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1270 Palavras
• Eric • Com a perna enfaixada, graças ao tiro que eu mesmo precisei me dar, após fugir de Quatro e Tris, na enfermaria da Erudição, as imagens do que vivi hoje se repetiam e repetiam. Eu poderia ter ajudado Jeanine assim que ela caiu, mas eu preferi atirar em Drew, pois sabia que ele apertaria o gatilho e mataria Maria. Maria. Eu arrisquei tudo por ela. Ela é minha fraqueza. Eu não posso ter fraquezas. Eu não quero ser fraco. Eu quero ter frieza o suficiente para fazer o que deve ser feito para meu benefício. Não quero ter que pensar no que minhas escolhas causarão à uma outra pessoa. — Eric. — a voz de Joanne me desperta dos pensamentos. Ela está entrando no local e se colocando ao lado da poltrona em que estou sentado — Você está bem? — Estou. — murmuro m*l humorado — E você? — Não. Esse azul todo me causa náusea. — ela faz careta — Você deve estar se sentindo em casa. — Eu sou da Audácia. — respondo curto e grosso e a encaro — O que aconteceu naquela sala de controle? — Joanne pergunta Joanne não participou do ataque. Eu a tranquei no meu apartamento e era para Maria estar fazendo companhia a ela. ★★★ Em silêncio, me escondo em um beco do corredor enquanto escuto Tris e Quatro discutindo sobre os testes finais. Franzo o cenho ao ouvir o nome de Maria na conversa. — Espero muito que ela consiga. — Tris murmura — Ela estava muito instável nos testes. — Eu nunca te agradeci por ter me ajudado com ela. — Quatro diz — Obrigado, Tris. — Não agradeça. ★★★ Descobrir que a mulher com quem você está envolvido é divergente minutos antes do teste final é insano demais. Eu fiquei nervoso, eu queria entregá-la para Jeanine, mas invés disso eu apenas a mandei para o meu apartamento. E o que ela fez? Me desobedeceu. Eu ainda vou enlouquecer por culpa dela. — Eu atirei no Drew pra salvar a Maria. Quatro atirou na Jeanine e eu aproveitei que ele estava ocupado com os outros pra sair de lá. — conto — Então ele não atirou em você, como você disse. — ela franze o cenho — Eu precisava de uma desculpa pra não ser morto. — Isso é loucura, Eric. — ela respira fundo — Vamos embora daqui. — Eu não posso. — Você não deve nada pra esse povo, Eric. — ela me olha séria — Acho que sei pra onde foram. — digo — Vão te acolher bem. *** Chovia torrencialmente. Um pesadelo e o barulho de um trovão me fizeram acordar no susto. — Sh! Está tudo bem, querido. Eu estou aqui. Sua voz me acalma. Seu cheiro me deixa embriagado. Maria é como uma droga pesada para mim. Droga que me viciou. A mulher que eu amo. — Foi horrível. — minha voz sai baixa — Não precisa ter medo. — ela sorri e passa a mão em meus cabelos — Com sua mão na minha e o nosso amor, não há nada que não possamos fazer. — Eu amo você, Maria. — confesso olhando no fundo de seus olhos e ela dá um fraco sorriso — É tarde. — sussurra — O que? — franzo o cenho De repente a cama está cheia de sangue. Minha mão está segurando o cabo de uma faca e essa faca está fincada em sua barriga. A quantidade de sangue é absurda. — Não, não, não, não! — me ajoelho na cama e tento estancar o sangue — Maria?! Ela sorri para mim e segura minhas mãos ensanguentadas. — Você me matou, Eric. Está feliz? — Não! Não. Não. Não. — puxo a faca e vejo seus olhos ficarem sem vida — NÃO, MARIA! Abro os olhos num sobressalto. Me sento e olho na cama, provavelmente procurando o corpo ensanguentado de Maria, mas ela não está ao meu lado. Respiro fundo e afundo o rosto no travesseiro, abafando um grito de dor, frustração e rendimento. Não. Rendimento não. Não vou me render à isso. Não posso. Mas já estou rendido. No fundo, sei que estou. Com raiva, começo a socar a cama e os travesseiros. Quero sufocar esse sentimento que me sufoca. Quero gritar. Quero matar. Só quero deixar de sentir. — p**a que pariu! Eu amo aquela Hippie. • Maria • As carícias em meus cabelos eram constantes, o que fez com que eu abrisse meus olhos de maneira lenta e preguiçosa e notar que Tris é quem estava ali. Primeiro, sorri gentil e fechei os olhos. Depois, me sentei e olhei o local à nossa volta, notando ser meu antigo casebre na Amizade. A abracei forte. — Como foi? — pergunto afobada — Onde está Quatro? — Calma. Deu tudo certo. — ela me dá um meio sorriso — Quatro está bem. Está lá fora, socializando. Um Quatro sociável é uma imagem embaraçosa para minha mente que acabara de despertar. Chuto as cobertas e percebo o grande curativo na perna, que constata que eu realmente tomei dois tiros. — Conseguiram apagar a simulação? — Sim, mas a má notícia é que estamos sendo caçados. A Amizade pode não ser segura por muito tempo. Olho para mim mesma e percebo estar vestindo uma longa camisola laranja, que está embolada em minhas coxas. Passo a mão nos cabelos e solto um longo suspiro. — Vai ser difícil se camuflar por aqui. — comento — A gente dá um jeito. — Tris sorri gentil — Mais alguém veio com vocês? — Meu irmão, Caleb. — ela diz — Drew, Ezra e Sam. — Jessie e Ali? — pergunto receosa — Da última vez que as vi, estavam confusas junto dos outros. Vai ficar tudo bem, ok? — ela segura a minha mão para me passar confiança — O que acha de um banho? Posso ajudar você. — Acho que colocar o pé no chão escorregadio não é uma boa ideia. — comento — Eu aceito a ajuda. — Certo. Fique aqui. Vou buscar algumas coisas na Johanna. Dito isso, ela sai e me deixa sozinha no casebre. Há um colchão no chão, indicando que ela estava dormindo ali. Coloco os pés para fora da cama e, gemendo de dor na coxa, me levanto. Não consigo muita firmeza na perna baleada, mas consigo me mover devagar e mancando. Em cima da cama, há uma faca que parece bem afiada. Franzo o cenho e a pego, imaginando que, provavelmente, faça parte da defesa pessoal de Tris. Vou até a janela e, pelo vidro, vejo os campos vastos e as árvores verdinhas que balançam com o vento. Uma enxurrada de memórias surgem em minha mente e então tudo fica confuso. "Papai. Papai, eu te amo. Por favor, não me deixe!" "Você me confunde, Eric!" "Você se casará com um homem que lhe ama e lhe fará bem. Serão uma linda família e então vai entender o amor que sinto por você. Eu te amo, Maria." "Eu gosto muito de você, Maria." "Obrigada por tudo, Quatro." "Eu culpo você! Você é a culpada dessa confusão de sentimentos dentro de mim!" As lágrimas se fazem em meus olhos e descem por meu rosto. Sinto raiva. Dor. Eric atirou em Drew pra me salvar, no entanto, ele não está aqui agora. Ele escolheu a Erudição ao invés de mim. Mas por que me salvou? Nada parece fazer sentido entre nós. Ele parece estar lutando uma guerra interna e eu não faço ideia de quem vai ganhar. Ele ou a fera dentro dele.
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