoelhada entre o corpo de uma mulher e o de um homem. Ela está chorando. Não preciso ser um gênio pra saber que são seus pais e que estão mortos.
— Precisamos dar o fora daqui. — Quatro diz observando lá fora pela janela
— Eu tenho um plano. — digo — Johanna pode nos disfarçar. Precisamos ir para a Amizade.
— Escuta, Maria, Tris e eu viemos investigando esse ataque há alguns meses. — Quatro me explica
— Então vocês sabiam que isso ia acontecer? — franzo o cenho
— Não da forma como está acontecendo, mas sabíamos que algo estava errado. — ele diz — Tris! — chama pela namorada
— Eu não pude fazer nada. — ela murmura ainda chorando pelos pais
— Tris, eles não se foram em vão. — ele a olha — Você precisa continuar viva.
— Precisamos parar essa simulação. — ela diz se levantando e ajeitando sua arma
— O quê? — arregalo os olhos — Como?
— Voltamos ao complexo, paramos a simulação e fugimos pra Amizade. — Quatro decide o plano
— É suicídio. — me oponho — A gente nem sabe de onde estão controlando isso.
— Audácia. — Tris afirma — Eles montaram uma sala especial na equipe de segurança. Só pode ser lá.
— Então nós vamos. — Quatro diz — Maria, você é livre pra partir, se quiser. — me olha
— Não, né?! — reviro os olhos — Vocês vão, eu vou.
— Então vamos.
Juntos, saímos de dentro da casa da Tris e tentamos nos misturar com os outros, mas Max pára na frente de Quatro e eu me escondo, observando tudo de trás de um muro.
— Número um. — ele desdenha — Primeiro da lista, agora nada. — sorri — Nós te demos a chance de ser um de nós, mas no final você se mostrou apenas como sempre foi: um careta. Eric é muito melhor que você.
Quando ele diz isso, sinto um arrepio passar em meu corpo e vejo Quatro trincar o maxilar. Max saca a arma do coldre.
— Eric ficará feliz por não te ter mais no caminho. — diz sorrindo — Diga "adeus", babaca. — aponta a arma para a testa dele
— Adeus! — Tris diz
Uma cama de gato é feita. Max tem a arma na cabeça de Quatro e Tris na cabeça Max.
Sinto meu coração acelerar no peito e tento não ficar nervosa para fazer a coisa certa. Apenas observo.
— Divergentes não passarão. — Max diz firme — Nem mesmo um.
— Está disposto a morrer por isso? —Tris pergunta
Observo em volta e percebo que nenhum soldado controlado se aproxima. Não vejo Eric, nem meus amigos e nem mesmo Ezra ou Sam, que são conhecidos meus de iniciação.
Tris atira no quadril de Max e ele cai no chão gritando, mas é apenas mais um grito em meio a tantos outros dos membros da Abnegação. Quatro arrasta o corpo dele até o beco onde estou e, enquanto ele discute com Tris sobre como chegar até a Audácia sem que ninguém nos veja, eu encaro o rosto retorcido de Max. Está claro que ele está sentindo muita dor.
Tenho uma vontade súbita de atirar nele, mas o peso da medalhinha de Edward em meu pescoço me impede. Ele me entregou a medalha dele, se importou com isso. Dado as circunstâncias, eu apenas rosno e bato com minha arma no rosto dele. Ele desmaia.
— Vamos dar a volta e pegar o trem. — Quatro diz — O próximo vai passar em poucos minutos.
— Não vejo Eric. — Tris diz
— Nem meus amigos. — comento
— Devem estar na Audácia. — Quatro supõe — Vamos.
Nos esgueirando pelos becos, ouvindo os gritos e disparos, chegamos até os trilhos exatamente quando o segundo vagão do trem está passando. Alguns soldados nos vêem, mas pulamos no quarto vagão do trem antes que atirem em nós.
— Vamos entrar por cima.
— Eu vou ter que pular naquela joça de novo? — encaro Quatro
— Quem é que fala joça? — ele franze o cenho pra mim
— É uma gíria comum da Amizade.
— Pode tirar um hippie da Amizade, mas não se pode tirar a Amizade de um hippie. — ele comenta rindo
— Acho muito bacana a sua capacidade de rir num momento como esse, Careta! — cuspo a última palavra, lembrando das histórias que ouvi pelos corredores da Audácia
— Ah, então já descobriu minha facção de origem?
— Vocês poderiam não discutir sobre isso agora? — Tris nos interrompe — Estamos em um trem, provavelmente indo pra nossa morte.
— Controle a boca do seu namorado. — rosno
— Já pegou a mania do namorado de ficar soltando rosnados por aí. — ele debocha — Parabéns!
— Quatro! — Tris o repreende
— Sugiro que não me provoque, Quatro. — o encaro — A maior parte de mim pertence a Audácia.
