[NARRADO POR MURILO FERREIRA] Depois do beijo que fez até passarinho parar de voar, fiquei uns segundos só encarando ela. A cara vermelha, o olho brilhando… Melissa parecia uma chama que se recusava a apagar. Era braba, era linda, era minha. Ela ainda ria com o canto da boca quando sussurrei perto: — “Vem… antes de ir pra casa, vou te levar num lugar.” — “O quê? Com essa roupa, esse calor, e tu suado desse jeito?” — ela arqueou a sobrancelha. — “Confia, mulher. Não vou te jogar no mato, não… ainda.” — pisquei. — “Tu tem cada uma…” — ela balançou a cabeça, mas o sorriso dizia que ia me seguir até o fim do mundo se eu mandasse. — “Neguim! Cuida do portão aí, hein? Fecha a quadra, passa a régua… e bota no caderninho: Ferreira é foda.” — “Vai tomar no cu, Murilo!” — ele gritou, rindo.

