Terras Altas — Escócia
Estava amanhecendo, o sol rompia as nuvens no lado leste, deixando a paisagem no vale encantado de Glencoe ainda mais fantástica. De toda a Escócia ali era seu lugar favorito, levaria Hipólita para conhecê-lo, certamente ela adoraria ver o pôr do sol daquela região.
O vale de Glencoe era o tipo de lugar que mexia com todo o ser das pessoas, despertava emoções, era mágico, talvez fora por isso que era denominado como "encantado". O ar ali parecia purificar todas e quaisquer enfermidade que alma maquiavélica humana podia ter. As montanhas, flores, gramas, o conjunto perfeito do imagem do paraíso.
Fora ali que todos os clãs de Terras Altas e Terras Baixas selaram a paz e proclamaram o seu pai Rei da Escócia, apesar de ser um homem rígido, sabia que os escoceses admiravam sua forma justa de governar. Tinha certeza que seu pai merecia toda essa gratidão, depois de tantos anos de guerra, dor e mortes, ele fora o único que ao invés de pensar apenas em um pacto pacífico, ele quis também uma união. Por amor a Escócia valia a pena esta união, os inimigos e invasores sempre aproveitavam-se disso para massacrá-los. Agora, unidos eram mais fortes!
Ainda que o vento frio lhe tocasse a face de forma reconfortante, Louis não conseguia abrandar a tensão que vinha sentindo.
Havia se passado três longos dias desde o sequestro de Hipólita. Cada maldito dia parecia durar um ano. E ainda que soubesse que ela era forte o bastante para tomar conta de si mesma, as noites longe dela foram tortuosas e entediantes, m*l conseguiu pregar os olhos, estava consciente de que deveria descansar para poder estar forte quando chegasse a hora da batalha, mas não conseguia parar de pensar nela, naqueles olhos castanhos cheios de perspicazes, na boca macia e eloquente que guardava uma língua afiada o bastante para sempre contrariá-lo. Odiava admitir o quanto amava aquela rebeldia, ela era sempre tinhosa e cheia de sarcasmo.
Seu cavalo trotava na grama em plena velocidade quando Louis puxou as rédeas de Cocuyo fazendo-o parar, junto a Sor Jame e Conan se reuniriam com Rei francês Felipe II e Carlos de Neuburgo o Rei espanhol, para tratar do ataque a Londres. Apesar de ter evitado de todas as formas uma guerra, percebeu que a hora havia chegado, Anthonny tinha que ser detido.
Mesmo de longe pôde enxergar Carlos e dois homens, concluiu que o loiro de feições rude era seu general, enquanto o outro deveria ser Afonso Monroy a sua mão, eles seguravam estandartes com o brasão da casa real, uma flor de lótus, e admirava a vista do alto da colina íngreme, o ponto mais alto do vale, quando o homem percebeu sua presença sorriu:
— Vim aqui achando que iria encontrar um príncipe e dou de cara com uma princesa. — Ele olhou de esgueira para o Kilt que usava.
Os lábios de Louis se estreitaram em um riso acalorado, conhecera o homem ainda em sua infância, tinha quase duas décadas que não o via.
— Precisas ver o que encontrará por debaixo das saias dessa princesa. — Retorquiu divertido aproximando-se dele ainda em cima do cavalo — Carlos.
O velho homem apertou sua mão.
— Louis, apesar das circunstâncias, é bom te ver.
— Realmente. — Disse e novamente voltou a ficar sério — Preciso que reúna todo seu exército o mais rápido possível, precisamos atacar Anthonny antes que ele tenha tempo para armar uma estratégia. Achas que consegue?
Louis foi direto ao ponto, não queria perder tempo, já tinha tudo armado, só precisava da confirmação de seus aliados.
— Estamos sob ameaças de Anthonny há muito tempo, sempre estamos pronto para um combate, esperávamos somente a decisão de seu pai, Louis. Sei que ele lutou bastante para a Escócia voltasse a ter paz, sei que prezam pela vida dos seus, mas não adianta evitar o inevitável. — Bronqueou Carlos.
— Meu pai teve seus motivos.
— Eu o entendo rapaz, o entendo mais que ninguém, por isso estou aqui. A Inglaterra invadiu meu país, matou centenas de espanhóis em solo Espanhol. Sim, eu os odeio, se a Escócia clama ajuda à Espanha para lutar contra a Inglaterra, eu a ajudarei com toda honra.
— Tenha minha eterna gratidão Carlos, dou-lhe minha palavra de que a Espanha será vingada.
— Sangue de inocentes correm pelas mãos de Anthony, ele os dizimou por quase uma década.
Ao longo do curto tempo em que fora proclamado rei, Anthonny havia feito mais inimigos que os MacEhdach em toda uma vida. O fato de ser rei o fazia sentir-se invencível, o que era perigoso, nem sempre um rei precisava usar sua espada para conseguir algo, a sabedoria era umas das maiores armas que o líder poderia ter. Um rei deveria ter equilíbrio, saber quando precisava entrar em uma guerra e quando deveria fazer acordos, no final era isso que determinava o futuro de sua casa e de seu povo.