— Que medo. — ele revira os olhos
— Crianças. — Tris revira os olhos
Não demora muito para que eu veja o alto do prédio que pulamos no início. Eu me lembro que, se não fosse por Drew, eu teria caído no parapeito. Talvez estivesse morta agora. Sinto um frio na barriga.
Vou conseguir pular agora?
— Rápido! — Tris diz com a arma atravessada no corpo pela bandoleira — Vamos! — ela pula
— Quer segurar minha mão? — ouço Quatro perguntar
Rosno e faço o mesmo que Tris com minha arma, chegando pra trás no vagão. Respiro fundo, saio correndo e pulo. Por alguns segundos, sinto tudo em câmera lenta. A gravidade parece finalmente funcionar e eu vou direto pro chão, mas não sem antes bater no parapeito. Deitada no chão, eu seguro meu braço sentindo dor e vejo Quatro passar por cima de mim e cair um pouco longe. Ele rola no chão e já se levanta em pose de ataque.
Levanto sentindo meu corpo protestar e vou até onde Eric estava, na primeira vez em que estive aqui. Agora, é Tris quem está ali.
— Eu vou primeiro. — Quatro diz se aproximando e subindo no parapente — Se tiver alguém lá embaixo, eu neutralizo.
— Não me oponho. — cruzo os braços esperando que ele pule
— Quando eu pular, contem até dez e pulem também. — avisa e pula
— Pra quem era caladão, ele tem se mostrado bem implicante, não? — olho para Tris
— Acho que você inspira ele. — ela murmura e ri fraco — Vem! Vamos juntas.
***
O complexo da Audácia está deserto. Isso é bom e estranho ao mesmo tempo. Quatro segue abrindo caminho na frente, eu cuido das laterais e Tris da retaguarda. Não faço ideia de pra onde estamos indo, mas estamos indo a algum lugar.
— Disse que não viu seus amigos, né? — Quatro murmura — Vejo duas daqui.
De onde estamos, escondidos pela má iluminação do local, consigo ver Ali e Jessie em estado catatônico protegendo uma porta gigante. Elas têm armas iguais as nossas, mas não parecem muito atentas.
— Se nos aproximarmos, elas atiram. — Quatro explica — São ativadas por movimento.
— Não vou atirar de volta. — digo
— É sobrevivência, Maria.
— É sobrevivência porque não são seus amigos, não é? — o encaro — Aliás, você tem algum amigo? Tirando Tris, não te vejo com ninguém.
— Calem a boca vocês dois. — Tris revira os olhos
— Tá. — reviro os olhos e olho para o corredor de novo — Vamos atirar nelas. Mas de raspão e em uma área que apenas dê pra neutralizar. Nada grave.
— Tenho braçadeiras aqui. — ele diz — Vamos prendê-las juntas do lado de fora, assim ficam seguras.
Tris mira e dispara. Os tiros pegam de raspão no braço de cada uma e Quatro e eu aproveitamos a distração para correr até elas e desarmá-las. Eu dou uma coronhada em Jessie, que desmaia e Quatro faz o mesmo com Ali. É muito estranho ver um homem do tamanho dele tendo que neutralizar alguém como Ali. Ela deve ter um metro e meio só.
Amarramos as duas juntas e Tris atira nas câmeras da porta, pra evitar que nos vejam.
Quatro atira no quadro de controle da porta e depois na junção dela. Com um chute, ele abre a porta. Jeanine está lá dentro e, pra minha surpresa, Eric está com ela como seu guarda-costas.
— Não atirem. — ela diz quando os três soldados apontam suas armas para nós
— Achei o terceiro, Maria. — Quatro diz
Sinto o cano frio da arma na minha nuca e ouço um rosnado. Não preciso pensar muito pra saber que Quatro fala de Drew. Meu amigo está com a arma contra a minha cabeça.
— Entreguem suas armas. — Jeanine diz e Eric me olha
Tudo acontece muito rápido. Quatro atira na coxa de Jeanine, ela cai e Eric estica o braço, apontando sua arma. Ouço o disparo e sinto a bala passar por mim. Me viro a tempo de ver Drew cair no chão com a mão no ombro. Ouço outros disparos, mas a ardência em minha perna chama mais minha atenção. Olho para Jeanine e a vejo caída no chão, com a pistola apontada pra mim. Eric chuta o rosto dela, a desmaiando e eu despenco no chão, sentindo meu sangue sair dos dois buracos de bala na minha perna.
— Eu mandei você ficar na p***a do meu apartamento, Maria. — ouço Eric rosnar ao se aproximar de mim
— Não se aproxime! — ouço a voz de Quatro
O tiroteio continua acontecendo. Quatro e Tris tentam se livrar dos outros soldados. Com a visão turva, vejo Eric se abaixar diante de mim e cortar um pedaço da minha camisa, amarrando firme na minha coxa.
A última coisa que vejo, são seus olhos azuis acinzentados me olhando. A ardência é forte demais. Me entrego a ela.