Capítulo 7

1181 Palavras
Na manhã seguinte, eu fui para a escola como de costume. Passei todo o tempo pensando no encontro depois da aula. E fiquei me perguntando, se não foi fácil demais, me convencer a dar a chance para ele se explicar, ele nem precisou insistir. Sei la, acho que deveria ter dificultado um pouco, e mostrado o mínimo de orgulho pelo menos. 
Suspirei com um turbilhão de pensamentos gritantes em minha cabeça, que ficaram me torturando, ja que não podia mais voltar atras e mudar a impressão que provavelmente eu passei para o Bruno, a impressão de que eu sou a mais interessada nesse encontro. Talvez eu seja mesmo.
Após a aula, eu sai pelo portão da escola, olhando para todos os lados a procura de Bruno. Ele nunca havia ido me buscar depois da aula, mas conhecia a escola onde eu estudava, pois alguns de seus amigos estudaram nela. O avistei do outro lado da rua, encostado em sua moto. Quando os nossos olhos se encontraram, ele acenou discretamente, e meu coração disparou, não esperava ter esse tipo de reação, mas era obvio que eu ainda gostava dele. Respirei fundos e fui ao seu encontro, ansiosa por dentro, mas tentando parecer indiferente por fora. A alguns passos distante Bruno estendeu uma de suas mãos, e me entregou uma sacola com chocolates, a observei discretamente, e percebi que eram importados. Peguei a sacola, agradeci a cortesia, mas não esbocei nenhuma reação Pois não queria que ele pensasse, que poderia amenizar a situação com presentes.
Trocamos algumas palavras, e eu sugeri irmos andando ate uma lanchonete na avenida principal, que ficava a uma quadra da escola. Eu queria evitar subir em sua moto, pois teríamos que nos aproximar demais fisicamente. E do jeito que eu fiquei só de olhar para ele, eu poderia facilmente implorar para voltarmos, se sentisse o cheiro do perfume dele, em sua pele. Ele ate tentou me convencer, a irmos para um restaurante na praia, mas eu relutei, pela minha dignidade, tenho meu orgulho.
Chegamos à lanchonete, e nos sentamos de frente um para o outro. Ele me olhou, nos olhos, e logo os desviou para baixo, tentando evitar contato visual. Deu um pigarro e começou a falar. - Bom, primeiro eu quero te pedir desculpas por me afastar, sem te dar satisfação. Sei la, eu não sabia como te explicar o que esta acontecendo, então… - Ele hesitou por alguns segundos, enquanto observava as minhas reações. - Pode continuar, eu vou apenas ouvir. -Tentei encoraja-lo, a continuar. - Bem, eu nem sei por onde começar… O interrompo. -Começa falando sobre a tal Carina. Ele pensa por alguns segundos, respira fundo, e começa a falar. -Ok, vou ser direto. Antes de te conhecer, eu namorava a Carina. Namoramos por alguns anos, e após muitas brigas, e idas e vindas, decidimos terminar o namoro definitivamente, para não perdermos mais tempo, ja que sempre terminamos. Não éramos compatíveis, e nos dois sabíamos disso, então seguimos cada um para o seu lado, e mantivemos a distancia. Nesse tempo eu comecei a namorar você, e tudo estava indo perfeitamente bem, ate a Carina ir me procurar, para informar sua gravidez. A principio pensei que ela estava enganada, pois ela saiu com um cara após terminarmos, então deixei para la. - Espera aí. - O interrompo. - Se ficamos juntos por 4 meses, e nos separamos a quase 1, de quanto tempo ela esta gravida? - Vai fazer 6 meses. - Nossa! E demorou esse tempo todo, para te falar? - Ela não sabia que estava gravida, quando descobriu ja estava com mais de 16 semanas. Pois a menstruação dela, é bem irregular, então nem desconfiou. So descobriu porque foi ao medico, sentindo um m*l estar. -Hum… Pode continuar. - Ela me procurou novamente, para mostrar os resultados dos exames, que indicavam a data aproximada, que ela engravidou, e a data batia, com o tempo em que ainda estávamos juntos, ou seja eu sou o pai. A primeira coisa que eu pensei nesse momento, foi em você. Não sabia como iria te falar, pois você é apenas uma adolescente de 17 anos, porque se submeteria a ficar com um cara de 21 anos, que ja tem um filho? E isso não é uma informação que da para esconder. Ouvindo suas explicações, eu sentia meu coração fragmentar a cada palavra dita. Mas não me permiti desanimar por completo, pois ainda tinha esperanças de voltarmos, Poderíamos enfrentar juntos as mudanças que a vida dele iria sofrer. Bruno continua… - Eu pensei muito sobre a gente, e estava decidido a conversar com você, e esclarecer a situação toda. Ate me preparei para a grande possibilidade de você se recusar a aceitar. Mas eu conversei com os meus pais, e com os pais da Carina, e eles acham melhor que eu me case com ela. Pois ja que eu sou o pai, devo ser homem, e assumir as responsabilidades. E as coisas para ela, vão ficar mais difíceis, então é indispensável a minha presença nessa situação. Meu mundo esta de cabeça para baixo Pérola. Ha 1 mês atras, estávamos construindo a nossa historia, Eu realmente me apaixonei por você, e nunca havia gostado de alguém da mesma forma. - Ele levanta os olhos, para encarar os meus. - Eu te amo. - Neste momento senti um nó em minha garganta. - Então é isso? Você me chamou aqui, para informar que vai se casar? Você disse que gosta de mim, mas e ela? Você ainda gosta dela também? Ele ficou me encarando, com o olhar confuso. - Ja que você vai se casar, o mínimo que você tem que ter pela pessoa é amor, ou vai se casar contra a sua vontade? - Pérola, não é tão simples como parece, casamento não depende somente de amor, existem responsabilidades a se cumprir. E agora eu vou ter um filho, e ele vai depender de nos dois. Eu queria que você fosse a mãe do meu primeiro filho, eu me casaria feliz. - Então para que me trouxe aqui? Para me torturar, falando o quanto me ama, mas que vai se casar com outra pessoa? O que você quer, me convidar para a cerimonia? - Me levanto irritada com a situação, e pego a minha mochila. - Pérola não é isso, eu queria te explicar pessoalmente. - Para que? Para nos dois sofrermos juntos? Era melhor ter continuado sumido, pelo menos eu só sentiria raiva da sua covardia, e continuaria acreditando que você não valia a pena. Mas desse jeito você queria o que? - Pérola não vai, fica só mais um pouco comigo. - Seu olhar muda, para dor, e meu coração amolece. - Bruno, agora não depende mais de mim. Então é melhor assim. - Me aproximo dele, e encosto os meus lábios nos seus por alguns segundos. Ele fica ofegante, e tenta me abraçar, mas me afasto e saio o mais rápido possível. Preciso sair de perto dele, pois a situação ja saiu fora do meu controle. Acelero os passos, enquanto lagrimas escorrem descontroladamente em meu rosto.
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