Em poucos minutos depois que Rei Felipe chegou e as apresentações foram feitas, Louis ainda estava a espera de mais um convidado, um aliado indispensável nesta guerra, essa seria sua vantagem.
— O que eles está fazendo aqui? — Proferiu Felipe entre dentes ao ver bem abaixo da colina homens se aproximando com estandartes com brasões da tradicional casa Wessex.
— Eu o convidei! — Respondeu Louis no mesmo tom hostil que o rei havia usado.
— Ele é inglês! — O homem cuspiu depois que proferiu as palavras, dava para ver o quanto ele os odiava.
— Sim, ele é inglês.
— Me traiu Louis. — Felipe lamentou com fúria. Sabia o quanto a França havia sofrido nas mãos de Anthonny, mas ele não colocaria tudo em risco por orgulho dele.
— Acalme-se Felipe, Louis nos convocou, eu confio nele. — Afonso, quem tentou abrandar a tensão entre eles — Escute primeiro o que o homem tem a dizer.
— Não confio em ingleses, eu os odeio. Meu desejo é de matar todos eles.
— Não matará, ao menos, não sob o meu comando, se queres minha ajuda precisas entender que não sujo minha espada com sangue de inocentes. — A voz ríspida de Louis ressoou causando ainda mais apreensão entre os homens, as veias de seu pescoço saltaram tamanha sua raiva.
— Os ingleses mataram minha mulher e meus filhos, toda minha descendência, quer que eu tenha piedade deles?
— Não pode culpar um povo pela tirania de seu rei. — Retrucou ele — Não achas que também não quero matá-lo? Todos aqui tem um motivo para odiar Anthonny e seus aliados. A mulher que amo e que espera um filho meu é inglesa e, está sob domínio de Lord Byron, a mão do rei. Quer ferir alguém? Use seu ódio contra Anthonny, ele quem desgraçou a sua vida.
— Maria Hipólita? — Afonso inquiriu surpreso.
— A conhece? — Louis franziu o cenho enquanto esperava a resposta do homem.
— Sou primo de sua falecida mãe. Suspeito que Anthonny e Fredis armaram uma emboscada para matar Katharine e Edgar Hallwick. A coroa tinha uma dívida imensa com o banco dos Hallwick, qual a melhor maneira de quitar suas dívidas? — Afonso indagou, fazendo um gesto com a mão pelo próprio pescoço, como se estivesse cortando-o — Acredito que houve um trato entre eles, Fredis perdoou a dívida de Anthonny e lucraria com o banco, enquanto Byron casando-se com Hipólita herdará todos os bens seus bens. Tens idéia do quão grande és o patrimônio dos Hallwick?
Louis pressionou o cabo da espada em dúvida sobre qual dos três miseráveis deveria matar primeiro. Acabou decidindo que seria Fredis, tio de Hipólita, era seu dever como tio protegê-la, era isso que família fazia. Mas tudo o que o maldito fez foi vendê-la para um Lord desgraçado que em breve ele mataria.
— Ela corre perigo… — Disse Louis pensativo. Sabia o quanto ela poderia ser impulsiva e teimosa, isso poderia colocá-la em maus lençóis.
Ao abeirar-se entre os homens Edmundo foi recebido com carrancas por parte do rei francês, a todo instante trocavam farpas.
Edmundo tinha motivos suficiente para querer a queda de Anthonny, o usurpador que tomou-lhe o trono havia matado seu irmão primogênito, o verdadeiro herdeiro da coroa inglesa, ele ainda era uma criança e sua irmã fora impedida de receber o título por ser mulher. Então assim que Anthonny, filho do irmão de seu pai, adquiriu o poder, Edmundo teve que abdicar do trono para manter a segurança de sua família, uma vez que Anthonny não sossegaria até que o jovem não fosse mais um empecilho para ele.
Jamie desenrolou o mapa que carregava junto a ele, o mapa mostrava toda a Londres, fora marcado com um "x" cada ponto onde demarcava a casa de um nobre inimigo.
— Esta aqui é a Fortaleza Real de Anthonny — Sor Jamie passou o dedo indicador em um ponto específico no mapa — A invasão começará no amanhecer do dia, os homens de Edmundo cercaram o Palácio. O exército de Carlos e Felipe ficarão responsáveis por fazer um cerco em volta da cidade.
— A sorte está ao nosso lado. Anthonny convocou todos os Lords e suas casas vassalas, Londres está repleta de pessoas, todos os nossos inimigos estão lá. — Edmundo ressaltou confiante — Da casa Cawllon á casa Snowdon.
— Enquanto ao seus homens? — Felipe perguntou diretamente a Louis.
— Iremos interceptar os homens de Byron, eles estam na propriedade Hallwick. — Esclareceu ele — A casa Byron tem o maior exército da Inglaterra, maior até que o do próprio rei, estão todos reunidos fazendo a guarda de Hipólita.
Louis pensou em Hipólita e no que ela poderia estar passando, seu coração cumpria-se no peito só de imaginar, ela teria que ser forte, por ela, por seu filho.
Em dois dois iria ser feito um cerco em Londres, guerra começaria. E que Deus tivesse piedade de Lord Byron, porque ele não iria ter!